Notas iniciais
Bem... Eu sinceramente quis dar um grande avanço com esse capítulo e tal (cara eu peguei bem essa mania de "...e tal" depois de "A Culpa é das Estrelas") Espero que vocês se divirta lendo o capítulo *u*
Boa leitura!

Olho para o quarto dela. Essa é a minha primeira vez aqui. Devo estar parecendo uma criança num parque de diversão pela 1ª vez.

– Bem, vocês dois podem ficar a vontade. – Ela põe a mochila na cama e vai até a porta do quarto – eu irei para baixo fazer algo para comer.

Ela não está fazendo isso de propósito. Quero acreditar que não!

Sento-me do lado dele e fico quieta, olhando para a parede que se localiza na minha frente. Ele não se atreve a dizer uma palavra. Uma curiosidade imensa surge dentro de mim para ver como ele está, porém seria estranho demais virar-me para ele do nada, então continuo do mesmo jeito em que estou.

Estamos aqui fazendo o que mesmo? Ah sim, era para fazer o trabalho. Era. Duvido disso agora que estou aqui no quarto da Maggie somente com Kyle ao meu lado.

– Bem... – Começa – vamos começar?

– Era sobre o que mesmo? – Eu realmente não lembrava o assunto do trabalho.

– Sobre as classes sociais no mundo e tal. – O caderno dele está aberto. Ele vai passando página por página, mostrando sua caligrafia perfeita.

Nunca parei para pensar em classe social.

– Não sei muita coisa sobre o assunto – anuncio.

– No mundo existem três classes sociais. A classe baixa, que é dominada por pessoas com uma condição financeira precária. Normalmente em um país de terceiro mundo é mais comum se ver pessoas de classe baixa. A classe média são as pessoas que tem condições financeiras boas. Elas podem comprar casas, carros e tudo mais do que é preciso...

– Entendi – Ele explicava as coisas bem.

– E as pessoas de primeira classe tem grana de sobra. Elas podem comprar tudo o que quiserem, mesmo não precisando de tal coisa. Sacou? – Ele olhou para mim com um semblante de quem queria imediatamente uma resposta.

– Sim! Obrigada pela aula, professor kyle. – Ele riu.

Maggie entrou no quarto segurando uma bandeja grande com as duas mãos. Nela havia três pratos e talheres.

– Gente, vocês me desculpem, mas eu estou de regime e terei que ter uma comida diferenciada da de vocês! – Disse ela entregando as coisas para nós.

Respondemos em coro “não tem problema”. Maggie precisou sair de novo para ir pegar a bebida, mas logo voltou e tivemos o nosso almoço. Ela cozinha bem.

Fizemos boa parte do trabalho. Com ele aprendi coisas sobre o assunto que eu nem sabia.

+++

Voltei para casa ao lado de Kyle. Fomos conversando sobre as pessoas da classe e eu descobri que ele só não conversa com todos, pois isso irá torná-lo uma pessoa popular, e ele não gosta nada dessa ideia. Podemos dizer que eu sou praticamente igual. Não quero chamar muita atenção para mim. Isso é algo ruim.

Na frente da minha casa ele me deposita um beijo na testa e se despede. Eu fico parada ali, vendo-o ir em direção ao horizonte. Nunca irei me acostumar com isso. Abro o portão e entro na garagem. O carro do meu irmão está ali. Isso é estranho, pois ele devia estar trabalhando nessa hora.

Na porta, existem dois pares de sapatos e um deles parece ser feminino. Uma visita? E ainda é mulher? Será a namorada dele?

Vou até o meu quarto com passos mudos. Jogo a mochila sobre a cama e deito sobre a mesma. Estou cansada, meus braços e pernas doem.

Quando começo a adormecer, Thony bate na porta.

– Emilly? – Sua voz é grossa o bastante para me fazer levantar.

– Sim? – Falo assim que abro a porta do meu quarto. Que surpresa! Uma linda mulher está ao lado dele, ela tem a pele clara e o cabelo liso da cor preta. Seus olhos são verdes e eu quase me perco olhando para eles. Ela é alta e tem um corpo de uma modelo.

– Bem, como você pode ver... Essa aqui – Ele aponta para a moça – é a Lena. Ela estudou comigo na oitava série e teve que voltar para a cidade. Claro que eu tive todo o prazer de ceder-lhe um cômodo da nossa casa. – Ela dá um pequeno sorriso.

–Você quer que eu divida meu quarto com ela? – Pergunto. – Se for isso, sem problemas! Ele é grande e metade do espaço eu não utilizo.

