As Crônicas de Ardak

1 Capítulo 1 - Joe Frost


Notas iniciais
Este capítulo vai ser apenas uma introdução de personagem, a história em si irá ser narrada em terceira pessoa. Espero que gostem ^^

Eu estava tremendamente exausto aquele dia... já estava procurando aquele desgraçado a mais de duas semanas e nada... O mal humor já estava começando a tomar conta do meu corpo. Fui até a taverna para talvez beber um pouco e descansar, o que acabou não sendo possivel pelo fato de eu estar sendo fitado por praticamente todos que estavam lá. Alguns por admiração, imagino, outros apenas por me reconhecer... talvez ódio? Quando me sentei no balcão um homem começou a falar comigo de um jeito que deixou todo o resto do bar em silêncio.

"Não seja mal-educado Joe Frost, todos aqui estão curiosos sobre seus poderes, ou será que é algo tão particular."

Respirei fundo para controlar minha raiva, naquela situação eu provavelmente espancaria qualquer um que me incomodasse. Me virei para trás e observei o homem, ele era alguns centimetros maior do que eu e usava um sobretudo negro, sua aparência era bem sombria, parecia até uma forma humana de um demônio, ou algo do tipo.

Encarando-o por algum tempo percebi também uma grande foice encostada a parede mais pra trás, presumi o óbvio, aquele homem era um necromante. Quando foquei minha atenção à foice eu pude perceber algo, todos os homens do local olhavam pra mim fixamente, suas expressões curiosas chegavam a ser rídiculas.

– Certo...certo, querem ouvir minha história??? Eu lhes contarei... ou pelo menos uma parte dela, afinal a parte mais emocionante e diferente da minha vida aconteceu durante minha infância... e eu realmente não me lembro de praticamente nada. "

– Enfim, minha história começou logo quando nasci... meus pais me abandonaram pois logo no momento que eu nasci uma aura estava saindo de meu corpo, fui taxado de monstro e tacado direto em um rio. Acredito que eu tenha sobrevivido graças a essa aura, mas o principal fator foi que eu fui achado por um casal de religiosos que estava passando por perto naquele momento. Eles não tiveram o mesmo preconceito de meus pais de sangue, pelo menos essa foi a história que me contaram. Com o tempo minha aura foi apagando até que eu parecia uma criança completamente normal. Por volta de meus 4 anos de idade essas pessoas que cuidaram de mim me botaram no caminho religioso... mas digamos que eu não combinava muito com esse estilo de vida, eu era um pouco... ér, agressivo demais para isso, aos 6 anos arranjei minha primeira briga, e o resultado não foi muito legal, eu havia espancado uma criancinha... uma criancinha que alias era muito maior do que eu, mas de algum jeito a força dela parecia um nada perto de mim. A principio não senti remorso, o problema de verdade foi que isso trouxe muitos problemas à meus pais adotivos, eles me expulsaram de casa... novamente, e dessa vez não era nem culpas deles, eu realmente havia feito merda. Quando eu estava vagando pela cidade um padre da igreja local me encontrou e começou a conversar comigo, lembro de poucas palavras, coisas do tipo: "Seus poderes são especiais." "Venha comigo, lhe ensinarei a usa-los." A partir dai não lembro de praticamente nada, sei que viajei por horas até uma espécie de templo, um templo enorme, cheio de monges. Lá me ensinaram que algumas pessoas eram escolhidas por Deus para terem poderes especiais, então fui treinado durante anos para controlar minha aura. Por um tempo foi tudo tranquilo, até que um dia durante o treino eu fui socar o professor e meus punhos pegaram fogo, causei muitos danos ao meu mestre e por isso foi expulso da academia e ainda por cima chamado de cria do demônio. Comecei novamente a vagar pelo mundo, por algum tempo eu consegui viver através do roubo, roubava o que eu precisava comer e continuava vagando, até que um dia eu não aguentava mais de fome e desmaiei. Desmaiei enquanto caminhava a beira de uma ponte. Pela lógica eu cai encima de um barco de pesca, pois acordei algumas horas depois fedendo a peixe e a paisagem do local havia mudado completamente. Me largaram no que parecia ser um País de gelo, e mesmo com as poucas roupas que eu usava eu não sentia frio algum, parecia que o calor vinha de dentro do meu corpo. Minha vida de ladrão continuou por algum tempo, até que algo marcante aconteceu novamente... eu estava roubando um pouco de comida de uma casa nobre até o momento em que escutei os gritos de uma garota, os gritos vieram de dentro da casa. Logo em seguida a garota saiu correndo pela porta com dois homens atrás dela. À segui sem me perceberem até uma parte da floresta, onde a garota havia sido encurralada, ela estava chorando sem parar, parecia realmente que aqueles homens queriam causar mal a ela. Não pensei duas vezes, eu queria usar aquele poder que apenas me trouxera sofrimento até os dias de hoje para fazer pelo menos uma coisa boa... Meus punhos ficaram em chamas e eu defendi a garota com os mesmos. Eu comecei a perceber que esta habilidade também trazia problemas para mim, eu me machucava a cada soco que eu dava enquanto estivesse com os punhos pegando fogo. Mas enfim, isso não interessa tanto, o que importa é que eu havia matado os homens e logo voltei para me despedir da garota.

