As Crônicas de Renpuu

1 PERIGO! AMEAÇA Á CAMINHO


Assentado sob um monumento rochoso no qual ali estavam desenhados e inseridos símbolos e ideogramas dentro de um círculo de coloração preta, cujo qual era rodeado de estatuetas animalescas de médio porte, assim se encontrava o sábio sacerdote em seu esconderijo secreto subterrâneo naquele instante. De pernas cruzadas e com os olhos vendados por uma atadura, segurando o seu bastão e com trajes típicos de um sacerdote, concentrava-se e meditava no seu subconsciente, e à medida que isto ocorrera este recarregava e moldava as suas energias espirituais, físicas e vitais. Contudo, eis que os olhos das estátuas e o círculo, incluindo seus ideogramas e símbolos der repente começavam a reluzir, estas primeiras em vermelho e o segundo em um azul claro.

– Mas o que é isso?... O que esta acontecendo? – Disse telepaticamente o sacerdote ao sentir uma perturbação em seus fluxos de energias internos enquanto estivera em seu subconsciente. O que ocorrera naquele exato momento era que a sua habilidade sensitiva e profética indicara que o sábio estava antecedendo algum acontecimento. – As energias estão se fundindo... Será que?!... – Assustou-se ele ao reconhecer e compreender o que estava se passando. Eis que der repente podiam-se ouvir rugidos, mugidos, uivos, zumbidos, urros, crocitas, piados, farfalhos e bramados, todos entre outros sons vindos cada um de dentro das estatuetas. – Eles estão aqui... – Afirmou.

– Já fazem mais de cinco anos desde a última guerra... – Dissera a criatura de pupilas amarelas e reluzentes em uma dimensão paralela aquela na qual o sacerdote estara. Nela não havia nada, se não a escuridão apenas.

– Sim... – Disse outra criatura em resposta á afirmação feita até então, cujas pupilas também reluziam assim como as pupilas dos demais seres animalescos que ali estavam; os sons dos cascos, batidas de asas e pernas tocando o chão assim como suas patas macias podiam-se ser ouvidos ali também.

Aos poucos este mostrava sua aparência, tratava-se de um felino listrado e robusto de dentes cumpridos. Mais precisamente, um tigre dentes de sabre vermelho e que aos poucos assim como os demais ficava á mostra e avistava os demais.

– Espero que tenham um bom motivo para termo-nos reunido aqui hoje, detesto ser acordado esta hora da noite do meu sono profundo. – Resmungou Crocodile, o Crocodilo que demonstrara insatisfação de estar ali presente.

– A Vida não se resume só á você seu réptil ignorante. – Respondeu a felina de pelagem escura Pan, também conhecida como Panther, á provocação do crocodilo.

– Cale-se sua pantera asquerosa. – Retrucou o réptil de boca grande.

– O que está havendo? – Questionou El, também conhecido como Elephant o Elefante.

– Irmãos... É motivo de preocupação para nós o que anda acontecendo pelo mundo afora. – Comentou o Lion, o Leão Vermelho que tinha a palavra e prendia a atenção de todos os que ali estavam naquela dimensão.

– Uma facção criminosa tem espalhado o terror e o medo em todos os cantos, no continente e onde quer que andem, de norte á sul, eles vêm cometendo atrocidades e destruição sem precedentes. Pelo que fiquei sabendo eles tem atuado em conjunto e partindo para os mais diferentes lugares. – Continuou e cessou o felino de juba a sua fala, que havia sido pausada anteriormente.

– Sei do que se trata... Tenho ouvido muito falar deles nos últimos meses, cerca de uma dúzia deles já foi avistada espalhada por vários lugares. Seus feitos tem chamado á atenção das autoridades nos últimos tempos, das cujas quais se tornaram motivos de preocupação por aparentarem serem indivíduos poderosos e extremamente sincronizados. – Comentou Wolf, o Lobo.

– Mas o que temos haver com isso? Qual a situação? – Perguntou Pan, a pantera.

– Não se sabe ao certo quais são seus objetivos ou do que eles estão atrás... No entanto, corremos um risco muito grande de nossos portadores serem alvos dessa facção. Estamos falando de indivíduos extremamente poderosos, assim como já fomos motivos de interesse no passado, não tem porque não sermos hoje. – Afirmou o Leão direcionando sua explicação para todos os seres animalescos ali.

– Entendo... – Disse a felina de pele escura ao ficar a par da situação.

– E qual o problema? Os garotos de vocês não estão crescidos o bastante para se defenderem de ameaças desse porte? Tsc. – Questionou o Crocodilo, demonstrando irritação com toda aquela conversa.

– Não... Só ar recém que Natsu fez quinze anos de idade, ele não está forte o suficiente para lidar por conta própria com oponentes desse nível. Ele deve começar o treino logo... Deixá-lo a mercê seria suicídio, não posso fazer isso. – Respondeu Tiger também conhecido como Dentes de Sabre, ás provocações do réptil.

– Dentes de Sabre tem razão... É só questão de tempo até que venham até o País da Água atrás de mim na Ilha do Caranguejo e dos demais. – Disse Crab, o crustáceo de carapaça dura de coloração vermelha, com antenas e pares de pernas, cuja aparência assemelhava-se á de uma mistura de Lagosta com Caranguejo.

– Acha mesmo que devemos nos preocupar por hora? A alta temporada está aí e o teste de graduação também, muitos de nós estaremos sob os olhos das autoridades. Já teremos muito com o que nos preocupar nos próximos meses além desses vulgos marginais. – Exclamou Pan, a pantera.

– Sim... De qualquer forma, seria bom chamarmos á atenção de todos os líderes e da Central também. Eles precisam ficar á par de tudo isso. Fiquem atentos, todos somos possíveis alvos dessa facção. – Alertou o felídeo de juba á todos, que respondiam em conjunto: – Sim. – ocorrendo assim de encerrar-se a conversa entre eles. Um Leão, Tigre, Tubarão, Águia, Falcão, Morcego, Touro, Cervo, Crocodilo, Lobo, Pantera, Arraia, Tatu, Elefante, Tartaruga, Piranha, Polvo, Caranguejo, Borboleta, Cavalo Marinho, Abelha e Aranha, estas eram as bestas feras as quais o sacerdote visualizava terem aquele diálogo em seu subconsciente, em círculo um ao lado da outra. Era a primeira vez que as célebres criaturas animalescas se reuniam naquelas circunstâncias, não era comum e muito menos frequente esse tipo de reagrupamento, ainda mais naquela dimensão. Tendo o sábio feito suas próprias conclusões, mudanças ocorriam no local, ocorrendo assim deste sair ele de seu estado subconsciente e das estatuetas e o círculo já não reluzirem como mais. – Eu preciso avisar ao meu senhor e convocar todos os grandes líderes para ficarem a par da situação. – Pensou o sacerdote consigo mesmo, saindo ás pressas do recinto aos berros chamando os que ali estavam.

