As Crônicas de Nárnia: As Ruínas da Primavera
3 O Casamento
Notas iniciais
POV Gael
Gael: Casar!? Com assim casar? Pai, você mal o conhece...
Gamaliel: O conheço bem o suficiente para saber que é um bom rapaz. Além disso, será motivo de grande honra para você, para nossa família e nosso povo. Nárnia esta em paz por causa deles e se o grande Leão confiou todos os seus filhos nas mãos deles, acho que posso confiar você ao Rei Edmundo...
Gael: Ele ao menos concordou com isso?
Gamaliel: Alegremente!
Gael: Ele estava bêbado! Perguntou de novo hoje de manhã?
Gamaliel: Filha – suspiro – se não gosta do rapaz, posso dizer ao Grande Rei que você o rejeitou...
Gael: Não!!! Acha que sou estupida? Não quero que eles se ofendam. É só que...
Gamaliel: Que? — insistiu
Gael: Ele é mortal pai. Vai contra todos os nossos costumes...
Gamaliel: Eu sei filha. – apoiou as mãos nos braços dela – Mas uma nova era exige novos costumes. Confie em mim. Ele vai ama-la e sei que será feliz.
Gael: Está bem... – suspiro.
Eu estava atônita com tudo aquilo. Eles chegaram ontem e eu já estava noiva! Não que eu não goste dele, longe disso. Acho até engraçado o jeito como ele fica cor de rosa quando olho para ele. Além do mais, ele tem uma beleza exótica, algo que eu nunca tinha visto. A coloração do cabelo e olhos dos élfos é sempre sutil, mas ele tem cabelos e olhos negros como a noite. Mas a cor de seus olhos é tudo o que eu sei sobre ele. A conversa mais longa que tivemos, eu tinha minha espada em seu pescoço. Ele é um bom guerreiro, disso eu também sei, mas é só. E vou casar daqui três dias. Minha cabeça esta girando, preciso treinar para me acalmar.
Estava no jardim, vagando em meus pensamentos, enquanto treinava sozinha com minha espada. Será que nossos filhos terão cabelos como o dele? Eles vão ser imortais como eu? Pensar nisso, me fez recordar de outro assunto: as núpcias. Aquilome fez estremecer, Como vou me entregar a um homem que mal conheço?
Eu ainda divagava em meus pensamentos, quando ouvi passos atrás de mim. Girei para olhar e lá estava ele.
Edmundo: Desculpe senhora, não queria incomodar lhe.
Gael: Não incomoda. Na verdade já tinha terminado majestade. – guarda a espada na bainha.
Edmundo: Nesse caso, podemos conversar um pouco? – indica banco com as mãos
Gael: Claro. – se dirigem ao banco próximo e se sentam.
Edmundo: Bem – limpa a garganta – acredito que seu pai já tenha lhe informado que nos casaremos em breve...
Gael: Sim.
Edmundo: Essa ideia lhe agrada senhora?
Gael: Será uma honra majestade. – sorri timidamente – Agrada ao Senhor?
Edmundo: Imensamente.
Conversamos durante toda à tarde. Achei bonitinho ver como sua pele mudava de cor constantemente. Meu pai nunca me disse que mortais tinham essa característica, parecem camaleões. Vez por outra ele afagava minhas mãos nas suas geladas e molhadas. O Rei Edmundo é um homem agradável e justo, com certeza, justo. Ele falou sobre como chegaram a Nárnia, de sua participação no plano da rainha Jadis e como se redimiu perante Aslan e os narnianos. Fiquei surpresa por ele ter falado tão francamente a respeito de suas qualidades e defeitos, erros e acertos. Não o tipo de coisa que habitualmente se conta a sua noiva nas vésperas do casamento. Perguntei algumas coisas a respeito do mundo dele, mas ele não se lembrava de muito. Caminhamos por todo o jardim, até o anoitecer.
