Notas iniciais
Bem, como vocês podem ver eu e a Danny atrasamos. Pedimos desculpas por isso, mas foi por causa que eu tive probleminhas de saúde tsc tsc
Espero que isso não aconteça mais.
Boa leitura õ/

Eles começam a vir com tudo e numa velocidade incrível que parece que nunca vamos conseguir escapar. Acabou. A minha vida foi boa até aqui, não poderei desenvolver os meus poderes angelicais nem nada, pois serei morta agora mesmo por esse milênio de demônios.

É por pura sorte que Kyle e Loran conseguem levantar e me mandar para longe do local em que eu estava. Bato as costas numa parede de cimento fria e escorrego, esfregando as costas na parede, até o chão. Assim que chego ao fim, encolho-me e começo a chorar para aliviar um pouco a dor que estou sentindo agora. Minhas costas estão ardendo!

Ouço o som dos rugidos dos demônios que passam sobre mim, ouço a respiração pesada e seus passos barulhentos que faz o chão tremer. Muitos estão voando e posso ouvir o bater de suas asas.

Assim que me acostumo com a sensação de queimado das minhas costas, tento reprimir o choro e olhar para o que está acontecendo lá na frente. Mordo a parte de baixo dos meus lábios e prendo a respiração por um tempo. Consigo, finalmente, cessar o choro. Levanto meu olhar, que não está lá muito nítido, e procuro focar no enxame de demônios que está tendo ali. Não vejo nada além deles, mas algo me diz que Kyle e Loran estão ali no meio, lutando bravamente por suas vidas. Estranho o fato de que os demônios não estão mais dando bola a mim. Isso deve ser por que o seu comandante foi morto e eles querem vingança.

Com o tempo, o número de demônios que estava se reunindo naquela região da cidade, diminuiu. Os demônios estavam acabando, finalmente!

Maggie apareceu magicamente e ajudou a diminuir os demônios também, jogando algum tipo de chama diferente neles. Enquanto os meninos atacam por dentro (creio que devia ter um núcleo entre aquele enxame de demônios, onde os garotos estão) Maggie ataca por fora. Impedindo ou ferindo alguns demônios ao ponto de caírem no chão e não atacarem mais.

Queria poder ajudá-los, mas não sei como. Fico apenas observando a ação que é feita por eles. Aos poucos, já consigo ver Kyle lançando suas esferas escuras nos demônios. Não vejo Loran. Assim que ele e Maggie terminam de matá-los, posso ver claramente ele caído no chão ao lado do moreno.

Vou mancando até os três, cara bater naquela parede realmente machucou e a dor nas costas havia se alastrado para todo o corpo, dou um abraço em Maggie. Volto a minha atenção a Loran e Kyle e ajoelho entre os dois. Ambos ainda arfavam, encharcados de suor e com diversas feridas, algumas bem feias ao longo de todo o corpo.

Mas de algum jeito pareciam bem e é isso que importa agora, olho para eles, abro um sorriso e aproximo uma mão de cada um e faço carinho em seus rostos.

Os dois se sentam e se encaram, parece que eles irão falar algo importante, o primeiro a falar é Kyle:

—Quantos?

—342 e você? – Loran diz num tom confiante e um tanto provocativo. Finalmente consigo entendo do que se trata, eles estão falando daquela aposta absurda. Chego à conclusão de que, garotos são idiotas, sendo humanos ou não, eu me levanto.

— 458 – Kyle sorri maliciosamente – Parece que eu ganhei o premio – A face do ruivo fica da cor de seu cabelo de tanta raiva, o que parece deixar Kyle ainda mais feliz.

Loran simplesmente abaixa a cabeça e fica quieto, aparentemente ele sabe admitir a derrota.

— Agora o meu premio – Kyle havia se levantado e estava se aproximando mais de mim, eu gostaria de ser beijada por ele de novo, mas não nessa ocasião.

Isso pode soar clichê, mas eu não sou um objeto para ser conquistada dessa maneira, empurro-o com força, droga, só lembro-me de suas feridas quando vejo sua expressão de dor enquanto cambaleia para trás e vejo uma leve tristeza em seus olhos.

—Emi? – Kyle me chama, mas a essa altura já estou correndo, mesmo com meu pé gritando, mas não poderia fica lá, não depois de ver seu rosto.

Quando dou por mim eu estou sentada, toda encolhida num banco de uma praça qualquer, com lagrimas escorrendo pelo rosto, eu realmente me tornei uma chorona. No fundo eu havia pensado que Kyle viria atrás de mim, mas depois de como eu agi, ele não viria mesmo.

