As Crônicas Aladas - Principatus
2 Capítulo Um.
Notas iniciais
Boa leitura.
Assim que acabo de arrumar o meu quarto dou um suspiro merecido. Olho para todos os cantos dele, apreciando o meu trabalho.
- Você fica parecendo uma criancinha assim, sabia? – Diz uma voz grossa.
Viro-me para a porta e dou de cara com Thony, o meu querido irmão.
-As vezes eu preferiria ainda estar nessa fase da vida. – Digo sorrindo.
Thony cresceu e continuou praticamente o mesmo. Para mim, ainda está lindo, e ficou responsável. Acho que nós dois ficamos após a morte dos nossos pais. Ele agora trabalha para me sustentar e eu estudo, arrumo a casa e faço a comida. Uma troca equivalente
-Falando nisso, você pensa que ainda tem a minha idade para ficar aqui? Não devia estar trabalhando?
-Vim te buscar, afinal, você pensa que tem a minha idade para ficar aqui? Não devia estar estudando? – Diz ele sorrindo.
Sorrio para ele.
-OK! Você venceu. Pode ir me esperar lá em baixo que em segundos eu estou lá.
-Estarei no carro. – Avisa-me descendo.
Troco-me, de um jeito rápido, para não me atrasar, pego o que é preciso e me olho no espelho.
Olhos azuis meio cinza me encaram. Cabelos louros e longos caem até o meu peito. Uma camiseta branca e uma calça jeans acompanhada de um par de All Star da cor preta. Estou boa!
Desço a escada, tranco a casa e vou-me para o carro.
— Pronta?
-Manda ver!
Ele liga o carro e assim, nós vamos mais uma vez para o nosso evento diário.
+++
Não gosto da escola. Acho que aqui é um lugar onde todo mundo veste uma fantasia para impressionar os outros.
Enquanto ando pelo corredor, só vejo gente sorrindo e conversando. Como podem fazer tais coisas? Não sei por que todos agem de um jeito tão forçado.
Entro na minha sala, vou para o meu lugar e sento-me colocando a minha mochila em cima da carteira branca e fria, pego meu fone, coloco-os nos meus ouvidos, deito minha cabeça sobre os meus braços e começo a viajar enquanto a aula não começa.
Infelizmente, todos já estão na sala e o barulho dos alunos conversando é maior que a sinfonia que meus fones estão reproduzindo agora. Tiro-os e começo a ficar ali, somente sentada e olhando para o nada. O barulho enche os meus ouvidos, mas não dou atenção para isso, nunca dei.
Minha sala pode ser considerada uma sala normal. Há várias pessoas nela, cada uma com o seu grupinho. Tem o grupo das meninas atiradas, que sentam no meio das fileiras. Elas adoram trocar de meninos, assim como trocam de roupa.
Existe o grupo dos meninos populares jogadores, que também vivem trocando de meninas.
Tem também os nerds. Sempre vem para cá com a roupa do pijama. Vivem estudando e sendo oprimidos pelos populares.
E temos nós, os excluídos. Não andamos juntos, mas somos pessoas que não fazemos a mínima diferença. Algumas meninas excluídas tentam até se tornarem populares, mas nunca conseguem, outras tentam se vestir bem e ficarem lindas, mas isso não é somente o preciso para que elas sejam “alguém” nessa escola. Uns meninos malham para exibir seus músculos sobre músculos, mas ficam ridículos. Outros tentam criar bandas, mas nunca obtém a fama. Tenho sorte por não precisar fazer nada, afinal, sei que a escola não é um lugar para que eu seja alguém, e sim um lugar que tenho que passar para que futuramente eu me torne alguém que a presença seja importante.
O professor entra na sala deixando um clima tenso. Todos ficam quietos, afinal, ele anunciou o teste. Acho engraçado o como às pessoas mudam quando os professores marcam testes. Todos ficam mais atenciosos e parecem se importar mais com o ensino. Eu continuo a mesma. Não acho que simplesmente me darei bem numa prova por ter prestado atenção em três aulas antes dela. E também não acho quem se dá bem em todas as provas, uma pessoa esperta. Ela é competente.
O sinal toca, os alunos saem da classe e vão para o refeitório. Já eu, continuo ali sentada. O intervalo é uma hora em que você pode interagir com os seus amigos, com o seu complô, mas eu não tenho um, então, fico sentada no meu lugar lendo. Todos os sem amigos ficam.
