O sol se punha enquanto Dan terminava suas tarefas. Olhou então para o céu, pensativo e calmo, analisando mentalmente todas as etapas do seu plano. Nada devia dar errado. Nada PODIA dar errado.

Finalmente dirigindo-se ao prédio, Dan foi chamado por uma voz suave à sua esquerda:

– Venha cá, Dan.

Era Robin, o Escarlate que o chamava.

– Sim, Mestre. O que deseja?

– Apenas conversar com você. Sabe que tenho grandes esperanças para o seu futuro não é, Dan? — disse Robin.

– Eu imagino, senhor. — Respondeu Dan.

– Olhe, eu planejo lançar Kress com uma carta de recomendação para oficial assim que ele tiver idade, e você e Max logo irão para as fileiras do exército também. Com suas habilidades, garanto que em pouco tempo serão promovidos.

– Por que está me dizendo isso, Mestre?

– Porque não sou idiota, meu caro aluno. Eu já notei a sua insatisfação com seu destino aqui. Mas, me responda, qual o motivo de seu desprezo pelo Exército?

Da, então, suspirou e disse:

– Posso ser sincero, senhor?

– É claro.

– Mestre, não acredito que a guerra que estamos sendo mandados lutar seja justificada. Não me parece correto o que o rei faz com os Rebeldes, e acho o próprio reinado dele digno de investigação.

Robin então, deu uma bofetada com as costas da mão no rosto de Dan e falou:

– Jamais repita isso. Você é sustentado pelo seu bom rei e lhe deve servidão. Nunca lhe agredi antes Dan, mas não posso permitir que você questione a legitimidade do trono de nosso rei e de sua guerra. Vá jantar e cumprir suas tarefas. Você aprenderá a respeitar o trono de sua Majestade.

Robin caminhou em direção ao prédio, sua sombra alongada quase sumindo na penumbra. Dan, retomando sua postura, o seguiu. Lá dentro, os jovens começavam a se preparar para o jantar. Ele então juntou-se a Max e Kress, que já estavam sentados.

– Dan, o que houve com rosto? Está bem avermelhado. — Comentou Max.

– Robin.

– Ele te acertou? — Perguntou Kress.

– Sim. Acho que feri o orgulho dele ao criticar a guerra. Depois do que ele sofreu, acho que não aceita este tipo de crítica muito bem — disse Dan, com um sorriso irônico.

– Bom, pelo menos ele não te matou — disse Max.

A noite se aproximava e a hora do plano ser posto em prática também. Assim, todos os jovens foram para seus dormitórios, Dan sozinho, como sempre. Ele então deitou-se em sua cama, porém com seus olhos bem abertos. A partir dali, todos os seus sentidos precisariam estar em mais completa funcionalidade, bem como os de Kress e Max, que fizeram o mesmo. Dan repassou o plano mentalmente e pensou: "Vai dar certo, tem que dar certo..."