As Crônicas de Beryngs

3 Capitulo 3 - Os Estranhos


Sob um céu nublado, uma estrada molhada, a gelada água da chuva caindo sobre seu rosto suado e com seus olhos quase se fechando de exaustão, Felpus continua a andar com sua amiga inconsciente em seus ombros, ele já não suportava mais, parecia que a cada passo seus olhos pesavam e mais seus ombros se curvavam, ele sabia que se parasse ali mesmo a rainha fada viria atrás deles e os matariam, a chuva era forte e ele tinha que ser mais, sua respiração estava ofegante, Felpus tropeça em seus próprios pés e cai com Thana, ele tenta levantar, porém estava muito ferido e fraco não conseguira nem mesmo mexer um musculo ele apenas fecha os seus olhos e espera a morte.

Ouve-se uma voz que soava baixa, pensava que estava morto, que estava em outro lugar, em um lugar além da vida “Vamos, acorde garoto!”.
Lentamente pelo amanhecer ele vai recuperando a consciência abre as pálpebras, um clarão toma a sua visão.
— Onde estou? – Murmura Felpus levantando seu tronco lentamente com a sua mão em sua cabeça como sentira dor, ele olha para os lados e vê que está em uma pequena e apertada cabana de madeira com algumas brechas na parede na qual os raios do sol passavam por ela, o chão estava tomado por feno e ao seu lado estava Thana, dormindo profundamente, como se estivesse morta, ele tanta acordar sua amiga com sacodidas e chamando por seu nome, mas ela não respondia, estava intrigado e receoso, ele apenas se lembrava de cair no chão e de se afogar com a chuva caindo sobre seu rosto, e no outro dia... Acorda em uma cabana junto a sua companheira, lentamente levanta-se ainda dolorido com as mãos em suas costelas e vai em direção à porta da pequena cabana que estava um pouco aberta, o abre no mesmo tempo que o sol o cegou temporariamente ele vê um vulto negro e alto em sua frente, ao tentar se afastar dele tropeça em uma pedra cravada no chão, assim caindo, ele olha para cima e vê o que parecia ser uma silhueta de um homem, ao tampar os raios do sol com a cabeça Felpus consegue ver o seu rosto, era um homem alto de estatura forte, cabelos ruivos como fogo, olhos castanhos claros como as madeiras dos bosques, tinha uma grande bolsa de couro em suas costas, parecia pesar toneladas, todavia ele carregava com certa facilidade, na verdade, o que mais parecia pesava nele era os seus olhos que constantemente queria se fechar mais com um esforço a mais ele os mantinha aberto, de sua grande bolsa retira um frasco esverdeado com um liquido vermelho dentro, vinho.
— O que foi? Nunca viu um homem ébrio, garoto de cabelos cinza. – Falou o homem soluçando e cambaleando.
— Quem é você? , qual é o seu nome, o que você quer? – Disse Felpus eufórico se arrastando para trás.
— Quem eu sou Alguém, meu nome, Balthazar, o que eu quero, de você nada... Mas da sua amiga, eu preciso de um pouco do sangue dela.
— Sangue?! – Grita Felpus se levantando rapidamente e tentando acertar um golpe em Balthazar.
— Fique calmo cabelo cinza, não quero todo o sangue, apenas um pouco. – Tenta acalmar Felpus segurando seu braço com apenas uma mão.
— Nem uma gota!
— Basta, eu poderia ter matado ambos com um único... com um único golpe, mas não o fiz, eu salvei vocês dois!, Acha mesmo que se quisesse fazer algum mal já não teria feito?, Você é um asno?! – Diz Balthazar empurrando-o.
— Então por que não o fez?, e por que nos salvou? , as pessoas são cruéis, matam por diversão!
— Ora rapaz. – Riu o homem ruivo com as mãos na lateral de seu corpo. – Bem vindo ao mundo, você ainda não viu nada, cabelos-de-laminas-de-espadas.
— O que quer dizer?
— Você leva a vida por esses lados esquecidos pelos conquistadores, não tem ideia de como é os grandes-domínios, aquelas terras de mercenários, assassinos, ladrões, estupradores...
— Você é de alguma? — Questiona Felpus mais calmo.
— Não, eu sou de...
— Felpus?... quem é esse homem? – Perguntou Thana ao sair da cabana com a mão em sua cabeça e ainda fraca.
— Um homem estranho que diz ter nos salvado.
— Foi apenas isso? — Questiona Thana.
— Não, ele queria seu sangue!
— Meu sangue? , esta delirando? – Grita Thana com o homem.
— Thana! – Felpus para segurar sua amiga antes que ela fosse ao chão.
— Está tudo bem, estou bem. – Disse Thana.
— Olha como está tarde... o tempo voa quando salvamos crianças de morrerem, já vou indo, ouvi dizer que existem demônios por esses cantos. — Falou Balthazar se virando.
— Felpus, precisamos irmos também, Vaarla deve ter enviado Nekhans para nos perseguir. – Sussurra Thana.
— Nekhans? – Questiona Felpus.
— Criaturas pequenas que usam zarabatanas e mascaras, são os melhores caçadores e rastreadores que existem.
— Você não pode andar Thana, esta muito machucada, ficaríamos muito lentos se andássemos, iriam nos alcançar.
— E também não podemos ficar aqui, estamos sem armas!
— O que sugere que façamos então?
— Eu não sei... O Homem!
— Não, Não, de maneira alguma, Mal conhecemos esse sujeito, e se ele for nos matar? E se for um contrabandista de escravos? E se...
— Cale a boca!, ele já teria nos matado seu tolo.
— Esta bem – Segue as ordens de Thana – Onde vai? – Grita Felpus, soltando Thana.
— Embora.
— Não pode nos deixar aqui!
— Não só posso, como vou.
— Você não disse que queria meu sangue, homem de cabelos de fogo? – Diz Thana. – Balthazar para e fica imóvel por um tempo e logo se vira.
— Esta certo, o que os dois querem de mim agora?
— Apenas que nos ajude a chegar em Goges. – Responde Felpus.
— O que um jovem franzino de cabelos-de-aço e uma jovem fada querem nas terras dos pecados?
— Não tem medo ou ódio de uma fada, homem? – Perguntou Thana.
— O medo ofusca a realidade, e as histórias são de horror, elas ocultam a verdade – Felpus!, eles estão próximos, os Nekhans!

