As Criações

2 Capítulo 1 - Os Recrutados


Notas iniciais
Bom Dia ;3

Fiquei tão feliz com os reviwes do capítulo passado que decidi postar um novinho hoje : )

O capítulo foi revisado, mas qualquer erro me avisem.

Espero não decepcioná-los.

Boa Leitura ♥

O governo está me estudando há um ano, eles nunca viram alguém como eu. Ninguém nunca teve pré disposição a ter todos os sentidos aflorados. Há um ano não ando para além das paredes brancas e limpas desse prédio, há um ano não tenho contado com pessoa que não sejam cientistas, há um ano eu quase não me considero nada além do que uma criação.

Eles decidiram que eu não preciso mais ficar aqui, não descobriram como reproduzir meu cérebro em outras pessoas. Eles queriam fazer mais de mim mesma, mas talvez isso não fosse possível.

O que eu acho é que eles se cansaram de ficarem enfiando agulhas em mim e não encontrarem nada. E por isso me enviariam para o campo e treinamento dos recrutados.

Todos éramos enviados para lá após descobrirmos qual função nosso cérebro afloraria. Geralmente os inteligentes discutiam as estratégias de ataque, os destemidos treinavam constantemente e ensinavam novas técnicas de lutas. Eu sabia que todos eram separados por afinidade, para que não houvesse brigas internas. Em que alojamento em ficaria? Quem seriam meus grupos de afinidade se eu podia fazer simplesmente tudo?

Carolyn, minha irmã vinha nos visitar uma vez por ano. Ela era cinco anos mais velha do que eu, ela liderou a tropa que atacou Sidartha – a terceira das divisões – no começo do ano passado. Minha irmã era uma lenda, era simplesmente a pessoa mais inteligente que eu conhecia. Ela ganhou a guerra e impediu que eles roubassem nosso estoque de armas. Contudo, Carolyn nunca voltou para casa. Ela foi atingida por dois tiros, um na cabeça e outro no estomago. Morreu em campo de batalha.

Meus pais não queriam que eu fosse recrutada mas, também não queriam que eu fosse executada. Ora ou outra a embaixada permitia que eu recebesse cartas deles e eu sempre garanti que estava tudo bem, mesmo que eu não estivesse.

A porta se abriu arrancando-me dos meus pensamentos. Amélia, uma das cientistas entrou vestindo seu costumeiro jaleco branco. Ela mais parecia um pintor de roda pé, tinha os cabelos curtos e loiros e olhos verdes como jóias.

-Está na hora – disse Amélia – Arrume-se, eles viram buscá-la.

Amélia fez um sinal para que eu a acompanhasse. Ela me levou até o vestiário, onde eu tomei um longo banho gelado. Aqui não havia água quente, era tudo o que eu tinha no último ano. Tinha apenas alguns minutos para me arrumar.

Coloquei o macacão preto de mangas longas, era o uniforme dos recrutados. O macacão era feito de um material grosso e era quase impossível de destruí-lo, ele era comprido e tinha detalhes em vermelho, sua gola era arredondada, a manga dos pés e dos braços eram presas ao tornozelo e ao pulso com um elástico grosso. O macacão era cinturado, muito charmoso e sexy. Era fechado com zíper e me fazia parecer mais alta. Amarrei meus cabelos lisos em um rabo de cavalo alto, coloquei um tênis sem cadarços ele era azul marinho e combinava com o macacão.

Amélia me guiou pelo longo corredor, esperamos que viessem me buscar. Fiquei na sala de espera por duas horas, até que eles terminassem de reunir e distribuir todos os uniformes aos outros recrutados.

-Sua vida começa hoje Tessalha – disse Amélia.

-Não sei como vou viver no meio deles – disse preocupada – Eu sou diferente.

-Misture-se, aja conforme os outros, não tente se sobressair – aconselhou-me.

Assenti com a cabeça. Os guardas finalmente chegaram, levaram-me até o ônibus junto com os outros recrutados. Geralmente não necessitávamos de transportes, e os que tinham eram carros fortes e a prova de balas. Essa era a única vez que andaríamos de ônibus em nossas vidas.

-Tessalha – chamou Amélia fazendo eu me virar para ouvi-la – Tente não morrer.

Abri um sorriso e entrei no ônibus. Logo tive a visão dos outros milhares de recrutados sentados, todos estavam vestidos assim como eu. Dessa vez havia um número igualado de garotos e garotas.

Todos olhavam para mim, esperava que não soubessem o porquê eu estava aqui. Evitei encará-los para não ficar vermelha, olhei a minha volta procurando um lugar vago.

Havia apenas um lugar ao lado de uma garota. O ônibus começou a andar e arrancou bruscamente fazendo meu corpo se projetar para frente e quase cair no chão, se eu não tivesse me segurado no banco teria batido o rosto no chão e provavelmente teria quebrado alguns dentes.

Ouvi alguns murmúrios e risos, mas continuei andando até o lugar vago ao lado da garota.

-Posso me sentar aqui? – perguntei.

-Sinta-se a vontade – respondeu me olhando no rosto.

A garota era bonita. Seus cabelos loiros estavam presos em um coque bem feito, seus olhos eram tão azuis quanto o mar. Seu rosto era incrivelmente delicado, os traços eram finos e clássicos. Como o rosto de uma Barbie. Os lábios bonitos, as sobrancelhas finas e desenhadas, os olhos em perfeita assimetria com o nariz fino. Ela não tinha cara de quem serviria para lutar.

-Sou Aylin Summer – apresentou-se a garota.

-Tessalha Gatwik – disse abrindo um sorriso – Pode me chamar de Tessa.