POV Edmundo
Eu estava parado atrás de um arbusto observando ela desferir golpes no ar. Pedro havia me dito essa manhã sobre o casamento e aquilo me tomou de pânico. Ontem o vinho demasiado me deixou com a mente entorpecida e confesso que nem me lembro de ter aceitado a mão dela. Não que seja uma coisa ruim, longe disso. Mas eu queria que pudéssemos nos conhecer primeiro, que ela pudesse gostar de mim e querer casar-se comigo. Mas parece que noivados extensos não estão nos planos do rei élfo. A pior parte é que nunca tivemos uma conversa de verdade e o mais próximo que cheguei disso ela estava com uma lamina em meu pescoço. Eu divagava em meus pensamentos, quando senti alguém me cutucar.
Edmundo: Lucia, Suzana!!!! Querem me matar de susto! – sussurrou bravo
Suzana: Esta espionando sua noiva?
Edmundo: Claro que não. Estou apenas observando-a discretamente sem que ela saiba.
Lucia: É a mesma coisa!
Suzana: Você devia ir falar com ela. Afinal, vocês vão se casar daqui três dias!
Edmundo: Ela esta ocupada.
Mas ai já era tarde demais. Suzana e Lucia me empurraram para perto dela e eu quase cai no chão. Quando olhei para traz elas tinham corrido aos risinhos. Mas agora não havia o que fazer. Gael estava na minha frente e por mais que tivesse medo da resposta, tinha de saber o que ela achava de tudo aquilo. Minhas mãos estavam suadas e meu corpo tremulo, mas tentei parecer o mais natural possível.
Edmundo: Desculpe senhora, não queria incomodar lhe.
Gael: Não incomoda. Na verdade já tinha terminado majestade. – guarda a espada na bainha.
Edmundo: Nesse caso, podemos conversar um pouco? – indica banco com as mãos
Gael: Claro. – se dirigem ao banco próximo e se sentam.
Edmundo: Bem – limpa a garganta – acredito que seu pai já tenha lhe informado que nos casaremos em breve...
Gael: Sim. – abaixa a cabeça
Edmundo: Essa ideia lhe agrada senhora?
Gael: Será uma honra majestade. – sorri timidamente – Agrada ao Senhor?
Edmundo: Imensamente. – responde nervosamente.
Ela quer se casar! Não pelos motivos que eu gostaria, mas não importa, se a ideia não a aborrece já estou no lucro. Com o tempo, nós podemos nos conhecer e ela me amar.
Nós ficamos juntos a tarde inteira e eu sorria como um estupido. Meu rosto corava a todo o momento e quase morri só de afagar as mãos dela nas minhas.
Já era noite quando a acompanhei até o quarto. Com muito custo, tomei coragem e encostei-me a seus lábios. Acho que corei de novo, me sinto tão estupido! Ela sorriu tímida, na verdade, acho que ela esta... Vermelha? Não posso mentir me deixou satisfeito ver aquela reação.
Despedimo-nos e eu flutuei até o meu quarto. Estou nas nuvens, mal posso esperar para tê-la ao meu lado.
POV Gaia
O dia do casamento chegou e tudo precisa estar perfeito. Os convidados não paravam de chegar e de repente, nosso pequeno bosque estava lotado de mortais de Nárnia, Arquelandia e Calormania. Todos quem meu marido convidou. O Rei Edmundo parecia estar prestes a ter um ataque de nervos com a espera. O Grande Rei tentava acalma-lo sem sucesso, enquanto as rainhas Suzana e Lucia conversavam animadamente com os convidados.
Gael também estava muito nervosa. A cultura élfica exige que certas tradições sejam cumpridas no ritual de ligação de almas, que os mortais chamam de casamento. Para um élfo essa ligação é ainda mais profunda, pois a sua vida fica completamente ligada ao do outro ser. O que significa que você pode sentir o que a pessoa sente, seja dor, prazer ou amor. Mas também significa que a sua vida depende da outra pessoa. No dia em que um élfo morre sua parceira também morre e vice versa. E o mesmo acontecerá com minha filha. Espero que Aslan dê muitos anos a esse mortal.
