As Crianças Do Tempo
4 Capítulo 4 - O dia mais claro, a noite mais densa.
Notas iniciais
- Tropa Sinestro?! – Pergutou Ghe, incrédulo, para sua sua versão “Lanterna Amarelo”. – Eu estou na Tropa Sinestro nesse universo? Que tipo de universo é esse?!
- Universo Terra Prime, cara versão alternativa. – Disse o Ghe da Tropa Sinestro, criando algemas de energia e pendurando Ghe, o Doutor, Azul, Clock e Rodrigo, e pendurando-os de cabeça pra baixo no ar.
- Que nome mais ridículo para uma raça. – Murmurou Moe.
- Ah, é. Tem você. – Disse o Ghe da Tropa Sinestro, criando uma jaula amarela em volta de Moe e pendurando-o de cabeça pra baixo no ar.
- Er... que tal explicar pra gente o que aconteceu nesse universo? – Perguntou o Doutor.
- Você, cale a boca. – Disse o Ghe da Tropa Sinestro, estalando a nadadeira e fazendo um pedaço de fita adesiva amarela sobre o bico do Doutor. – Eu explico. Nesse universo, a Terra Prime, o Doutor nos trouxe para esse universo e a TARDIS pifou.
- Pra variar... – Murmurou Clock.
- CALADO! – Gritou o Ghe da Tropa Sinestro, estalando a nadadeira e fazendo um pedaço de fita adesiva amarela sobre o bico de Clock.
- Vocês tentaram limpar a poeira da bateria principal do console? – Perguntou Ghe.
- Vocês não ficam quietos, hein... — Murmurou Ghe da Tropa Sinestro, estalando a nadadeira e fazendo um pedaço de fita adesiva amarela sobre o bico de Ghe. – E... realmente... nós não checamos. Mas agora, é tarde demais.
- Continue a explicar logo! – Gritou Moe.
Com um estalo de nadadeiras, Moe também foi silenciado por uma fita adesiva amarela.
- Depois disso, o Doutor foi convocado para ser Lanterna Verde, e abandonou eu, o Azul, Rodrigo, Clock e Moe na versão d’O Planeta desse universo. – Explicou o Ghe da Tropa Sinestro.
- O que aconteceu comigo? – Perguntou Azul.
- Você foi convidado para ser um Lanterna Azul. – Explicou o Ghe Alternativo.
- Sério?! – Perguntou Azul.
- Que ironia. – Murmurou Ghe.
Ambos foram silenciados por fitas adesivas amarelas.
- Sim, sim. – Murmurou o Ghe da Tropa Sinestro. – E, no final, eu fui convidado para ser membro da Tropa Sinestro.
- Mas e eu, o Clock e o Moe? – Perguntou Rodrigo, pouco antes de ser silenciado por uma fita adesiva amarela.
- Vocês ficaram n’O Planeta... que eu e a Tropa Sinestro destruímos posteriormente. – Explicou o Ghe da Tropa Sinestro. – Nunca pensei que eu encontraria outras versões de vocês... e ainda com uma TARDIS! Que sorte. Vou mata-los rapidamente e dar o fora desse universo.
- Se eu fosse você, eu não faria isso, Ghe. – Disse uma voz conhecida.
E o Doutor, com um uniforme da Tropa dos Lanternas Verdes, aterrissou no local.
- Isso é pessoal, Doutor. Saia do caminho e você continua vivo. – Ralhou o Ghe da Tropa Sinestro.
- Isso é desnecessário, Ghe. – Disse o Doutor Lanterna Verde. – Deixe-os em paz. Eles tem um universo próprio. Isso que você está prestes à fazer poderia desequilibra-lo!
- E você acha que eu ligo?! – Perguntou o Ghe da Tropa Sinestro. – Quanto tempo fazia que nós não nos víamos, Doutor? Uns 8, 9 anos, eu diria? Desde que você me ABANDONOU lá naquele maldito planeta. Me deixou apodrecer. Tive que aprender à viver sem medo, até ser resgatado pela Tropa Sinestro.
- A Tropa Sinestro nunca é a solução, Ghe. – Disse outra voz conhecida, vinda do céu. – Tanto que o próprio Sinestro a deixou.
E assim, um Azul Lanterna Azul pousou no chão.