— Rápido, pulem na carroça, se cubram com o pano.

Os ventos sopravam a oeste, as copas das arvores dançavam, uma multidão de seres pequenos se aproximou rapidamente de Balthazar, ele apenas abaixou sua cabeça e fingiu arrumar o pano, os seres passaram por ele, mas um parou, o observou, deu uma fungada e perguntou.
— O que leva na carroça verme?
— É... um bode e uma cabra... seja lá o que você for!.
— Eu sinto cheiro de sangue.
— Eles... morreram. – Diz Balthazar a chorar e berrar, em seguida derrubando vinho no pano.
— Homens... são fracos e odiosos, Voltem para o bosque, eles não estão por aqui!
Os pequenos seres começaram a correr para onde vieram, depois de um tempo Balthazar puxa o pano em que eles estavam cobertos e da um suspiro de alivio, ao olhar para a carroça se deparou com Felpus dormindo, Thana desceu da carroça e olhou para Felpus mexendo a cabeço como sinal de reprovação.
— Como você pode dormir em uma situação dessas? – Com um grito acorda assustado Felpus.
— Oque?, eles já foram?
— Já sim, seu paspalho – Diz Thana com os braços cruzados.
— O que eram aquelas coisas? – Pergunta Balthazar.
— Rastreadores. – Responde Thana.
— O que rastreavam?... Não, não poderia ser vocês não é? –Felpus e Thana se olham e respiram fundo. – Droga, por estavam rastreando vocês?
— Digamos que quebramos uma pequeno e simples regrinha. – Falou Thana afinando sua voz.
— Que regr... espera... vocês não... droga, subam na carroça agora! – Disse Balthazar, entrando na carroça que era levada por dois cavalos brancos como a neve do Leste e rápido como os coelhos.
— O que, de repente quer nos ajudar, você é louco? – Disse Thana.
— Loucos são vocês dois de terem quebrado o Tratado, isso sim é ser louco, Insano na verdade!
— Espera, como sabe do tratado?, apenas os nobres sabem da existência deles, para pessoas comum é apenas uma lenda. – Pergunta Felpus.
— É... eu ouvi falar.
— E como você não se espantou com minha imagem? – Também questiona Thana.
— Vocês vão querer fazer mais perguntas ou vão querer fugir?
— Fugir do que?, os Nekhans já se foram. – Thana rebate.
— Eu não teria tanta certeza, são ótimos estrategistas, eles fingem irem e se camufl...
— Como sabe disso? – Thana pergunta olhando desconfiada. – Balthazar murmura – Não devia ter dito isso, não devia ter dito isso! – Subam logo seus tolos, eles estão vindo.
— Está bem, rápido Felpus. – Com um pulo Thana e Felpus estão na carroça de madeira, Balthazar deu rédea e saiu rapidamente para a estrada de terra que as carroças fizeram no chão, os cavalos galopavam com à medida que os pequenos Nekhans corriam atrás deles gritando “retsle!, retsle!” parecia um língua diferente e estranha para todos, nem mesmo os mais sábios tinham conhecimento desse idioma, atiravam lanças de madeiras com pontas de pedras, apesar de ser pedras, de algum modo cortavam mais que diamante, como prova estava Felpus, que foi atingido de raspão por uma em sua perna, o sangue respigou no rosto de Thana que tenta manter a calma, mas estava mais que evidente que já estava pensando no pior, Balthazar grita – Está tudo bem?! – Sim, só vou perder a perna! – se desespera Felpus – Eu vou morrer! – Cale-se, você não vai morrer, deixe-me ver esse fereri... Céus, você vai morrer! – Não! – Felpus e Thana já estavam desesperados, Balthazar corria o máximo que podia, os cavalos estavam com o lombo doendo de tanta chicotadas, estavam perto de um pequeno lago, porem fundo, não podiam atravessar pois Felpus além de estar recente machucado ainda sofrera com as dores da batalha da rainha, Thana não estava tão forte ainda, mas poderia atirar algumas flechas se ela ainda as tivesse, Balthazar também não tinha nada além de pergaminhos velhos e vinho, a sim, o que ele mais tinha era vinho, assim surgiu uma ideia, Thana colocou a mão de Felpus sobre a ferida que estava inundando a carroça de sangue, e começa a jogar os grandes potes de vinho que tinham ali, um por um, derrubando e cortando os Nekhans. – Não!, Não jogue meu vinho assim. – Sério, você tá preocupado com o vinho? — Já basta!. – Parou a carroça, junto com a tropa de Nekhans que foram parando em fileira, formando um arco na frente de Balthazar, o amante do vinho, todos ficaram quietos, até os irritantes Nekhans, por um momento Felpus esqueceu sua dor e ficará espantado, Thana paralisada com seu amigo na carroça a observar também.