Coloco os fones de ouvido e mergulho em outro mundo novamente. Penso no meu passado, quando eu morava com a minha mãe e o meu pai. Eles eram legais, e meu irmão era distraído. Acho que essa foi a melhor época da minha vida, pois eles cuidavam de tudo para nós, sem nos deixar preocupados. Agora, com a ida deles, nós temos que nos preocupar com tudo no lugar deles. Thony tem que se preocupar com o trabalho e as dívidas, coisa que para mim, não parece fácil. Minha vida é que é fácil. Só preciso estudar e cuidar da casa.
Olho para os lados, apenas observando todos os outros alunos que não tem um complô para andar. Todos nós somos um tanto “estranhos”. Kym é uma delas, uma garota que em pleno colegial ainda usa Maria Chiquinha. Um óculos ray-ban preto. Ela parece ser nerd, mas não é. Sua habilidade está em educação física. Nenhuma menina joga como ela, mas eu vejo que, como ela não gosta de aparecer, ela esconde seu verdadeiro potencial.
Fernando também é um tanto normal. Deve fazer academia adoidadamente, pois seus braços já andam mais afastados do corpo que o normal, de tantos músculos. Pergunto-me o que essas pessoas têm na cabeça. Fazer academia para o próprio bem até vai, mas fazer para ganhar somente massa muscular chega a se tonar ridículo. Deve ser por isso que não tem amigos.
Atrás dele, Beatriz fica com o seu celular, jogando. Ela é praticamente uma baderneira que não faz nada na sala de aula. Vive arrumando briga com todas as garotas do colégio e é por isso que não tem amigos. Ninguém suporta essa garota.
Jamie está na terceira carteira da fileira ao lado da minha. Ele é realmente um cara legal, bonito. Seus olhos são azuis claros, o que dá um contraste nele mesmo, já que seu cabelo é escuro. Ele é músico e toca na banda do colégio, mas por se dar bem, ninguém o quer como amigo. Lembro-me do dia em que sua ex – na época, era a namorada dele – terminou com ele na frente de todos. Ele foi muito humilhado por ela, senti a ter dó dele e ódio da garota. Ele ficou, mais ou menos, duas semanas sem vir para o colégio. Foi aí então, que chamaram ele para tocar na banda, para esquecer os problemas. Parece ter dado certo, pois ele é uma pessoa que parece ser mais leve agora.
Na última carteira, senta o menino mais estranho da classe. Kyle. Acho-o incrivelmente estranho, pois sua voz nunca é ouvida. Ele não faz nada. Nos dias em que ele falta ninguém percebe, não por ele ser uma pessoa indesejada pela classe, mas por que até mesmo quando ele vem ninguém o percebe. Sua pele é clara, seu cabelo é escuro e os olhos também. Ele sempre usa roupas pretas e quando não está em aula, está com fone de ouvido. Ele parece ter um porte físico belo, mas nunca vai a nenhuma festa e nunca apareceu com uma roupa que mostrasse isso. Não se sabe nada sobre a vida dele, onde ele mora e o que faz. Talvez, ele seja sozinho assim, por nunca ter falado nada com ninguém. Tenho que parar de encará-lo, pois ele está me encarando também.
Isso já aconteceu várias vezes. Pergunto-me se ele sente vontade de virar um soco no meu rosto quando me vê olhando para ele. Acho que não. Ou sim. Não tenho como saber, seu rosto nunca mostra emoção.
Festas. Nunca parei para pensar nisso, mas sempre me convidam para as festas. Acho que não deviam, pois eu não tenho nenhum grau de amizade com nenhuma pessoa deste colégio. E eu também não sei o motivo, mas eu sempre estou lá. Deve ser porque o meu irmão diz que eu devo as vezes me distrair, não ficar somente em casa. Diferente de todas as meninas eu vou do mesmo jeito que vou para escola, nas festas. Todas elas vão produzidas, enfeitadas, parecendo várias árvores de natal ambulantes. Não acho isso preciso, pois elas mesmas parecem não se sentir boas. E nessas festas, nunca me divirto. Apenas fico andando para lá e para cá, comendo e olhando as pessoas darem risadas e conversar. Como hoje é sexta, amanhã mesmo terei uma, na casa da Maggie. Ela já tentou falar comigo antes, mas eu não faço o tipo de amiga dela, então ela desistiu.
+++
Voltando para a casa, usando o percurso normal, esbarro em uma pessoa alta. Era tudo o que eu menos queria agora. Meus fones de ouvidos sempre me fazem passar vergonha enquanto volto para a casa. Tiro-os do ouvido e coço a cabeça com a mão.
-Me desculpe, eu não estava olhando por onde andava... – Falo, por educação. Espero não arrumar nenhuma briga.
