As Crônicas de Nárnia: As Ruínas da Primavera
9 Juntos novamente
Notas iniciais
POV Edmundo
Eu e Gladis ainda caminhávamos pelo castelo. Ela é uma menina adorável, lembra-me muito a mãe quando nos conhecemos, mas tenho de confessar que a teimosia partiu dos Pevencie. Ela me contou muitas histórias sobre sua infância e de como Gavin esteve com ela todos esses séculos. Aquilo me deixou desconfortável, como se não bastasse eu não estar no lado delas, saber que outro ocupou o meu lugar é humilhante. Ver como ela sorria ao contar como ele a ensinou a montar, como ensinou a brandir uma espada e outras coisas que ela devia ter feito comigo me partiu o coração. Um enorme vazio tomou conta de meu peito e eu senti como se tivesse morrido um pouco por dentro.
Mas vê-la sorrir me fez renovar as forças. Ela era minha filha, meu sangue e Gael era minha esposa e eu lutaria por elas, nem que para isso tivesse de literalmente cruzar espadas com Gavin. Eu não teria o tempo que passou, mas teria o que viria. Eu teria minha família de volta custe o que custasse.
Gladis: E como é seu mundo? – Edmundo ri.
Edmundo: Sabe que sua mãe me perguntou a mesma coisa antes de nos casarmos? — relembrou divertido.
Gladis: Mesmo? E como foi? Ela não fala muito sobre isso...
Edmundo: Nós duelamos no vale e ela quase enfiou uma espada na minha garganta... – gargalha.
Gladis: Será que tentar te matar faz parte do protocolo? – acompanha a risada.
Edmundo: Ela era a coisa mais bonita que eu já tinha visto... – fita o céu com um sorriso bobo.
Gladis: Ela sempre falou de você. – Edmundo olha para Gladis — De como você era corajoso e gentil... mas eu sempre gostei das historias das batalhas...
Edmundo: Quais? – pergunta risonho.
Gladis: A que eu mais gosto mais é a da batalha dos gigantes, onde você faz um deles tropeçar nas próprias pernas... – gargalha.
Edmundo: Foi engraçado realmente... – acompanha o riso.
Caspian: Ai estão vocês! – os dois viram para traz – estão todos esperando no banquete.
Edmundo: Já vamos descer Caspian...
Caspian: Não demorem... A sua mãe esta te procurando Gladis...
Gladis: Diga a ela que estou com o meu pai e já vou descer... – olha para Edmundo, que sorri.
Caspian: Ok... – faz uma expressão confusa e sai.
Gladis: Espero que não se importe... – começa receosa.
Edmundo: De que me chame de pai? Ficaria triste se não fizesse... – acaricia o rosto da menina. – precisamos ir...
Nós descemos até o local do banquete de braços dados e eu sorria orgulhoso enquanto os convidados contemplavam a beleza de minha linda filha. Mas por um estante meu coração para. Gael, que estava de costas, vira-se e olha em nossa direção com uma expressão indecifrável no rosto. Gavin, para variar, está próximo a ela e nos olha com a mesma expressão. Ao ver minha reação, Gladis sorri de modo reconfortante e se agarra mais ao meu braço, o que me faz sentir menos apreensivo.
Eu me minha filha dançamos e conversamos quase que pela noite inteira. Ela e Pedro meio que fizeram as pazes, enquanto ela, Suzana e Lucia trocavam risinhos durante o jantar. Já eu estava distante, na quarta fileira a direita para ser mais exato, onde minha mulher sentava-se desconfortavelmente ao lado de Gavin, que me encarava raivoso a todo momento. Mas ele já não me importava, eu vim reivindicar o que é meu por direito e não vou desistir facilmente.
Após os brindes, as homenagens e o discurso de Aslan, nos dirigimos até a parte externa para apreciar os fogos de artificio. Olha-los me fez lembrar do dia de nosso casamento e duas lagrimas involuntárias caírem do meu rosto. Mas uma delas não era minha. Nós nos olhamos no mesmo momento, cada um secando a lagrima do outro em seu próprio rosto. Ela correu e eu fui atrás dela. Olhei para trás e observei Gladis segurando Gavin pelo braço para que ele não viesse atrás dela. Ela o abraçou e sorriu cumplice para mim. Eu sorri de volta e fui em direção ao quarto de Gael.
A porta estava trancada, eu bati, mas ela me mandou ir embora. Sem disposição nenhuma para jogos, eu arrombei a porta e adentrei no quarto. Ela estava de bruços na cama chorando copiosamente. Eu podia me desculpar, eu podia implorar, eu podia dizer qualquer coisa, mas não era necessário. Ela sabia, ela sentia. Assim como eu sentia que ela ainda me amava, que ela ainda me queria. Ela assustou-se com o barulho da porta e levantou o rosto, olhando para mim sem acreditar no que eu havia acabado de fazer. Sempre tive temperamento sereno, e nunca tinha acessos de sentimentalismo ou raiva, mas não era assim dessa vez. Eu estava em pedaços e precisava da minha metade. Eu estava no escuro e precisava da minha claridade. Nesse e em qualquer outro mundo, Gael era a minha alegria, minha sanidade. E sem ela, era assim que eu me comportava, como um insano.
Ela continuou a me olhar enquanto eu me aproximava da cama vagarosamente. Ela não se moveu, só observava atentamente meus movimentos. Sentei-me ao lado dela e pude observar os seus olhos lilases marejados e cheios de raiva e desejo. Toquei em seu rosto e ela fechou os olhos deixando as lagrimas escorrendo pelo mesmo. Minhas mãos desceram pelo seu pescoço, chegando aos botões de sua roupa. Ela abriu os olhos; ofegante, como que me implorando pelo meu toque. Minhas mãos estavam tremulas, minha respiração tropeçava em descompasso, mas eu podia parar, eu precisava dela.
A puxei para o meu colo e voltei a tocar seu rosto, agora com as duas mãos e em resposta, ela gemia baixinho. Os dois choravam e já era difícil saber de quem eram as lagrimas. Minhas mãos desceram pelo pescoço até chegarem novamente nos botões de seu vestido. E eu o rasguei, parti aquele maldito pedaço de pano que me separava do corpo que eu tanto necessitava. Meus lábios aproximaram-se de sua pele fria, fazendo com que nos arrepiássemos com o contato e enquanto eu distribuía beijos pelo seu pescoço, senti suas mãos entrelaçarem meus cabelos com força.
Eu a apertei em meus braços e nossos lábios se encontraram, famintos e desesperados. Ela arrancava as minhas roupas com um pouco de dificuldade enquanto eu a repousava sobre a cama e me deitava sobre ela. Livres de raiva culpa e medo; entregamo-nos um ao outro. Dois corpos entrelaçados como um, se amando em desespero e saudades a muito contidos. Éramos um em corpo, como jamais deixamos de ser em alma e coração.
No ápice, pude ouvi-la sussurrar que me amava em meu ouvido, colamos nossas testas e nos entregamos ao prazer que sentíamos um com outro, prazer esse que jamais usufruiríamos com mais ninguém. Aos poucos, nossas respirações voltaram ao normal e eu pude responder que também a amava, enquanto a via sorrir embaixo de mim. Ela adormeceu nos meus braços, calma e com um leve sorriso no rosto, enquanto eu apreciava o seu rosto angelical repousado em meu peito.
Eu não sabia o que aconteceria amanhã, mas de uma coisa eu sabia, se eu tivesse de sair de Nárnia, não iria sem elas.
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