As Crônicas de Beryngs
2 Capitulo 2 - O Outro Lado
...– Um Lucano vivo?!, você sabe o que isso pode causar? – Gritou Aaron enfurecido para Argon, tinha cerca de dezenove luas-vermelhas e era de um ramo Nobre do povo Korgan.
– Olha o tom da sua pronuncia para falar comigo, você pode ser o filho do guardião das terras geladas para os outros, mas para mim é apenas um servo. – Retruca o homem rústico de barba aparada que lhe dava um aspecto de velho, no mesmo tom ao se aproximar da lareira ao topo do monte Nyi no castelo Korgan em East Beryng. – E além disso, ele deve ser um moleque insignificante e plebeu ou nem mesmo pode estar vivo.
— Pobre ou não ele ainda é um Lucano, se os outros povos descobrirem, irão nos trair e o retorno da dinastia Lucana será iminente. – Fala Aaron acalmando-se.
— Se esses vermes do Oeste nos trair, nos os aniquilamos, já fizemos isso com um povo, e podemos fazer novamente. – Responde Argon ainda observar as chamas da lareira.
— Mande ao menos homens Crottes atrás desse garoto, meu pai. – Insistiu Aaron.
— Não mandarei ninguém para os reino das areias contratar assassinos! – Se enfurece Argon.
— Então você não me deixa outra escolha. – Diz Aaron se aproximando silenciosamente de Argon, com seus longos cabelos lilás cobrindo parte de seu rosto, da sua cintura empunha uma adaga de cabo de ouro e com uma lâmina curvada na ponta banhada por uma magia antiga. Facilmente com um único golpe ela atravessa o coração do velho Korgan que cai lentamente ao chão com a mão em seu peito, na tentativa de estancar seu sangue e olhando para seu filho que era então também o seu assassino, o sangue quente de um nobre escorrera até os pés de Aaron no chão de pedra que no reflexo da poça limpa a sua adaga, sereno, em sua longa capa.
– Eu queria poder dizer que não desejava fazer isso... mas eu estaria mentindo, e o senhor me ensinou que mentir é uma desonra, e eu não sou nem um pouco desonrado. – Fala o jovem Korgan com não mais que um sorriso de canto. – Aparece à porta um homem, que ao ver um corpo coberto por sangue no chão e seu amigo limpando um adaga pergunta. – O que aconteceu aqui? – Ó Baldór... Meu pai não suportou a pressão do povo e tirou a própria vida. – Explica Aaron. – Um silêncio tomou o local que estavam, e apenas o barulho das brasas da lareira ecoando. – Baldór leve o corpo de meu pai para os bocas-frias limparem para o funeral. – Está... bem. – Responde Baldór colocando o corpo de que antes era seu lorde em seu ombro esquerdo, e passa olhando para o jovem de cabelos lilás que ainda estava a limpar sua adaga tranquilamente.
algum tempo depois Aaron conversa com um homem na grande salão onde ficava os nobres Korgans.
— Eu preciso que nomeiem Argalór! – Aaron fala para o homem que estava com ele. – Acha mesmo que os senãtus o coroarão de mãos vazias? – Retruca Thyne, um antigo conselheiro, calvo e já com rugas a aparecer em volta de seus olhos.
– Deem a eles o ouro que for necessário, deem minha irmã Aghata se for preciso, apenas garanta que pelo menos três senãtus nomeiem meu irmão mais novo. – Diz Aaron segurando pelas vestes do conselheiro e olhando para seus olhos.
– Ora, você é o filho mais velho de Argon, vão querer nomear você como guardião das terras gélidas!
— Eu não posso assumir de imediato. – Aaron diz virando-se de Thyne.
— Posso saber o por que?
— O Velho Korgan morre repentinamente, em seguida seu primogênito toma o seu posto... isso não despertaria sua desconfiança?
— Talvez... mas você não o matou, ele foi tolo de tirar sua próprio vida por conta da pressão dos Baixos-Korgans.
— Mesmo assim... nem todos pensem como você, os senãtus com certeza iriam querer que eu desaparecesse do mapa . – Diz Aaron um pouco pensativo.
— E desaparecer do mapa não seria o que o senhor quer?