A pessoa se vira. Olha fixamente em meus olhos. Estremeço, não somente por esse ato dela, mas por saber quem é. Kyle. Ele dá de ombros e sai andando.
Educação em falta. Será que ele é mudo? Por que não aceitou as minhas desculpas?
Para onde ele estaria indo agora? Essa é uma boa chance de conhecê-lo um pouco mais. Começo a segui-lo, como se fosse para o mesmo local. Creio que ele não tenha me visto, pois ele não virou para trás sequer uma vez, depois de nós termos tombado.
Ele vai para uma casa bonita, mas longe de tudo. Não é grande, mas também não é pequena. Ele abre o portão e entra, mas não o fecha. Estou escondida, mas consigo ver tudo de onde estou.
-Você não vai vir? – Diz ele com uma voz grossa, mas bonita. Acho que ele está falando comigo! Droga. Ele sabe da minha presença aqui.
Saio do esconderijo e vou até ele, passo do portão e ele o tranca.
Andamos um ao lado do outro, até a porta da casa. Ele pega as chaves e abre a porta.
-As damas primeiro. – Diz.
Entro pedindo licença. Envergonhada. Não é normal você ir para a casa de um menino que acabou de tombar na rua. Não é normal você ir à casa de um menino. Nunca será, principalmente se você for uma menina.
Olho para o novo cenário. Estamos na sala, que tem uma mesa no centro, com uma fruteira. Próximo à parede, temos dois sofás da cor vermelha, um grande e o outro médio, ambos estão frente a um aparelho de televisão da cor cinza, que fica em cima de uma escrivaninha. Uma pequena parede separa esse cômodo da cozinha. Ela é pequena e fria, porém parece ser o bastante para uma.
-Sente-se aí. Irei preparar algo para comermos. – Fala.
-Não precisa... Eu... – Eu realmente não sei o que vim fazer aqui. Não sei porquê estou na sua sala, sentada.
-É falta de educação eu não te receber bem. Já que você é a primeira pessoa que vem a este local. – Diz ele.
Sinto minhas bochechas queimando.
-Sua voz é bonita. – Solto – porque você não fala no colégio?
-Não acho que seja preciso. E eu também não tenho com quem conversar, já que não gosto das pessoas de lá.
Uma indireta?
-Claro, que há exceções. – Inclui.
Talvez tenha percebido o que eu pensei. Porém eu o entendo.
-E você, uma menina tão bonita, porque não tem amigos? – Questiona.
Fico um segundo em silêncio, pensando no como vou começar a minha resposta.
-Não gosto das pessoas de lá. Acho-as falsa demais, isso me enjoa. – Respondo.
Ele sorri. E continua preparando um hambúrguer para nós. Não queria ser um incomodo para ele.
-Não gosta de mim? – Pergunta-me ele.
Não sei o que responder.
-Não sei. Você é muito quieto, nunca conversei com você. Não tenho como saber se gosto ou não. – Falo. Creio que essa foi a resposta correta.
-Nós já conversamos antes. – Revela– mas creio que você não se lembra.
Nós já conversamos antes? Que surpresa.
-Eu realmente não me lembro de ter algum dia falado com você.
–Isso é normal, afinal, devo passar despercebido por todos. – Fala ele, colocando o hambúrguer pão, junto com algumas outras coisas para acompanhar- Sabe, às vezes, quando eu estou no meio da aula e vejo você olhando para mim... – Eu gelo nessa parte – eu me sinto como se não fosse invisível.
Estou gelada. Gostaria que meu coração estivesse querendo sair pela boca, mas ele não faz nenhum movimento sequer. Ele percebeu todos os olhares proferidos por mim.
–Aqui está. – Diz ele com um prato esticado para mim. No prato está o hambúrguer completo.
–Obrigada – Digo pegando o prato e mordendo o lanche.
–Por que você me seguiu até aqui? – Pergunta-me ele.
Bem, eu te segui porque você é um cara muito estranho, não fala com ninguém e tal. Então achei que era a oportunidade perfeita para descobrir como você realmente é.
–Eu... Eu vim te convidar para a festa na casa da Maggie amanhã! – Digo.
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Chego em casa de um jeito estranho. Ela, felizmente está limpa. Então só preciso preparar a comida, e é o que vou fazer.
Subo as escadas e vou para o meu quarto. Lá, eu fico nua, pego uma toalha e entro no banheiro. Nada melhor do que um banho depois de um dia estranho e cansativo.
Será que fiz besteira em chamá-lo para ir à festa da Maggie? Bem, eu acho que ele não vai ir realmente, então, posso ficar tranquila.
