As Crônicas de Skarion
9 Capítulo 9
Prosseguiram os três na noite, movimentando-se o mais rápido que podiam, principalmente depois de certa distância da vila, podendo assim fazer barulho e correr sem cautela. Corriam porém ainda entre as árvores, por medo de encontrar qualquer um na estrada aberta.
A estrada era um caminho aberto entre as montanhas, cujo destino único era Marint. Esse caminho entrecortava os montes, com curvas e declives acentuados, mas geralmente descendo. Contudo, haviam pequenos bosques e muito mato ao redor da estrada, o que possibilitou a fuga. Assim, olhando de longe, o caminho a Marint pareciam muitos "S" seguidos.
Perto do amanhecer, e já cansados, resolveram parar, pois haviam avistado um bosque à frente. Pararam no mesmo, escondidos entre árvores altas e arbustos para recuperar o fôlego.
– Para onde agora, Kress? — disse Max.
– Suponho que devemos seguir a estrada. Não tenho muita noção de nada a partir de agora. Já foi difícil reunir informação suficiente para o que já fizemos.
– Bom, eu não sei vocês — disse Dan, espreguiçando-se — mas eu vou olhar o local, talvez haja algo para comer, afinal.
Saiu então, adentrando ainda mais o bosque. Notou que o bosque ficava entre dois montes, ocupando o espaço entre eles. Decidiu andar rente à parede de pedra que se erguia à sua frente. Caminhou por vários metros, não encontrando nada comestível. "Porcaria", pensou, "Acho que nem as árvores frutíferas decidiram dar uma chance ao lugar".
Subitamente, entretanto, sua mão, que estava encostada, na pedra, sentiu algo diferente. Ainda era pedra, mas era mais lisa e uniforme. Levando a outra mão ao local, e afastando a sujeira, viu alguns símbolos entalhados na pedra. Continuou limpando mais a frente e verificou mais símbolos. Dan não reconheceu nenhum deles. Voltou então até Kress e Max e contou sobre o achado.
Os três foram juntos até o lugar pouco iluminado, graças à espessa cobertura das árvores.
– Alguma ideia do que isso significa, Kress? — disse Dan.
– Nenhuma, na verdade. Vamos continuar olhando.
Seguiram mais alguns metros de símbolos e encontraram algo estranho. Um buraco, com pouco mais de 2 metros de altura e 1 de largura. Não era adornado nem destacado na montanha. Parecia na verdade, uma formação natural do lugar, exceto talvez pela localização coincidente com as inscrições na pedra.
Dan olhou para dentro e viu um buraco depois de alguns metros de chão pedregoso.
– Eu vou na frente. Se algo acontecer eu os chamo.
Seus amigos acenaram com a cabeça e Dan entrou. Caminhou até a borda do buraco e tentou ver seu fundo. Contudo, viu apenas uma negritude sem fim.
– Max, me passe uma tocha e um graveto.
Max pegou uma tocha de sua mochila e a acendeu, passando-a a Dan, junto com um graveto do chão. Dan então pegou o graveto e botou fogo no mesmo com a tocha, para em seguida largá-lo no buraco. Viu, assim, que o fundo também era sólido, e não muito distante.
– Tem no máximo 3 metros. Vou pular. — avisou aos companheiros.
Ele pulou e sentiu o impacto num chão de pedra, parecido com o que estava antes. Porém, assim que seus pés tocaram o chão, Dan sentiu uma força tomar-lhe o ar dos pulmões, fazendo com que se sentasse para evitar cair e sendo obrigado a olhar ao redor. "O que está acontecendo?", pensou.
Como que para o responder, tochas começaram a se acender nas paredes laterais, indicando um túnel à frente, com cerca de 5 metros de largura e 5 de altura. Dan, assim, posicionava-se em um tipo de altar ou acesso, mais alto do que o túnel em si. O curioso era que as chamas das tochas eram azuis.
Dan, recuperando o fôlego, andou até uma das tochas, seu suporte era feito de pedra, entalhado na própria parede. Agora ele visualizava o túnel todo. Tinha colunas da mesma pedra, em pares, no meio, com 1 metro de largura cada. E, na outra ponta do túnel, algo brilhava.
O garoto de cabelos negros caminhou até lá, encantado e curioso sobre a luz que ele via. Chegando mais perto, viu um altar acima do qual pairavam dois objetos luminosos. Depois de aproximar-se um pouco mais, conseguiu-se vislumbrar o que eram. Eram duas espadas iguais, emitindo luz e flutuando acima do altar.
Subitamente, um clarão o cegou. Ao recuperar a visão, viu outro ponto de luz entre as espadas e ouviu:
– Quem ousa adentrar este recinto sagrado — disse uma voz trovejante. Parecia o som do vento na tempestade, farfalhando as folhas, bem como aquele momento antes de você ouvir o trovão, quando seus ouvidos parecem prever o fenômeno que irão presenciar.
– Eu sou Dan Skarion — disse, com certa relutância.
– Sabe quem sou, jovem? — falou a voz, fazendo a caverna ressoar e ribombar.
– Não. — Dan não conseguiu formular outra resposta.
– Sou Raijin, deus da tempestade. Este é meu templo.
Quando a voz calou-se, Dan conseguiu olhar para o ponto de luz entre as espadas, e reconheceu uma pequena nuvem de tempestade com raios à circundar.
– Nunca ouvi falar de um deus da tempestade.
– Fui esquecido jovem. Seu rei baniu meu culto, bem como o de outros seres iguais a mim. Mas isso há de mudar. Um campeão será eleito e haverá, finalmente, de terminar a guerra.
– Como assim? — perguntou Dan.
– Há muito tempo, antes do mundo como você conhece existir, nós, os deuses, decidimos que, afim de resolvermos nossas contendas sem abalar seu planeta com nossos poderes, haveríamos de escolher um campeão cada, para que lutasse em nosso favor, utilizando nossas armas. Contudo, seu rei baniu nosso culto, impedindo que escolhêssemos nossos campeões.
– E por que ele faria isso?
– Porque ele é o campeão de Garoan, o deus da Terra. Desse jeito não há ninguém nesta momento que tenha força para se opor a ele.
Terminada a explicação, Dan pensou sobre o que havia escutado, enquanto olhava as espadas.
– Então, porque estou aqui?
– Está aqui porque será meu campeão, Dan Skarion. Usará as Espadas Gêmeas de Raijin e derrotará os outros campeões. Restaurando assim a ordem natural do mundo.
– E qual é seu interesse nessa luta?
– Quero apenas o que é meu por direito. Ser cultuado, bem como os outros deuses esquecidos também o querem.
– E o que eu ganho com isso?
– Estas espadas não comuns, Dan Skarion. Nelas está um poder que você aprenderá a controlar e, caso seja bem-sucedido, nada o parará.
Dan ouviu então um trovão...
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O garoto acordou sentado na pedra lisa do túnel de cima, com duas espadas, uma em cada mão.
E, em seus braços, abaixo do ombro, duas marcas iguais, na forma de um raio, de forma que circundavam o bíceps.
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