A procura continuava e Luana estava a ficar forte.

Passou a noite inteira a treinar o seu dom. Agora que amanhecera e já estavam perto da floresta pararam para comer e descansar.

–Estamos a ir bem… — Disse Dário arrumando os pertences – Logo que entra-mos ali – apontou para o fundo onde já se avistava as profundezas da floresta – terás que ter muita atenção!

–Porque dizes isso? – Questionou Luana.

–Logo verás…

–Odeio quando te pões com segredinhos mais valia a pena ficares calado! – Verbalizou Luana virando-lhe as costas.

–Se quer que permaneça em silêncio é só dizer, a alteza é que manda!

–Sempre com piadinhas sobre a realeza…

–Vamos! – Dário amarrou tudo aos cavalos e puseram-se a caminho.

Os cavalos já estavam a ficar exaustos com a viagem e Luana muito dorida de estar tanto tempo montada no ser corcel.

O trilho estava a chegar ao fim.

O sol acabara de se pôr junto das montanhas.

Dário, Luana e o Lobo acabaram de entrar na floresta obscura onde o perigo era iminente.

–Está a ficar tarde… Não podemos ficar aqui? – Interrogou Luana.

–Muito perigoso… — Sussurrou Dário.

–Porquê?

–Sinto alguém...

–Quem? – Questionou Luana.

–A falar com o lobo… — Dário revirou os olhos e continuou – depois conversamos… dás mais conversa a ele que a mim!

O silêncio apoderou-se do momento. A princesa esperava a qualquer momento uma resposta do lobo mas nada.

Passaram-se alguns minutos e Luana ia repetir a sua pergunta quando ouviu o rosnar que vinha do lobo.

–Eles estão aqui… – Luana lembrou-se do que Dário dissera naquela manhã “terás que ter muita atenção”.

–Eles quem? – O medo percorreu cada entranha do seu corpo até chegar ao cérebro e avisar-lhe que o perigo estava mesmo ali.

Ouviu-se o desembainhar de uma espada, a do Dário.

Ouviam-se vozes, sussurros.

Eles estavam cercados.

Luana aproximou o seu cavalo ao cavalo do seu cavaleiro mas este estava sozinho. Dário desaparecera…

–Dário! – Neste momento de desespero foi o que Luana conseguiu gritar.

Isso foi o pior que pôde fazer. Acabara de avisar as criaturas que estava sozinha.

–Luana eles são os… duendes! – Ao dizer isto o lobo atirou-se a um deles trespassando os seus dentes no seu corpo minúsculo e logo a seguir o duende desapareceu numa nuvem de pó.

Um grito de guerra ecoo na floresta e os duendes aproximaram-se de Luana. Esta desceu do corcel e juntou-se ao lobo pronta a combater.

–Olá, olá! – Disse o maior de todos os duendes. Devia ser o líder por carregava a maior espada de todos. – As nossas rainhas estão á sua espera!

–Eu não vou a lado nenhum! – Retorquiu Luana.

–Bem, bem… Minha linda princesa não queremos fazer isto a mal mas se assim tiver que ser… que seja!

–Onde está o Dário? – Perguntou Luana ao lobo.

–Estou a ver que fizeste amizades com traidores… bem saiu-nos a sorte grande, dois pelo preço de um! – Dizendo isto o duende dá sinal e manda os outros avançarem. O lobo atira-se a eles e derruba uns cinco ou seis mas havia dezenas deles pelo que formaram um círculo á volta de Luana e encurralaram-na enquanto o lobo tentava os alcançar uma rede metálica caiu sobre ele encurralando-o e tirando-lhe as forças.

–Princesinha… agora estás sozinha… Vamos despachar isto! – Disse ele por fim gritando para os outros duendes.

–Esqueceram-se que fiz uma paragem rápida nas montanhas… — Sorrindo Luana fez um largo movimento com as mãos lançando fortes ventos contra as criaturas malvadas estando estas a ser atiradas com a maior foça.

Nesta grande confusão algo trespassou o cotovelo de Luana obrigando-a a parar com o seu ataque.

Tinha um grande golpe no cotovelo. Estava a sangrar e agora as dores apareceram fortemente.

Os duendes famintos aproximaram-se e agarraram-na.

–Apertem-lhe as mão para não causar mais estragos! – Ordenou o líder. – Armas-te em espertinha… agora sofre as consequências. – Neste ato de palavras juntou uma bofetada que atingiu profundamente Luana deixando marcas na cara.

Apertam-lhe os pés também e uns sete duendes carregaram-na e começaram o caminho para a levarem às suas rainhas.

Uma luz verde violenta penetrou os olhos de Luana cegando-a juntamente com a figura de Dário ao lado. Foi atirada ao chão batendo com a cabeça numa pedra e começou a perder os sentidos. Ouviu gritos de guerra. Bem tentou abrir os olhos mas era impossível.

Percebeu que muitas criaturas se tinham juntado a batalha e agora eram os duendes contra outras criaturas… criaturas que estavam do lado de Luana que a estavam a ajudar.

Era impossível aguentar com as dores então foi levemente adormecendo até sentir umas mãos calorosas abraçarem o seu corpo e foi que conseguiu abrir os olhos e ver Dário a pegá-la ao colo e dizer-lhe:

–Está tudo bem…

Então Luana perdeu completamente os sentidos e adormeceu nos braços de Dário mas agora sabia que estava segura.