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No outro dia, meu irmão e eu tiramos um tempo para conversar e claro que, ele como sempre, se importa com a minha vida mais do que ninguém nesse mundo.
–E o que você anda fazendo? – Perguntou-me ele.
–Estudando, somente. E você? – Respondo, porém, não poderia deixá-lo com algum tipo de vantagem no diálogo.
–Trabalhando. Pensando em começar a cursar alguma faculdade. – Fala ele, olhando para as nuvens que estão no céu.
Olho para elas também. Há várias, de muitas formas.
–Pensando em cursar o que? – Pergunto.
–Ah... Design ou talvez zootecnia. –Diz.
–Nossa! Ambos os cursos são quase a mesma coisa! – Falo rindo.
Ele me acompanha.
–Para você ver. Por isso estou tão confuso.
Penso um pouco. Talvez o assunto tenha acabado?
– E como vão os amigos? – Pergunta-me ele.
–Bem, você sabe que eu não tenho a honra de ter tal coisa que vocês chamam de “amigos” – Digo.
–Ah, por favor, você vive indo em festas e ainda quer tentar me enganar com essa história?
– Você acabou de me lembrar de que eu tenho uma festa para ir hoje mais tarde. – Digo, eu realmente estava meio que esquecida sobre essa festa. Lembraria praticamente em cima da hora.
– É? Então me deixe ajudá-la, senhora Emi. Vou te deixar de um jeito em que ninguém te esquecerá depois dessa festa, Basta você me deixar agir! –Disse-me ele. Bem, esse era um convite realmente único em toda a história de Emilly.
–Ora ora. Irei aceitar. Oportunidade única não se deixa passar tão fácil assim. – Digo num tom de brincadeira.
–Quer começar a me ajudar com a roupa agora? – pergunto.
– Bem... Que tal você ir tomar um banho? – diz ele num tom de sugestão.
– Sugestão aceita – digo. Levanto-me e vou para o meu quarto tomar um banho.
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Meu irmão está revirando o meu armário, buscando algo que caia bem em mim e que não sejam as roupas que eu uso sempre.
– Bem, temos uma missão bem difícil aqui, hein! – Diz ele num tom de brincadeira enquanto coça a nuca. Eu estou só observando.
Ele continua a revirar e aí, acha vários vestidos que eu me recuso a usar. Não gosto de vestido, acho que deixam às pernas a mostra até demais. Isso é uma coisa que eu recuso-me a fazer.
Ao todo, ele conseguiu achar mais ou menos, quatro vestidos que ainda eram para o meu tamanho, os outros não serviam mais.
– Você sabe que eu não irei com vestido. – Digo calma.
– Você sabe que eu irei te obrigar a ir, querendo ou não. – Diz ele com um sorriso no rosto. – Pode escolher um desses aí.
Olho para os quatro vestidos. O primeiro, da esquerda para a direita, vai até os joelhos. Ele é todo florido, tendo as flores da cor rosa e o resto do vestido da cor azul. Penso-me vestida com ele. Não. Não dá certo.
Olho para o segundo. Ele é um pouco menor que o primeiro. É da cor rosa e tem a borda e as alças da cor roxa. Nunca irei me vestir desse jeito. Irei parecer uma criança, ou até quem sabe um sinalizador de rua que veio com uma nova cor.
O terceiro já é um pouco melhor. Ele é um tomara que caia que vai até, mais ou menos, dois centímetros antes do joelho. Ele é da cor preta e a parte do corpo é com um zíper nas costas. Alguns pontos do vestido estão com gliter.
– Acho que irei vestir esse. – Digo.
Visto-me com ele e saio para o quarto. Meu irmão me olha da cabeça aos pés. O rosto dele foi de desaprovação.
– Eu não pegaria nenhuma menina bonita como você com esse vestido. – Diz ele.
Sinto minhas bochechas queimarem.
– Que horror! – Digo. – Então só nos sobra o quarto vestido.
– Sim. – responde ele pegando e entregando-o a mim.
Visto-me. O vestido também é um tomara que caia da cor vermelha. Ia até um pouco antes – se não, dois centímetros também- antes do joelho. Imagino o porquê raios eu comprei esses vestidos. Saio do banheiro e vou até o quarto, onde meu irmão está. Ele me olha. Um pequeno sorriso se forma em seu rosto.
– Você está boa – diz ele – que tal por um cinto?
Meu irmão poderia ser estilista, afinal, está me vestindo como uma mulher, coisa que nunca me passou pela cabeça.
– Você algum dia já se vestiu de mulher? – Pergunto rindo.
Ele me acompanha.