E isso era uma verdade. Não haveria nada demais em ter mais alguém dormindo comigo.

– Que bom! Achei que você não fosse querer – Fala ela com uma voz que de deixou encantada.

– Ora, eu não sabia que vocês tinham essa visão ruim a meu respeito. – Sorrio.

Ambos riem.

Temos uma curta conversa ali na porta mesmo, até eu perceber que talvez esteja sendo desconfortável para eles. Mudo de assunto rápido e vamos para outro local. Após toda a nossa conversa, volto para o meu quarto e tomo um banho. Prometi para Lena que deixaria o espaço dela livre até de noite.

+++

Já está tudo arrumado. A cama dela está ao lado da minha e um pequeno criado mudo está embaixo da janela que fica bem entre nossas camas. Ela senta na cama dela e se vira para mim, que estou sentada olhando para ela.

– Você é, ou já foi, modelo? – Deixo escapar. Ela é bonita demais.

Uma linda sinfonia soa pelo quarto.

– Todos me perguntam isso, mas não. Quando eu tinha quatorze anos eu não gostava da minha aparência, então decidi me cuidar mais. Comecei a utilizar cremes para a pele, fiz vários regimes e até mesmo mudei os meus pratos diários. Tive um cuidado maior com o meu cabelo e também peguei pesado na academia.

Meu Deus. Ela teve uma adolescência sofrida.

– Nossa tudo isso porque você não gostava da sua aparência? – Ela era louca. Não sei se conseguiria fazer tudo isso.

– Sim, mas também não era só eu que não gostava dela. – Sua mão joga a mecha de cabelo, que está sobre o seu rosto, para trás. – Várias meninas mais bonitas e vaidosas que eu costumava me humilhar. Eu estava cansada daquilo também.

Ela sofria bullying. Isso é algo ruim.

– Você também deve ser uma garota vaidosa, não? – Dou uma pequena risada.

– Não. Digamos que eu acho um saco ter que ficar passando creme e tudo mais.

Ela riu.

– Olha então você é bonita por natureza. Isso é algo bom. Deve ser a garota mais popular da sua classe – Ela para de rir.

– Não sou a popular. – Afirmo. – Eu só tenho no máximo dois amigos lá, mas isso é por escolha minha.

– Entendo. Mas, mudando de assunto, o que você gosta de fazer?

Penso na resposta.

– Eu gosto de estudar, dormir e comer. – Digo fazendo que sim com a cabeça – E de cozinhar, já que meu irmão é um desastre na cozinha.

Ela ri novamente. Meu irmão grita do cômodo em que ele está tal frase: “Eu ouvi isso”. E eu me junto à Lena para rir.

Ficamos até tarde da noite conversando. Lena era uma mulher legal. Será que ambos estavam namorando?

+++

Acordo atrasada. Pulo da cama e faço tudo o que tenho que fazer voando. Saio de casa como um torpedo.

No colégio, vejo Maggie e temos todas as aulas. O estranho é que hoje Kyle faltou. Ele falta poucas vezes. Creio que a maioria das pessoas da classe não sentiu sua falta.

+++

Estou parada em frente à casa de Kyle. Já apertei o interfone duas vezes e ele não veio me atender. Olho de um lado para o outro procurando alguém que possa me ajudar, mas a rua está deserta. Mando uma mensagem para Maggie perguntando se ela tem notícias dele. Ela também não tem.

– Onde será que ele se meteu? – Falo comigo mesma.

Decido voltar. Não ganharei nada ficando aqui na frente da casa dele esperando algo mágico acontecer.

O caminho “normal” para a casa está interditado. Isso é ruim, pois tenho que pegar um caminho estranho que vai beirando uma pequena floresta.

As árvores dela me dão medo. São estranhas e sempre dá aquela sensação de que alguém entre as folhas dela está te observando. Não sei o motivo de eu estar com medo só por estar andando perto de uma floresta. Elas são as coisas mais normais do mundo. Ou melhor, era há um tempo.

Quando menos espero, estou na floresta. Ok. Isso aqui não tem nada a ver com terror, mas creio que se eu tentar sair dela irei mais para o meio. Fico parada. Pego o celular, tento ligar para a Maggie, ótimo, esta sem sinal.

Fico parada na floresta, pensando no quanto eu sou burra. Olho para o celular e vejo que não é tarde. Caso eu consiga me livrar disso aqui, poderei chegar a casa cedo e fazer os meus deveres.