- Vê? Seja racional. – Disse o Doutor Lanterna Verde, batendo palmas. – ALLONS-Y!
E assim, todas as algemas, gaiolas e fitas adesivas amarelas sumiram.
Ghe, Azul, Rodrigo, Clock, o Doutor e Moe caíram no chão.
- Obrigado. – Disse Moe, irônico.
O Ghe da Tropa Sinestro, com um olhar fulminante, materializou um punho gigante amarelo que deu um forte soco no Doutor Lanterna Verde, lançando-o à uns 5 metros de distância.
- Você não mudou nada, Doutor. – Murmurou o Ghe da Tropa Sinestro. – Continua metendo o bedelho onde não é chamado.
- Acalme-se, Ghe... – Murmurou o Azul Lanterna Azul. – Não há necessidade pra esse tipo de violênc-
E foi atingido pelo punho amarelo.
- Você também, cale a boca! – Gritou o Ghe Lanterna Amarelo. – Volta chorando pro papaizinho Santo Andarilho.
O Doutor Lanterna Verde voltou.
- Ghe, você sabe que odeio ter de usar violência, mas se for necessário...
- Se for necessário o que? Você acha que consegue me vencer numa batalha? – Questionou o Ghe da Tropa Sinestro. – HAH! Você não sabe de nada, Doutor. Mais de mil anos gastos viajando com aqueles humanos tolos, e o que você aprendeu?
Uma mão verde gigante se materializou e deu um tapa na cara do Ghe da Tropa Sinestro.
- EU NÃO SEI DE NADA?! – Gritou o Doutor Lanterna Verde. – Eu vi o nascimento do Universo, e assisti o seu tempo acabar, momento por momento, até não sobrar nada. Sem tempo. Sem espaço. Somente eu. Eu andei em universos onde as leis da física eram desafiadas pela mente de um maluco. Eu vi universos congelarem e criações queimarem. Eu vi coisas que você não acreditaria. Eu perdi coisas que você nunca entenderia.
O Ghe da Tropa Sinestro se levantou. Um filete de sangue escorria de seu bico.
- Oops... – Murmurou o Ghe da Tropa Sinestro. – Parece que você derramou uma gota de sangue, Doutor... Achei que isso fosse contra o seu código de conduta...
- O código de conduta não se aplica em parasitas como você. – Ralhou o Doutor Lanterna Verde.
- Pessoal, alguém tem pipoca? – Perguntou Rodrigo.
- CALADO! – Gritou o Ghe da Tropa Sinestro, fazendo uma nova fita amarela cobrir a boca de Rodrigo.
- Nós viajamos juntos, vivemos aventuras juntos... – Disse o Doutor Lanterna Verde – Eu achei que, depois de todos aqueles anos, nós finalmente poderíamos viver em harmonia.
- Eu também. – Disse o Ghe da Tropa Sinestro. – Mas graças à Energia Amarela, o pouco do verdadeiro eu que havia restado nesse corpo voltou à ativa... não há mais Ghe aqui, Doutor... a Tropa Sinestro trouxe de volta O Mestre! Hahahahahahaha!
- Azul... – Murmurou o Doutor Lanterna Verde, para o Azul Lanterna Azul. – Me dê uma mão.
O Azul Lanterna Azul estendeu sua nadadeira.
- Uuuh, que medo... o que vocês vão fazer agora? Um high-five da morte? – Zombou o Ghe da Tropa Sinestro.
O Doutor Lanterna Verde estendeu sua nadadeira em direção ao Ghe da Tropa Sinestro.
- Desculpe. – Disse o Doutor Lanterna Verde.
- Hã? – Indagou o Ghe da Tropa Sinestro. – Desculpas pelo qu-
E então, uma rajada de energia verde saiu, disparada em um interminável feixe, do anel verde do Doutor, empurrando o Ghe da Tropa Sinestro até uma pedra que estava à alguns metros.
- O que diSNMAMDMASMSM está acontecKFDMWSFMDWMKS?!!?!?! – Perguntou o Ghe da Tropa Sinestro, falando o que podia enquanto sua boca não estava sendo atingida pelo feixe de energia verde.
- Os anéis da Tropa dos Lanternas Verdes ficam mais fortes quando um anel dos Lanternas Azuis está ajudando. – Explicou o Doutor Lanterna Verde.
Em um gesto inútil, o Ghe alternativo maligno tentou estender sua nadadeira que tinha o anel amarelo.