Há quilômetros de distância de onde estivera o sábio sacerdote, pra ser mais específico em uma região de penhascos e cadeias montanhosas do País da Terra, á poucos metros da tida como a segunda maior e mais populosa cidade do território, que se situa dentro de um vale de falésias rochosas que possuía uma passagem para entrada e saída de todos que por ali ousassem passar, estava um trio cujos trajes assemelhavam-se, exceto por um deles possuir um capuz que os demais não tinham; um manto preto sem mangas e com a gola alta fechado com um zíper, chapéu de palha e um par de botas e luvas que expunha os dedos dos pés e das mãos. O trio que agora permanecia inerte em frente á falésias de rochas que protegiam a megacidade era partícipe da facção criminosa da qual as bestas feras haviam mencionado anteriormente, cujo nome era Takeshi.

– Finalmente... Chegamos. – Comentou Li Mei, a única mulher que compunha o trio e cujo manto possuía um capuz; seus cabelos prateados e mechas repicadas junto à franja e os brincos enalteciam a sua personalidade série e forte.

– Utagawa... Ashura... Preparem-se. – Alertou ela os comparsas estendendo o braço, fazendo surgir assim no local bem atrás de si e dos colegas, cerca de seiscentos sujeitos mascarados, usando trajes de coloração preta e que deixavam á mostra só seus olhos.

– Não me diga o que fazer Mei! Sei muito bem quais são as minhas obrigações. – Declarou Ashura, um dos sujeitos do sexo masculino que compunha o trio.

– Ah princípio, fazia tempo que eu não me extasiava tanto. – Afirmou Ashura, com um sorriso malicioso ao abrir o zíper de seu manto e retirar dali cerca de sete ínfimas esferas e segurá-las em sua mão. Eis que em seguida, em sequência dedos, braços, ombros, cabeça saíram de Ashura, ocorrendo assim de sair de si uma réplica.

– Podem ir os dois, eu os acompanho depois. – Declarou Utagawa, o renegado que restava e que também compunha o trio, de cabelos cinzentos, lisos e cumpridos o mesmo abria o zíper e retirava o seu manto, deixando seu peitoral, abdômen e braços expostos.

Ao mesmo instante que isto ocorria Li Mei e Ashura desapareciam junto aos seiscentos homens num piscar de olhos do local, deixando Utagawa sozinho; este por sua vez retirava de baixo de seu manto um objeto pontiagudo de coloração preta cujo qual usou para cortar e abrir seu estômago. O sangue que saia de dentro da barriga aberta espalhava-se pelo chão ao mesmo instante em que sujava o restante do manto que o renegado usava e que em seguida, com as duas mãos seguraram o objeto fortemente perfurando sua cabeça, no instante que isso ocorrera seus olhos se contorceram, ocorrendo assim do mesmo cuspir sangue e sujar-se.

Enquanto o renegado de cabelos cumpridos fazia tais ritos macabros, do outro lado, de cima de um penhasco que protegia e rodeava toda a cidade, estava Ashura junto á sua réplica e á Li Mei, cujos olhos estavam fixados na megacidade que estava logo á baixo em meio ao vale protegido pela cadeia de montanhas rochosas. Dali podia-se ver a imensidão celeste e a luminosidade do sol, junto aos mais diversos edifícios e residências de arquitetura típica e de composição rochosa com estuque.

– Pois bem, que a festa comece. – Ironizou Ashura, ainda com um sorriso enorme e malicioso em seu rosto, dando três passos á frente, jogando em seguida á baixo todas aquelas pequenas esferas as quais segurava. Estas caíam em diferentes localizações e ao tocarem o chão, destruíam tudo o que estivesse por perto. Der repente podia-se ouvir os gritos da população que percebera que estava sob ataque, logo após a explosão. Alguns dos cidadãos que ali estavam corriam de um canto para o outro, enquanto que outros tentavam ajudar as vítimas das explosões, entre os escombros ou que se feriram. Em questão de instantes num piscar de olhos aqueles seiscentos homens surgiam em meio às ruelas e avenidas da megacidade, vindos e partindo para várias direções destruindo e assassinando todos que estivessem á vista. – Esse caos... Não é o bastante. – Comentou Li Mei observando do alto toda a movimentação lá em baixo.

– Vamos! Eu conto com você. – Falou Ashura ainda sorrindo maliciosamente. Ao ter proferido tais palavras, a sua réplica corria e caia do penhasco de braços abertos.

– UHUUUUUUUUUUUUUL. – Gritou a réplica de Ashura, que ria loucamente e que ao cair causava uma explosão três vezes mais destrutiva e poderosa que todas as sete explosões anteriores, espalhando o medo e o caos ainda mais pelo local.

– Tsc. – Disse Li Mei, mostrando-se aborrecida com o comportamento do comparsa, que estendia as duas mãos e fazendo surgir assim de trás das montanhas subindo aos céus milhares de mísseis prateados. Em questão de minutos, centenas deles podiam-se ser vistos nos céus. – Vou te ajudar. - Afirmou Ashura, arqueando uma das sobrancelhas e sorrindo sarcasticamente para a comparsa que retribuía o ato sorrindo também.

Enquanto isso, na capital do País da Terra, ocorria uma reunião entre o conselho e os quatro líderes do país; rapidamente demonstrando desespero e com uma respiração ofegante o secretário corria rumo á sala de conferências particular do edifício. – SAIAM DA FRENTE! MEU SENHOR! TEMOS UMA EMERGÊNCIA! PRECISAMOS DE SOCORRO! – Disse o subalterno aos berros entrando na sala e interrompendo a reunião.

As centenas de mísseis situadas em meio à imensidão celeste podiam ser vistas de qualquer canto da metrópole, mesmo tratando-se daquela megacidade com seus oito mil quilômetros quadrados. Com seus olhos e atenção voltados para cima, os cidadãos visivelmente feridos e desesperados ficavam inertes e paralisados de medo á espera do próximo ataque vindo do céu. De cima do penhasco Ashura observava a cidade logo á baixo e para os mísseis que levitavam no ar em cima por alguns instantes, até que com seu sorriso malicioso põe-se á dizer, fechando os olhos: – Apreciem o espetáculo. – Comentou este, que corria rapidamente e se jogava do penhasco, acompanhado logo em seguida pela comparsa que inclinava os braços para baixo, fazendo assim com que os projéteis de titânio voassem á baixo, em direção aos edifícios e monumentos da cidade.