— Passaram de todos os limites!
Balthazar estava enfurecido, cacos de vidro espalhados pelo chão, o sol estava a se pôr próximo do Triângulo, ao norte os ventos batiam nas cordilheiras dos demônios, fazendo sons que pareciam gritos de dor e sofrimento como diziam as lendas, ele inclinou sua cabeça, a sua face ficou escura, estava mais sombrio, de sua bolsa, ele empunha um frasco com um liquido roxo dentro, ele o olha por alguns instantes, em seguida atira-o no chão, em seguida uma grande nuvem de fumaça roxo, os Nekhans ficaram assustados, se concentraram em um local só, estava uma confusão, um vulto passa, passa novamente, e outra vez, até que um Nekhan cai, em seguida outro, os Nekhans eram caçadores... mas guerreiros, nem tanto, eles são encarregados de capturar Kimerys, todavia, homens era uma novidade para eles, estavam perdidos, as flores de zolvia não funcionavam, única coisa que podiam fazer eram se proteger por trás de suas mascaras verdes, marrons que cobriam todo seu corpo, com seus pequenos escudos de pedra e suas lanças feitas de bambu e rocha. – A minha perna esta doendo! – O Vulto se movimentava em uma velocidade extraordinária, como um relâmpago cortando a escuridão dos Sul de West Beryngs nas Luas-vermelhas, dentro da fumaça , Balthazar estava um por um, nocauteando os Nekhans, até que ele para diante de um,o ultimo, o ser o olhou nos olhos de uma maneira que o fez parar, ele queria atacar, mas não conseguia, isso até que o ser que era um pouco maior que os outros e não usava mascara, sua pele era cinzenta como as cinzas de um vulcão, seu cabelos ralos e com dentes pontiagudos o olhou nos olhos que saiu correndo em direção aos jovens, a nuvem já estava se desfazendo, a visão era mais nítida, o pequeno ser cinzento estava quase a pular na carroça, quando Balthazar o interrompe quando joga um frasco azul-claro nele, neste momento o ser gris paralisou-se, um frio tomou um área nas terras quentes, porem Thana foi levemente ferida por um golpe de uma pedra em seu braço, seu sangue respingou. – Ei garota-fada, você está bem? – Pergunta Balthazar – Sim, eu esto..estou , se preocupe com Felpus, o corte dele foi mais profundo que o meu. – Todos olharam para o ferimento de Felpus, que estava horrível, era um corte muito profundo, porem, observando mais um pouco, percebeu-se que o corte estava fechando, lentamente, mas estava. – Oque? como isto aconteceu?, a lança daqueles desgraçados curam? – Fica confuso Felpus
— Não jovem cabelo-gris, não foi a lança... – Ele olhos para Thana e ela retribuiu.
— Está Bem, você está melhorando, mas não é o suficiente, se isso infecionar...
— Não! , Não.
— Acalme-se magrelo.
— Como posso ficar calmo?, vão cortar minha perna!
— Para de chorar, já vi homens perder a cabeça, e que eu me recordo, eles não choramingavam.
— Eles estavam mortos!
— É, pode ser... tanto faz, vamos logo, vamos entrar bosque adentro, precisamos de algumas ervas e espinhas de peixes para suturar o ferimentos de vocês dois.
— Floresta adentro?, não é uma boa ideia, a rainha mandara mais Nekhans e outros guerreiros e pelo que conheço ela, as arvores já estão alertas. – Explicou Thana.
— O Triângulo não é seguro, há vários desmoronamentos, querem morrer soterrados?, e além disso... precisam de curativos, senão apodrecerá.
— Vamos logo com essa carroça, não quero perder a perna!
— Espera, Espera!
— O que que foi agora?! – Se zanga Felpus.
— E o ser-cinzento, eu nunca vi esse tipo de ser antes...
— Vamos levar ele, pode ser que ele saiba algo sobre os planos da rainha.
— Não é seguro!
— Garota, você prefere a rainha ou esse pequeno e fraco ser?
— Eu... Eu...
— Eu, Eu, você só sabe questionar, cala-se e vamos logo.

