O Sol brilhou no céu, iluminando a grande floresta de Gravity Falls, o lago, o Solar Northwest, a pequena cidade…

E a icônica Cabana do Mistério, com seu cata-ventos, totem, o humilde carrinho de golfe e aquela grama verde e fresca, regada na noite anterior pela chuva. O cheiro de terra úmida traria uma sensação de paz e energia para qualquer um que visitasse aquele lugarzinho tão peculiar, mas não era esse o caso em questão; a cabana estava fechada para visitação e o clima geral era de tristeza.

Mabel Pines havia velado Aethel a noite inteira, chegando a cochilar algumas poucas vezes, mas sempre acordando e retomando aquilo que, segundo ela, era um dever para com aquele que lhe protegera mais de uma vez.

Os olhos da garota estavam sonolentos e ainda mostravam sinais das lágrimas que, ao longo daquelas horas dolorosas, haviam regado sua face.

Aethel ainda dormia profundamente, então não presenciou a chegada de Merlin, com seu lindo manto azul celeste, sapatos azuis e confortáveis, chapéu azul em forma de cone, óculos redondos e uma barba que, embora um pouco desgrenhada, mostrava sinais claros de cuidados regulares.

Mabel olhou para o gentil senhor e lhe pediu:

—Por favor, o senhor pode curá-lo?

—Nem tudo se resolve com magia, minha cara. Uma noite de sono e uma xícara de chá é tudo que ele precisa. Claro, talvez um pouco de distração pudesse fazer ele se sentir ainda melhor… ouvi a respeito de uma adorável garota que adora açúcar e gosta de alegrar as pessoas.

—Adorável? Eu? Eu não fiz nada além de atirar uma flecha nele.

—E graças a isso, todos estão sãos e salvos. Inclusive ele – disse Merlin, com delicadeza – por você ter confiado nele no momento mais difícil.

—Ele está tão ferido, eu queria fazer algo.

—A cruz que ele carrega ficará ainda mais pesada, senhorita Mabel. Minha mágica poderia curar suas dores físicas, mas não preencher o vazio em seu coração. Mais do que isso, Aethel ficaria furioso se eu o curasse. Uma vez ele me disse que era “anti-natural”... e tinha razão, hahaha.

—Então, o que podemos fazer? – perguntou Mabel, sem tirar os olhos do rapaz adormecido.

—Me diga a senhorita – disse o mago, sorrindo docemente – como faria para animar alguém que está triste e machucado?

—Ele me mostrou um teatro de fadas…bem…e uma vez eu fiz um teatro de meias…

—Um teatro de meias é uma excelente ideia. Ele ficaria muito alegre.

Enquanto os dois conversavam sobre o teatrinho, Aethel acordou, dolorido, mas insistindo para se levantar…

Até que Mabel Pines o deteve colocando as mãos em seus ombros e dizendo com a determinação de uma leoa protegendo os filhotes:

—Você vai ficar deitado até melhorar!

—Mabel, Gael está aí fora, em algum lugar, com duas partes do objeto mais poderoso e perigoso do mundo. Me perdoe, mas o dever me chama.

—Se você sair dessa cama, vou pedir ao Merlin para te transformar em esquilo; depois vou te trancar em uma gaiola!

—O quê? Merlin não faria algo assim, não durante uma crise tão grave!

—Isso é uma aposta? – perguntou o mago, que já se divertia com a cena.

O rapaz se mostrava impaciente quando, com cordialidade, o grande mago falou:

—Meu rapaz. Mabel está preocupada com sua saúde. Um pouco de descanso lhe fará muito bem. O que poderá fazer para deter Gael, estando neste estado?

Sem ter o que responder, pois seus curativos e dores o denunciavam, Aethel apenas resignou-se:

—Então, sou como Luís, preso no Templo? Muito bem… talvez descansar um pouco me faça bem… enquanto isso, talvez Merlin deseje falar com Dipper, que deve estar atrás do diário 3.

—O diário 3? É verdade, ele foi roubado! – disse Mabel, que já havia se esquecido do fato.

Antes que a garota fizesse mais perguntas, Merlin foi atrás do pobre Dipper, que merecia explicações (além disso, o mago sentia que Aethel e Mabel mereciam um momento a sós).

A garota despediu-se de Merlin e, logo em seguida, questionou seu “paciente impaciente”:

—Sabe… eu não questionei na hora, mas me lembro que os 3 diários foram jogados no poço sem fundo… então como é possível que o Dipper tenha recuperado o diário 3?

—Mabel… eu trouxe o diário 3 comigo e Luna o deixou na cama do Dipper, quando ele não estava no quarto.

—Então estavam com você? O tempo todo?!

—Merlin me entregou o diário 3, mas não sei dizer onde estão os outros 3 diários.

—Você quer dizer os outros 2 diários.