Os horrores e as barbaridades que estavam sendo feitas pelo trio e seus homens na segunda maior cidade do País da Terra já haviam sido disseminados, chegando ao conhecimento das autoridades e populações dos demais países, inclusive da Central, que naquele mesmo instante realizara uma conferência em tempo real com os seus seis juízes superiores e seus sessenta membros. Eis que der repente, um mensageiro adentra a sala interrompendo a reunião, atraindo a atenção dos demais para si. – Excelentíssimos, recebemos um informe vindo do País da Terra, a segunda maior cidade do território está sendo atacada pela facção que foi vista fazendo alvoroço na fronteira duas semanas atrás. – Explicou ele, surpreendendo todos os que ali estavam.

Enquanto que a Central era informada a partir daquele momento sobre o ataque do trio e de seus subservientes na cidade, no edifício da capital do País da Terra onde estava havendo uma reunião dos líderes do país instantes atrás, tudo o que ocorrera na megacidade era visto por uma enorme esfera de Cristal que estava inserida numa sala cuja qual estava Shiro, um dos quatro líderes do País da Terra, de pé e com os pulsos fortemente fechados dizia: – Onde estão os responsáveis? Quero que os encontre. – Disse ele aumentando o tom de voz, ordenando á seus subordinados que possibilitavam o mesmo em tempo real de acompanhar tudo o que acontecia na megacidade através de uma técnica usada na esfera cristalizada de grande porte.

– Não estamos conseguindo, Senhor. Eles estão lá, mas de alguma forma não estamos conseguido localizá-los, parece que está havendo uma espécie de bloqueio, não conseguimos vê-los na bola de cristal. – Comentou o subordinado.

– Eu me pergunto... Em como e quando eles conseguiram passar despercebidos pelas torres de vigilância... É praticamente impossível isso... Mesmo ao menor sinal de invasão o departamento teria percebido. – Questionou-se o superior mentalmente ainda com os pulsos fechados, enquanto focava sua atenção ao que era mostrado na bola de cristal.

Contudo, eis que instantes depois de Ashura ter se jogado do penhasco e Li Mei conduzindo os projéteis de titânio que estavam espessos no céu para baixo em direção á megacidade, lugar o qual o seu comparsa havia caído, uma terceira explosão ocorre. Chocados, todos os que ali estavam naquela sala junto á Shiro acompanhavam em tempo real tudo o que se passava naquele instante na megacidade, isto é através da Bola de Cristal. Enquanto isso, no interior de um edifício num pacato vilarejo situado no País do Fogo, mais especificamente dentro de uma sala, estava uma mulher de longos cabelos avermelhados cumpridos e pele clara, chamada Hitoe, que naquele instante estava preenchendo os documentos que diziam respeito á ela e ao seu trabalho; o silêncio na sala desta era quebrado com a chegada de um rapaz, que lhe trazia um informe em forma de papel, ao notar a presença do mesmo no gabinete, esta para de preencher os documentos, encara este por alguns instantes até quebrar o silêncio e indaga-lo.

– Pois não?! Deseja alguma coisa. – Perguntou ela ao rapaz.

–Senhora desculpe-me por interromper, mas acabamos de receber um comunicado vindo da capital do País do Fogo. – Explicou o subalterno, entregado o comunicado nas mãos de Hitoe. Com os papéis em mãos, a ruiva lia ao enunciado e foi questão de segundos até surgir em sua face uma expressão de perplexidade; suas sobrancelhas remexeram-se, seus olhos se arregalaram e sua boca aberta.

– Mas... Isto é... Não pode ser... A cidade foi invadida?! – Questionou ela.

– Sim senhora, ao que parece cerca de seiscentos homens e três indivíduos avistados atravessando uma das fronteiras do País da Terra á alguns dias, se dirigiram para a megacidade, explodiram edifícios e causaram destruição. Segundo o que nos foi passado, as autoridades locais já enviaram tropas para lá e até onde se sabe, há indícios de que estes indivíduos podem ter alguma ligação com aquela organização que anos atrás massacrou um de nossos clãs: o Natsuki. – Explicou ele, repassando á chefe tudo o que sabia sobre, atualizando-a.

– Obrigado, pode se retirar. Qualquer novidade, por favor, me informe, eu quero saber. – Ordenou esta, e ao ouvir tais palavras o rapaz se punha á deixar o gabinete já que não tinha mais declarações ou relatos para fazer, ocorrendo isso este deixava a ruiva sozinha no local; pensativa e preocupada assim estava esta naquele momento depois do que lhe fora relatado, ainda sentada à mesma pôs-se a virar sua poltrona em direção á janela que havia na parede atrás da mesa na qual estava.

– Não pode ser... Então quer dizer que os indivíduos que vem causando alvoroços esses últimos meses são daquela organização... Entendo... Agora tudo faz sentido! Só mesmo indivíduos daquela organização poderiam ser tão eficientes e poderosos á ponto de atravessarem as fronteiras facilmente, ter esse poder todo e massacrar o clã Natsuki, um dos clãs mais honoráveis e fortes do País do Fogo. Mas... O que eles querem? Por que invadirem uma cidade tão imensa?... – Disse ela terminando o seu raciocínio e análise mental com aquelas perguntas no ar.

A devastação e a destruição causada pela explosão, que fora mais destrutiva e perigosa que todas as anteriores a ponto de destruir a megacidade com seus oito quilômetros quadrados e parte dos arredores em poucos minutos era evidente. Tudo fora perdido, todos os cidadãos, assim como os edifícios e tudo o que ali havia na agora destruída megacidade, fora destruídos e aniquilados com a magnânima explosão.

– A cidade... Ela foi... – Disse um dos funcionários que estava na sala do edifício da capital do País da Terra acompanhando tudo através da bola de cristal. Boquiaberto e perplexo, assim como todos os que estavam ali naquele instante, não acreditava no que acabara de presenciar em território nacional.

– A segunda maior cidade do País da Terra... Foi... Completamente destruída. – Exclamou a única mulher presente na sala, com uma expressão de espanto em sua face; lágrimas escorriam de seus olhos que naquele momento mostravam-se explicitamente arregalados ao mesmo instante em que suas pernas tremiam e sua boca era tapada com suas mãos. Vendo o estrago que os renegados fizeram, Shiro irrita-se, aperta ainda mais seus pulsos e foi questão de instantes até que tremores pudessem ser sentidos.

