As Crônicas de Mhaglacia
14 Carvahall
O silêncio reinava no quarto até que ouviram Afonso chamar para irem almoçar e os dois principiaram a correr para a porta e chocaram.
-Desculpa! – Pediu Luana.
-Vamos! – Dário abriu a porta e deu sinal para a princesa seguir e assim fez ela. Desceram as escadas. Viraram á esquerda e viram Afonso junto de uma senhora e duas crianças.
-Princesa! – Disse a mulher que estava com Afonso. Tinha cabelo castanho claro e um vestido bege. Curvou-se perante Luana quando esta chegou.
-Não precisa… — Luana agarrou nos ombros da mulher e puxou-a para cima – Parece que já não sou princesa!
-Aqui pode estar descansada. Nos sabemos de tudo e nunca iriamos a entregar aquelas bruxas.
-Muito obrigada!
-Esta é a minha mulher, Mariana. – Apresentou Afonso, abraçando-a. – E estes são os meus dois filhos, o Tiago e o André.
-Muito prazer! – Luana passou a mão pela cabeça das duas crianças e estas sorriram-lhe.
Sentaram-se todos á mesa e almoçaram como Luana nunca tinha almoçado.
Ela não se lembrava de um almoço tão animado. Ela nunca tivera um almoço animado. Luana descobriu que Afonso e Mariana têm ambos vinte e nove anos e dois filhos gémeos de três anos.
Depois do almoço foram todos para a sala de estar em que Dário e Afonso contaram algumas aventuras que tinham tido e contaram como se tinham conhecido: fora á dois anos quando Dário completou dezoito anos. Foi Afonso que ajudou Dário a conseguir emprego e assim chegar a estilista da corte. Afonso é um grande costureiro e foi ele que ensinou Dário.
O tempo foi passando até que começou a anoitecer.
-Bem. Acho que chegou a nossa hora! – Disse Afonso levantando-se do sofá. Dário foi ao andar de cima e rapidamente voltou com as capas pretas e deu uma a Luana. Afonso também vestiu uma e saíram de casa.
As ruas estavam escuras. Não se ouvia ninguém. Foram caminhando apressadamente até á biblioteca mas sempre juntos dos alpendres das casa para que os soldados não os vissem.
Quando avistaram a biblioteca puseram também avistar quatro soldados que a guardavam. Os homens estavam nas escadarias que dava á biblioteca. Havia uma grande porta por detrás deles em que em cima dela havia uma grande placa que dizia “Biblioteca de Carvahall”.
Os três esconderam-se atrás de umas pipas.
Dário manuseou as suas mãos e os soldados foram empurrados para a escuridão. Os três subiram as escadas a correr e deram com os soldados encostados á parede da biblioteca.
Afonso foi a cada um deles e mandou com um pau na sua cabeça assim eles ficariam inconscientes por um bom longo tempo.
Mais uma vez o cavaleiro utilizou a sua magia e abriu a porta da biblioteca e entraram.
Era só uma divisão enorme. Haviam imensas estantes e prateleiras que nem se quer conseguiam ver o fundo da sala.
Dário começou a contar as prateleiras e disse:
-Vamos! – atravessaram pelo meio de duas filas e deram a um corredor onde Dário olhou para as filas e Luana pode perceber o que ele procurava. Estava a procura de alguma letra pois no início de cada fila havia uma grande placa a dizer as letras.
-É aqui! – Finalmente Dário encontrou. Caminharam até á fila “F”.
Dário percorreu cada estante até que encontrou o que queria.
Retirou da estante um manuscrito e estendeu-o no chão. No cimo do manuscrito dizia “Feitiços”.
-Aqui está! — Afonso e Luana olharam mas não perceberam nada.
-Dário isto está escrito em latim.
-Pois… Bem o que diz aqui é o seguinte: com a terra tens de fazer crescer alfazema á volta dela, bater-lhe com o vento ocidental, molhá-la com chuva e queimar-lhe o coração com o fogo. – Dário olhou para a princesa e disse – Se queres salvar a tua irmã tens de ter todos os elementos!
Não houve tempo para resposta pois ouviu-se a porta da biblioteca abrir-se.
-E agora? – Perguntou Dário.
-Venham! – Afonso começou a correr e eles seguiram-no.
As estantes começaram a abanar e o chão a tremer, os três começaram a correr ainda mais e alguns segundos depois aperceberam-se que as prateleiras iam cair. Era como as peças do dominó juntas, a primeira cais e as seguintes vão a seguir.
A correria acelerou e as estantes estavam quase a alcança-los e para trás deixavam grande destruição. Provavelmente demoraria anos a colocar tudo no seu lugar.
Afonso chegou finalmente onde queria.
Estavam no final da sala e havia imensas estantes encostadas á parede e Dário não avistou nenhuma porta. O cavaleiro olhou para trás e viu que faltavam cerca de sete estantes para cair, era questão de minutos até eles morrerem.
Afonso tirou um livro da estante e esta foi empurrada para trás e deslocou-se para o lado.
Eles entraram rapidamente e Dário forçou a estante a fechar-se.
Correram pelo túnel e atras de si ouviram as estantes baterem nas paredes com grande velocidade.
-Rápido! Têm de sair de Carvahall! Sabem que estão aqui! – Afonso falava tão rápido como corria.
Percorreram o túnel até que foram dar á muralha.
-Os cavalos ficaram ao pé do portão! – Disse Dário.
-Eu fui lá busca-los! Estão naquele estábulo onde costumávamos brincar… Fiquem bem! – E assim ele fechou a porta da muralha.
Foram andando em silêncio. Nenhum tinha a coragem de falar.
Quando chegaram ao estábulo estavam lá os cavalos e o lobo.
-Aqui estou como disse! O que aconteceu?
-Nada. – Pensou Luana.
-Não me parece. Podes contar. Ele não te ouve!
-Por acaso aconteceu uma coisa. Já há algum tempo que pensava mas depois do que acontecera nesta manhã tive a certeza…
-Luana! – Interrompeu Dário. – Estou a fazer-te uma pergunta!
-Sim! Estava a falar com o Drago!
-Ainda queres desistir?
-Não!
-Vamos nos afastar um pouco de Carvahall e depois acampamos. O Afonso abasteceu os nossos mantimentos.
Montaram os cavalos e começaram a cavalgar.
-Pode continuar… — Disse o lobo que ia ao lado de Luana.
-Nós beijámos-mos… e eu meio que destrui com o quarto!
-Como assim? – Drago pensou nesta pergunta com um ar confuso.
-Quando o beijei estava tão feliz que não consegui controlar os meus poderes…
-Querida! Estás apaixonada…
-Eu sei! O meu medo é ele não estar…
-Nunca vais saber se não perguntares – Ao pensar isto Drago começa a correr fortemente desfiando a princesa. Ela cedeu e deu-lhe luta.
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