— Só acho que não é uma boa ideia.
— Não era um boa ideia vocês terem quebrado o tratado, não foi uma boa ideia ter lutado contra a rainha, não foi uma boa ideia ter salvo vocês, mas... ninguém segue as regras e o certo, vamos me ajude com ele.
Todos subiram na carroça de Balthazar, que estava irado, não por que Thana não confiava nele, não por estar em uma enrascada, mas... por o vinho ter acabado, ele não suportava isso, pelo primeira vez desde que os jovens o conhecia, ele estava sério, nada o arrancava uma gargalhada, ele ia pilotando a carroça, que cuidadosamente perfurava a floresta de um lado ao outro, atrás de ervas para Felpus que não parava de gemer na parte de trás da carroça, Thana no entanto olhava desconfiada para o ser, em alerta, para no momento que acordar lhe acertar com o objeto mais próximo dela que era um pedaço de lança Nekhan, o ser-gris no entanto permanecera adormecido.
— Balthazar? – Chama Thana.
— O que foi?
— Está escuro já, não devíamos parar?, a escuridão do bosque nos devorará.
— Noite?, O que?, esse lugar parece ser sempre escuro...
— Não delire, o cansaço deve ter afetado sua mente.
— Está certo, vamos parar por aqui.
Um por um, com exceção do ser-gris, saem da carroça, Thana ajuda Felpus a descer, olham para a perna e veem que está começando a apodrecer, Balthazar fala que irá buscar ervas para ele, depois de algum tempo ele volto, com plantas e raízes, de sua bolsa ele retira dois frascos, um vazio e outro com água, coloca um pouco de água no que estava vazio, em seguida com algumas pedras e gravetos que ali perto tinha fez uma fogueira, jogou todas as ervas e raízes dentro do frasco, que depois de um tempo no fogo mudou de cor, para um verde que brilhava como vagalumes, rasgou uma parte de sua calça marrom e surrada, colocou o frasco em sua bolsa e retirou novamente, despejou parte do liquido nela e colocou sobre a perna de Felpus, o garoto deu gritos de dor, Thana colocava a mão na sua boca, as arvores tinham ouvidos e olhos, até que ele parou de espernear, Balthazar disse que iria buscar comida. Pois não comiam a dias.
— Se eu não voltar... vocês continuam sem mim.
Todos acenaram com a cabeça como um adeus, apesar de se conhecerem a pouco tempo eles passaram por grandes desafios, afinal Balthazar os salvaram, de sua bolsa ele tirou uma espada, não muito longa, de aço, com um cabo simples do mesmo, e entregou para Felpus, que sem muita cerimônia à aceitou, disse a Thana para ficar de olho no ser-gris.
— Thana, se algo acontecer, pegue Felpus e saia deste bosque maldito e vá para as grandes montanhas, não tente atravessar o rio!
— O que há nas montanhas? – Pergunta Thana.
— Uma passagem para o outro lado, uma guerra está próxima, não vai querer estar no meio dela.