– Esses tremores... – Disse o subalterno que junto á todos os que estavam naquela sala olhavam para as mais diferentes direções e pontos, tais como o telhado e para os objetos que ali havia deslocando-se com o surgir dos tremores. Assustado, ao perceber o que se passava direcionou o olhar para seu superior, dizendo mentalmente: – Essa não... parece que Shiro-sama não ficou nem um pouco contente com o que aconteceu. – Tendo dito isso, não demorou muito para que os tremores ficassem ainda mais fortes, fazendo com que os objetos caíssem e se quebrassem, o edifício tremesse e rachaduras surgissem nas paredes, no solo e telhado. – Meu Senhor, por favor, contenha-se, se continuar com esses tremores, o edifício e os arredores vão pros ares. – Disse a moça segurando fortemente no braço de Shiro que em função de sua raiva, estava liberando o seu verdadeiro poder, ocasionando assim todos aqueles tremores.

– Entendo... Então esse é o verdadeiro poder de Shiro-sama... Não é atoa que ele é uma das Quatro Rochas do País da Terra... – Pensou o subordinado horrorizado com os tremores que seu chefe causara com sua irritação.

O poder de Shiro, conhecido como a Quarta Rocha das Quatro Rochas do País da Terra, era desconhecido até mesmo dos cidadãos e das mais nobres e altas classes de seu país. Tanto é que os tremores que este ocasionara podiam ser sentidos há quilômetros de distância; não demorou muito para que os tremidos que ocorriam na capital pudessem ser sentidos onde Ashura, Li Mei e Utagawa estavam, porém com menos intensidade.

– Mas o que é isso? – Disse Ashura, que estava de pé sobre os escombros e que olhava para o solo e percebia os abalos.

– Parece um terremoto. – Afirmou Li Mei, com uma expressão séria.

– O meu palpite é de que alguém não se agradou do que fizemos aqui... Acho melhor partirmos o quanto antes, é só questão de tempo até que mandem reforços. – Declarou Utagawa, ainda sem seu manto e com suas as mãos, boca, olhos e dentes completamente sujos de sangue e com o estômago ainda aberto jorrando uma grande quantidade de sangue, já que ocorriam ali tremores fracos.

– Então quer dizer que aborrecemos alguém é? Interessante... O meu palpite é de que tem alguém nos observando. – Comentou a renegada ao ouvir as declarações de seu comparsa em um tom sarcástico e provocativo. Tendo feito isso, acrescentou: – É você Shiro? Irritou-se com o que fizemos aqui?! – Finalizou ela sua fala com aquela provocação, que pode ser escutada da sala na capital do País da Terra já que a técnica com a bola de cristal ainda permanecia em vigência.

– S-Senhor... São eles. – Disse o subalterno que ouviu á provocação da moça, assim como todos os que ali estavam, inclusive seu chefe que tendo conhecimento disso cessou os tremores e direcionou sua atenção para a bola de cristal á fim de ouvir o que o trio tinha pra dizer, já que não podia ver seus rostos, isto possibilitou ao trio que estava á quilômetros de distância confirmar sua suspeita de que estavam sendo observados lá da capital do país, e ao acontecer isso a renegada de cabelos claros diz: – Ouça bem Shiro, eu tenho um recado pra você e todos os outros líderes da Quíntupla Aliança... Fogo, Água, Terra, Ar, Trovão e até mesmo os Países do Gelo e da Grama, certifique-se de que todos fiquem cientes do que direi á seguir. – Avisou esta, inclinando seu corpo para baixo e puxando pelos cabelos um cidadão que estava sobre os escombros e que ainda respirava, porém visivelmente ferido. – Está vendo este cidadão aqui? Pois é, destruir a segunda maior cidade do seu país foi só o começo, se você e os chefes das outras grandes nações não se curvarem á nós, iremos destruí-los e fazer pior. Nós iremos dominar o mundo e não há nada que vocês possam fazer para nos impedir, caso tentem... – Silenciou-se por alguns instantes até que concluiu sua fala, dizendo: – Nós acabaremos com vocês assim. – Finalizou ela, retirando de dentro do seu manto uma espada afiada, cuja qual usa para decapitar o cidadão que segurava com sua outra mão, ao fazê-lo rapidamente e facilmente, o ato simbolizava o que sua organização poderia e faria com todos os seus opositores. Ao presenciar tal barbárie de dentro da sala, Shiro irritava-se ainda mais, ocorrendo assim dos tremores voltarem ainda mais fortes, á ponto de a imensa bola de Cristal se quebrar.

– AHHHH! ESSES CRETINOS! EU VOU MATÁ-LOS! — Afirmou Shiro, aos berros.

– Vamos, já terminamos por aqui. – Falou Ashura enquanto observava sua comparsa guardar a espada dela em baixo do manto. Ocorrendo isso, o trio junto dos seiscentos homens que ali estavam desapareciam num piscar de olhos do local.

Após o trio de renegados e de seus subordinados partirem do território de cadeias montanhosas e penhascos rumo ao desconhecido, não dando mais notícias de seu paradeiro, fora enviado ás principais autoridades das sete grandes nações uma intimação, convocando á todos os líderes das mesmas á estarem presentes na conferência que estava para ser marcada; neste comunicado fora relatado toda a informação tida daquela facção até o momento, inclusive as últimas atrocidades cometidas pelos membros da organização no País da Terra. Ao presenciar todas aquelas barbáries Shiro saiu da sala em que estava junto de sua equipe horas depois e convoca á todos os membros do conselho do País da Terra para uma reunião de emergência ali mesmo no edifício.

– Senhores! Creio eu que já devam estar cientes do que aconteceu. Ordenei á minha equipe que os deixasse a par de tudo o que ocorreu na parte sul do País da Terra. – Relatou Shiro, de pé em frente á mesa cujo qual estava assentada todos os dez integrantes do conselho que participavam daquela reunião.

– Recebi informações vindas da Central, e ao que me parece eles já foram notificados do que o trio fez no sul de nosso país... Disseram que irão encarregar-se de nos ajudar á caçá-los e muito brevemente quem sabe, puni-los. Alguns países também já foram notificados, porém, pedi que enviassem um comunicado aos líderes dos Países da Água, Gelo, Fogo, Trovão, Ar e Grama, convocando-os para uma reunião á fim de discutirmos á respeito desta facção. Assim que tivermos uma posição de cada um deles, definimos a hora e o lugar... Mas, enquanto isso queria discutir com vocês no que diz respeito à segurança de nossa nação, com essa afronta feita por membros desta facção não podemos ficar de mãos atadas, estamos vulneráveis á ataques... Começaremos nossa reunião de emergência agora, assim que terminarmos irei falar com a princesa, foquem-se, por favor. – Afirmou Shiro, que ali permaneceu conversando com os demais na sala.

