O silêncio reinava no quarto até que ouviram Afonso chamar para irem almoçar e os dois principiaram a correr para a porta e chocaram.

-Desculpa! – Pediu Luana.

-Vamos! – Dário abriu a porta e deu sinal para a princesa seguir e assim fez ela. Desceram as escadas. Viraram á esquerda e viram Afonso junto de uma senhora e duas crianças.

-Princesa! – Disse a mulher que estava com Afonso. Tinha cabelo castanho claro e um vestido bege. Curvou-se perante Luana quando esta chegou.

-Não precisa… — Luana agarrou nos ombros da mulher e puxou-a para cima – Parece que já não sou princesa!

-Aqui pode estar descansada. Nos sabemos de tudo e nunca iriamos a entregar aquelas bruxas.

-Muito obrigada!

-Esta é a minha mulher, Mariana. – Apresentou Afonso, abraçando-a. – E estes são os meus dois filhos, o Tiago e o André.

-Muito prazer! – Luana passou a mão pela cabeça das duas crianças e estas sorriram-lhe.

Sentaram-se todos á mesa e almoçaram como Luana nunca tinha almoçado.

Ela não se lembrava de um almoço tão animado. Ela nunca tivera um almoço animado. Luana descobriu que Afonso e Mariana têm ambos vinte e nove anos e dois filhos gémeos de três anos.

Depois do almoço foram todos para a sala de estar em que Dário e Afonso contaram algumas aventuras que tinham tido e contaram como se tinham conhecido: fora á dois anos quando Dário completou dezoito anos. Foi Afonso que ajudou Dário a conseguir emprego e assim chegar a estilista da corte. Afonso é um grande costureiro e foi ele que ensinou Dário.

O tempo foi passando até que começou a anoitecer.

-Bem. Acho que chegou a nossa hora! – Disse Afonso levantando-se do sofá. Dário foi ao andar de cima e rapidamente voltou com as capas pretas e deu uma a Luana. Afonso também vestiu uma e saíram de casa.

As ruas estavam escuras. Não se ouvia ninguém. Foram caminhando apressadamente até á biblioteca mas sempre juntos dos alpendres das casa para que os soldados não os vissem.

Quando avistaram a biblioteca puseram também avistar quatro soldados que a guardavam. Os homens estavam nas escadarias que dava á biblioteca. Havia uma grande porta por detrás deles em que em cima dela havia uma grande placa que dizia “Biblioteca de Carvahall”.

Os três esconderam-se atrás de umas pipas.

Dário manuseou as suas mãos e os soldados foram empurrados para a escuridão. Os três subiram as escadas a correr e deram com os soldados encostados á parede da biblioteca.

Afonso foi a cada um deles e mandou com um pau na sua cabeça assim eles ficariam inconscientes por um bom longo tempo.

Mais uma vez o cavaleiro utilizou a sua magia e abriu a porta da biblioteca e entraram.

Era só uma divisão enorme. Haviam imensas estantes e prateleiras que nem se quer conseguiam ver o fundo da sala.

Dário começou a contar as prateleiras e disse:

-Vamos! – atravessaram pelo meio de duas filas e deram a um corredor onde Dário olhou para as filas e Luana pode perceber o que ele procurava. Estava a procura de alguma letra pois no início de cada fila havia uma grande placa a dizer as letras.

-É aqui! – Finalmente Dário encontrou. Caminharam até á fila “F”.

Dário percorreu cada estante até que encontrou o que queria.

Retirou da estante um manuscrito e estendeu-o no chão. No cimo do manuscrito dizia “Feitiços”.

-Aqui está! — Afonso e Luana olharam mas não perceberam nada.

-Dário isto está escrito em latim.

-Pois… Bem o que diz aqui é o seguinte: com a terra tens de fazer crescer alfazema á volta dela, bater-lhe com o vento ocidental, molhá-la com chuva e queimar-lhe o coração com o fogo. – Dário olhou para a princesa e disse – Se queres salvar a tua irmã tens de ter todos os elementos!

Não houve tempo para resposta pois ouviu-se a porta da biblioteca abrir-se.

-E agora? – Perguntou Dário.

-Venham! – Afonso começou a correr e eles seguiram-no.

As estantes começaram a abanar e o chão a tremer, os três começaram a correr ainda mais e alguns segundos depois aperceberam-se que as prateleiras iam cair. Era como as peças do dominó juntas, a primeira cais e as seguintes vão a seguir.

A correria acelerou e as estantes estavam quase a alcança-los e para trás deixavam grande destruição. Provavelmente demoraria anos a colocar tudo no seu lugar.

Afonso chegou finalmente onde queria.

Estavam no final da sala e havia imensas estantes encostadas á parede e Dário não avistou nenhuma porta. O cavaleiro olhou para trás e viu que faltavam cerca de sete estantes para cair, era questão de minutos até eles morrerem.

Afonso tirou um livro da estante e esta foi empurrada para trás e deslocou-se para o lado.

Eles entraram rapidamente e Dário forçou a estante a fechar-se.

Correram pelo túnel e atras de si ouviram as estantes baterem nas paredes com grande velocidade.

-Rápido! Têm de sair de Carvahall! Sabem que estão aqui! – Afonso falava tão rápido como corria.

Percorreram o túnel até que foram dar á muralha.

-Os cavalos ficaram ao pé do portão! – Disse Dário.

-Eu fui lá busca-los! Estão naquele estábulo onde costumávamos brincar… Fiquem bem! – E assim ele fechou a porta da muralha.

Foram andando em silêncio. Nenhum tinha a coragem de falar.

Quando chegaram ao estábulo estavam lá os cavalos e o lobo.

-Aqui estou como disse! O que aconteceu?

-Nada. – Pensou Luana.

-Não me parece. Podes contar. Ele não te ouve!

-Por acaso aconteceu uma coisa. Já há algum tempo que pensava mas depois do que acontecera nesta manhã tive a certeza…

-Luana! – Interrompeu Dário. – Estou a fazer-te uma pergunta!

-Sim! Estava a falar com o Drago!

-Ainda queres desistir?

-Não!

-Vamos nos afastar um pouco de Carvahall e depois acampamos. O Afonso abasteceu os nossos mantimentos.

Montaram os cavalos e começaram a cavalgar.

-Pode continuar… — Disse o lobo que ia ao lado de Luana.

-Nós beijámos-mos… e eu meio que destrui com o quarto!

-Como assim? – Drago pensou nesta pergunta com um ar confuso.

-Quando o beijei estava tão feliz que não consegui controlar os meus poderes…

-Querida! Estás apaixonada…

-Eu sei! O meu medo é ele não estar…

-Nunca vais saber se não perguntares – Ao pensar isto Drago começa a correr fortemente desfiando a princesa. Ela cedeu e deu-lhe luta.