— Guerra, aonde?
— Já está tarde, perdi muito tempo com essa conversa, terei que me apressar se quiser achar algum animal.
— Mas não há nada além de plantas para esses lado do bosque.

— Eu... Eu dou um jeito.
O amante do vinho deu as costas a eles e desapareceu ao poucos no denso bosque, pulando do lodo e fungos que tomavam as arvores verdes e com trepadeiras, a carroça que a carroça estava próxima do lugar onde estava Thana, Felpus, e o Ser-gris, eles esperaram ali por algum tempo, quietos, com medo de que a rainha os vissem, mas Thana sabia que o ultimo lugar que ela iria era o nordeste do bosque, próximo as grandes montanhas.
— Thana...
— O que Felpus, sua perna esta doendo?
— Não... ela esta melhor...
— Então o que é?

— O que são esses frascos que ele carrega consigo?
— Quem, Balthazar?
— Sim...
— Não tenho ideia...

— Eu sinto como se minha perna estivesse se curando rápido, eu já não sinto muita dor e não se passou muito tempo desde que me feri... e além disso, ele jogou um no Ser-gris, ele o fez paralisar...

— Como se estivesse sido congelado. – Completa Thana.

— O que é isso?

— O que?, congelado?

— Sim...

— Há lendas ditas pelos sopro dos ventos frios do leste de que além do mar diagonal, há um lugar tão frio e escuro que a terra fica branca, as arvores ficam duras como rocha e na calada da noite os indócil, indomáveis e bravos se alimentam de sua caça do dia, os olhos vermelhos queimam no fogo dos vulcões e os perversos e maus dominam as montanhas frias.

— Como sabe tanto?

— Eu... a rainha contava histórias.

— Pensei que a rainha era má e a desprezava...

O Ser-gris deu um grunhido que ecoou entre as arvores, lentamente abriu seus olhos negros e bateu com os dentes pontiagudos uns com os outros, Felpus tenta se levantar, apesar de estar sem dor, o ferimento ainda estava exposto e sem sutura, ele fica de pé apenas com uma perna, Thana pede para ele se afastar e ficar atrás dela, ela pega a espada da mão de Felpus e fica de guarda afastada do Ser-gris que se levanta com encarando a jovem fada.
— Por está com a espada garotinha? – Falou o Ser-gris com uma risada que parecia um grunhido de porco.

— ...

— Não me responderá?, então está envergonhada?, não ,não, espera, você está com medo?, não precisa ter medo garotinha, ou precisa?... não, não precisa!

— O que você quer de nós seu Ser asqueroso? – Disse Thana com a espada na apontada para o Ser-gris.

— Asqueroso?, quem você... calma, calma, respira... O que eu quero?, o que vocês querem?

— Como assim?, você queria nos atacar no triângulo!

— Atacar? Não, Não, eu queria protege-los, a lança iria acertar você, mas aquele homem...aquele homem me paralisou com alguma coisa, e eu não pude proteger o suficiente e te machucou um pouco...