Tal como ordenara este, seis aves de rapina de médio porte com uma carta amarradas em uma de suas pernas, encarregadas de comunicar os líderes das demais nações, partiram da capital do País da Terra, atravessando as fronteiras de seu território e tomando cada uma um sentido e direção diferente mais á frente, tendo como destino cada uma destas: uma capital de cada das sete grandes nações. Em decorrência de sua localização, o País do Gelo fora o primeiro dos países á receberem a intimação cuja qual convocava todos os seus líderes e responsáveis para a reunião; de baixo de uma forte tempestade de neve que ocorria naquela região naquele instante, com fortes vendavais e com um frio intenso, uma das aves de rapina sobrevoava a capital, situada em um vale, em uma região de cadeia montanhosa de altos picos de altitude, permanentemente coberta de gelo, com florestas de pinheiros e árvores de médio porte, próprias para aguentar o rigoroso e frequente inverno em todo o país e em especial naquela localidade. Tendo a mesma, avistado o edifício cujo qual foi incumbida de entregar a intimação, voou até o local, o que possibilitou em poucas horas da intimação chegar até seus remetentes. Sentada no interior da sala mais extensa e espaçosa do edifício, assim estava Koori Kamiya, a pródiga do clã Koori e monarca do País do Gelo; estivera ela atenta ás palavras rígidas de seu avô, que estava de pé em frente á poltrona no qual estava sentada.

– Com sua licença, vossa majestade. – Disse o mensageiro prostrado e de cabeça baixa, que interrompia o diálogo que havia ali entre o honorável e a princesa.

– Mas olha... Que ultraje! O que você quer rapaz?! Não sabe que não deve nos interromper quando estivermos á sós? Estamos tratando de um assunto importante. – Reclamou o ancião, virando-se de frente ao ouvir as palavras proferidas pelo subalterno que o interrompera e o irritara, encarando-o.

– P-Perdão S-Senhor... Mas, recebemos um comunicado do País da Terra, uma facção criminosa que tem atuado em várias frentes, invadiu a segunda maior cidade do país e a destruiu. Shiro-sama está convocando todos os lideres das grandes nações para uma reunião, esta correspondência foi classificada pelo departamento como crítica, por isso tive de vir aqui entregá-la á vossa majestade o quanto antes. – Explicou o rapaz ainda cabisbaixo e um pouco assustado.

– Deixe-me ver isto, tsc. – Finalizou o ancião, tomando a força e rudemente da mão do jovem a intimação, o que não demorou á ler em alguns minutos. Tendo seu súdito cumprido com suas obrigações, estendeu a mão dizendo: – Dispensado, retire-se. – E tal como fora lhe ordenado o mesmo o fez, deixando o local num piscar de olhos.

– Você não irá para esta reunião, está decidido. - Declarou o avô da monarca.

– O QUÊ? COMO ASSIM NÃO IREI? – Perguntou Kamiya, surpresa.

– Embora você seja a futura herdeira de nosso clã e a líder de nosso país, você não tem obrigação nenhuma de ir á esta reunião. Shiro que resolva os seus problemas sozinho, a realeza não precisa e NÃO DEVE ser envolvida nesses assuntos. Nós já temos nossos próprios problemas, será enviada á capital uma declaração, dizendo que você não irá á esta reunião. – Explicou este, virando-se de costas.

– MAS VOVÔ! É uma questão séria de estado, o que os outros líderes vão pensar de nós? Precisamos dar o nosso apoio, várias pessoas foram mortas por esta facção. O que faremos se invadirem o nosso país? As grandes nações cruzaram os braços para nós. Por favor, vovô, reconsidere. – Implorou a mesma, preocupada com as consequências da sua ausência numa futura reunião com e dos líderes das grandes nações, ao seu avô que parecia convicto de sua decisão.

– DEFINITIVAMENTE NÃO! VOCÊ NÃO IRÁ Á ESTA REUNIÃO! Você é muito nova para tratar questões de estado. Temos de mantê-la confinada no palácio até que atinja a maioridade para ter autonomia para fazer o que bem entender e lhe convir como rainha. Mas, enquanto isso, teremos de protegê-la, é a herdeira e a líder de nosso clã, sair do país é arriscado, mesmo você sendo forte como é, os riscos de ser morta e perseguida são muito grandes. Não permitirei que o prestígio e a história do clã Koori que sobreviveu á várias gerações acabe em você. Ou se esqueceu de que sua irmã morreu ar recém?! – Disse o ancião, exaltando-se e aumentando o tom de voz com a neta no início da fala e depois voltando ao normal.

– N-Não senhor... – Disse a jovem de cabelos branquiados, abaixando a cabeça e entristecendo-se ao lembra-se de sua falecida irmã.

– Sua irmã morreu... Você é a única esperança do clã Koori agora! Nós contamos com você, não seja imprudente! – Disse fechando o pulso e aumentando o tom de voz com a garota pela segunda vez, feito isso e olhando-a nos olhos, acrescentou: – Não se preocupe com estes indulgentes desta facção, se eles ousarem invadir nosso país você estará fortemente protegia pelo exército real, mais do que estaria caso deslocasse para outro país. Se isto não for o suficiente, você pode com eles, mesmo nessa idade é bastante poderosa para enfrentá-los, se permitíssemos sua ida até a reunião, poderia ocorrer de você acabar assassinando seus guarda-costas também. – Concluiu ele seu raciocínio, retirando-se da sala em silêncio.

– Irmã... – Sussurrou a princesa, cabisbaixa ainda ao lembrar-se de sua irmã.

O Sexteto de aves de rapinas enviadas ás capitais das grandes nações com o intuito de entregar aos líderes as intimações vindas do País da Terra a fim de convocá-los para uma reunião já havia cumprido com suas responsabilidades, retornando elas á sua terra natal, com exceção de uma que era a última á chegar ao seu destino: O País do Trovão. Tendo ela concluído sua missão de entrega, pôs-se á voar rumo a capital do País da Terra, local o qual as demais aves do sexteto se dirigiram e partiram. Ocorrendo isto, no interior de uma sala espaçosa de um edifício cujo qual possibilitava á todos que ali estavam de ter uma vista privilegiada da cidade capital do País, estavam Rei e Ryuuki discutindo com seu superior Raijin á respeito da intimação que lhes fora entregue.