Eu sou uma idiota, ele havia matado centenas de demônios só para me proteger, sim, ele havia apostado, porém nessas ultimas semanas ele vem me protegido de qualquer coisa que tenta me machucar, eu fiz ele se ferir por minha causa, alias, não só ele, mas a Maggie e o Loran também.

— Me desculpe Kyle – digo baixinho para mim mesma

— Não Emi – Tomo um susto tão grande que quase caio do banco ao escutar a voz de Kyle, mas ele me impede de tombar, se senta ao me lado me fitando com aqueles grandes orbes negros que eram seus olhos e continua – me perdoe, por favor, eu deveria te proteger, mas agi como feito um babaca e te fiz chorar – Kyle toca o meu rosto e enxuga uma lagrima que escorria, afundo minha cabeça em seu peito, ele estremece um pouco, deve ter doido, mas tudo que ele faz é afagar meus cabelos.

— Eu sou uma total inútil, vocês três se feriram por minha causa, sem contar aquele tigre e o meu irmão.

— Escute aqui Emi, isso não é culpa sua, nos escolhemos te proteger, simplesmente aceite isso- Kyle pega meu rosto delicadamente com a mão e me faz olhar em seus olhos — somos seus amigos e nos importamos com você – Sorrio, não sabia que era tão bom ter amigos, mesmo que eu quisesse e sentisse que Kyle era algo mais.

— E sobre o beijo eu nunca te forçaria a aceita-lo – Ele me envolve com seus braços e acabo dormindo ali mesmo.

+++

Abro os olhos e me assusto com o que vejo: estou em casa. Ela está meio destruída, mas não é nada que nos impeça de estar aqui dentro, afinal, eu estou. Sento na cama e olho para os lados procurando alguém. No mesmo cômodo que eu, não existe mais ninguém.

Levanto com cuidado e vou andando pela casa que está meio suja e destruída, mas vejo que o conserto não vai ficar lá aquela coisa de caro.

Chego à sala, que está somente suja, e vejo Thony e Lena conversando. Eles olham para mim e Lena sorri.

—Está melhor, Emi? — sua voz é muito tranquilizante. Thony segura um risinho e eu tenho a pequena sensação de que eles não sabem de nada.

— Estou...

—Não é o que parece. – Fala Thony ainda segurando o riso.

Fito-o. O que ele quer dizer com isso?

— Bem, e vocês, como estão? — Sorrio.

—Estamos bem. — Thony apoia os cotovelos na perna e arqueia o corpo após dizer isso. — Estamos pensando o que vamos fazer com isso aqui.

Percebo que ele se refere a casa. Olho para as salas e imagino aquelas cenas novamente. Tudo aquilo foi muito estranho. E nem parece que havia um tigre aqui na sala.

—Bem, eu vou deixar vocês aqui conversando e irei tomar um banho. — dou um giro de 180º — Até mais.

Assim que chego ao meu quarto e me olho, percebo o motivo de Thony querer rir. Meu cabelo esta todo armado, bagunçado e com alguns nós em certos lugares. Meu rosto está um pouco sujo e pareço um andarilho.

—Bom, vejo que realmente está na hora de tomar um banho. — Digo a mim mesma.

+++

Maggie me mandou uma mensagem perguntando se eu posso passar a noite com ela. Bem, meu irmão não aceitaria, mas ele não precisa saber disso justo agora, por isso deixei uma mensagem em cima da mesa e fui para a casa dela.

Chego a casa e nem preciso apertar a campainha. Ela abre a porta com cuidado e me manda entrar.

Vamos até o quarto dela e começamos a conversar sobre o dia corrido que tivemos.

—Bem, eu realmente queria ajudar... – digo novamente. E eu realmente queria ter feito algo. — sinto-me um monstro por não ter feito nada.

—Você não podia fazer nada, Emi. — Ela fala enquanto continua abraçada com o travesseiro. — E tenho certeza que se pudesse, você faria.

—Como eu invoco as minhas asas?

—Eu não sei. – Maggie solta um pequeno riso — eu sou uma guardiã e não um anjo ou uma harpia.

Bem, isso é verdade. Foi burrice minha ter perguntado isso a ela.

—Eu gostaria de poder voar às vezes. – Ela olha para a janela. – Ei, vamos para a sacada?

—Vamos...

Olho para o céu estrelado que a sacada dela nos proporciona. Essa visão é realmente linda e acolhedora.

—É tão lindo, não?