— Então... você este tempo todo queria nos ajudar? – Disse Thana abaixando sua espada.

— Sim, o Gris, não faria mal a ninguém...

— Gris, este é seu nome?

— Meus amigos me chamam assim, espera, espera, Gris não tem amigos...

— O que você é?! – Gritou Felpus.

— Felpus!, não grite com ele, se ele não tivesse entrado na nossa frente, eu poderia não estar aqui.

— O que eu fiz a você? – Retrocede para trás com a cabeça baixa e uma voz magoada.

— Esqueça Gris, ele não entende nos, diga, você não é homem não é?

— Não, Não, eu sou um Kimery.

— Eu nunca tinha visto esse tipo de Kimery e nem ouvi sobre.

— Eu sou de um lugar distante, expulso de meu próprio lar, jogado ao mar para ser morto, até que... Até que um navio de escravos me achou, mas teria sido melhor ter ficado no mar, eles constantemente batiam e chicoteavam o Gris, até que o mest... Até que o navio de escravos chegou à costa dessas terras malditas.

— Onde esta Balthazar, ele esta demorando! – Reclama Felpus.

— Deixe-o, aquele homem é mau, ele me congelou!

— Ele nos salvou!

— Chega vocês dois, ele tem razão, ele está demorando muito... O que será que aconteceu?

— Acho melhor irmos atrás dele.

— Não, perdeu a cabeça, se perfurarmos ainda mais o bosque virão atrás de nos.

— Não, não, não, lembre-se do que ele falou, devemos ir para as montanhas. – Disse o Gris.

— Não me importo, irei atrás dele, não suporto ficar nesse buraco com um ser asqueroso e uma... E uma...

— E uma...?

— E uma traidora!

— Esse garoto é ruim, ele não gosta de nós por que somos diferentes. – Sussurrou Gris próximo a Thana.

— O que, não, ele está fazendo sua cabeça.

— Não, não tente negar, você nos considera uns monstros. – Disse Thana furiosa.