– Raijin-sama, devemos contatar os nossos senhores os ‘‘relâmpagos dourados’’ e pedir á eles que retornem á capital o quanto antes? – Perguntou Ryuuki de joelhos, com a cabeça baixa, portando-se formalmente de frente e ao seu superior.

– Não, eles estão em um compromisso sério. Podem informá-los sobre a reunião que será feita com a Central e com a Quarta Rocha do País da Terra. – Comentou Raijin, sentado á um sofá, com as pernas abertas, sem blusa e com um par de luvas sem dedos pretas em cada uma de suas mãos, referindo-se á Shiro e á sua convocação. Feito isso, acrescentou: – Caso eles sintam necessidade ou cumpram com suas obrigações e queira participar da reunião, tudo bem, do contrário, eu mesmo irei sozinho. -

Tendo-se passado algumas horas desde a conversa do trio; em destaque em meio à imensidão celeste, assim estava o belo astro rei também conhecido como sol, isto se devia ao fato de naquele momento iniciar-se o entardecer, que era onde a grandiosa estrela começava á se pôr. O resplandecer do sol no horizonte em contraste com as cores avermelhadas, laranjada e roxa do céu era formidável, um privilégio que só os cidadãos daquele lugarejo tinham, já que era tido como o melhor lugar que se tinha no mundo para se apreciar aquele fenômeno em sua totalidade.

Em meados daquele pacato e simplório vilarejo do País do Fogo, tudo o que se podia ouvir era o soar dos pássaros que cantarolavam e das águas do rio e das cachoeiras que ali havia, pois a movimentação nas ruas aquele horário não era intensa como em determinados períodos do dia. A grande maioria dos estabelecimentos e lojas do vilarejo, que encontravam de portas fechadas e inativas; poucas eram as pessoas encontradas perambulando pelas ruas ou se ocupando com alguma atividade específica naquele fim de tarde, entre elas estavam: Sayuri, Renpuu, Suien Sousuke e Natsu Natsuki. Todos na Academia Militar de Artes Marciais e Autodefesa, do Exército Real do País do Fogo, na qual estes se encontravam, mostrando-se ocupados com seus respectivos afazeres; totalmente isolada há horas dentro daquela extensa sala, Sayuri pôs-se á estudar e a colocar em prática alguns exercícios condizentes com o que tinha de aprender em suas respectivas matérias na Academia, já que cursava Ciências Medicinais e almejava se tornar uma profissional do Departamento Médico do Exército Real do País do Fogo em um futuro não muito distante.

– Finalmente... Espero que essa composição química seja a ideal para acelerar o processo de regeneração das células e dos tecidos. Ao menos... Mais rápido que das últimas vezes nos meus últimos experimentos. – Disse pra si mesma, pegando o frasco com um líquido de coloração avermelhada, cujo qual esta havia feito através de misturas de materiais tais como temperos, antídotos e remédios. Com um pergaminho e um livro ao lado abertos, esta realizava uma experiência com o material; pegava esta o bisturi que havia sobre a mesa e com o objeto cortava a região do antebraço, fazendo-se assim sangrar o local. Eis que a moça abre com ambas as mãos o frasco com o líquido e o derrama sobre o corte, o efeito do antídoto foi rápido, embora esse efeito resultando do contato da substância com a ferida causasse um pouco de ardência e desconforto.

– 30 segundos... É... Posso dizer que estou progredindo. – Comentou a mesma, ao ver a região antes cortada, normal novamente.

– Bom, por hoje chega! Estudei mais do que deveria e mais do que conseguiria. – Afirmou a jovem, finalizando a sua puxada rotina de estudos e aprendizagem daquele dia. Fechou ela o livro e o pergaminho, colocou-os sobre os demais livros que estavam sobre a mesa e os levou até o armário colocando-os lá juntos dos demais livros. Tendo feito isso, a jovem fixava sua atenção para a imensidão celeste, vista através de uma das janelas da sala. Em silêncio, tratou esta de dirigir-se até a janela, e ao chegar lá, apreciou a paisagem e o por do sol que se mostrava no horizonte, reflexiva e pensativa, disse á si mesma: – Onde será que você está agora?... O que está fazendo? Será que você pensa em mim como eu penso em você? Como eu queria ter você aqui comigo agora. – Fez-se ela todas aquelas perguntas, enquanto pensava em seu amor platônico. Eis que naquele mesmo edifício, porém em outro andar e numa outra sala naquele horário, estava Natsu Natsuki e Renpuu treinando, ambos estavam a uma distância significativa de um pro outro, trocando olhares e com os pulsos fechados. Der repente o ar dentro daquela sala começava á pesar á medida que ambos liberavam parte de sua energia e poder; á medida que o poder do felino listrado era liberado pelo ruivo, suas pupilas mudavam sua coloração para o vermelho, seus dentes e unhas se afiavam ao mesmo tempo em que o jovem Renpuu posicionava-se ao sacar rapidamente uma espada de médio porte. Pensou ele consigo mesmo ao ver as mudanças físicas que ocorriam ao seu amigo, com quem lutaria e liberava parte de seu poder e do poder do felino listrado que tinha dentro dele: – O ar está mais pesado que da última vez em que lutamos... Está certo que eu e ele lutaríamos de igual para igual, mas essas transformações no corpo dele nessas condições... Será que ele mentiu? Está tentando ganhar vantagem nesse treino? N-Não... O Nat não é assim. – Pensou ele todas aquelas coisas, ficando em silêncio absoluto, mesmo em sua mente.

– Ele está ficando mais forte... Mesmo se tratando de uma luta de igual para igual, tenho de tomar cuidado. Ele parece ter desenvolvido bem as suas habilidades, mesmo eu... Posso não poder com ele... – Disse ele, voltando á falar consigo mesmo.

Ao dizer tais coisas, voltou ele á ficar em silêncio por alguns minutos, nesse tempo pode-se ver uma gota de suor sobre seu rosto. Tendo a dupla se preparado para o treino, num piscar de olhos ambos sumiam, horas apareciam no meio da sala, noutras nas laterais ou em pleno ar, trocando chutes e socos. Em sequência e num ritmo muito acelerado, Natsuki socava e chutava seu colega, que mesmo com dificuldade, conseguia se defender dos ataques com a espada. A arma de louro não durou muito e acaba por ser destruída com a sequência de fortes e rápidos chutes e socos que Natsu deu no objeto, com dificuldades em acompanhar seu amigo agora que estava sem a lâmina de médio porte, Renpuu desviava dos ataques somente; naquele instante ambos estavam pelejando no centro da sala daquele mesmo jeito, chutes e socos e desvios, porém agora isto era feito pelos dois, não apenas um se desviava e o outro chutava e socava, mas ambos faziam isso quando necessário. Eis que o louro em meio aquele embate, aproveita um momento oportuno e move uma de suas pernas, a fim de dar uma rasteira no amigo, que por pouco não cai. Tendo ocorrido isso, Natsu ao mover-se se prepara para golpear o louro, que sinalizava com a mão, indicando para que o amigo parasse.

