As Crônicas de Mhaglacia
19 Elemento Fogo
-Que calor! – Exclamou Luana.
O calor era arrebatador para quem percorria o deserto escaldante.
A guardiã e o Dário já se encontravam no deserto há algumas horas mas ainda não tinham encontrado o que queriam.
-Não podemos aqui ficar por muito mais tempo… — Começou Luana perdendo o folego. Ela desceu do ser cavalo e sentiu a areia escaldante nos seus pés. – Temos que deixar os cavalos voltarem, se não, eles não sobreviveram!
-Está bem… — Concordou Dário descendo do ser corcel. Virou os cavalos para o lado de Melian e deu uma grande palmada na parte traseira dos cavalos que os fez cavalgar para longe.
-O deserto é sempre a mesma coisa… aqui não vamos encontrar nada! É uma perda de tempo! – Explicou Luana.
-Nunca é uma perda de tempo! Esforça-te!
-Dário, eu estou a esforçar-me mas aqui não há nada…
-Talvez os teu olhos não vejam nada mas tens que continuar a procurar. Procura por algo fora do comum ou algo que não pertença aqui. Algum som que ouças, qualquer coisa que…
-Espera… — Interrompeu a princesa – Os meus olhos podem não ver mas se calhar… — Luana olhou para Dário de uma forma muito positiva como alguém que descobre um milagre ou uma invenção revolucionaria. Aproximou-se dele e remexeu na sacola que tinha nas costas e uns segundos depois encontrou o que queria. – Talvez os olhos das guardiãs vejam!
Luana encaixou perfeitamente a mascara na sua cara e por magia esta desapareceu. Uma grande dor percorreu a mente da princesa e esta levou as mãos á cabeça e contorceu-se de dor enquanto Dário se aproximava.
Uns segundos depois a dor passou e deu lugar a uma nova imagem. Luana agora não via apenas um deserto escaldante mas sim o que havia á quinhentos anos atrás.
-Lindo! – Exclamou caminhando para a frente.
-O que? Um deserto escaldante… — Dario aproximou-se de Luana e percebeu o que acontecera. Ela tinha a mascara de varias cores estampada no rosto. – O que vês?
-Antes não era um deserto por completo! Havia alguma vegetação e construções… — Explicou observando ao seu redor. – Estou a ver ali qualquer coisa…
-O que? – Perguntou Dário.
-Parece uma torre. Temos que subir este monte para poder ver melhor. Dário, estas dentro de uma planta! – Riu-se olhando para Dário e vê-lo dentro da planta.
-Luana! A planta já não existe… Vamos tonta! – Ele agarrou pela mão da princesa e levou-a com ele para cima do monte porem foi um pouco difícil pois o calor estava imenso e o monte era um pouco inclinado mas por fim conseguiram. – O que vês?
-Um castelo! – Respondeu boquiaberta.- Mas aqui não há nada! Como é que vamos entrar num castelo que existiu há quinhentos anos atrás?
-Pode não ser o castelo em si mas sim o que ele esconde! Vamos nos aproximar.
E assim fizeram. Foram pelas areias escaldantes até onde supostamente havia o castelo.
-Onde estamos? – Questionou o cavaleiro.
-No centro do palácio. Não te aleijaste ao passar por aqueles murros todos? – A guardiã soltou uma forte rizada.
-Não estamos para brincar! Isto pode ser bem perigoso! – Retorquiu mas com uma forte alegria por dentro por vê-la a rir.
-Sim, senhor!
-Vês alguma coisa? – Perguntou.
-Muita! Mas… — Luana observou com cuidado e um pormenor chamou-a á atenção. – Aqui! – Disse andando para a frente.
-O que tem?
-É mais o que não tem. Falta uma pedra no chão! – Concluiu.
-Talvez seja uma passagem secreta que deia as masmorras ou algo do género. Sendo assim já temos alguma coisa palpável. – Dário ajoelhou-se e com as mãos foi afastando a areia de onde Luana dissera que faltava uma pedra. Acabou por destapar um buraco que continha uma aurela. Dário agarrou-a e puxou-a para cima. O chão começou a estremecer e á sua frente a areia começou a desabar parecendo destapar umas escadas que ali estavam escondidas mas Luana estava mesmo ao lado e como a abertura fora feira mesmo rente aos seus pés imediatamente Luana desequilibrou-se e principiou uma queda para o buraco.
Dário rapidamente apercebeu-se da situação, elevou a mão esquerda e Luana ficou suspensa, inclinada de costas para as escadas. Rapidamente aproxima-se dela e puxa-a pela mão.
-O que eu faria sem ti! – Sussurrou Luana envolvendo os seus braços no tronco dele.
-Não farias nada… — Respondendo ao abraço.
-Vamos – Pronunciou a princesa acabando com o abraço.
Desceram as escadas deparando-se com um túnel muito escuro porém para Luana estava bem iluminado pois a mascara dava-lhe luz suficiente para poder observar o que a rodeava.
A princesa explicou a Dário que a mascara lhe dava iluminação e fê-lo segui-la pelo túnel a dentro.
Para Dário o túnel era um lugar escuro, húmido e muito frio o que para Luana fisicamente podia ser mas a sua visão via um túnel totalmente diferente. Era como um corredor comprido com uma carpete vermelha, vários quadros espalhados na parede e alguns suportes para velas agarrados á parede. Ela também podia observar que ao longo do túnel havia comodas de um castanho-escuro que lhe dava pela cintura e em cima delas havia imensas pedras, pedras de todas as cores e feitio o que para Luana eram imenso estranho.