– Não. Mas minhas amigas se vestem assim. Eu acho que elas ficam bonitas desse jeito. – Diz ele. – Agora vamos ver o que você vai por nos pés.
Paro e penso: Eu só tenho tênis.
–Eu só tenho tênis! – Digo.
Ele me olha preocupado.
– Não pense que você vai ir de tênis. Vou ligar para uma pessoa que talvez possa nos emprestar algo.
Reviro os olhos.
– Ok!
+++
A amiga do meu irmão entra com uma sacola cheia de sapatos. Imagino se ela vende isso, ou se todos são dela. Ela é uma moça bonita, tem a altura dele e cabelos da cor castanhos claros. Os olhos dela também são desta cor. Sua pele é clara e seu corpo é magro. Ela deve ser uma modelo.
Um beijo na bochecha do meu irmão e depois um outro beijo, só que agora, na minha bochecha.
– Bem, você está linda! – Diz ela. – Trouxe algumas coisas a mais, tenho certeza que você ia precisar. Todas as meninas que não tem algum sapato feminino são do mesmo jeito: Não ligam para o modo correto de se vestir.
Ela disse que os meus sapatos são masculinos na maior cara de pau. Não gostei.
Fomos até o meu quarto e ela começa a tirar as coisas da sacola enorme e cheia. Maquiagens, sapatos, cintos, chapinha, secador de cabelo e etc. O que mais teria ali? Se ela tirasse um elefante, um dinossauro e um carro, eu não me surpreenderia.
– Bem, a parte importante o seu irmão já fez. – Comenta ela me olhando – e foi bem feita. Parabéns Tony, sua irmã tem sorte e sua filha também terá.
Ele sorri. E continua de braços cruzados encostado na parede nos observando.
Ela começa a testar todos os sapatos nos meus pés. Antes de ir para o próximo ela me pergunta o que achei. Ela pede também para que eu ande com eles e, depois, pergunta para o meu irmão o que ele achou. Acabo ficando com uma sandália preta de salto alto. Acho incrível o como eu consigo andar com elas, sendo que, nunca coloquei uma nos pés.
Para mim, eu estava parecendo uma menina totalmente desconhecida, e tudo já estava perfeitamente bom. Mas, para eles, estava incompleto. Ela começa a pegar os cintos e fechá-los na minha cintura, para ver qual fica melhor. Acho isso totalmente desnecessário, mas ela não. Ela disse que aquilo serve para me completar, e que depois, ainda vem o toque final. Não sei por que, mas eu tenho medo do que as pessoas que irão a essa festa vão achar de mim. Todos me verão de um jeito diferente.
Vou me descrever: Eu estava com uma saia vermelha tomara que caia e na cintura, um cinto grande da cor preta e com uma sandália preta de salto alto nos pés.
– Agora vem o rosto e o cabelo – Diz ela.
Queria que o relógio já estivesse marcando o horário de ir, mas não estava.
Ela pega a chapinha, liga e espera esquentar e vem com ela em minha direção. Não sei o motivo, mas senti medo ao ver essa cena. Meu cabelo já é liso, não precisava desse sacrifício.
Após isso, ela pega a maquiagem e começa a passar no meu rosto. Parecia que ela estava pintando O Quadro no meu rosto com a maquiagem.
No fim: Fiquei com o cabelo mais liso ainda, com sombra, delineador, blush, lápis de olho, base e etc. Estava me sentindo um palhaço, pois o que citei não era nem o começo do que estava no meu rosto. Ela me vira para o espelho e eu não reconheço quem vejo.
– Você está linda. – Diz ela com os olhos brilhando de orgulho.
–Obrigada, Pathi – respondo. O nome dela é Patrícia. Algo bem irônico não? Fiquei com uma super vontade de chamá-la de Patricinha. Pois ela era uma, literalmente.
Olho para o relógio e, só agora está na hora de ir. Maldito aparelho.
– Obrigado. – Comenta o meu irmão para ela – e você está linda, Emilly, eu te pegaria agora.
Essa brincadeira me tirou do sério. Ele olha para o relógio.
– Está na hora, não? Vamos?
Fico com medo de levantar da cadeira, pois no meu estado, meu rosto deve estar super pesado. Sinto medo de cair.
Fomos até o carro. Eu fiquei atrás, pois a Patrícia ficou no banco do carona. Ele deu a partida e assim fomos até o local onde eu pagaria o meu mico eterno.
Notas finais
Não deixe os autores curiosos, mandem-nos reviews falando o que acharam, quais suas expectativas sobre a estória e tal!
Até o capítulo 2...
Isso é tudo pessoal!
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