As Crônicas dos Quatros Reinos

5 Capítulo 05 - As Trevas de Tamor


Annar continuava a receber secretamente mensagens de Eus que enviava pelas novas escravas trazidas de presente a nova cidade de Tarmor. Ivos não conseguia se envolver emocionalmente com Annar e deixava que ela tivesse um quarto só para ela, quando o rei de Tamor ficou sabendo da postura de seu filho enviou um mensageiro com um recado para que não fosse motivo de vergonha para o seu povo que de alguma forma ficava sabendo o que acontecia nos corredores e salões da antiga cidade, foi então que Ivos começou a visitar o quarto de Annar algumas noites para possuí-la por esposa como lhe era de direito. Em uma dessas noites logo após de possuir Annar, Ivos se retirou para o seu quarto e ficou olhando pela sacada naquela noite fria, ele sabia qual era a sua fama entre seu povo, como eles o olhavam como um homem fraco, alguém que não merecia ser reverenciado como rei e isso começou a perturbar a sua mente, seus pensamentos lhes roubavam o sono.

Na manhã seguinte enviou um mensageiro ao ferreiro mais famoso das terras frias e pediu que o mesmo o fizesse uma armadura sobe medida do metal arcadion (metal negro mais leve dos quatro cantos dos Quatro Reinos) e no centro da armadura na altura do peito o simbolo de sua casa desenhado e uma mascara negra de ferro capaz de assombrar seus inimigos e até aliados ao olhar. Encomendou também com um alfaiate uma capa negra com um capuz que pudesse esconder seu rosto.

O ferreiro morava na capital de Tamor e quando recebeu não demorou muito para separar o que havia de melhor para fazer uma das melhores armaduras que já havia produzido em toda a sua vida.

Mas outra coisa também perturbava a mente do jovem príncipe, um de seus cavaleiros conseguiu arrancar de uma das escravas uma carta de Eus para Annar e entregou pessoalmente ao jovem príncipe, foi quando percebeu que muitos no castelo antigo já comentavam da traição de Annar e para muitos Ivos IV já era motivo de piada.

Ivos IV passou noites em seu quarto se embebedando e meditando sobre sua vida e fama, tomou livros com a historia dos antigos reis e pensou no que poderiam escrever quando fossem falar de seu reinado. Parecia que algo dominava a cada dia a mente do jovem príncipe e todos no castelo antigo começaram a perceber mudanças em seu comportamento, ele estava sempre distraído, com um olhar perdido como quem trama algo. Ivos IV passou dias lendo cada letra daquela carta, ouviu o testemunho de cada homem que já acompanhou Annar e em seu coração um sentimento o tomava de conta.

Aquela não seria mais uma simples noite, não seria mais um copo de vinho que Ivos IV se deixava envolver, não seria mais um pensamento que lhe perturbava. Em seu quarto Ivos IV olhando da sacada, sentindo o vento frio daquela noite, olhou para o canto e foi arrebatado por um sentimento do qual ele nunca experimentou. Sua espada pendurada na parede parecia querer lhe transmitir alguma mensagem e uma voz sussurrante falava ao seu ouvido "Lord Negro".

A serva mais querida de Annar estava no quarto de sua senhora ainda limpando a banheira na qual sua senhora a poucos minutos atras havia tomado seu banho quente. Ela estava distraída quando ouviu o gemido da porta abrindo e se assustou quando viu o jovem príncipe envolvido em um manto negro com sua espada nas mãos entrando. A serva ficou parada em panico, sem emitir um som ou movimento.

Ivos ficou por alguns instante parado olhando para Annar dormindo em sua cama, ele tinha entrado tão sorrateiramente que se não fosse o gemido da porta a serva de Annar não teria percebido.

Parece que os pensamentos lhes foram roubado a mente e em poucos segundo levantou sua espada e com o forte movimento cortou a cabeça de sua esposa e futura rainha e se assombrou com o grito desesperado da serva de Annar que alertou quase todo o castelo.

Ivos deixou sua espada cair enquanto o sangue de Annar escorria pela cama, ele foi em direção da serva e antes que a tocasse foi interrompido com alguns guardas que entraram e assustados não sabia o que fazer. O chefe da guarda logo chegou e abraçou o jovem príncipe gritando — O que fizera meu senhor?

O crime estava feito e rapidamente as pessoas mais importes do castelo antigo foram avisados e naquela mesma noite visitaram o quarto real do jovem príncipe e o encontraram em panico.

– Bom senhor, o que fizera? — disse um dos seus conselheiros levando as mãos a cabeça e continuou — O que faram os annianos quando souberem de tal desgraça.

O jovem príncipe aflito começou a chorar, se colocou de joelhos aos pés de seu conselheiro e pediu misericórdia. Um dos outros conselheiros perguntou — Alguém além do senhor e a princesa estavam no quarto?

– Sim! — disse o jovem príncipe com a voz tremula — a serva viu tudo.

– Não pode ser — disse o mesmo conselheiro — tragam essa jovem aqui, precisamos fazer com que se cale, ela é uma testemunha contra o senhor e não seria bom que os annianos soubessem que Annar morreu pelas mãos do príncipe seu marido.

Ivos gritava desesperadamente — Não contem ao meu pai ainda! Não contem ao meu pai ainda!

– Acalme-se meu senhor! — Falou o conselheiro pelo qual Ivos agarrava e segurou em seus braços e o colocou de pé lhe sacudindo o corpo — A desgraça já foi feita, agora precisa achar um modo que tudo isso não se volte contra nós.

– Como? — Perguntou um dos conselheiros.

– Não sei ainda, mas por enquanto precisamos ocultar de todos a morte da jovem princesa. — Nesse momento um duas guardas adentrou no quarto.

– A serva fugiu!

– Como a serva fugiu? — Perguntou Ivos.

– Nós não a encontramos no castelo! — respondeu o soldado.

– Então corrão e a encontre de alguma forma — Ordenou o conselheiro com a preocupação estampada em seu olhos.

Ivos voltou a olhar para sua espada que estava sobre a mesa de seu quarto e ainda estava com o sangue de Annar e a espada voltou a sussurrar "Lord Negro". Ele voltou-se para seu conselheiro e colocou uma de suas maus sobre o ombro do mesmo e falou — Eu sei o que devemos fazer!