A união de almas consiste basicamente em duas almas tornando-se uma. Como os sentidos e sentimentos são compartilhados, o casal se torna ligado de uma forma tão profunda que jamais pode ser quebrada. Mas essas eram minhas preocupações. Havia outro aspecto dessa união que preocupava Gael: as núpcias.
Uma das servas preparava o seu banho de especiarias enquanto outra fazia outro emplasto de hortelã em sua pele. Esses eram rituais sagrados. Dois emplastos de hortelã em todo o corpo, um de camomila e outro de orquídeas roxas. Essa era a primeira parte do ritual de preparação para as núpcias. A camomila era para relaxar os músculos, as orquídeas roxas para deixar a pele com cheiro agradável e hortelã para deixar o sabor agradável. Depois vinham o banho de especiarias, para acentuar os sabores e os cheiros e deixar a pele ainda mais macia. A consumação do casamento era uma parte crucial do ritual. No momento em que os dois corpos se unem, corpo e alma não são mais dois, mas um. Era por isso que se dava tanta importância para os detalhes desse momento. Depois da cerimonia quando ficassem a sós, ela deveria despi-lo e unta-lo com óleo de estrela cadente. Dizia a tradição que esse óleo tinha como objetivo garantir que o desejo da noiva se realiza-se com respeito ao corpo para quem ela se entregara, garantindo assim uma descendência saudável, amor e prazer para ambas as partes.
Estava tentando convencer minha filha de tudo isso enquanto ela perguntava pela décima vez se ele não a rejeitaria. Mas por que ele faria isso? Tamanha era a luxuria e o desejo no olhar dele que não me surpreenderia se ele a arrastasse do altar direto para o quarto. Mas tudo isso é muito complicado quando se é donzela.
Minha filha estava linda. O vestido era todo em diamantes e caia justo pelas suas belas curvas. O único adorno que ela usava era uma tiara de metal de estrela (semelhante à prata, porem mais resistente que diamante), com uma pedra em forma de gema de Lagrimas da lua (Pedra preciosa semelhante a diamante, mas lisa e de tonalidade azul). O pai já estava na porta em prantos enquanto as servas arrumavam a cauda e as flores do buque.
Nesse momento, tomei as mãos da minha filha e a beijei no rosto garantindo pela ultima vez que ficaria tudo bem antes de entrega-la ao pai.
POV Pedro
Edmundo vai acabar fazendo um buraco no jardim se continuar a andar de um lado para outro desse jeito. A cada cinco minutos ele pergunta que horas são, quando ela vai chegar e se ela desistiu. Depois de garantir pela centésima que ela estava chegando e que não, ela não havia desistido, ele volta a andar novamente de um lado para o outro. Entendo o nervosismo dele, mas, por que ela desistiria agora? Ela poderia ter feito isso nos últimos três dias... Além do mais, ela parecia bem confortável ao lado dele depois que se aproximaram.
Agora a hora chegou. Vi a noiva posicionar-se com o pai na entrada do jardim e cutuquei Edmundo para chamar sua atenção. Ele virou-se bruscamente e por um momento tive de lembra-lo de respirar quando ele a viu. Ela estava linda, disso ninguém tinha duvidas.
Meu irmãozinho estava feliz, tive de engolir as lagrimas varias vezes durante a cerimonia. Aquele garotinho teimoso que sempre lutou ao meu lado, agora estava formando sua própria família com a mulher que ama. Suzana e Lucia choravam descontroladamente junto com a mãe da noiva, enquanto o Rei Gamaliel continuava a celebrar o matrimonio com fios de lagrimas no rosto. Sem perceber deixei uma lagrima solitária cair de meu rosto, bem no momento em que Edmundo olhou para mim. Seu olhar procurava aprovação, talvez segurança. Eu assenti com a com cabeça e sorri, ele sorriu de volta satisfeito, entrelaçando seus dedos com os de sua noiva.
