As Crônicas de Nárnia: As Ruínas da Primavera
5 De volta a Nárnia
Notas iniciais
POV Lucia
As coisas não saíram-se como o esperado. Fazia um ano que não voltávamos a Nárnia e isso teve um efeito devastador sobre nós. Pedro andava constantemente irritado, metia-se em brigas por qualquer motivo. Edmundo isolou-se do mundo, imerso em sua dor. Nós sabíamos que ele sentia falta de Gael, mas ele simplesmente recusava-se a falar sobre o assunto. Suzana era a que menos parecia se incomodar.
Hoje era mais um dia daqueles. Lá estávamos eu e Suzana nos dirigindo a estação de trem, quando escutamos uma multidão gritando: Briga! Briga! Briga! Assustadas e um pouco curiosas corremos até o local da briga e encontramos Pedro apanhando de três ou quatro garotos no corredor da estação. Atrás de mim aparece Edmundo, largando suas coisas e indo ajudar nosso irmão. Logo a luta fica mais equilibrada, mas os guardas aparecem e separam os garotos.
Edmundo: Nem agradece...
Pedro: Eu estava ganhando...
Suzana: O que foi dessa vez?
Pedro: Um encontrão...
Lucia: E você bateu nele?
Pedro: Não. Depois do encontrão me mandaram pedir desculpas. Então bati nele.
Suzana: Sério? É tão difícil só se afastar?
Pedro: Não ia me desculpar. Não se cansa de ser tratada feito criança?
Edmundo: Mas somos crianças!
Pedro: Eu nem sempre fui... já faz um ano. Quanto tempo ele quer que agente espere? – Edmundo se mexe desconfortavelmente em seu banco.
Suzana: Acho que é hora de aceitarmos que vivemos aqui. Não adianta fingir que é diferente.
Pedro: Vocês não entendem... – Edmundo se levanta.
Edmundo: O QUE AGENTE NÃO ENTENDE PEDRO? QUE VOCE DEIXOU UMA MALDITA COROA, UM CASTELO E UM REINO? ME DIZ O QUE VOCE PERDEU DE TÃO PRECIOSO QUE NINGUEM AQUI SEJA CAPAZ DE ENTENDER? – Pedro olha assustado para Edmundo – NÃO QUER SER TRATADO COMO CRIANÇA? PARE DE SE COMPORTAR COMO UMA!
Nisso Edmundo se afastou. Eu podia ver seus olhos marejados. Nós, inclusive Pedro, sabíamos que ninguém sofria mais com isso do que ele. Mas ainda sim foi chocante para todos nós vê-lo explodir dessa maneira.
Ainda esperávamos o trem, Edmundo recolheu-se em seus pensamentos, enquanto Pedro o olhava com uma expressão culpada e pesarosa. De súbito, começamos a sentir sensações estranhas, como se fossem empurrões e beliscões. Logo entendemos que aquilo era magia demos as mãos e a estação pouco a pouco desaparecia de diante de nossos olhos para dar lugar a uma bela praia.
POV Pedro
Eu me sentia terrível, provavelmente sou a pessoa mais egoísta que existe. Como pude dizer aquelas coisas sabendo o que meu irmão sentia? Sabendo o quão doloroso tudo isso tem sido para ele... Eu preciso me desculpar e vou fazê-lo assim que puder.
Por enquanto precisamos aproveitar. Estamos nos divertindo numa bela praia, como não fazíamos desde que saímos de Cair Paravel. Já estávamos com as roupas encharcadas, zonzos de tanto rir, quando Edmundo para e fica sério de repente.
Pedro: O que foi?
Edmundo: Mas onde é que nós estamos? – diz olhando ao redor.
Pedro: Onde acha que estamos? — diz como se fosse obvio.
Edmundo: É que não lembro de ruinas em Nárnia... – diz olhando para o alto. Todos acompanham o olhar de Edmundo.