—Sim...

— Eu gostaria de poder voar e ir até as estrelas e ficar em uma. Mas eu só consigo ficar a alguns centímetros do chão, como você viu hoje. — Maggie olha para mim e usa uma das mãos para por uma de suas mechas, que está no meio do seu rosto, junto às outras.

—Eu gostaria de ter meus pais aqui comigo novamente. — Solto.

+++

Kyle veio mais cedo hoje. Isso não é normal, mas é algo bom.

—Olá – ele me beija na testa. Sinto meu corpo estremecer e o meu rosto esquentar.

—Olá. — Respondo.

—Como foi a noite?

—Boa... – Olho para a sala e vejo uma pequena panelinha conversando e rindo. Um deles olha para cá e sussurra algo. Todos começam a rir. — Quem era aquele cara que quase me sequestrou ontem?

—Nemiel. — Kyle diz apoiando o rosto em uma das mãos.

—Nemiel — Repito. — Eu tive uma impressão de que já o conhecia. Isso é estranho.

— Você de fato já o conhece, mas não lembra. Não pode se lembrar.

Isso é estranho. Por qual motivo eu não poderia me lembrar de um ataque que sofri de um anjo caído e outro anjo caído poderia se lembrar?

Loran entra na sala e vem direto para cá.

—Nós precisamos sumir daqui hoje. – Ele fala olhando bem fundo nos meus olhos.

— Como assim?

— Você vai ir treinar. – Sua voz e seu rosto se completam me mando um medo tremendo. Não teria como eu recusar — a não ser que você queira que outro ataque como o e ontem aconteça. E quem sabe, o seu irmão não tenha mais aquela coisa para protegê-lo? Isso seria algo ruim. Algo muito ruim.

Droga.

—Você não vai fazer nada com o meu irmão. — Digo com autoridade — e como você penas que ele vai me deixar ir com um menino estranho para um lugar que nem eu mesma sei onde é, treinar?

—Você não precisa pedir autorização para ele. Ele não precisa saber que você está indo para lá. – Loran está totalmente estranho hoje, isso é ruim. Kyle continua quieto observando. — você simplesmente vai e ponto. Quer voar, não quer? Então você vai hoje à noite.

— Eu vou junto. — Kyle finalmente entra na conversa.

Loran olha para Kyle, enfurecido.

— Se eu não for ela não vai. – Impõe.

— Que seja! Hoje à noite, na floresta. Espero vocês lá.

+++

Enquanto eu saia do colégio, sozinha, um dos garotos daquela panelinha que mencionei mais cedo esbarrou em mim.

—Desculpa, eu realmente não tinha a intenção de—

—Foi de propósito. – Disse seca, me arrumando e voltando a andar.

—Não foi eu posso jurar que isso foi totalmente um erro meu.

Virei para ele e o observei. Ele era um dos meninos mais bonitos do colégio. Louro com os olhos azuis, alto e tinha um cheiro legal.

—Não quero que você prove nada, só quero que você admita que foi de propósito, pois eu vi você cochichando algo enquanto olhava para mim. – Disse rápida. Não queria ficar ali por muito tempo com ele.

Ele abaixou a cabeça e falou “droga” num tom baixo para que eu não ouvisse, mas foi alto.

—O que eu devo fazer para te provar isso? Pagar um sorvete? Acompanhar-te até a sua casa? Dar-te um beijo? Entrar para o seu harém?

Comecei a rir.

—Você não precisa fazer nada disso. E eu não tenho nenhum harém. Só por favor, não faça mais isso. – Disse erguendo o dedo polegar – estou indo, pois não tenho todo o tempo do mundo.

Comecei a andar o mais rápido que eu conseguia. Mas o menino fez questão de andar na mesma velocidade que eu, para me acompanhar.

— Então, como se chama?

—Emilly e você?

—Eu me chamo Jace! Que tal sermos amigos?

Uau! Ele é bem direto e infantil. Continuo andando rápido, mas agora, observando o rosto dele. Ele é inocente.

—Tudo bem. – Falo. Devo ter ao menos alguns amigos para poder sair às vezes. Pena que nessa cidade eu só irei durar até hoje. Pena

—Fico feliz que você queria ter laços comigo! – Ele fala com uma empolgação que faz a minha preocupação pular. — Espero te ver amanhã de novo. — Sorri — agora eu terei que mudar o rumo, pois moro para o outro lado.

—Ah, tudo bem! Até mais então! – Digo sorrindo.