— Os únicos herdeiros vivos das terras geladas ainda sou eu e Argalór, se eu sumisse não iriam nomeá-lo, ainda é uma criança, é certo que iriam discutir uma possibilidade de nomear algum deles até ele alcançar a idade certa, e ele não estaria seguro até lá.
— O que fará?
— Ainda não sei ao certo, mas uma ideia se passou por minha mente!
— E qual seria essa ideia?
— Não posso dizer, as palavras não são segura nem mesmo em minha cabeça.
Algum tempo depois da conversa de Aaron com o conselheiro e no mesmo local, o calor das tochas ao redor derretiam devagar o tumulo de gelo enquanto a multidão permanecia em silêncio, talvez por que tinham fome ou por que tinham respeito, embora o protetor do gelo já fosses um grande líder em batalhas as pessoas não suportavam mais guerras, e também os protegia dos seres além das cordilheiras, os bocas-frias cuidavam do gelo como se fosse artesões com a argila, enquanto sua família fingia que chorava, Aaron indagava – “Foi-se o tempo em que o senhor era um coração gélido, ele derreteu-se com as chamas da compaixão.”
O velho conselheiro chama Aaron da escuridão dos pilares de pedra ao redor, Aaron vai em direção a elas em silêncio.
— Eu falei com os senãtus, eles não ficaram muito felizes em colocar uma criança como guardador de suas terras. – Sussurrou Thyne.
— Esses imundos, pagaram por isso. – Diz Aaron zangado.
— O que pretende fazer meu senhor? – Questiona o conselheiro.
– Mandem que arrumem uma carruagem para o nascer das sombras.
– Onde irá meu lorde?
– Apenas faça... apenas faça o que ordenei! – Fala Aaron oscilando sua voz brava e zangada. – E chame Baldór, precisarei dele.
— Perdão meu lorde, farei o que me disse.
Algum tempo depois no quarto de Argalór, bate na porte Aaron que entra e senta-se ao lado de seu irmão na cama, que estava triste pela morte de seu pai. – Não chore Argal... – Argalór interrompe chorando. – Por que ele se matou?, por que Aaron? – Bom... eu não sei, talvez por que o povo esta morrendo cada vez mas de fome e doenças, ele não sabia mas o que fazer. – Deixe que o povo morra! – Grita Argalór enfurecido – Não diga isso, o povo é essencial, sem eles não teríamos comida, dinheiro, ou mesmo um lugar para morar! , essas terras são cruéis e apenas coração gélidos sobrevivem.
— Então o pai não era um coração gélido – Fala Argalór limpando as lagrimas.
— Eu pensei que ele era... – Responde Aaron olhando para os cantos com um breve sorriso.
— E você será um não é irmão? – Pergunta um pouco mais animado para Aaron.
— É... eu não serei o guardião, preciso que você seja forte e assuma as responsabilidades. – Os olhos de Argalór dilatam e ele grita. – Não , eu não serei guardião de nada!
— Argalór!, não discuta. – Diz Aaron levantando-se.
— Eu não quero!
— Você tem que ser o guardião Argalór! – Fala Aaron para seu irmão mais novo segurando-o pelo braço.
— Eu não quero isso, eu nunca desejei ser guardião, o pai nunca tinha tempo pra mim! – Responde aos berros para Aaron.
— Já chega!, Eu não ligo nem um pouco para o que você quer, eu tive que aguentar as suas manhas por muito tempo, só te aturava por causa do que eu tinha que chamar de pai, agora que ele se foi, não vou mais te mimar, você nasceu nas terras gélidas e terá um coração gélido, não será um tolo igual a ele.– Aaron.
— Como você pode dizer isso dele, você é um monstr... – Aaron apunhala com um soco na barriga de Argalór, fazendo com que ele caia no chão e ali permaneça por alguns instantes com lagrimas em seu rosto.
— Você se tornara senhor das terras gélidas , acho bom que tenha entendido ou Baldór se encarregará disso. – Diz Aaron ao se retirar do quarto.
— Você não acha que foi duro demais com o garoto? – Questiona Baldór do lado de fora do quarto.
— Está com pena dele?, o que eu fazia com você era muito pior, ou já se esqueceu? – Responde Aaron dando gargalhadas que ecoavam-se pelos corredores. – Baldór fica tremulo, soa frio, suas pálpebras dilatam por alguns instantes, logo continua a seguir o seu amigo.