—O quê? Ah, sim… vocês ainda não sabem daquele… melhor deixarmos isso de lado. Você estava falando de um teatro de marionetes?

—É verdade! Vou fazer um teatro de meias para você, apenas espere.

Antes que ela saísse, Aethel segurou sua mão esquerda e ambos se olharam, em silêncio, desejando dizer algo que, talvez, seus corações ainda não estivessem preparados; Mabel não tinha mais dúvidas sobre a real natureza desse sentimento que, com tanta força, fazia seu coração bater rápido, mas o racionalismo do rapaz ainda o tornava um calouro em assuntos do coração.

Sorrindo, Mabel se aproximou e pediu que ele não saísse da cama, se não quisesse que ela o amarrasse com camisa de força, ao que ele respondeu com um balançar de cabeça.

Saindo do quarto, a garota chamou os residentes da Cabana do Mistério e contou seu plano de fazer um teatro de meias.

Soos e Melody poderiam cuidar do cenário, Ford e Stan cuidariam das luzes e efeitos especiais, enquanto Luna e Tristan seria parte do elenco e, portanto, iriam contracenar com as meias.

Com a ajuda de Wendy (que ajudaria cortando madeira para o grande cenário) e Waddles (que faria uma fada madrinha), a equipe estava pronta, faltando apenas Dipper e Arquimedes, que tinham assuntos a tratar com Merlin e não poderiam comparecer.

Mabel estava animada com aquela apresentação que, sem perceber, já estava adicionando “elenco com atores”, fogos de artifício (o que, em uma floresta e sem autorização da justiça, era legalmente questionável) e inúmeros outros recursos que tornariam aquela simples peça de meias em uma grande produção, digna de um DeMille.

A garota trabalhava duro em seu grande projeto,sendo ajudada por todas aquelas pessoas maravilhosas que, em seu coração, sabia serem parte de sua família e ao longo de várias horas, todos seguiram seu exemplo para fazer um show que Gravity Falls jamais seria capaz de esquecer (e não esqueceria, já que Stan teve a brilhante ideia de convidar a cidade inteira e cobrar ingressos! – aquela apresentação estava crescendo demais).

Enquanto isso, Dipper conversou com Merlin e, por fim, desistiu de procurar o diário 3, crente de que, na hora certa, ele apareceria; estava na hora do gêmeo ajudar sua irmã com aquele sonho megalômano de apresentação teatral digna da Broadway.

Em tempo recorde, um grande palco foi erguido em frente a Cabana do Mistério, com madeiras cortadas por Wendy e Soos (que se restringiu a carregar as pesadas toras, não tendo cortado mais que pequenos gravetos) e ajeitadas prodigiosamente por Melody; podia-se ver o resultado de todo aquele trabalho formidável.

As belas cortinas azuis haviam sido “emprestadas” de um cassino que fora, poucos anos antes, visitado por Stan.

Não compensa falar dos demais detalhes da superprodução de Mabel Pines, de seus tivôs cuidando da iluminação, de Tristan e Luna fantasiados de príncipe e princesa e dos vários bonecos feitos com meias coloridas; o espetáculo estava pronto para superar as maiores noites circenses do velho Barnum.

“Como vai se chamar o show?”, perguntou Ford, ao que a garota respondeu, “Meu Príncipe Encantado.”

***

Na grande noite de estréia, Mabel estava trajando um lindo vestido rosa coberto de lantejoulas vermelhas, lindos sapatinhos vermelhos e uma coroa feita de cartolina e papel dourado que, junto a uma bela varinha de condão branca com estrela amarela (e cheia de purpurina dourada), faziam da garota uma figura adorável em todos os aspectos.

Porém, poucas coisas poderiam chamar mais a atenção de todos do que Stan; com a lábia de um mafioso de Las Vegas, o homem empurrava “bonequinhos do Stan”, lembrancinhas variadas da lojinha e, para completar, aumentava o valor dos ingressos (que custavam meras 8 pratas) pelos mais diverso motivos…

“Bebês pagam o dobro”, “quem usa óculos precisa pagar 5% a mais pelos impostos”, “é proibido tirar fotos ou filmar; fotografias e vídeos estarão à venda depois do espetáculo!”, dizia o homem, enquanto ria igual a um diretor de colégio (o que sua sobrinha-neta achava “fofucho”).

Logo os ingressos passaram de 8 a 18 pratas; o show de Mabel havia sido tomado por uma onda inflacionária ainda pior que a do Brasil: a inflação Stanley Pines!

Sem se importar com os detalhes, Mabel viu toda a cidade se reunir, incluindo os familiares de Wendy, Robbie e Tembry (que estavam de mãos dadas; ainda eram um casal) e, para coroar (ou azedar), Gideão Gleefu (que só conseguiu entrar após pagar 28 pratas!).

