As Crônicas de Skarion
8 Capítulo 8
Três batidas rápidas na porta. Duas separadas. O código. Dan levantou-se rápida, porém silenciosamente, e caminhando até a porta. Lá estavam Max e Kress, devidamente vestidos e preparados para a fuga.
Com um olhar de aprovação Dan tomou a frente do trio, indo em direção à escada. Eles faziam o mínimo possível de barulho. Já passava da meia-noite e todos dormiam, exceto os guardas do pátio, àquela hora já sonolentos e preguiçosos.
Desceram a escada lentamente, evitando os degraus que já sabiam que fariam barulho. Terminado este movimento, os três dirigiram-se ao pátio de armas. Pararam à porta e conferiram se não havia nenhum guarda ali. Com uma negativa de cabeça para avisar os companheiros, Dan continuou sua trajetória até o lugar onde haviam guardado o necessário para a fuga.
Retiraram a laje que cobria o buraco, e pegaram suas armas e sacolas com mantimentos e equipamentos necessários para a viagem. Cada mochila pesava cerca de sete quilos, exceto a de Max, que pesava cerca de dez quilos.
Após isso, conferiram novamente o caminho e seguiram para o portão de Flint, mas foram obrigados a parar, pois viram um guarda cuidando do portão. Ele estava de frente para a rua, bocejando. Os garotos sabiam seu nome: era Johann, um guarda novo e conhecido por ser um tanto quanto relaxado.
Os três se entreolharam e com um aceno, eles sabiam o que fazer. Kress então avançou com uma adaga em punho. Chegou atrás do guarda; podia até ouvir sua respiração. Então, com um lampejo de sua lâmina contra a luz da lua, cortou a garganta de Johann, fazendo espirrar sangue na rua. Ao mesmo tempo tampava sua boca, impedindo o mais leve gemido. Após pouco tempo, qualquer capacidade de Johann chamar por ajuda estava bloqueada por muito sangue em seu pescoço e boca.
Eles arrastaram o corpo até uma esquina da rua, escondendo-o em um beco de duas casas. Deram uma última olhada para Johann e seguiram em sua missão. Avançaram por entre becos e casas, sem chamar qualquer atenção. As capas escuras que vestiam os ocultavam na noite, enquanto atravessavam Marint. Chegaram a ouvir alguns guardas, mas em seu plano eles já haviam pensado nesta possibilidade. O combinado era de que ao menor sinal de qualquer um perto, eles parariam e ficariam a postos para a luta. Felizmente, a segunda parte não foi necessária.
Segundo os cálculos de Dan, já havia se passado uma hora desde que haviam saído de Flint e, assim, o portão da cidade deveria estar perto. De fato, pouco tempo depois, o trio vislumbrou a entrada da cidade e seu portão. Haviam guardas nos muros, prestando atenção em tudo do lado de fora, mas muito pouca no lado de dentro. Esse era o segredo do plano.
Seguiram então até o lugar mais próximo possível do portão, porém ainda escondido: uma viela entre casas. Encobertos pela sombra, os três amigos observaram o portão, analisando o comportamento dos guardas. Alguns estavam sonolentos, enquanto outros estavam muito atentos.
Estando então há cerca de vinte metros do portão fizeram uma fila, com Dan na frente, Kress no meio e Max por último, avançando rapidamente na noite. Chegaram então ao portão, que era como um túnel de cerca de sete metros de comprimento, por cinco de largura e quatro de altura, com um teto abobadado.
Correram como nunca ao vislumbrar finalmente sua futura liberdade. Porém, quando estavam quase no outro lado, um guarda surgiu do lado de fora, provavelmente voltando de uma patrulha exterior que os garotos desconheciam.
O soldado arregalou os olhos e sua boca começou a abrir-se. Dan e seus amigos, embora surpreendidos, estavam preparados. Dan abaixou-se ainda mais, enquanto Kress se ajoelhou. max então, sacando rapidamente seu machado, colocou um pé nas costas arqueadas de Kress e deu um salto para a frente, girando seu machado horizontalmente.
A lâmina atravessou o pescoço do patrulheiro, cravando-se na parede do túnel. Depois, o corpo do soldado caiu e a cabeça caiu em separado. Guardando seu machado, Max começou a arrastar o corpo para fora, enquanto Dan levava a cabeça.
Depois de conferir se não havia mais nenhum soldado do lado de fora, Kress sussurrou:
– Estão vendo a linha de árvores lateral?
De fato, havia uma linha de árvores que margeavam a estrada quase em toda sua extensão visível.
– Vamos por ali — continuou Kress — Precisamos ser rápidos e silenciosos. A partir de agora, somos fugitivos. Estão prontos?
Dan e Max responderam com um aceno, logo depois saindo com Kress para às arvores.
Movendo-se entre os galhos, estrada abaixo, Dan pensou, "E que a noite seja nossa amiga".
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