Sinto uma leve tontura e sento-me num tronco caído que estava por ali. Continuo olhando para os lados, desconfiada. Como eu consegui fazer essa coisa inexplicável?

Repentinamente começo a me sentir com muito sono, e estou quase me rendendo a ele, ali na floresta mesmo, quando o cheiro do local muda. Começo a tossir. A floresta está em chamas. Ou melhor, parte dela. E logo eu também irei estar na mesma situação.

O fogo está mais próximo, o ar está mais poluído. Levanto e começo a correr em direção à cidade. Não importa o que aconteça, esse não será o meu fim. Eu não irei deixar Thony na mão, não irei partir de uma dessa para melhor sendo que a minha vida ainda está no começo.

As árvores não acabam nunca. Animais correm do meu lado e isso é um tanto engraçado.

Acabo me distraindo observando eles por alguns segundos, tropeço, e dou de cara no chão, sinceramente às vezes odeio ser tão desastrada. Quando tento levantar percebo que meu pé se prendeu em uma raiz, droga, realmente parece que tem alguém se divertindo as minhas custas hoje.

De repente escuto meu nome, olho para o lado e é Kyle, estou salva, acho, pois já esta começando a ficar bem mais difícil de respirar e minha visão turva.

– Emily – ele diz novamente, infelizmente não tenho ar o suficiente para respondê-lo e fecho os olhos — Acalme-se, eu vou te tirar daqui!

Desperto, e vejo que estou com a cabeça em algo macio. Olho para cima e lá está ele, Kyle, coro imediatamente ao perceber que estou em seu colo, ele esta com um olhar de preocupação, me encarando.

– Como você está? — Pergunta-me, enquanto leva uma das mãos para afagar levemente meu cabelo, sem tirar os olhos dos meus.

Nesse momento lembro-me do ocorrido, e um calafrio percorre a minha espinha, quase me desespero, mas Kyle me acalma só com sua presença.

– Bem, eu acho...

– Você quase me matou de preocupação sabia? O que você estava fazendo naquela floresta? E se eu não tivesse chegado a tempo?

Noto que ainda estou em seu colo, e mesmo relutante, me levanto e sento ao seu lado.

– O caminho para minha casa estava interditado, resolvi pegar o caminho pela floresta, acabei me perdendo, e ficando presa no incêndio. – Falo dando pequenas pausas para observar seu semblante

– Emily, você deve tomar mais cuidado a partir de agora!

– Como assim? O que vo – Antes que eu pudesse terminar a frase, ele me da um beijo que tira todo meu ar, quando nos separamos, ele me puxa para seu peito, me abraça e fala com uma voz rouca.

– Só me prometa, por favor.

– Tudo bem – Digo baixinho apreciando o calor de seu peito, realmente não haveria como negar nada ao Kyle naquele momento.

+++

Kyle me acompanha ate em casa, e se despede com aquele beijo que já esta virando rotina, mas não posso dizer que não estou gostando. Chego atravesso a porta e me assusto com o que vejo. Ela está brilhando e toda arrumada. Um cheio de comida boa está no ar.

– Olá Emilly, você demorou um pouco. Já fiz o almoço, vai querer comer agora? – É Lena. Eu tinha me esquecido completamente dela.

– Uau. – É tudo o que consigo dizer.

Ela sorri, esperando pela resposta.

– Ah sim... – Penso e suspiro – Bem, não estou com fome agora... Posso comer mais tarde?

– Claro que sim. – Ela volta para a cozinha.

+++

Estou na sala assistindo um pouco de TV – após tudo o que passei hoje mereço descanso. A moça da reportagem começa a falar sobre o acontecido hoje na floresta. Sento-me melhor para poder prestar um pouco mais de atenção no que ela diz. A causa é desconhecida, e não acharam nada, mas não houve nada grave com ninguém e os bombeiros conseguiram apagar o fogo.

Nossa. Essa reportagem seria diferente caso Kyle não tivesse me resgatado.

Levanto e vou até o meu quarto. Deito sobre a cama e adormeço rápido.

+++

Estão todos conversando sobre o acontecido. Todos tem uma teoria sobre o assunto da floresta.

– Vejo que alguém ficou traumatizada. – Fala Maggie ao meu lado. Eu havia acabado de contar o que ocorreu comigo. – Vamos lá Emi, você não pode ficar assim.

– Assim como?

– Do jeito em que você está. Anime-se. E não foi de todo ruim assim, afinal o seu príncipe encantado te salvou!

–Eu não sei como fazer isso, estou cansada e tal.