Observo-o ir para a sua casa. Ele nem sabe que nunca nos veremos. Ou até podemos nos ver depois do meu treinamento, mas isso é pouco provável.

Volto para a casa andando lentamente e cantarolando músicas aleatórias que me veem na cabeça. Assim que chego a casa, encontro na mesa da sala o meu bilhete com uma caixa ao lado.

Pego a caixa e abro-a. Vejo uma pulseira linda e na hora percebo que é isso é obra da Lena. Thony não faria algo assim para mim. Pego meu bilhete e leio-o novamente. Dou uma pequena risada imaginando eles lendo isso. Percebo que existe algo escrito atrás. Viro o papel.

“Talvez você esteja com problemas grandes, não é, Emilly? Bem, eu já passei por essa faze totalmente difícil. Mas tinha algo que me ajudava nos momentos mais difíceis, que era essa pulseira que minha mãe um dia me fez. Estou passando-a para você, para que assim você seja abençoada como eu fui. Boa sorte!” – Lena.

Olho para a pulseira novamente e sinto um novo peso nela, como se estivesse segurando uma herança valiosa. E estou segurando uma. Ponho-a no braço e inspiro. Que eu seja abençoada também.

Lena parece ter conseguido um emprego agora, pois tenho toda a casa vazia no momento. Vou até meu quarto e deito-me. Após algumas vezes virando de um lado para o outro, eu adormeço.

Assim que acordo eu estou totalmente despertada. Não existe ninguém em casa. Sei disso pelo silencio. Levanto e vou tomar um bom banho.

Durante o banho, começo a pensar em tudo o que aconteceu e lembro que terei que partir hoje mesmo sem me despedir e ninguém. Imagino o quão duro será para Thony ter uma irmã desaparecida. Gostaria de estar sempre ao lado dele, mas sei que o que Loran está me obrigando a fazer, é para o bem dele. Loran. Esse ruivo é meio estranho, mas é um ser do bem. Sinto isso. Ele pode parecer meio duro e violento às vezes, mas ele faz isso apenas para proteger quem está em sua volta.

Imagino Maggie tendo toda a sua vida de colegial popular de volta. Ela poderia voltar a se cuidar melhor e ter as suas antigas amigas, que trocam de namorado com a mesma frequência que trocam de roupa, novamente perto dela. Teria todo o reconhecimento que um dia teve.

Termino de tomar o banho, seco-me e visto uma roupa pensando que será essa a mesma roupa a qual eu vou ficar o treinamento inteiro. Uma calça confortável e uma camiseta fresca da cor vermelha. Ponho um tênis esportivo bem confortável e amarro bem forte os cadarços. Pego uma mochila e nela, ponho meus documentos, alguns cremes e minha camisola, junto de roupas intimas e um pente. Penso em por o celular também, mas seria fácil para o meu irmão me localizar caso estivesse com ele. Então o deixo em cima da cama.

Penso em algo para fazer para o meu irmão. Bem, ele gosta um pouco de animais, então pego uma folha colorida e escrevo algumas frases nela e faço dobraduras até que a folha esteja formando um cisne. Vou até o quarto dele e deixo-o em cima da cama.

Vou até o meu quarto novamente e olho para a cama de Lena e sorrio. Lena tem me ajudado demais desde que chegou aqui. Vou até o meu guarda roupa e pego dois brincos que eu amava quando os usava (parei de usar, pois ambos me lembravam da mamãe e isso me deixava triste às vezes). Enrolei os dois em uma fita vermelha e deixei em cima da cama da morena.

Lá fora olho para a casa e lembro-me de todas as coisas boas que vivenciei ali. Deixar o seu lar não é algo fácil. Sinto que vou chorar. Não posso mais ficar aqui. Não posso mais imaginar que terei que deixar o meu irmão preocupado comigo por um bom tempo. Saio correndo do local segurando firme para não chorar. Depois de algumas ruas longe de casa, desacelero o passo e percebo que todo o meu esforço foi inútil, pois estou chorando.

Abaixo-me e encosto as costas numa parede e fico ali por um tempo chorando. Não quero que Kyle e Loran me vejam assim, frágil e indefesa.

Após o choro passar, levanto e inspiro fundo o ar fresco da noite.

—Ok, Emilly, está na hora de ir para o seu destino agora! — Digo a mim mesma. —Seja uma garota forte e não olhe para trás.

Começo a caminhar. Ando algumas ruas até chegar ao local em que fui atacada pela primeira vez por um demônio invisível. Rio-me lembrando das coisas que fiz ali.