Aaron é chamado as pressas por Baldór que sobe desesperado pelas escadas até a sala em que Argon foi visto vivo pela ultima vez, o jovem parecia observar o fogo.
— Senhor, o conselheiro quer falar com você no salão principal. – Diz o guerreiro com a respiração ofegante ao subir vários degraus.
— Está cansado por subir algumas escadas?, Há muito tempo que você não mata alguém não é? – Zomba Aaron – Diga a ele que logo o verei. – Sim... meu lorde. – Responde Baldór.
— Eu espionei os senãtus por algumas luas-cinzas e ouvi algo sobre eles nomear você como guardião ou será um deles. – Diz o conselheiro.
— Esses senãtus... não sei o que Argon tinha na cabeça de trazer Goges de West Beryng para ser senãtus de nossas terras, o gelo sempre prevalecera sobre o fogo! – Retruca Aaron enfurecido. – Então terei que colocar meu plano em ação.
— Há pessoas que lhe querem morto, senhor. – Thyne.
— Há pessoas mortas que me queriam morto, meu caro. – Aaron.
— Irei traçar minha rota, escolha o meu carroceiro, mande que coloque suprimentos na carruagem, avise Baldór que partiremos amanhã quando os lobos uivarem a oeste, cuide para que não aconteça nada a Argalór e fique de olho e ouvidos atentos nos senãtus.
— Farei isso. – Conselheiro.
Em uma mesa redonda numa sala ao topo do castelo Korgan no outro dia estavam os quatro senãtus, Gerach o senãtus mais velho, tinha oitenta luas-vermelhas, era um senãtus desde as suas vinte luas-vermelhas, assim como seu pai e avô foram desde as épocas de paz, entre os quatro ele era o mais honrado. O segundo não tão velho assim era Tarlett, o terceiro era Evérald um subordinado do velho conselheiro, e em por ultimo Dasan.
... – Acha mesmo que devemos confiar as terras gélidas a uma criança de doze luas-vermelhas? – Ironiza Tarlett.
— Ele é filho de Argon, com certeza será o melhor. – responde Evérald.
— Não sejam ingênuos, sabemos muito bem que ele não sabe nem mesmo tomar decisões para si mesmo, quem deveria ser o guardião é Aaron, ele é o primogênito. – Rebate Dasan.
— Não! – Berra o subordinado ao se levantar. – Aaron não pode ser o protetor.
— Podemos saber o por que? – Questiona Dasan.
— Ele...Ele... – Tenta dar uma resposta Evérald.
— Porque essa não era a vontade do pai dele. – Responde o conselheiro ao adentrar na sala.
— O que esta fazendo aqui?, esse é um lugar apenas para Senãtus, não para conselheiros. – Diz em voz alta Gerach com o conselheiro.
— Sou amigo e conselheiro do guardião desde a guerra do tratado de Leelas, eu tenho o direito e responsabilidade de acompanhar as decisões das terras tanto quanto vocês senãtus.– Rebate o conselheiro.
— Isso é um ultraje. – indigna-se o velho senãtus.
— Está bem! , já chega – Diz Tarlett. — Já que veio até aqui, diga qual era a vontade de Argon.
— Argon queria que Argalór fosse o rei, ele teve uma visão e essa visão mostrava Argalór tomando Beryngs. – Explica o conselheiro.
— Como você espera que um garoto de doze luas-vermelhas vire rei de Beryngs? – Pergunta Tarlett com gargalhadas.
— Nem eu e nem você saberemos se não tentarmos descobrir. – Conselheiro.
— Faremos uma votação? – Sugere Gerach.
— Me parece uma ótima ideia. – Diz o conselheiro.
— Muito bem, quem é a favor de que Argalór filho de Argon vire o protetor das terras gélidas do Leste levante o braço direito e quem não é a favor levante o esquerdo. – Fala Gerach.
Logo em seguida todos levantam os braços e ficam olhando um para o outro, Evérald e Gerach com o direito, Dasan e Tarlett o esquerdo.
— Vocês são conspiradores, querem tomar o poder para si, Argalór deve ser o guardião.
— Como ousa nos chamar de conspiradores conselheiro?!. — Rebate Tarlett no mesmo tom.