Tudo preparado, Merlin e Dipper subiram até o sótão e buscaram Aethel que, não desejando mostrar mais fraqueza, estava se apoiando em uma linda bengala de ébano com detalhes em prata e uma coruja prateada no topo (cortesia do mago).

Quando viu o rapaz que amava se sentar na arquibancada da frente, Mabel suspirou e disse para si, “que comece o espetáculo”...

E o espetáculo começou com maestria.

Waddles voou no palco vestido de fada e fez seus divertidos “roics”, sinalizando a abertura das lindas cortinas de cetim azul, de onde surgiu um conjunto de meias delicadamente costuradas e decoradas para se parecerem com Mabel, Dipper, Stan, Ford, Soos e Melody.

Os personagens encenavam a chegada de Dipper e Mabel a cidade de Gravity Falls e seguiam para um novo cenário, onde estava acontecendo uma linda festa, cheia de purpurina azul e amarela, iluminação de primeira e uma bonita música de fundo (interpretada pelo grupo Sev'ral Timez, que aceitou de bom grado fazer as canções ao vivo).

Enquanto movimentava os bonecos de meias, Mabel fez sinal para que a cena seguinte começasse, então entrou Stan, toscamente vestido de elfo sombrio (embora, curiosamente, também usasse um chapéu pontudo e nariz de bruxa), em frente a um cenário ricamente decorado com flores vermelhas e amarelas, fotos dos integrantes do Sev’ral Timez e mais algumas de Waddles (usando as mais variadas fantasias, como mordomo, político, super-herói e até uma de presidente!).

Enquanto tivô Stan falava seu texto, Rubbie não conseguiu se conter:

—Hahaha, ai galera, vejam só o cara! É Groucho Marx da decadência! Hahaha.

—Escute aqui, seu moleque! Mais uma gracinha dessas e eu esfrego o chão com a sua cara! – disse Stan, para riso geral da platéia.

—Stanley! – sussurrou Ford – Se comporte, por favor, pela Mabel!

Stan se recompôs, deu alguns risos dignos de um político exposto por corrupção e se retirou, acenando para que o show continuasse.

Tristan e Luna interpretavam a si próprios na peça, ao lado das meias multi coloridas e estilizadas por Mabel, mas a garota pediu que eles fizessem uma valsa juntos (na verdade, a menina queria dançar com Aethel, mas como ele estava na platéia e ela precisava conduzir toda a peça, ficou impossível realizar seu desejo – ou como se diz, sem poder contar com o original, Mabel abraçou o genérico).

O casal rodopiava no palco lindamente, como dois pequenos sóis rodeados de estrelas, mas foi preciso focar as luzes do palco nos dois e ligar um monitor atrás deles, caso contrário, quase ninguém poderia ver os pequenos dançarinos.

As coisas estavam indo bem, com muitas risadas e aplausos de toda aquela multidão que, apesar de ter sido espoliada por Stan, ficara fascinada com aquela peça única.

De repente, as luzes se apagaram e Mabel entrou, ainda usando aquele lindo vestido, coroa e varinha, para começar um breve monólogo:

—Embora o destino desejasse que o casal vivesse em um lindo castelo rosa, cheio de unicórnios que não são como a Celestabelleabethabelle, fadas coloridas que não vomitam e um exército de Waddles… as forças do mal não queriam permitir que o amor vencesse; assim, o valente Dipper terminou no hospital, enfaixado…

Após dizer essas palavras, Dipper apareceu vestido de múmia (embora as faixas fossem de papel higiênico biodegradável), o que provocou um verdadeiro dilúvio de lágrimas; as pessoas, literalmente, choravam de tanto rir.

Aethel, que até aquele momento havia permanecido tranquilo, começava a dar suas primeiras gargalhadas, embora de forma leve, pois percebia o constrangimento de seu amigo.

“Mabel!”, disse Dipper, “eles estão rindo! Já posso sair agora?”, perguntou o rapaz, apenas para receber um firme “não”, da parte da garota, que ainda precisava seguir com a cena.

“Sim, meus amigos, o valente cavaleiro foi ferido pelo elfo malvado”, dizia Mabel, com ares de suspense, “mas o pior ainda estava por vir…”, com isso, as cortinas se fecharam e, após se abrirem novamente, surgiram Soos, Melody e Wendy, maquiados e trajados como zumbis.

“Eu vou te salvar, minha Mabel!”, disse Gideão, aproveitando a oportunidade rica, mas logo se deteve, quando viu Ford abrir seu casaco e mostrar uma arma de raios carregada.

Após o senhor Gleeful se acalmar, Ford começou a atirar nos “zumbis” com uma arma de paintball carregada com tinta azul, simulando a batalha épica do dia anterior.