Ela riu e se virou para frente. Talvez nem ela saiba como eu posso ficar animada. É o normal de nós, humanos, tentarmos animar um ao outro sem ao menos saber ou entender pelo o que o outro está passando.

A aula inicia e Kyle ainda não está aqui. Gostaria demais de saber o motivo da sua ausência, ainda mais porque eu continuo me perguntando como ele me achou no meio da floresta. O professor entra e, ao invés de dar inicio a aula, faz um sinal com a mão como se estivesse chamando alguém. E ele estava mesmo.

Um menino alto entrou na sala. Ele era ruivo e tinha a pele clara. O mais estranho era que quase não se via sardas no seu rosto. Ele não era magro demais e nem muito gordo, mas também não era malhado como alguns meninos que se vê por aí hoje em dia. Ele era um meio termo. Ele era perfeito. Seus olhos eram de uma cor verde azulada. A sua boca era perfeitamente desenhada e média. Ele parecia ser um menino quieto e tímido.

Vejo todas as meninas da sala mudando a sua posição – até mesmo eu.

– Bem classe, esse aqui é um aluno novo que chegou ontem com uma bela recepção da floresta – Disse o professor rindo da própria piada. – Apresente-se, novato!

Ele virou para classe e olhou em todos nós. Um sorriso estranho veio-lhe na boca.

– Bem, meu nome é Loran. Sou novo aqui e espero ser um bom amigo de todos vocês. E é só isso o que eu tenho a dizer e o que vocês precisam saber sobre mim. – Ele se cala. Um pouco direto, não?

O professor manda-o sentar no lugar de Kyle. Será que ele estava aqui para substituir Kyle? Isso não seria possível. Ele não sairia sem me avisar.

+++

Nos últimos momentos da aula, todos param de prestar atenção na matéria e começa uma contagem regressiva. O sinal finalmente toca e todos se levantam. Acho que isso é uma coisa supernormal em qualquer parte do mundo e em qualquer cultura diferente.

Pego minha mochila e levanto, porém, quando estou para começar a andar, uma mão pesada pousa no meu ombro. Olho para trás e vejo Loran.

– Olá, bem, como eu sou novo eu gostaria de conhecer o colégio e tal. E fiquei sabendo que você é uma das pessoas mais indicadas para mostrá-lo. – Diz ele num ritmo calmo.

Estranho isso. Não falo com praticamente ninguém do colégio, só com Maggie e Kyle. Kyle faltou hoje e Maggie mostraria o colégio para ele.

– Quem te disse isso? — Pergunto.

– Isso não é importante agora. – Fala ele e me puxa delicadamente para fora da sala. – Quero que a senhorita Emilly me acompanhe em um tour pelo colégio.

Dou uma pequena risada.

– Não era pra ser eu quem devia falar essa frase, já que eu vou guiar? – Ele sorri.

– Claro, mas achei que seria mais elegante se eu falasse.

Sorrio e vou andando na frente, mostrando o colégio para ele. Vemos as saídas de emergência, os banheiros, onde os meninos treinam e tudo mais.

– Bem, o colégio é isso – digo virando-me para ele. – Agora eu preciso ir, pois eu tenho que fazer as...

Ele interrompe minha fala com um abraço apertado.

– Ainda é cedo. Mal tive a oportunidade de te ver direito. – Fala ele baixinho. Bem, isso de todo jeito é estranho. – Eu queria te ver ontem mesmo e até te chamei, mas você fugiu.

Ele me chamou? Quando? Não me lembro de nada disso.

– Creio que se você não se mudar tão rápido – começo, ainda entre os seus braços – você terá todos os dias para me ver.

Ele ri e me solta.

–Ok, querida Emilly. – Diz olhando fixamente em meus olhos. – Pode ir e até amanhã.

+++

Chego, finalmente, em casa e me assusto novamente: Ela está limpa.

–Olá Emilly, com fome? – Pergunta Lena com uma jarra na mão.

–Uau! – É o que sai. — Você gosta mesmo de limpar a casa e cozinhar? Sério, não precisa fazer isso.

Ela sorri.

– Claro que eu gosto, mas só vou poder fazer isso enquanto não tiver um emprego. – Fala – quer me ajudar com o suco?

– É claro!

Acabamos de fazer o suco e eu almoço. Uau. Ela é muito boa em cozinhar.

–Você devia tentar ser chefe em algum restaurante! Você cozinha muito bem!