– Eu desisto amigo, por hoje chega. – Disse Renpuu, com o rosto há uma pouca distância dos punhos de Natsuki, que parou á tempo ao ouvir seu amigo, aquilo indicava que o ruivo pretendia golpeá-lo com um soco no rosto.

– Você está bem? – Perguntou Natsu, saindo daquela posição e ficando normal.

– Estou... Só um pouco cansado... Você pegou pesado hoje hein! – Disse o louro, caindo e se sentando no chão. Suado e com a respiração mais ofegante que a do amigo, era mais que evidente o cansaço do jovem logo após aquele embate. Encostado na parede, ao recuperar seu fôlego, o loiro se levantava, ia até sua mochila e dizia: – Amigo, vou encerrar os meus treinos por hoje, eu acho que já vou indo, você não vem?! – Perguntou ele, já com a mochila nas costas e olhado para o amigo que estava de costas.

– Só um minuto, me deixe fazer só mais quinhentas flexões e nós vamos. – Disse Natsu de costas para Renpuu, num tom sério.

– Está bem, vou estar te esperando lá fora, não demore. – Falou o louro, retirando-se da sala e indo para a varanda. Chegando lá, deparou-se com uma situação inusitada no corredor ao olhar para os lados e avistar Suien, estava o espadachim com sua atenção focada nas adolescentes ali havia dentro do vestiário do corredor. Através de um binóculo o rapaz espiava da forma que conseguia as moças. Com cuidado e em silêncio Renpuu pôs-se á andar até o rapaz, que não percebia sua aproximação.

– Oi! Espionando de novo, amigo?! – Disse o louro, não se contendo e deixando escapar umas gargalhadas de leve ao a situação na qual pegara o amigo.

– Fala Remps, beleza?! – Respondeu Suien, com os olhos arregalados e com a boca aberta, aparentando não mostrar lucidez ao falar com o amigo.

– É... Está espionando de novo... Esse é o vestiário das meninas... – Afirmou Renpuu agora cabisbaixo, fechando os olhos e suspirando, ao silenciar-se por alguns momentos, perguntou: – Sui, você não tem mesmo medo de ser pego né?! – Reclamou ele, com uma das sobrancelhas arqueadas e de braços cruzados.

– PORRA! Já vai começar com os sermões Remps?! Olha cara... Está vendo esses peitos? Essas bundas? Eu vou te dar um conselho, na moral. – Disse ele um pouco mais atento à conversa que tinha com o amigo, acrescentando em seguida: – Não importa o quão lindas sejam... O quão... Provocantes... O Quão... Sexys... Perfeitas... Droga! Qual era o conselho que eu ia dar mesmo? — Queixou-se ele, ao se distrair vendo as lindas donzelas com o binóculo, enquanto falava com o loiro. Ocorrendo isto, Natsu retirava-se da sala rumo á varanda, onde encontro a dupla, ao aproximar-se dos dois, disse: – Então? Vamos? – Perguntou, secando seu rosto.

– Amigo, pode ir em frente, eu encontro você mais tarde, vou passar na casa de uma pessoa e já me dirijo pra lá. – Proferiu o louro tais palavreados, dando a liberdade para o ruivo se retirar caso tivesse interesse.

– Está certo, te encontro lá. – Respondeu Natsu ao amigo.

Tendo o ruivo dito isso, o trio focava sua atenção na movimentação que estava ocorrendo nos corredores e na academia em que estavam, em virtude da conversa que tiveram, não perceberam o alvoroço. Naquele momento pessoas corriam de um lado para outro, cochichavam entre si e os três de certa forma estranhara aquilo tudo. – Hoje as coisas andaram bem agitadas por aqui, não acham? Por que será que está tendo esta movimentação toda? – Deixou a pergunta em evidência para que os colegas refletissem, no entanto, naquele mesmo instante, passou por eles um supervisor que trabalhava na academia, correu ele pelo corredor até outros dois supervisores ali, não muito distantes dos mesmos, Suien, Renpuu e Natsuki ouviram seus sussurros.

– V-Vocês ouviram os boatos? Disseram que ‘‘aquela’’ cidade foi destruída... E pensar que a segunda maior cidade do País da Terra foi destruída. Justo uma das regiões mais desenvolvidas que existem, não só no País da Terra, mas das Grandes Nações. – Comentou um dos supervisores com os outros dois.

– O-O que eles disseram?! – Comentou Renpuu, que assim como seus companheiros, ficaram surpresos com o que acabaram de ouvir. Com os olhos arregalados, o trio se surpreendia com a notícia. Em seguida, acrescentou: – Aquela cidade foi destruída? Isso é impossível. – afirmou ele perplexo com aquela situação.

– Isso explica essa movimentação toda... – Comentou Natsu, sério.

– Sim... É uma pena... Espero que não tenha tido muitas vítimas... – Disse Renpuu, preocupado com as pessoas da megacidade que fora destruída.

– Improvável man... Não consigo mais ouvi-los, mas é bem provável que tenha havido vítimas. – Respondeu Suien, mais atento e com uma expressão séria no rosto.

– Entendo... – Concordou o louro com o amigo.

– Acho melhor irmos. – Declarou o Natsuki.

Tendo ocorrido aquilo, os três puseram-se á se retirar do edifício, cada um em um rumo diferente. Tratou o louro de caminhar pelas ruelas do vilarejo em direção á casa de um amigo, que ao chegar ao local, notara que a quietação era diferente do habitual; desconfiado, tentou abrir a porta, e com facilidade conseguiu, já que a porta estava aberta. Ao adentrar no local, saiu á procura de alguém por todos os cômodos, contudo, ao realizar sua averiguação, parou por um momento ao olhar o portar retrato em cima da instante. Pensativo, pôs-se á comentar: – Parece que não tem ninguém aqui... Será que está viajando?! – Pensou ele, e sem êxito, pôs-se á ir ao último cômodo da casa.

Escuridão era só o que se podia ver naquele local da casa, no qual o loiro pusera á entrar, minutos depois de olhar o retrato. O silêncio que ali predominava der repente era quebrado, quando outro indivíduo que ali estava percebia a presença de Renpuu. A visibilidade ali era pouca, somente a luz vinda do outro lado iluminava um terço do local.