Após uns longos minutos a caminhar acabaram por chegar a um beco sem saída. Havia uma enorme parede que fazia terminar o corredor.
-E agora? – Perguntou Dário.
-Esta parede já aqui estava! Não mudou… — Respondeu Luana observando a parede.
-Deve-nos ter escapado alguma coisa, talvez não tenhas visto alguma passagem…
-Dário há aqui umas velas na parede. Dá-me os fósforos para eu acendê-las. Tens que ver isto! – Dário concedeu o pedido de Luana e entregou-lhe os fósforos e rapidamente Luana acendeu as velas o que proporcionou a que o cavaleiro pudesse ver.
-O que é que encontras-te? – Perguntou Dário curioso.
-Bem… Eu com a mascara consigo ver uns buracos nas fendas das pedras. Aqui! – Luana apontou para a parede que terminara o caminho mas Dário não via buracos nenhuns.
-Aqui não há nada! As pedras estão rodeadas de terra…
-Então tira! – Concluiu Luana. – Eu digo onde são e tu retira-a.
-Está bem.
Luana apontou para onde estava o primeiro buraco que era do lado esquerdo e Dário elevou a sua mão fazendo a terra mover-se para o chão. O seguinte buraco era em cima e o processo foi o mesmo, também havia um em baixo, à direita e por último no meio sendo o cavaleiro a retirar a terra com os seus poderes. Dário olhou de relance para a comoda que tinha ao seu lado e viu as pedras de várias cores por consequente olhou para a parede e num certo instante viu uma cruz.
-Isto é uma cruz… — Concluiu Dário passando as mãos nos buracos. – Os buracos são iguaizinhos às pedras!
-Tens razão! – Exclamou Luana reparando na semelhança. – Talvez se colocar-mos as rochas nos buracos das pedras…
-Pode ser uma passagem secreta. – Concluiu o cavaleiro.
A guardiã pegou na pedra amarela e colocou-a no buraco de cima. Quando ela a encaixou perfeitamente a rocha brilhou e uma linha de luz percorreu pela fenda da rocha terminando ao chegar ao buraco do meio. Dário pegou na rocha verde e colocou-a em baixo e uma linha verde percorreu as pedras até chegar ao buraco do meio. A mesma situação se pode observar no buraco da esquerda que era a rocha azul e no buraco da direita que era a vermelha.
Agora estavam quatro rochas nos buracos brilhando fortemente porem faltava a rocha do meio. Luana agarrou na branca e lentamente foi aproximando-a do buraco e reparou que as linhas de luz das outras pedras que ali tinham chegado estavam a levantar-se e a tentar agarrarem-se à rocha branca com isto a princesa não quis esperar então numa velocidade estonteante espetou a rocha no buraco.
Uma grande explosão de luz acontecera. A pedra branca lançou um fio grosso de luz para a frente fazendo com que Luana e Dário se encostassem à parede para não serem atacados.
O fio de luz a princípio era branco mas uns segundos depois foi ganhando as cores das quatro rochas.
-Luana!
-Dário. – Respondeu a princesa.
-Que se passa? – Questionou confuso.
-Está aqui alguém! Chamaram-me mentalmente!
-Não tenhas medo!
-Quem está ai? – Pensou Luana.
-Somos nós! As rainhas!
-Onde estão? – Perguntou.
-Coloca-te á frente da cruz… Deixa o fio de luz percorrer o teu corpo para receberes os poderes vitais. – Falaram as rainhas em uníssono.
-Dário! São as rainhas!
-O que é que elas querem? – Perguntou confundido.
-Querem que eu me meta á frente da cruz para receber a vida dos poderes! – Respondeu assustada.
-Vai! Luana, a tua jornada chegou ao fim! Agora tens que receber os poderes e derrotar as bruxas… Estás a um passo do teu destino… — Encorajou o seu cavaleiro.
-Então e tu? – Perguntou sem saber o que fazer.
-Estarei à tua espera… Sempre estarei aqui! – As palavras saíram tremidas. Qualquer coisa não estava bem na voz de Dário.
Luana desencostou-se da parede e deu um passo à frente. Elevou a o seu braço e colocou o dedo no fio de luz e por uma vez na vida conseguiu ter mais força que nunca. Era uma sensação de poder viver para sempre inimaginável. Com esta emoção a passar-lhe pelo corpo andou mais um passo e colocou-se de frente para a cruz. O fio que outrora acabava no outro lado do corredor agora acabava no peito de Luana. Ela sentiu o poder percorrer as suas veias e a sensação era das melhores. Elevou os braços para cima e a cabeça para traz mostrando que estava a receber todo o poder.
Uns minutos assim e tudo acabou.
Luana sentiu que tinha o poder todo dentro de sim mas algo extraordinário aconteceu. A luz que batia no seu peito começou a percorrer o seu corpo criando uma espécie de escudo.
Ela baixou os braços e observou o espetáculo que estava a acontecer porem alguma coisa a chamou à atenção. Dário estava também a observar mas com lágrimas nos olhos e isso foi a imagem mais estranha que ela alguma vez vira. Ela nunca o vira a chorar mas isso estava prestes a mudar pois a luz foi ficando cada vez mais forte fazendo Luana perder a visão do que acontecia do lado de fora do escudo.
Um zumbido veio para atormentar a princesa e esta enfraqueceu deixando as suas pernas dobrarem-se por consequência caiu no chão e de repente o inesperado acontece: Explosão.
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