–Muito obrigada! Sabe, quando eu era menor eu não conseguia cozinhar assim. –Começa ela. – Eu morava com a minha mãe e meu pai, mas ambos trabalhavam o dia todo e só voltavam quando eu estava dormindo. Eu tinha que cozinhar e limpar a casa sozinha, todos os dias. No começo eu era um verdadeiro desastre, porém, com o tempo eu melhorei.

– Uau! – Acho que vou ter que criar uma plaquinha com essa palavra.

+++

Maggie e eu estamos na frente da casa do Kyle. Apertamos a campainha e logo ele nos atende.

–Pois não? – Diz ele somente com a cabeça para fora do portão.

–Estamos aqui para saber o motivo de você estar sumido há dois dias. – Fala Maggie.

Ele nos olha da cabeça aos pés e então abre a passagem. Entramos no quintal dele.

–Bem, eu não estou indo a escola, pois eu tive uns problemas e precisei sair... – Que desculpa esfarrapada essa.

Maggie fita-o como se estivesse pressionando Kyle em busca da resposta verdadeira.

– É verdade! – Fala ele. – Pode parecer estranho, mas é.

Maggie suspira. Eu só observo os dois. Eles agem como se conhecessem um ao outro há anos.

– Bem, eu tenho novidades. – Diz Maggie.

–Então vamos entrar – convida-nos – lá dentro deve ser bem melhor do que aqui no quintal.

Entramos e fomos até a sala. Maggie e eu sentamos num sofá e Kyle se senta no sofá da frente.

– E o que você quer me contar? – Ele apoiou os braços nas pernas.

– Entrou um aluno novo no colégio. – Disse Maggie, apoiando as costas no sofá.

– E ele se chama Loran. – Completei. Eles me olharam e eu logo recuei.

Eles continuaram a conversa sobre o aluno novo. Eu realmente não entendi o porquê desse diálogo, mas estava tudo bem. Depois disso, fizemos preparações para a apresentação do trabalho e fomos embora.

+++

Eu odeio as ruas da minha cidade. Elas são sempre as mesmas – talvez seja porque eu nunca fui ver outro local. As pessoas passam uma ao lado da outra em linha reta, sem sequer olhar para o lado e se você tombar em alguma delas, leva um belo sermão dela. Isso é nojento.

Os carros são legais, eles fazem um barulho tremendo quebrando o clima tenso que se formaria nas ruas. Só quando passa alguma moto fazendo um barulho é que todos olham para o mesmo local e falam entre si.

E em meio a essa multidão só uma coisa me chama atenção: a marca vermelha que vem em minha direção. É o Loran. Olho para todos os lados, mas não teria como eu desviar-me dele. Loran conseguiu me deixar com bastante medo depois de conversarmos.

– Olá, querida Emilly. — Ele pega no meu braço e beija a minha mão.

Que menino hoje em dia faz isso?

– Olá! – Respondo por educação. Eu queria mesmo é sair correndo. – Como vai?

Ele sorri.

– Bem e você? Como foi a conversa com o Kyle e a Maggie?

Quando eu dou conta, vejo que estamos andando para um caminho que não tem nada a ver com a trilha que faço para ir até a minha casa.

– Eu estou ótima. Foi boa.

Ele ri. Não entendo o motivo, mas não quero dar uma de curiosa.

– Gostaria de ir até a minha casa, querida Emilly?

Ok! O jeito de ele me chamar está começando a me dar asco.

Não tenho tempo de responder. Estamos bem em frente da casa dele.

– Primeiro as damas! – Diz ele abrindo o portão e fazendo com a mão simbolizando para que eu entre.

Entramos no quintal e em seguida no cômodo principal. Sua casa era grande e bela. Com vários móveis e um cheiro bom.

– Você sempre morou aqui?

– Não... Eu morava em outra cidade. Cheguei ontem. – Já comentei que a voz dele é gostosa de ouvir? Acho que a cidade está ganhando bons homens.

– Nossa! E você tem essa casa grande aqui?

– Bem... É que meus pais têm muita capital e tal... Já que eles são donos de uma grande empresa...

Uau. Ele é um cara muito rico. Lembro-me do que ele me disse no colégio. Agora era a hora certa para perguntar sobre aquilo.

– É... No colégio você tinha me dito que... Bem... – Meu Deus! Como eu falo isso?

– Que?...

– Que você queria ter me visto ontem mesmo e que até me chamou, mas eu fugi e...

– Ah sim! – Ele ri e deposita a mão na cabeça. – Eu ainda não te perdoei por ter fugido de mim, ok? E depois eu esclareço isso para você. Creio que ainda seja muito cedo.