– Pô, mah... – Disse Sasuko, assentado e encostado na parede com algumas correntes em seus pulsos e calcanhares ao mesmo instante que via Renpuu aproximar-se.

– Oi amigo... Tudo bem?! – Disse o louro, ao agachar-se e se assentar ao lado do amigo com um sorriso em seu rosto, fazendo isso, pega sua mochila e retira de suas costas.

– Pô, macho... Você veio mesmo me visitar?! – Perguntou ele, surpreso.

– Pois é... Sentimos sua falta hoje lá na aula hoje. Mas... Diz aí! Como foi lá na capital? Você está bem?! Sua mãe não deveria estar aqui com você? – Indagou o loiro, enquanto puxava o zíper de sua mochila e procurava ali, algo específico.

– Não foi o melhor passeio que eu fiz na vida, sabe?!... Chegando lá eu fui submetido á um processo, eles tiveram de me impor mais um selo. Estou ficando preocupado, eu não tenho conseguido me controlar, se eu não progredir o quanto antes, serei levado para quarentena, e não importa o que eu faça ou sinta... Eles vão me levar se eu não melhorar. – Comentou Sasu, num tom triste.

– Não se preocupe amigo, vai ficar tudo bem. Isso varia, sabe?! Agora mesmo eu estava treinando com o Nat e estamos numa diferença de poder e força muito grande como portadores deles. Antes fosse, se todos nós fossemos iguais né?! Mas você supera. – Comentou o louro á fim de acalmar o amigo, sorrindo para o mesmo.

– Afs, estava com ele é?! – Perguntou o moreno, enciumado e fazendo bico.

– Sim... Está vendo esses arranhões?! Foi ele quem fez... Eu e ele temos treinado arduamente, mas ele parece estar progredindo e evoluindo mais rápido do que eu, isso porque nossos poderes e força são bem semelhantes. Acho que talvez eu precise treinar um pouco mais as minhas habilidades também. – Explicou o jovem de madeixas louras, mostrando seus arranhões á Sasu.

– Ele tem muita sorte de dominar muito bem as habilidades dele. Queria o ver trabalhar com as habilidades com uma criatura que possui várias mutações e transformações como a minha. – Afirmou Sasuko, mostrando-se indignado.

– Mas, é estranho isso amigo, sabe?! Está certo que quando liberamos nossa força, algumas alterações e transformações ocorram com nossos poderes e corpo. Mas... Esse seu está de mais... Talvez aja algo de especial nele, não sei. – Falou Renpuu, explicando-se e ao tê-lo feito, retirou ele de dentro da mochila duas vasilhas; tratou este de entregar uma dela ao colega, e ao fazê-lo diz com um sorriso: – Bom, chega desse papo, sim?! Eu trouxe um sanduíche pra você, deve estar com fome. – Concluiu o jovem de cabelos louros, abrindo sua vasilha ao mesmo instante que o colega.

– Pô macho... Obrigado! Eu amo você, sério! – Comentou o rapaz, abrindo também sua vasilha e preparando-se para comer o sanduíche.

– Deixa disso, vai! Vamos comer logo. – Concluiu Renpuu sua fala, dando uma mordida no pão e em seguida mastigando-o.

– Sim. – Concordou o moreno, fazendo o mesmo.

– Amigo... Amanhã você estará em condições de ir pra aula né?! – Questionou, olhando diretamente para o colega, enquanto fazia sua refeição.

– Já sim, cara. – Respondeu ele, e em seguida continuou comendo.

Eis que a dupla permaneceu ali, conversando por alguns minutos enquanto faziam suas refeições, tendo-se passado isso o louro retira-se da residência e desloca-se rumo ao local no qual havia com o ruivo anteriormente. No entanto, naquele mesmo instante, em um esconderijo cuja localização era desconhecida, estavam Utagawa, Ashura, Li Mei e um indivíduo de cabelos cumpridos que os recebera naquela caverna; seu nome era Kazuo Heiwajima, era este o líder da facção criminosa cuja qual o trio participara e que estava assentado naquele momento pensando em silêncio.

– Fizemos o que você pediu... O recado foi dado e segundo fontes parece que Shiro já convocou todos os líderes para uma reunião de emergência. – Declarou Mei.

– Ótimo! Há quem diga que a propagando é a alma do negócio não é?! Agora que nos expomos para o mundo, tornarmo-nos mais visíveis e isso é tudo que precisamos – Declarou o líder, levantando-se e virando de costas para o trio.

– É... Só que as coisas ficarão mais difíceis para nós, todos irão atrás da gente, não sei por que, mas não estou contente com isso. – Reclamou Ashura.

– Pare de reclamar, Ashura. – Afirmou Utagawa.

– Não podemos recuar... Temos de multiplicar o medo e garantir o nosso lugar no mundo. Pois que venham, vamos tomar o poder de qualquer jeito, uma das obrigações da nossa organização é justamente matar todos os líderes das Grandes Nações, só assim para tomarmos o poder... – Replicou Kazuo.

– O que faremos agora? – Perguntou a renegada Li Mei.

– Vamos começar á colocar nosso plano em prática... Vamos nos organizar a fim de irmos atrás dos portadores dos lordes animais. Em decorrência da graduação que está se aproximando e muitos deles estarão lá, pegaremos aqueles que não estiverem lá. – Concluiu Kazuo Heiwajima, referindo-se aos animais místicos.

– Fim.

Notas finais
Quero deixar bem explícito aqui que a história está em fase de criação e adaptação. O mundo fictício, tal como os nomes dos personagens, grupos e histórico ainda estão sendo elaborados e definidos. Por isso peço aos digníssimos leitores que não me julguem pois estou trabalhando minha criatividade e esse meu lado de escritor ainda, pois há uma pretensão por parte da minha pessoa de ao terminar esta história, transformá-la em mangá e publicá-la (Sou desenhista). O mangá é um projeto que venho desenvolvendo há anos, porém, faz-se necessário criar e elaborar a história antes para que assim possa ser feito o mangá. E também achei interessante compartilhar a história com outras pessoas para saber se vale a pena ou não, se tenho de melhorar e etc. Por isso, peço á compreensão de todos caso encontrem algumas semelhanças entre o anime/mangá Naruto com o meu, usei este para inspiração e a criação da história, seus grupos, mundo fictício, personagens, sistema e etc. Como já fora dito, estarei me empenhando em fazer algo original, fazendo modificações ao longo do tempo, mas que fique claro que não estou fazendo uso dos personagens ou plagiando o anime e mangá, só usando como base e inspiração. Qualquer dúvida, por favor, me contatem, desde já agradeço
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.