POV Gladis
As coisas estavam ficando cada vez mais complicadas. Os telmarinos estavam cada vez mais perto da floresta e eu sozinha, faço tudo o que posso para proteger o povo. As coisas não eram tão ruins no reinado de Caspian IX, embora ele fosse telmarino, não era uma pessoa ruim. Mas com a morte dele, as coisas pioraram como nunca. Esse irmão dele, Lorde Miraz é um homem cruel, ambicioso e sem escrúpulos. Às vezes me pergunto quando Aslan olhará por nós. Nárnia não tem paz desde que os reis e rainhas do passado desapareceram.
Estávamos em ronda perto do Rio Veloz, quando um chega um mensageiro.
Mensageiro: Vossa Graça – reverencia. Pára para recuperar o folego.
Gladis: Levante-se. O que deseja?
Mensagem: Trago noticias do acampamento.
Gladis: Prossiga.
Mensagem: O Texugo Caça Trufas convoca uma reunião com Vossa Graça e os narnianos.
Gladis: Qual é o motivo dessa reunião tão repentina? – diz nervosamente
Mensageiro: A trompa da rainha Suzana foi encontrada – Gladis olha para o mensageiro sem reação.
Gladis: On- Onde? – gagueja
Mensageiro: Com um telmarino. Ele se diz príncipe, Vossa Graça.
Gladis: Filho de Caspian? – Mensageiro assenti com a cabeça – vamos voltar. – vira-se para os soldados – convoquem os narnianos, vamos ver o que esse rapaz tem a dizer...
Voltamos para o acampamento e estava anoitecendo e todos estavam reunidos. Ouvimos certa movimentação na floresta, por isso, eu e os centauros fomos verificar do que se tratava. Encontramos Ripchip com sua espada na garganta de um telmarino e Caça Trufas, ferido nos braços de um anão.
Ripchip: Escolha as suas ultimas palavras com cuidado telmarino!
Caspian: Você é um rato!? – diz com espanto.
Ripchip: Eu esperava ouvir palavras mais originais... – suspira desapontado – pegue sua espada
Caspian: Ah... não obrigado.
Ripchip: Pega logo! Eu não luto com um homem desarmado!
Caspian: É por isso que talvez eu viva mais se escolher não cruzar laminas com você, Nobre Rato.
Ripchip: Eu disse que não lutaria, não disse que o deixaria viver.
Caça Trufas: Ripchip! Não o mate!
Ripchip: Caça Trufas? Espero que tenha um bom motivo para me interromper de forma tão inconveniente.
Nikabrik: Ele não tem. Vai em frente.
Caça Trufas: Foi ele quem soprou a trompa.
Ripchip: O quê? – diz consternado
Gladis: Então deixe que ele se explique. – diz saindo de detrás das arvores chamando a atenção de todos. – foi por isso que nós nos reunimos.
Caspian levantou-se e nos dirigimos até o coração da floresta. Os narnianos estavam em alvoroço, uns pediam para eu sentencia-lo a morte, outros o chamavam por nomes feios. Eu me decidi apenas por escutar e só me pronunciar no momento certo.
Nikabrik: A trompa só é uma prova de que eles roubaram mais um objeto de nós!
Caspian: Eu não roubei nada!
Minotauro: Não roubou nada? Devemos listar os objetos que os telmarinos nos levaram?
Centauro: Nossos lares!
Sátiro: Nossa liberdade!
Leopardo: Nossas vidas!
Multidão: ROUBARAM NÁRNIA!!!
Caspian: Vocês acham que eu sou responsável por todos os crimes do meu povo?
Nikabrik: Responsável... e punível!
Ripchip: Ah essa é boa vindo de você anão! – puxa sua espada – ou já esqueceu que foi o seu povo que lutou ao lado da feiticeira Branca?
Nikabrik: Eu lutaria de bom grado outra vez se ela nos livra-se desses bárbaros – Gladis se mexe desconfortável com a conversa.
Caça Trufas: Sorte nossa que você não tem poder para traze-la de volta. Ou sugere que peçamos ao garoto para se voltar contra Aslan? – multidão faz grande barulho. – Alguns de vocês esqueceram, mas nós texugos lembramos bem. Que Nárnia só foi feliz, quando teve no trono um filho de Adão.