Eu odeio essa ideia de ter que esperar para saber algo sobre mim.

–Ok... Eu acho que tenho que ir... Antes que fique tarde e tal – Eu nem sei o que eu vim fazer aqui.

Ele sorri. Anda em minha direção e me abraça. Eu odeio isso. Ele podia mudar os seus costumes... Será que ele faz isso com todas as garotas?

– Ok, querida Emilly. – Diz – Até amanhã de manhã.

– Até. – Ele ainda não me soltou. Talvez pense que eu consiga me livrar sozinha disso, mas isso é algo improvável. – Acho que você já pode me soltar...

Ele ri. Me solta do abraço, porém, continua me segurando nos ombros. Ele fita-me por um bom tempo. Minhas bochechas ardem. Quando menos percebo, já não existe mais espaço entre nós. Ele está me beijando docemente.

Empurro-o com toda a força que tenho.

– Você está maluco?- O que raios foi isso?

– Ora, querida Emilly, qual seria o problema em eu te beijar para demonstrar o meu afeto por você?

– Qual o problema? Todos os problemas, você nem sabe se eu já estou compromissada ou não, você mal me conhece!

– Querida Emilly, eu te conheço mil vezes mais do que você pensa. Se duvidar eu sei mais sobre ti do que você mesma. – Estremeço ao ouvir isso e olhar em sua face macabra. – E eu sei que você anda trocando afetos com Kyle. Ele não é uma boa pessoa para você. Mude já as suas amizades, pois as que você tem agora não são nada boas.

– O que você sabe sobre eles? – Agora eu estou estressada. – Você deveria ficar quieto.

Abro a porta da casa dele e saio rapidamente. O portão está trancado, mas logo ele emite um som. Loran abriu pelo interfone, só pode.

Saio estressada daquele local. Loran não é um bom cara, ele não é uma pessoa que irá se tornar meu amigo.

+++

No outro dia um clima tenso reina sobre a classe. Kyle e Loran dão a impressão de já se conhecerem e ambos não param de disputar as coisas entre si. Ambos são os primeiros a levantar a mão para responder as perguntas do professor, eles são os primeiros a acabarem as atividades. Os dois trazem os lanches mais saudáveis de toda a classe. Ambos estão cheirando bem e estão bonitos.

– O que será que deu neles? – Pergunta Maggie – tenho certeza que Kyle nunca foi assim à vida inteira.

– Talvez Loran e Kyle sejam rivais desde a infância. – Sugiro.

– É... Pode ser! – Concorda Maggie. – Vamos ver até quando essa disputa infantil entre eles irá durar.

+++

A disputa entre ambos durou muito tempo. Praticamente o dia todo. Loran voltou com a gente e mesmo assim eles continuaram a sua disputa. Sinto que isso não irá acabar bem.

+++

No outro dia algo surpreendente aconteceu: ambos vieram me buscar.

– O que os senhores estão fazendo aqui? – pergunto assim que saio de casa.

– Vim te buscar, ó minha querida Emilly. Não irei deixar que ele te contaminasse com as suas mãos sujas. – Disse Loran.

– Não posso deixar uma pessoa especial para mim perto de um cara maníaco como ele. – Kyle não tinha o mesmo dom que Loran de deixar as coisas num tom mais culto.

– Maníaco? Olha como você fala. Eu ao menos não caí.

–Você não deve falar essas coisas em publico. Sabe que não é correto. – Do que ambos estavam falando?

– Vai querer dar uma de certinho agora? Você sabe muito bem que o mais certo entre nós dois sou eu!

– Prove isso então. Afinal você também está aqui. – Kyle estava provocando Loran, mas sem se deixar ser provocado.

–Irei te provar a moda antiga e acabar com isso aqui e agora! – Gritou Loran furioso.

– Parem os dois! – Gritei, mas algo já tinha acontecido.

Nós três não estávamos mais em frente de casa. Um novo local tinha sido criado. Ele era frio e escuro. Algum tipo de neblina voada perto do chão. E em cima de mim, estava Loran e Kyle com algo que saiam de suas costas.

Forcei mais a minha visão para poder ver mais nitidamente o que era aquilo. E eu não acreditei quando vi. Eram asas.

Notas finais
E então, o que vocês acharam? Mande-nos reviews falando o que mais gostaram o que não gostaram, enfim, diga-nos o que vocês acharam do capítulo/ da história!
Até o capítulo Quatro.
Isso é tudo pessoal!