- E, enquanto está me ajudando, o anel Azul do Azul também retém a força dos anéis amarelos. – Continuou o Doutor Lanterna Verde.
- DOUTOR, PAREWKSLKXLOPSLADSM! – Gritou o Ghe da Tropa Sinestro. – EU NÃO CONSIGO RESPIRAMDSMSSWJKDKWP!!!!
O Doutor Lanterna Verde parou e o Ghe da Tropa Sinestro caiu desacordado no chão.
- Wow, isso foi intenso... – Murmurou o Doutor não-Lanterna Verde.
- Ser morto por mim mesmo seria a pior morte possível. – Disse o Ghe não-Tropa Sinestro.
- Tudo bem, Azul. Ele está desacordado. – Disse o Doutor Lanterna Verde ao Azul Lanterna Azul.
O Azul Azul abaixou a nadadeira.
- Ok, pessoal. – Disse o Doutor Lanterna Verde. – Vocês já podem voltar ao seu univers-
Então, com um grande salto-semi voô, o Ghe da Tropa Sinestro avançou no Azul Lanterna Azul e tirou seu anel fora.
- Ghe, devolva meu anel! – Gritou o Azul alternativo.
- Não. – Murmurou o Ghe Tropa Sinestro, com um sorriso maligno, abrindo a boca e engolindo o anel de Azul.
- NÃÃÃÃO! – Gritou o Doutor Lanterna Verde.
Com um punho amarelo, o Ghe alternativo afastou o Azul alternativo.
- Acho melhor voltarmos pra perto da TARDIS, pra garantir nossa segurança... – Murmurou Clock.
- Concordo. – Disse o Doutor não-Lanterna Verde.
Enquanto isso, o Doutor Lanterna Verde havia partido para cima do Ghe Amarelo. Ambos estavam num combate corpo-a-corpo, de chutes e socos de força imensa.
- Odeio usar força bruta, Ghe, mas fui obrigado. – Disse o Doutor Lanterna Verde.
- Pra mim tanto faz! – Gritou o Ghe da Tropa Sinestro, materializando uma gigante pedra amarela e esmagando o Doutor Lanterna Verde por alguns segundos.
Depois que o Doutor Lanterna Verde se libertou, o combate corpo-a-corpo continuou por mais alguns minutos, com alguns constructos (ora vindos de Ghe, ora do Doutor) interferindo na batalha aqui e ali. As versões não-Lanternas de nossa turma estavam à alguns metros, encolhidos perto da TARDIS, cuja a fumaça vindoura de dentro já começava à sair em menor escala.
Em um certo momento, o Doutor Lanterna havia pegado o Ghe Lanterna numa “gravata”. Porém, com uma nadadeira livre, Ghe materializou um feixe interminável de energia laser amarela, apontando para o grupo de refugiados que estava perto da TARDIS, e atingindo e danificando a parede da máquina do tempo.
- Mais um movimento, e eles morrem, Doutor. – Esclareceu o Ghe Lanterna.
- Oh, você não o faria... – Disse o Doutor Lanterna.
- Será que não, Doutor? – Perguntou o Ghe Tropa Sinestro, aproximando o feixe um pouco mais para o grupo e desferindo uma leve queimadura no traseiro de Moe.
- AI, SEU DESGRAÇADO! – Urrou o puffle.
O feixe ia se aproximando cada vez mais do grupo, que se via encurralado, enquanto o Doutor Lanterna tentava, sem sucesso, retardar o movimento de Ghe Lanterna.
O Doutor Lanterna Verde lançou um olhar arrependido.
- Desculpe.
E, então, quebrou o pescoço do Ghe da Tropa Sinestro, que caiu duro no chão.
Todos olharam para o cadáver, chocados.
- Ghe... está me ouvindo? – Perguntou o Doutor Lanterna, para seu inimigo caído.
- Ora ora ora... olhe só quem decidiu matar... – Sussurrou o Ghe da Tropa Sinestro, inesperadamente falando com seu pescoço virado.
- Isso não tem graça, Ghe. – Murmurou o Doutor Lanterna. – Regenere-se!
- Não... – Murmurou o Ghe Lanterna , com um sorriso maligno. – E aquele que já matou milhares na Guerra do Tempo, e mais milhares fora dela, acaba de adicionar mais uma vítima na lista de obituários...
