Notas iniciais
Desculpem a demora! Jader muito obrigado por me ajudar!

Um homem roliço e com expressões fatigadas andava apoiado por uma bengala. Usava um manto roxo-escuro com detalhes em dourado. Como primeira peça, uma camisa longa de cor marrom, assim como sua calça.

Ele era quase careca e o pouco de cabelo em sua cabeça era branco. Seus olhos eram cinzentos e severos. Ele seguia por um corredor cheio de tochas, as quais iluminavam o caminho. Ao final do corredor, dois Sparrows guardavam uma porta e, logo que viram o homem se aproximar, abriram-na.

Assim que atravessou a porta, percebeu que algumas pessoas já o esperavam lá. Uma mesa larga e decorada encontrava-se no centro da sala. Ao passar pela porta, o piso se tornava branco e cheio de tapetes. Algumas armadura e estantes com livros decoravam as paredes dando um ar mais aconchegante ao local; um grande quadro estava preso à parede, e este mostrava os vilarejos de Porto Salvação em ruínas – provavelmente na época das Chamas. O homem se sentou em uma das cadeiras e apoiou sua bengala em sua perna esquerda.

– Mestre Cyril. – Disse um homem alto e moreno, suas roupas eram longas e cinzas, ele se levantou de sua cadeira e foi em direção ao ancião, enquanto estendia sua mão direita.

Cyril o ignorou e entortou o nariz. O homem, sem jeito, e agora com uma expressão de ódio emoldurando seus olhos, voltou a seu assento. Após longos minutos de espera, as pessoas ali presentes já começavam a sentir-se entediadas. As portas localizadas do lado oposto da sala abriram-se abruptamente, com um som alto e estridente, anunciando a entrada do Rei.

Todos à mesa se levantaram, exceto Mestre Cyril, que permaneceu sentado. Gregor esperou que um de seus serviçais – um homem ruivo, com roupas em farrapos, mas limpas – puxasse uma cadeira cheia de adornos em cores frias em uma das extremidades da mesa. Assim que o Rei se sentou, o silêncio mais uma vez prevaleceu sobre o local, até que uma mulher se manifestou.

Ela tinha cabelos castanhos e ondulados, e os mesmos estavam presos em um coque. Seus olhos eram azuis e suas expressões mostravam que ela era uma pessoa confiante. Ela usava uma roupa semelhante à de Levi – um sobretudo e um colete em forma de armadura.

– Glórias. – Disse ela, enquanto fechava a mão direita e, torcendo-a contra o pulso, levava-a até o peito. – Qual o motivo de reunir o conselho? – Ela disse, desfazendo a saudação.

– Aparentemente, Leyha... O garoto que foi morto hoje, como era o nome dele? – Perguntou Gregor, como se não se importasse.

– Lynder, senhor.

– Que nome mais horrível! – Exclamou. – Bom, aparentemente ele era um Farejador e pela morte dele seus companheiros resolveram se revoltar e atacar nossas bases. Além disso, alguns Brutais juntaram-se à causa deles e agora seguem para cá, para Porto Salvação.

Leyha arregalou os olhos como se estivesse levado um grande susto. A mulher fechou as mãos e as bateu contra a mesa, encarando Levi em seguida.

– Você não me contou sobre isso, Levi! – Ela encarava o soldado com um misto de inveja e raiva. – Eu sou a Alta Comandante da Guarda Sparrow! – Levi a encarou, não demonstrava expressão alguma.

– Leyha, antes de levar qualquer informação aos Comandantes e Líderes dos Grupos, eu devo informar ao Rei Gregor. – Ele virou a face em direção ao Rei e o encarou. Leyha se calou e prosseguiu fitando Levi, enraivecida.

O Rei se levantou, batendo sua panturrilha contra o pé da cadeira e, consequentemente, jogando-a para trás de modo teatral; estalou os dedos e o garoto ruivo correu em direção à garrafa de vinho, puxando uma taça e a enchendo. Ele a levou até Gregor e, antes de se aproximar, abaixou o rosto e só então a entregou ao Rei.

– Bom. – Disse, enquanto bebericava a taça. – Mestre Cyril, envie os Corvos ao Sul, para Merk, mande que reúnam os Filhos da Terra. Sir Leneflyt, você irá levar seus guardas ao Leste, até as Florestas Cinzentas, e traga os Caçadores. Levi e Leyha, vocês irão reunir todos os Sparrows e trazê-los até Porto Salvação, mande que eles formem guarda ao redor dos vilarejos e estradas da Capital. E Ruhrio – Ordenou Gregor, para o garoto ruivo, que ergueu a cabeça –, diga para o Sacerdote Minhur, que preciso falar com ele.

– Sim, Mestre. – Respondeu o servo, enquanto retirava-se da sala.

Gregor terminou sua bebida e disse algo numa língua estranha: A reunião havia terminado. O Rei olhava para Mestre Cyril, seus olhos brilhavam levemente em um tom dourado.

– Mestre Cyril... Venha comigo, temos assuntos a tratar.