Continuo a andar e vejo o colégio. Com mais alguns passos, vejo o local onde tombei com Kyle e depois, o local onde Loran me puxou até a sua residência.

Vou passando por mais alguns lugares e lembrando as minhas histórias vivenciadas neles. Até chegar à floresta.

Entro nela e começo a andar um pouco até chegar num pátio. É nesse mesmo pátio onde Kyle e Loran estão. Kyle está com uma jaqueta preta, calça jeans e está apoiado numa árvore olhando para mim. Loran está sentado num jipe bege, com uma jaqueta azul, calça jeans escura e uma toca.

—Finalmente... Achei que teria que ir te buscar. — Comentou o ruivo.

—Desculpe a demora. Tive que fazer umas coisinhas antes e sair. – Disse lembrando-me das lembranças que Thony e Lena receberão assim que chegarem a casa.

—Tudo bem, mas e agora que estamos todos aqui juntos, vamos?

—Para onde? – digo.

Loran sorri maliciosamente para mim. Sinto um pouco de medo, mas Kyle está ali comigo. Percebo que Kyle está atrás de mim agora.

—Para o local o seu treinamento. – Diz ele com o mesmo sorriso.

Tento imaginar o local do meu treinamento. Não deve ser nada legal.

Imagino uma cidadezinha onde não existe ninguém e que eu terei que correr igual louca do Loran tentando me acertar.

—Vamos entrar? — Convida-me Kyle.

Só então percebo que estou parada em frente ao jipe que já está com o motor roncando.

Olho para os lados. Não teria muita coisa para se ver aqui. Mas observo as árvores e alguns animais que voam entre elas.

Essa é uma ótima última lembrança/visão da cidade.

Vou dar um passo. Travo.

—Eu tenho mesmo que fazer isso?

Kyle vira os olhos e Loran bufa.

—Você quer que tenhamos outra noite dos mil demônios?

—Noite dos mil demônios? — Repito sem saber do que ele está falando.

—É o nome que eu dei para o evento demoníaco de ontem!

Seguro para não rir.

—Mas nem era noite.

Kyle também parece querer rir, mas continua quieto. Quando vê que não vai mais aguentar, da uma pequena tossida.

—Que seja! — Fala Loran corando — Esse nome é legal, sendo noite ou não.

Solto uma gargalhada.

—Não consigo entrar aí. — Digo enfim.

— E por quê? — Loran pergunta fitando-me os olhos.

Inspiro e suspiro.

—Eu... Bem... Não é tão fácil assim deixar o lugar onde eu passei quinze anos da minha vida. Não é tão fácil deixar a minha família para trás, os meus amigos, não é tão fácil deixar o meu mundo para trás, para ir viver o seu mundo. – Mereço palmas, eu sei.

—Você não vai ir viver o meu mundo, baby, mas se quiser... – Loran diz fazendo um rosto um tanto engraçado.

Tento dar um passo, mas travo novamente.

—Eu não consigo. —Falo mordendo a parte debaixo da boca.

Loran bufa novamente. Kyle começa a olhar para mim com preocupação.

—Você quer que eu faça o que? Vá aí e te pegue pelos cabelos e te jogue no jipe? Ande logo, Emi. Não temos a noite toda. E quando o seu irmão chegar? Eu tenho certeza que ele ligará para a polícia que vira voando para cá para te procurar. Temos que partir o mais rápido possível.

Engulo as duras palavras e Loran. Ele tem razão.

Sinto uma brisa fresca vir em nossa direção. Olho para o local em que estamos novamente.

—Vai ser difícil deixar isso aqui. — Falo olhando para o chão.

—Você vai voltar assim que acabar o seu treinamento. — Fala o ruivo.

—Eu sei.

Vamos lá pezinhos, vocês conseguem. Não quero bancar a menininha que não quer deixar para trás tudo por que não consegue. Eu sou forte, mas vocês tem que me ajudar agora.

Consigo dar o meu primeiro passo em direção ao jipe. Obrigada pezinhos.

Dou o segundo. O terceiro e logo estou dentro do jipe.

—Vamos? — Pergunta Loran antes de pisar fundo.

—Vamos. — Diz Kyle olhando para mim.

Loran também direciona o olhar para mim.

—Vamos. – Falo enfim. Loran pisa fundo e aceleramos para algum lugar longe daquela cidade.

Notas finais
Bem, o que vocês acharam? Mandem Reviews falando isso e tal...
Eu volto a pedir desculpas pela demora!
Até o próximo capítulo!! õ/
Isso é tudo, pessoal!