— Já chega! – Grita Gerach. – Como essa votação terminou com um impasse adiaremos até o dia da coroação, ou Argalór, ou Aaron ou um que seja qualificado para isso nada pode ser dito fora desta sala até o dia em questão, a reunião acaba aqui.
Todos se levantam e saem em direção a porte silenciosamente, porem o conselheiro e Tarlett se encaram por alguns segundos e logo tomam um rumo diferente.
— Aaron, a carruagem e Baldór o espera. – Diz o conselheiro no outro dia.
— Eu já irei. – Aaron responde.
Ele veste sua longa capa de pelo negro, suas botas de couro, pega sua adaga coloca em sua cintura, desce o castelo montanha abaixo até chegar no pátio onde a carruagem lhe esperava, Aaron entra na carruagem e em seguida Baldór, o homem que estava no comando da carruagem chicoteia os cavalos que relincham e saem em partida.
— Aaron, onde iremos? – Pergunta Baldór.
— Te chamei para ser meu guarda costas, não para fazer perguntas. – Diz Aaron calmo olhando para o pequeno feixe na carruagem. – Baldór permanece quieto.
— Vamos lá, não fique quieto, será uma longa viagem. – Fala Aaron olhando para Baldór.
— Uma longa viagem? – Baldór confuso.
— Mais uma pergunta sua e cortarei sua cabeça. – Fala Aaron colocando a mão sobre sua adaga.
— Por que quer que Argalór seja o guardião? – Pergunta Baldór. – Aaron puxa parte da lâmina de sua adaga da bainha e olha para Baldór, que estava olhando em seus olhos, fixo.
— Fique calmo, não vou lhe fazer mal, pelo menos não agora! – Diz Aaron com uma gargalhada.
A Carruagem para repentinamente.
— O que foi isso? – pergunta Aaron
— Irei ver – Responde Baldór.
— Eu também irei. – Aaron.
Quando ambos descem da carruagem e veem o homem que a estava comandando com sua cabeça estourada e dois seres vestidos com mantos e um capuz cobrindo parte de seus rosto roxos escuros com detalhes dourados, olhos fundos da cor do fogo, pele totalmente pálidas, unhas grandes e pés descalços, eles pareciam não sentir frio.
— Quem são vocês? – da um estrondoso grito Baldór.
— Eles são a escuridão do coração dos homens, a morte e as trevas, a angustia e a dor e o puro silêncio de uma vasta imensidão. – Diz Aaron, com as sua mãos tremendo.
Baldór olha para Aaron, que estava olhando fixamente para os dois que não se poderia ser chamados de homens ao certo, levanta sua espada e aponta para o homens, porém Aaron ainda olhando fixamente fala:
— Abaixe isso, é inútil, ninguém pode os feri-los.
— Como vamos saber se não vão nos matar? – Baldór pergunta com um pé atrás.
— Se quisessem nos matar, já estaríamos igual ao carroceiro. – Responde Aaron.
— Os homens devem entrar na carruagem. – Uma voz sombria e maligna surge na cabeça de Baldór e Aaron.
— O que é isso?, saem da minha cabeça. – Grita Baldór caindo de joelhos no chão batendo em sua cabeça, Aaron no entanto estava em pé e encarando os dois seres que estavam com os olhos vermelhos à brilhar.
— Quem à dirigirá? – Questiona Aaron aos seres.
— O homem nela. – Murmuram os seres como se fosse uma voz só.
— Qual, os que vocês estouraram os miolos? – Questiona Aaron.
— A morte não é o fim nessas terras!, olha você mesmo. – Falam os seres para Aaron.
Aaron vira a cabeça lentamente para trás e vê o homem que estava sem a cabeça e morto antes segurando as cordas dos cavalos, ele não parecia estar vivo, apenas se mexia, como se fosse uma marionete, Aaron se lembrava das história que lhe contavam quando mais novo, claro que ele não acreditava, como um povo das terras quentes poderiam viver nas terras gélidas?, mas agora já não tinha tanta certeza. Baldór levanta-se tonto e cambaleando indo em direção da carruagem, Aaron vai logo em seguida, fica observando os seres desaparecerem lentamente em sua frente como a fumaça que saia de sua boca por causa do frio e o quase homem que iria guia-los numa jornada que ele não tinha certeza se voltaria vivo, ou mesmo se voltaria. Eles entram, a carruagem começa a se mover, ouve-se apenas o relinchado dos cavalos, um silêncio permanecia ali, uma duvida!