- REGENERE-SE! – Gritou o Doutor Lanterna Verde. – Você ainda tem regenerações sobrando, não é? Por favor, diga-me que sim...
- Sabe de uma coisa? Eu não sei. – Admitiu o Ghe da Tropa Sinestro. – Mas não quero me regenerar. Prefiro morrer do que ficar vivo, mas desonrar a Tropa Sinestro. E além do que, adoro ver esse olhar culpado nos seus olhos...
E então, faleceu.
- Óbito do membro 24601 da Tropa Sinestro. – Anunciou uma voz, vinda do anel, que instantaneamente saiu da nadadeira de Ghe. – Procurando substituto. – E assim, o anel saiu vagando.
O Doutor Lanterna Verde se ajoelhou e começou à chorar.
- Desculpe, Ghe... mas era a única maneira de para-lo. – Soluçou o Doutor Lanterna.
O Azul alternativo se aproximou. Da boca do Ghe de pescoço quebrado, saiu um anel Azul, que voltou à nadadeira de seu portador original.
- Vamos embora, Ghe. – Disse o Azul Lanterna Azul. – Eles já tiveram o suficiente.
O Doutor tirou fora seu anel de Lanterna Verde e arremessou-o longe.
- Sinto muito, mas eu desonrei o código de conduta da Tropa dos Lanternas Verdes. – Murmurou o Doutor alternativo.
Um anel amarelo veio zunindo em sua direção.
- O Doutor. – Anunciou o Anel. – Você é capaz de instilar grande medo.
O anel instalou-se na nadadeira do Doutor alternativo, banhando-o em um uniforme amarelo.
- Bem vindo à Tropa Sinestro. – Concluiu o anel.
- Medo? – Questionou o Doutor recém-calouro da Tropa Sinestro. – QUE MEDO EU CAUSO?!
- Doutor... – Sussurrou o Azul Lanterna Azul. – Olhe pra eles...
E então, o Doutor da Tropa Sinestro olhou. Ao lado de uma TARDIS cuja a parede estava danificada por feixes de energia amarela, estavam, encolhidos, Ghe, o Doutor, Azul, Clock, Rodrigo e Moe. Visivelmente apavorados.
O Doutor Lanterna suspirou.
- Vou ter muito à explicar aos Guardiões. – Disse, por fim, pegando o cadáver do Ghe alternativo e voando ao horizonte, seguido por Azul.
O silêncio ficou por alguns segundos entre o grupo apavorado.
- Bom, acho que isso foi o suficiente. Acho que a TARDIS já está habitável de novo, então vamos embora antes que outro problema apareça nesse universo maluco! – Declarou o Doutor.
- Concordo. – Disse Ghe. – Acabei de me ver morrendo, e preciso de algo bem bacana pra esquecer isso.
Então, todos entraram na TARDIS.
O Doutor apertou alguns botões no console principal, e de lá saiu uma chave de fenda sônica, novinha em folha.
- Whoa! – Comemorou o Doutor, com o seu novo brinquedo.
- Por que isso? – Perguntou Azul.
- A minha antiga quebrou, lembra?
- Sinceramente, estou em tanto choque que só agora voltei à realidade.
O Doutor, ao contrário do resto da tripulação da TARDIS, parecia bem feliz, apertando e girando botões e alavancas do console da TARDIS.
- Pra onde estamos indo, Doutor? – Perguntou Clock.
- Sabe como dizem, velhos hábitos nunca morrem. – Explicou o Doutor. – Estamos voltando à misericórdia! Allons-y!
- E o que vamos fazer à respeito da TARDIS? Ela estava danificada aqui dentro, lembra? E lá fora, agora também. – Falou Rodrigo.
- De fato. Aqui dentro, já está tudo reparado. Deu tempo, enquanto víamos a luta lá fora. Já na parte externa... bom, o Circuito Camaleão acabou de dar um jeito. Eu espero. Enfim...
A TARDIS deu uma boa tremida por dentro.
- WHOA, WHOA, MINHA MENINA! – Disse o Doutor. – MISERICÓRDIA!
O Doutor abriu a porta da TARDIS, porém não saiu, pois um braço-canhão robótico entrou pela porta.
- Você é o doutor alienígena? – Perguntou uma voz robótica, vinda do lado de fora.
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