— Já chega, vou atrás do Balthazar, se não quiserem vir tudo bem! – Disse Felpus virando-se para o bosque. Ele pula os mesmo troncos e raízes que Balthazar pulou, foi seguindo a trilha das pegadas no lodo que o amante do vinho deixou, se sufocava com as imensas arvores e raízes ao redor, depois de um tempo já não sabia onde estava, as arvores parecia emitir sons, como sussurros ao vento, ele estava enlouquecendo, nem um raio se quer de sol penetrava naquelas folhas, era úmido e escorregadio, ele não tinha alternativa a não ser seguir em frente e foi o que ele fez, até que ele vê um grande monstro de pedra, alto como uma arvore forte como um touro, porem, lento como uma lesma, o monstro expelia um som alto que estremecia o chão, as folhas das arvores caiam e as rochas rachavam, Felpus se assustou, ele berrou, o que chamou a atenção do ser-de-rocha que virou-se e soltou um rugido para Felpus, que com um pulo desviou, quando caiu viu onde estava o monstro uma pequena criatura, a aberração estava atacando ela, com um ato heroico e imprudente Felpus levanta-se, corre até ele, mas o ser diabólico de pedra entra em sua frente e de seu corpo arremessa pedras, Felpus tropeça em uma raiz, mas com isso consegue desviar de umas das pedra que passa raspando sua cabeça e para com o impacto em uma das arvores atrás dele, o jovem homem passa por baixo das pernas rochosas do Kimerys, no mesmo instante o monstro revida criando espinhos de pedra em sua mão, dando um golpe entre suas pernas mas Felpus foi mais rápido, escorreu pelo lodo que ali tinha, o braço do ser-de-pedra fica preso no chão, ele tenta retirar o grande braço de rocha todavia não consegue, Felpus aproveita para salvar a criatura, mas tinha medo de que o ataca-se pois ele não sabia o que era, ele se aproxima do ser, que era pequeno, menor que um Nekhan, era negro como o céu a noite, tinha olhos grandes e brancos com dois pequenos chifres pequenos e uma boca enorme que formaria um sorriso de orelha à orelha, ele o olha nos olhos e Felpus também olha nos deles, inexplicavelmente os dois tiveram um tipo de conexão, ambos acenam a cabeça para baixo e para cima, então olha para os pequenos braços do ser e entre suas mãos com um único dedo pontiagudo estava um livro, um grande livro de com capa de couro e com uma tranca que não havia cadeado ou corrente, Felpus pergunta – O que é esse livro? – O ser responde numa voz fina e aguda – Esse é... O livro! – De repente o livro se abre sozinho e Felpus a achar que estava delirando o vê flutuando, e se foliando sozinho, até que abre em uma pagina, nesta pagina a pequena criatura olha e muda a forma de seu olho que esbranquiçada passa a um olho espiralado de cor branca e preta, no mesmo momento ele olha para os olhos de Felpus que também se transforma em um instante em espiral, Felpus pega uma das pedras que se destruiu do ser-de-pedra e corre em direção a ele, ele pula no braço que estava fincado no chão, sobe até seu peito que tinha uma pedra isolada das outras de seu corpo com um pequeno espaçamento entre o seu peito e ela, Felpus pega a pedra que encontrou no chão, o monstro se balança na tentativa de tira-lo de cima de si, mas Felpus se agarra em umas das raízes que tinha em sua carcaça, e escreve a letra “M” com a pedra, em seguida o monstro da um grito que estremece os céus, Felpus então se segura firme nele, o ser-de-pedra novamente tenta tirar Felpus de seu corpo, mas desta vez pega uma das arvores quebradas do chão e lança em seu próprio corpo, contudo Felpus pula para suas costas, e escreve atrás dele na mesma rocha que escreverá outra letra, dessa vez a “E”, o monstro solta outra grito, mas desta vez mais alto, ela rasga as arvores ao meio como se fosse folhas, o monstro se enfurece, seus olhos começam a flamejar, solta fumaça por suas narinas rochosas, então o pega pela mão, e com o outro braço de pedra pega a outra mão de Felpus e começa a estica-lo a pedra que Felpus tinha cai ao solo, o ser-de-pedra começa a esticar seus braços em duas direções, um para a esquerda e outra para a direita, Felpus grita de dor, seus membros iam ser arrancados de seu corpo, o monstro começa a gargalhas, mas... Repentinamente para, a mão dele começa a se desmanchar em pequenas e miseras pedras, assim segue em seu braço, cabeça, tronco, e por ultima pernas, Felpus cai nelas, com uma imensa dor, ele com os braços destrocados olha para a pequena criatura que estava com uma pedra nas mãos de um único dedo, em seguida olha entre as rochas, aquela na qual tinha escrito e vê nela a letra “T”, Felpus tenta se levantar, mas começa a vomitar, vê as coisas girando e cai em logo em seguida.

— Você vai ficar bem mestre, não se preocupe, eu... Eu só preciso... Preciso de umas ervas deste bosque maldito! – Disse a pequena criatura negra colocando-o com a cabeça no chão do lado dos pedregulhos.

— O que está fazendo...? – Pergunta confuso e ainda tonto Felpus.

— Lhe ajudando mestre, você está mal, muito mal! – Responde a criatura fuçando os arbustos e raízes no chão ao redor.

— Mestre?

— Sim, você é meu mestre.

— Por quê?

— Você é exatamente como ele disse que seria... Eu andei muito, já não tinha mais esperanças, mas você realmente veio. – A criatura falou com um breve sorriso.

— Quem disse oque? – Sem entender nada do que a criatura dizia pergunta. O ser da um breve sorriso e diz – Vamos tome essas ervas, você ficara melhor do enjoo. – Felpus em um gole só vira as ervas nas mãos do ser, tinham um gosto azedo e amargo, mas antes que vomitasse novamente o ser tampou a boca de Felpus.

— Vamos, engula tudo, você ficará melhor!

— O que foi isso?

— O que foi oque?

— Eu estava com medo, e de repente eu escrevi aquelas letras estranhas naquele monstro... E como eu sobrevivi aquele monstro, eu podia ter morrido! – Se desespera Felpus.

— Acalme-se mestre, ele já esta morto.

— E o que é esse livro?

— Esse livro... É o livro mais importante que existiu nessa e em todas as outras vidas, ele é a mais importante coisa que existiu e vai existir, ele é a vida, a morte, a luz na escuridão, ele é O livro, e ele pertence a você agora.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.