O casamento élfico era bem diferente de um casamento normal. Era um pacto sanguíneo, onde duas almas se união irreversivelmente. O Rei Gamaliel pegou uma taça de um liquido dourado e ambos tomaram do mesmo, perguntei a Gavin do que se tratava e ele disse que era néctar de flor de lótus, servia como cicatrizante. Depois disso, suas mãos foram sangradas e unidas uma na outra. Após o proferirem os votos e se beijarem, as mãos soltaram completamente cicatrizadas. Tinha certeza de que a cerimonia havia acabado, quando Gaia se aproxima dos noivos com uma pequena arca com dois pingentes com o rosto de Aslan dentro. Edmundo olhou para aquilo confuso, então a noiva colocou o pingente em seu pescoço e ele fez o mesmo depois dela. Esperamos alguns minutos para ter certeza se tinha mesmo acabado e vimos os elfos olhando para cima. Começaram a cair pétalas de rosas brancas do céu e todos começaram a salda-los palmas enquanto saiam.
O banquete foi igualmente agradável. Edmundo não cabia em si de tanta alegria, enquanto a noiva dava sorrisos tímidos. Houve muita dança e rizadas. Minha família estava feliz e segura. Não há sensação melhor do que esta.
POV Edmundo
Nós estávamos cumprimentando os convidados quando minha sogra –“ eu sei isso soa estranho” – disse algo no ouvido de minha esposa – “eu sei isso também soa estranho” -que se retirou.
Edmundo: Aonde ela vai?
Gaia: Vão leva-la para o quarto. Prepara-la para você. – sorriu gentilmente e se retirou.
Eu corei, corei violentamente depois que ela se retirou. Gamaliel havia mencionado o quanto os rituais que antecedem as núpcias eram importantes na cultura élfica, mas nunca imaginei que eram tantos! Estava tentado a beber mais uma taça de vinho, mas lembrei-me do nosso banquete de boas vindas e decidi despedir-me dos convidados. Nada de vexames no dia do meu casamento.
Quando o ultimo convidado se retirou, subi para o “nosso” quarto e respirei fundo antes de abrir a porta. Eu ainda não tinha repassado esse momento mentalmente por conta da minha felicidade, mas agora tenho que confessar que estava nervoso. Ela estava sentada na cama, com uma bacia de prata cheia de um liquido brilhante e translucido em um escabelo ao seu lado e uma toalha de algodão no colo.
Ela se dirigiu até mim, e começou a desabotoar minha armadura. Eu estava vestido como cavaleiro, com o brasão de Aslan em meu peito e uma serie de outras peças interiores, como cota de malha e couro fervido. Foi só quando ela começou a me despir que percebi o quão desnecessário havia sido vestir tudo aquilo, afinal, eu não estava indo para guerra. Quando ela terminou, me direcionou a cama para que eu me sentasse, e encharcou a tolha no liquido, distribuindo-o desde os meus pés até o rosto. Quando ela chegou em meu rosto, percebi que estava corada novamente. Aquilo não podia ser mais adorável, tive de sorrir. Quando ela passou a toalha em minha testa, fechei os olhos, para sentir o aroma do óleo desconhecido. Senti cheiro de orquídeas, hortelã e canela. Mas percebi que o cheiro não vinha do óleo e sim dela. Retirei a toalha de suas mãos e joguei em qualquer canto do quarto, segurei-a pela cintura, a sentei em meu colo e a beijei. Beijei de maneira urgente e necessitada, e agradeci mentalmente por ela ter correspondido. Apertei-a contra o meu corpo com tanta força que tive medo de machuca-la, mas não poderia solta-la, não o faria. Agora ela era minha, só minha, eternamente minha.
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