Para encerrar aquela grande apresentação, houve uma explosão de fumaça rosa e Waddles apareceu no palco, vestido de super-herói (com uma camisa azul e uma linda capa vermelha insubstituível), para deleite de Mabel, que começou a falar:

—Com seu imenso poder fofo, o super Waddles derrotou os zumbis, o elfo e todas as demais forças do mal que queriam impedir o casamento dos dois apaixonados! – disse ela, com um sorriso invejável no rosto – agora o casamento podia ser realizado de uma vez!

Neste momento, o porquinho puxou uma corda que trouxe o grupo Sev’ral Timez para o centro do palco; logo os rapazes começaram uma canção que, tão poderosa quanto a magia de Merlin ou Gael, grudou na mente de todos da plateia.

De repente, Tristan e Luna apareceram durante o show daquele grupo pop…

Mas fantasiados de Mabel e Aethel!

Luna usava um pequeno suéter rosa e Tristan usava um gibão verde e também portava um pequeno arco nas costas.

“Acreditem no amor, galera”, encerrou Mabel, “com ele, não tem horda de zumbis que possa nos parar; é isso ai!”.

O show havia terminado, mas o grande mago ainda tinha algo para fechar o dia com chave de ouro…

Uma linda chuva de estrelas luminosas que, caindo sobre a cabana, o palco e a platéia, encheu a todos de felicidade; inclusive um Dipper que, após terminar suas cenas, estava diante de uma Pacífica ruborizada, mas cheia de coisas belas para dizer.

Enquanto o jovem Pines olhava a senhorita Northwest (que viera sozinha assistir o espetáculo, já que seus pais jamais concordariam com aquilo), Aethel caminhou até Mabel e, antes que ela dissesse qualquer coisa, abraçou-a com ternura; a hora parecia adequada e as condições favoráveis.

Olhando para aquela garota, Aethel disse, carinhosamente:

—Mabel… você é uma Sarah Bernhardt movida a açúcar.

—O melhor dos grupos básicos – disse ela, rindo graciosamente.

***

Após todo aquele show, a Lua já estava no céu e todos haviam se retirado para seus lares, a exceção de Merlin, que conversava com Arquimedes:

—A hora está chegando, Arquimedes. Gael virá atrás dele em breve.

—Devemos protegê-lo! Vamos cercar a casa com pêlos de unicórnio!

—Não. Se fizermos isso, Gael vencerá, com certeza… ele já tem todas as peças do coracor… só temos uma opção, se quisermos vencer esta guerra terrível.

—Qual? Atacar o mago diretamente? – perguntou a coruja.

—Não, Arquimedes… devemos entregar Aethel nas mãos de Gael, ou será o fim de tudo.

Notas finais
Luís, preso no Templo: Aethel se referiu, em tom de exagero, ao período em que o rei Luís XVI da França (1754-1793) ficou preso com sua família na chamada "Prisão do Templo", uma fortaleza medieval, durante a Revolução Francesa. A prisão do rei ocorreu após a "jornada de 10 de agosto de 1792", que terminou por derrubar a monarquia e instaurar a república na França Os diários e o Poço Sem Fundo: Na série original, os diários são destruídos por Bill Cipher. A recuperação dos diários não é vista na série animada, mas é descrita no livro "O diário perdido" (Hirsch, Alex. 2018); para resumir, após a queda de Bill, sua obra é desfeita e os diários voltam a existir. Após uma linda cerimônia na fogueira, os diários são atirados no Poço Sem Fundo. DeMille: Cecil Blount DeMille, mais conhecido como Cecil B. DeMille (1881-1959) foi um cineasta americano, um dos 36 fundadores da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Dentre suas obras, destacam-se os ótimos "Sansão e Dalila" (1949) e Os Dez Mandamentos (1956). Broadway: Avenida da cidade de New York. Nela estão inúmeros teatros famosos, com produções premiadas. Barnum: Nascido Phineas Taylor Barnum, P.T. Barnum (1810-1891) foi um famosos showman e empresário norte-americano do ramo do entretenimento. Tornou-se lendário ao criar o chamado "maior espetáculo da Terra", em seu circo. Sev’ral Timez: Citados brevemente em capítulos anteriores, a dublagem brasileira os nomeou por "Sem Parar". Mantive "Sev’ral Timez" porque, além de original, foi o que apareceu nos "folhetos, textos e pôsteres" do grupo, vistos na série. Groucho Marx: Nascido Julius Henry Marx (1890-1977), Groucho Marx foi um ator e comediante estadunidense renomado. É surpreendente que Robbie tenha sido capaz de citar esta lenda do humor, já que, ao longo da série, não mostrou grande inteligência ou interesse em história. Sarah Bernhardt: Nascida Henriette Rosine Bernard (1844-1923), Sarah Bernhardt foi uma grande atriz francesa. "O melhor dos grupos básicos": Mabel está fazendo uma brincadeira com a pirâmide alimentar.