— O que eram aquilo? – Pergunta Baldór tremulo.
— Lembra quando éramos criança e nossas amas contavam histórias de terror? – Pergunta Aaron.
— Não muito bem, eu tinha minhas próprias histórias! – Responde Baldór encarando Aaron.
— É como se todos os medos de infância voltassem a tona, os nossos demônios mais profundos nos atormentassem. – Diz Aaron.
— E como se foge deles? – questiona Baldór.
— Não tem como fugir, apenas enfrenta-los. – Aaron.
— E se não quiser lutar contra eles, e se ter medo de enfrenta-los? – Baldór.
— Ambos já vimos o que acontece, a pouco tempo! – Explica Aaron.
— O Carroceiro? , O que fizeram a ele? – Baldór questiona.
— Eu não sei, mas espero não descobrir ao chegar nos vulcões. – Aaron.
A Carruagem para novamente.
— O que será agora? – Diz zangado Baldór.
— Desça! – Aaron.
O brutamontes desce novamente da carruagem e retorna instantes depois.
— E então? – Pergunta o jovem de cabelos violetas.
— O nosso amigo ali congelou. – Responde Baldór.
— Como pode congelar se nem mesmo sangue quente ele tem em seu corpo?
— Nem mesmo um “East” pode sobreviver ao frio que as montanhas trazem Aaron.
— Apenas os fortes sobrevivem! – Aaron.
— O que faremos senhor?, prosseguiremos? – Questiona Baldór olhando para Aaron nervoso.
— Pode ficar calmo, não ira comandar a carruagem.
— Cheguei a pensar que me mandaria para fora. – Fala Baldór dando gargalhadas.
— Não agora, as sombras já estão se pondo, irei adormecer.
— Não agora?!
— Cale a boca!, Ou dormira com os lobos.
— Aaron, Aaron, acorde, as sombras já nasceram – Diz Baldór em seguida Aaron aponta sua adaga na garganta de Baldór que paralisa-se de medo — O...O que esta fazendo?
— Por que me acordou?, estava sonhando como seria atravessar minha adaga no pescoço de Dasan e Tarlett.
— A Carruagem começou a andar novamente.
— A quanto tempo?
— A alguns instantes antes de você despertar.
— E como você não me acordo antes?
— Você coloca uma adaga em minha garganta e fala pra não lhe acordar!
— Diga caro Baldór, tens medo da morte?
— Por que não teria?
— A morte nem sempre é ruim.
— E quando ela pode ser boa?
— Quando meus inimigos morrem, essas mortes são boas!
— Mas não sou seu inimigo Aaron.
— Mas queria que fosse.
A Carruagem para novamente.
— Já chega!, Baldór siga-me para fora dessa carruagem.
— Para onde você esta indo?, não podemos achar esses vulcões sem o carroceiro morto-vivo.
— Então corte a sua cabeça, não precisamos dele inteiro!
— Pronto, aqui esta sua cabeça! — Diz Baldór.
— Arranque um pedaço de vestes dele e coloque nela. – Vamos andando, ou os Nyme..rs podem nos achar.
— O que vocês putos estão fazendo por essas bandas? – Pergunta o Nymers, com uma estrutura grande, ombros largos e com armaduras de couro sobre elas, uma grande fivela em seu peito com um crânio emoldado nela, barba longa e cabelos negros junto com mais três outros.
— Não queremos problemas. – Baldór.
— Você não me respondeu, o que foi?, as putas de suas mães não ensinaram que tem que responder os outros? – Fala o Nymers gargalhando.
— Nymers do leste, tem a fama de bárbaros e de Canibais, verdadeiros monstros, porem... – Aaron.
— Porem...?
— Porem não são corações gélidos! – Diz Aaron que em um único golpe mata o Nymers em sua frente, degolando o segundo rapidamente, os outros dois Nymers sacam seus machados e dão passos para trás, Baldór logo puxa sua grande espada.
— Para trás, eles são meus. – Diz Aaron com um sorriso sádico, o jovem Korgan para e observa-los, da um, dois , três passar e derrota sem esforços os dois.
— Por que sempre fica com a melhores partes?
— Vamos prosseguir. — Aaron.
— Eu não sei vamos, e muito menos onde estou! – Diz Baldór zangado.