Nikabrik: Ele é um telmarino, por que iriamos quere-lo como rei??
Caspian: Por que posso ajuda-los... Além dessa floresta, eu sou um príncipe. O trono telmarino é meu por direito! Ajudem-me a reclama-lo e eu trarei a paz entre nós. – olhar de Caspian para em Gladis.
Centauro: É verdade. É o momento oportuno. Eu observo os céus, porque compete a mim vigiar, como compete a você não esquecer texugo. – olha para Caça trufas – Tarva o senhor da vitória e Alambil, a senhora da paz, se encontraram nos salões do firmamento. E na terra, um filho de Adão se apresenta para oferecer nossa liberdade de volta.
Esquilo: Será possível? Acha mesmo eu poderia haver paz? Quer dizer, paz de verdade? – fala de cima de uma arvore
Caspian: Dois dias atrás, eu não acreditava na existência de animais falantes ou de anões ou de centauros. Mas existem, em numero e força que nós telmarinos não poderíamos imaginar. Esta trompa – levanta a trompa e a mostra para o povo – sendo mágica ou não, ela nos reuniu aqui. E juntos, temos a chance de retomar aquilo que é nosso! – olhar de Caspian de encontra com o de Gladis novamente. Grande momento de silencio.
Gladis: Se você nos guiar – puxa espada da bainha – eu e o povo de Nárnia te oferecemos nossas espadas! – narnianos puxam suas espadas.
Ripchip: E nós lhe oferecemos nossas vidas, sem reservas. – Ripchip faz reverencia. Gladis se aproxima de Caspian e coloca a ponta da lamina em sua garganta.
Gladis: Mas se tiver mentindo telmarino, nem o próprio Aslan em pessoa o livrará da minha ira.
Caspian: Não vou desaponta-los.
Caça Trufas: O exercito de Miraz não deve estar longe, Majestades!
Gladis: Precisamos nos preparar. – olha para Caspian
Caspian: Precisamos com armas e soldados, eu sei que estarão aqui logo.
Gladis: Venha comigo.
POV Suzana
Foi estranho para mim voltar a Nárnia. Quer dizer, não que eu não tenha gostado, mas é extremamente confuso ficar indo e voltando sem saber quanto tempo iremos ficar. Nós tínhamos uma vida aqui e de repente tudo se foi e agora que estava quase se acostumando com a Inglaterra, estamos aqui de novo. Estou confusa com tudo isso e sei que meus irmãos também estão. Principalmente o Ed, sabemos a falta que Gael lhe fez e o quanto isso tudo foi doloroso para ele. Confesso que estou com medo. Se alguma coisa aconteceu com ela enquanto estivemos fora não sei o que ele vai fazer.
Estávamos nas ruinas que avistamos lá da praia, já fazia dias que andávamos de um lado para o outro tentando descobrir aonde estamos e comendo maçãs, já que aquele palácio em pedaços produzia está fruta em abundancia.
Lucia: Quem será que vivia aqui? – Suzana encontra uma peça de xadrez de ouro no chão.
Suzana: Éramos nós – mostra objeto para Lucia.
Edmundo: Ei, é meu. Do jogo de xadrez.
Pedro: Que jogo de xadrez?
Edmundo: Em Finchey eu nunca tive um jogo de xadrez de ouro puro, mas isso é meu! – esbraveja
Lucia: Não acredito! – Lucia olha ao redor e corre em direção a uma elevação, sendo seguida pelos seus irmãos. – não estão vendo?
Pedro: O que?
Lucia: Imaginem muros e colunas ali e um telhado de vidro... – todos refletem por alguns segundos.
Pedro: É Cair Paravel.