Tessalha e era um nome estranho, nunca entendi porque alguém colocaria esse nome em um ser humano. Contudo, eu gostava do meu nome e da sonoridade que o apelido Tessa tinha. Carolyn fora quem me dera esse apelido, ela achava o nome Tessalha um tanto difícil de pronunciar.

-Tessa – pronunciou Aylin – Bonito nome, combina com você. Na verdade tudo combina em você.

Abri o meu melhor sorriso falso. Claro que tudo combinava em mim, eu sou uma criação do governo. Eu fui recriada por eles, eu sou o humano perfeito nada em mim precisa estar errado. Mas, Aylin não precisa saber disso.

-Faz parte de qual grupo de aptidão? – perguntou ela.

Engoli em seco. A pergunta viera antes do que eu imaginei que viria, Aylin acertou em cheio a pergunta que não deveria ser feita.

-Er...

Pense rápido Tessa, vamos lá sua estúpida.

-Eruditos e intrépidos – disse de uma única vez, aquilo era uma meia verdade. Meu cérebro não era tão superficial a ponto de ter apenas duas aptidões. Eu podia ser quem eu quisesse ser.

Concordei em seguir o conselho de Amélia. Não deixar que eles me notem. Ser erudito não era a melhor maneira de passar despercebida. As aptidões eram simples: eruditos, metamorfos e a intrépidos.

Os inteligentes eram conhecidos como eruditos desenvolviam quaisquer habilidades que envolvessem o cérebro, conseguíamos pensar mais rápido que a maioria, inventar uma mentira sem parecer que ela seja uma mentira. O único problema de ser eruditos era o distúrbio de personalidade, por algum motivo os eruditos tinham tendência a assumir outras identidades.

Os que tinham a destreza eram conhecidos como intrépidos. Eles tinham a facilidade de aprender novas lutas, eram pessoas de ótimos reflexos e sentidos. Se você ouvia bem eles ouviam mais, como um animal. Enxergavam com nitidez e perfeição. Qualquer mudança climática podia ser sentido. E não tinham medo de absolutamente nada, nosso cérebro bloqueava o medo.

Os metamorfos eram pessoas com incrível facilidade de se misturar, de se passarem despercebidas. Eles conseguiam se adaptar a qualquer lugar, frio, calor, sol, chuva ou neve. Eram como camaleões. Eles eram rápidos e apresentavam parte da qualidade dos destros.

-E você? – perguntei tentando desviar o foco de mim mesma.

-Intrépidos – disse sem animo na voz – Com uma ponta em metamorfose.

-Hum – foi apenas o que eu disse.

-Você é uma minoria esse ano – disse Aylin – A maioria dos recrutados são intrépidos.

Uma garota que estava com os cabelos cor de bronze soltos e pintados de rosa nas pontas se virou para trás. Seus olhos eram tão verdes quanto os meus foram um dia, seu nariz era desproporcional para seu rosto delicado e suas sobrancelhas eram finas em comparação ao tamanho dos seus olhos. Seu queixo tinha um charmoso furinho.

-Isso está acontecendo porque os eruditos não voltam para casa após cumprirem suas metas, eles continuam no governo e nunca tem filhos – disse a garota – Por isso seu intelecto nunca é passado a diante.

Ela tinha razão. Dificilmente um erudito voltava para a cidade da Cúpula para ter uma vida normal, eles continuavam trabalhando no governo e inventando novas maneiras de estimular o cérebro. Nós éramos obrigados a ficar na divisão de treinamento da Cúpula até os 35 anos, depois podíamos ir embora e seguir com o resto de vida que teríamos. Se é que sobraria vida depois disso.

Até eu chegar os cientistas achavam que sua aptidão para alguma coisa era determinada por seus pais, ou seja, se eles eram intrépidos certamente você herdaria isso deles. Carolyn e os meus pais eram todos eruditos.

-A propósito sou Rachel Black– falou radiante.

-Eu sou Tessa – cumprimentei-a.

-Aylin – disse educadamente – Pelo modo como gosta de falar concluo que é um dos eruditos embora nunca tenha visto nenhum deles de cabelo rosa.

Rachel negou com a cabeça.

-Sou uma intrépida – sorriu – Apenas sou alguém intrometida, creio que não haja um grupo para isso.

Um garoto virou-se para trás. Ele era loiro, seus cabelos eram cortados curtos e ele Tinha um rosto perfeitamente desenhado e assimétrico, suas orelhas eram de abano e seus lábios perfeitamente finos.

-Ela é a garota mais intrometida que eu conheço – disse ele.

-E você quem é? – perguntou Aylin.

-James Carterwith – apresentou-se o garoto – Vizinho dela.

James apontou para Rachel que deu de ombros, deixando bem claro que ele poderia ter ficado de boca calada. Aylin o olhou de cima a baixo, James tinha certo charme enrustido era alguém agradável de olhar.

-Você também é um intrépido? – perguntou Aylin.

-Um metamorfo – disse James.

Enquanto eles falavam eu só observava os outros adolescentes. Todos pareciam normais, cada um com um tipo diferente de cérebro. Embora todos rissem eu podia sentir o nervosismo deles espalhando-se por suas veias e se alastrando pelos seus ossos. Muitos eram filhos únicos, poucas famílias tinham mais de um filho, ninguém sabia como seria quando chegássemos a divisão de treinamento da Cúpula. Eu esperava que não fosse tão ruim quanto ser estudado pelo governo.

-Nós chegamos – disse James.

Realmente havíamos chegado, o ônibus havia parado de andar. Escutei o barulho da porta se abrindo.

-Vamos, andem logo – disse o motorista.

Notas finais
Eai gostaram?

Alguém odiou?

Sugestões?