— Fique calmo, estamos próximos as cordilheira do lobo.
— Aaron, eu já não sei quantas a luas-cinzas estamos perambulando por essa neve, já não sei se posso mais confiar no que meus olhos viram.
— Pois acredite, olha para aquele lago.
— O que tem ele?
— Um lago liquido em uma terra fria.
— O que isso significa?
— Estamos próximos, mais uma lua-cinza e estamos no nosso destino. – Diz Aaron – As sombras estão indo, vamos achar um lugar pra ficar e acender uma fogueira.
— Achei uma caverna – Grita Baldór de longe.
— Vá atrás de algo para comer, irei procurar lenha.
— Certo.
O jovem de cabelos lilás acende a fogueira com o calor de sua adaga, e fica a olhando para ele, indagando sobre o menino Lucano.
— Onde você está? , Onde você está? – Sussurra Aaron.
— O que você falou? – Pergunta Baldór, com um cervo em suas costas.
— Limpe-o e vamos comer.
— Estou cheio! – Diz Baldór com uma costela de cervo na mão.
— Você o devorou sozinho, parece um glutão. – Diz Aaron sorrindo. – Vou descansar.
Ao nascer das sombras mais tarde, Aaron levanta-se com o uivo dos lobos, devagar, ainda com os olhos a abrir, com uma brisa soprando e ecoando a caverna em que estava, porem da um pulo do chão ao sentir a ausência de Baldór, ele fica confuso pois a espada dele estava ali, olha para o chão e vê mais de um rastro de pegadas, ele os segue da caverna até ela sumir completamente da neve, ao seu redor tinha pinheiros que eram mais altas que as próprias montanhas, e a sua frente um morro com pedras acidentadas, ele pensa em instantes se vai se aproximar, decide que sim, mas antes de dar o primeiro passo, é derrubado por uma corda entre as arvores, em seguida surge um pequeno bando de cinco Nymers de trás de um dos pinheiros, de trás das pedras mais cinco, um deles com um crânio de um Urso em sua cabeça formando um Elmo se aproxima de Aaron que foi amarrado pelos outros e retirada a sua adaga e fala.
– Então foi esse verme que matou seu pai e nosso irmão-de-caça? – Pergunta o homem com cabeça de urso para o menino Nymers que tinha visto por trás dos morros de neve a morte dos seus.
— Sim, foi esse puto e o outro grandão! – Fala o menino ai aparecer sorrateiramente entre os nove Nymers que cercavam um pouco distante Aaron.
— O que você quer fazer com ele?, cortas suas bolas, escalpela-lo, decapita-lo ou o devoramos? – Pergunta o selvagem ao menino, dando gargalhadas no final.
— Todos de uma vez! – Responde o menino descarnado com um machete enferrujado com sangue nele. Soltam um urro simultâneo, fazendo com que as neves caiam do topo das altas arvores ao redor.
— A caça está quase completa meus irmãos, essa noite comeremos uma lebre e um lobo, tragam o outro verme! – Ordena líder de uma das muitas tribos dos Nymers levantando seu machado ao céu. Então no mesmo instante Aaron responde com um breve sorriso olhando para ele.
— Diga-me o que é mais fácil de se domar, uma lebre astuta ou um urso instintivo?
— O que quer dizer com iss... – Diz o Nymers caindo a neve e gritando. — Minha cabeça!, O que é isso?.
— Eles nos ouviram, eles nos viram, eles nos sentiram, eles vieram! – Grita Aaron para os selvagens que estavam no momento já a se contorcer no chão, alguns partido sua cabeça ao meio com o machado, outros batendo a cabeça nas arvores e rochas, e se atacando como verdadeiros selvagens. Enquanto dois seres com olhos profundos e vermelhos se aproximam, as cordas que estavam amarrada a Aaron se partiram ao meio e Baldór recuperou a consciência.
— Sigam-nos – Surgiu uma voz horripilante em suas mentes.
Aaron e Baldór se levantam, limpam a neve em suas vestes e seguem o seres, depois de um tempo caminhando em silêncio, o seres se viram para Aaron que olha subitamente para seus olhos e diz. – O grande o espera Aaron, filho de Argalór.
Aaron perde a consciência lentamente e cai no chão olhando para as criaturas de olhos de fogo que o olhavam também.
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