POV Edmundo
Constatar que aquelas ruinas eram Cair Paravel foi como uma faca em meu peito. Tive de conter-me para não chorar desesperadamente por ver o meu lar destruído. Mas havia outras coisas que me atormentavam. Só de pensar que algo de ruim poderia ter acontecido a ela me fazia beirar a insanidade. Mas eu afugentava esses pensamentos com todas as minhas forças. Ela estava viva, eu podia senti-la. Eu a tive em todos os meus sonhos desde que saímos de Nárnia e me recuso a pensar que não eram reais. Mas assim como eu podia sentir sua presença eu podia sentir sua dor, rancor e mágoa. Sim, ela me odiava e me culpava por tê-la deixado e era isso que mais me machucava. Sentir o meu peito latejar dolorosamente por causa da dor dela.
Continuamos a vasculhar o lugar para encontrar uma pista do que aconteceu na nossa ausência.
Edmundo: Catapultas! – se abaixa e observa mais de perto.
Pedro: O que?
Edmundo: Não foi uma tragédia natural. Cais Paravel foi atacada!
Senti meu coração apertar. Vasculhamos um pouco mais o local até encontrarmos uma câmara secreta. Em seu interior encontramos nossos pertences pessoais em baús. Encontramos nossas armas, roupas e tesouros, embora Suzana tenha sentido falta de sua trompa. Nós ainda vasculhávamos os baús quando Pedro encontrou a sua espada.
Pedro: “Nos dentes de Aslan o inverno morrerá...”
Lucia: “... em sua juba a primavera voltará.” – Lucia faz expressão de tristeza – Todos os nossos amigos...O Sr. Tummnos, os Castores... todos se foram... – Edmundo deixa uma lágrima cair.
Edmundo: Vocês acham que ela... – não conseguiu terminar. Apertou o pingente em seu pescoço com força, o mesmo que sua esposa lhe deu no dia de seu casamento. Lucia corre para abraça-lo.
Pedro: É hora de saber o que aconteceu. – todos concordam com a cabeça.
Decidimos sair das ruinas e voltar a praia. Lá encontramos um anão sendo afogado por soldados telmarinos. Depois de um resgate desajeitado e uma breve luta com os telmarinos e com o anão, o nosso pequeno amiguinho decidiu nos ajudar a encontrar os narnianos. Durante o caminho Lucia viu Aslan, mas Pedro, na sua teimosia, decidiu seguir seus próprios instintos, por mais que eu o aconselha-se a ouvi-la. Por fim conseguimos chegar ao rio, Pedro remava enquanto o anão nos colocava a par dos fatos dos últimos 1300 anos.
Lucia: Estão paradas... – diz olhando ao redor
Anão: São arvores... Você queria o quê?
Lucia: Elas dançavam... – olha triste
Anão: Pouco depois que saíram os telmarinos invadiram. Os sobreviventes se retiraram para os bosques e as arvores... se retiraram para tão dentro delas que nunca mais as ouvimos falar.
Edmundo: E os elfos? O que houve com os elfos? – pergunta apreensivo.
Anão: Enquanto a Rainha lutava, Nárnia resistiu. Mas com a gestação avançada ela se retirou da batalha. – Edmundo aperta as sobrancelhas em sinal de espanto — Os homens perderam a fé. Os elfos apareceram mais para retirar a Rainha e o recém-nascido do que para lutar propriamente dito. Eles ajudaram de bom grado aqueles que quiseram partir com eles, abandonando tudo para trás. – os olhos de todos pousaram arregalados sobre Edmundo.
Edmundo: Ges-gestação? – gaguejou.
Anão: A princesa nasceu no dia em que Cair Paravel foi sitiada... mãe e filha pouco foram vistas depois disso...
Edmundo: Quem é essa princesa ?! – diz ainda atônito com a conversa.
Anão: Filha da Rainha Gael – diz como se fosse óbvio. Edmundo olha para Pedro apreensivo e o mesmo assenti com a cabeça.
Edmundo: E quem é o pai da Princesa? – todos olham para o anão quase sem conseguir respirar.
Anão: Não se sabe. Como disse, ela mal foi vista depois da queda de Cair Paravel. E todas as histórias que se contam depois disso são extremamente confusas...
Edmundo: Mas... existe alguma pista do que aconteceu com ela?
Anão: Tudo que se sabe sobre os elfos, meu amigo, é que eles são imortais...
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