Bom... foi nesse momento que começou minha jornada... o motivo de eu estar aqui hoje contando essa história à vocês foi graças a atitude dessa garota... ela não parecia assustada comigo, apenas pediu para eu esperar e dizer a ela meu nome. Nessas poucas palavras começou a única amizade que já tive em toda minha vida, na mesma noite invadimos a casa dela para roubar um pouco de comida e cobertores. Nunca perguntei o motivo de ela ter fugido, cada um tem sua história, algumas machucam... outras não. Na dúvida basta ficar quieto. Moramos por um tempo em uma cabana que ela conhecia, se não me engano essa cabana pertencia a seu tio, algo do tipo. Sobrevivemos protegendo um ao outro, com o tempo descobri que a garota também havia poderes sobrenaturais, o oposto dos meus na verdade... enquanto eu destruía tudo que tocava ela curava quase que instantaneamente. Com o tempo fui me apaixonando por essa garota, e este sentimente foi mútuo. Com o passar dos anos fomos nos aproximando cada vez mais, eu havia desaprendido a viver sem ela. Mas pra variar, algo de ruim precisava acontecer, estava tudo indo bem demais. Um dia pela manha eu senti uma presença muito forte vindo da cidade, uma presença maligna. Corri o mais rápido possivel para ver o que estava acontecendo, tive o cuidado de não acordar Agatha, sim, o nome dela era Agatha, havia esquecido de comentar. Tive esse cuidado para não acordar Agatha pois eu temia que ela corresse perigo, não iria me perdoar se algo acontecesse com ela. Quando cheguei perto da cidade a primeira coisa que vi foi colunas e colunas de chamas, demonios estavam destruindo tudo que tinha pela frente, exceto um em específico... o maior de todos, eu lembro exatamente da aparencia do desgraçado... ele era enorme, talvez tivesse uns 10 metros, tinha um corpo que se assemelhava muito a um corpo humano. Sua pele era negra, alguns detalhes de seu corpo eram vermelhos cor de sangue, meu corpo praticamente congelou ao ver aquela imagem, eu estava aterrorizado. O problema de verdade é que ele estava destruindo a antiga casa de Agatha... e ele percebeu minha presença. O monstro se virou para mim e perguntou onde estava a "mortal." Meu corpo voltou a responder quando caiu a ficha de que ele estava atrás da Agatha. Na mesma hora meus braços pegaram fogo e minha aura tomou forma, tomou uma forma tão gigantesca de um jeito que nunca havia acontecido anteriormente. Lutei contra o demônio com todas as minhas forças, mas era inutil... meus ataques não faziam nem cócegas no desgraçado... e ele nem se preocupava em me atacar, ele literalmente não sentia nada. Ele apenas continuava perguntando interruptamente "ONDE ESTÁ A MORTAL?" Minha raiva aumentava cada vez que eu ouvia essa frase. Pelo visto a dele também... uma hora sua paciência esgotou e ele simplesmente apontou seu dedo para mim, uma energia roxa saiu pela ponta e perfurou meu corpo como se fosse papel. Graças a meus reflexos eu consegui me mover para o lado... perfurando e queimando completamente o lado direito de meu peito. Segundos depois a pior coisa possivel aconteceu... olhei para o lado com esforço para me manter acordado e consegui ver Agatha gritando desesperada vindo na minha direção. Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa eu ouvi apenas uma risada grotesca e vi a garota sendo levantada pelo Demônio... em um piscar de olhos vi os dois desaparecendo numa espécie de fenda dimensional. Meus olhos se encheram de lágrimas e minha aura explodiu em chamas. "AGATHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!" Gritei em desespero, toda a neve e vegetação que havia perto de mim havia sido derretida e queimada. Algumas horas depois eu voltei para nossa antiga cabana com os olhos ainda cobertos por lágrimas e uma vontade de viver que praticamente não existia. Meus passos eram pesados, minhas respiração tão quanto... meu coração parecia estar em pedaços, ele doía tanto que o ferimento em meu peito parecia apenas um arranhão. Quando entrei no chalé para pegar minhas coisas e partir eu me deparei com um baú... dentro desse báu estava um casaco preto com detalhes em dourado. O casaco estava acompanhado de uma carta: "Sei que as chances são baixas de ti pegar um resfriado, mas não quero meu bobo andando na rua sem roupa alguma, fiz esse casaco especialmente pra ti, tenta não queimar ele, ok? Te amo... meu esquentadinho idiota." Eu não conseguia parar de chorar enquanto lia a carta... Consegui parar apenas quando cheguei ao final... meu olhar de tristeza se tornou um olhar vingativo, retomei minha postura e coloquei o casaco por cima de meu corpo. Parti imediatamente sem olhar para trás, comecei a treinar todos os dias desde o incidente. Eu procurava informações sobre esse demonio em cada cidade que eu passava, até que finalmente tive sucesso. "A criatura que desejas encontrar estará no Reino de Drakeon, mas cuidado... ir atrás dela atualmente será apenas uma maneira de desperdiçar sua vida."

– E é assim que estou aqui hoje... e pretendo carbonizar qualquer coisa que ficar em meu caminho.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.