Na manhã seguinte ao diálogo no depósito, Salazar e Gaius invadiram o senado com uma tropa composta por trinta homens armados com mosquetes e baionetas, logo rendendo os senadores.

Prosseguindo com seus intentos, o ditador prendeu Túlio e quase um terço do corpo senatorial, garantindo assim o controle total da instituição.

De forma impiedosa, James apresentou sua lei aos assustados senadores que, sem escolha e ameaçados pelos soldados, a aprovaram sem questionar: na prática, aquilo significava, formalmente, o início da inquisição ghalaryana.

O próximo passo do ditador foi dar ordens aos demais oficiais a seu serviço que cercassem a grande Catedral de Ghalary e prendessem os clérigos murmuradores.

A seguir, Ambrósius seria forçado a coroar Salazar como novo imperador em uma cerimônia pública, muito em breve.

Os homens seguiram as ordens diligentemente, seguidos por seu mestre, mas o chefe da igreja não curvou a cabeça ante a exigência criminosa do 2° cônsul:

— Como se atrevem?! Salazar, seu traidor! Não admitirei essa afronta dantesca a casa de Deus!

Sem esperar por mais murmurações, o ditador deu ordens para que Gaius entrasse, o que o homem fez sem pestanejar, trazendo consigo um prisioneiro: Marcos Aurelianos, o Mestre de Justiça.

Marcos já estava na casa dos sessenta anos, denunciados por seus cabelos grisalhos, face enrugada e pálida; porém, eram seus olhos azuis e afrontosos que detinham a atenção de Salazar:

— Não gosto de sua expressão, Aurelianos. Porque me olha assim?

— Porque traiu nosso império, Salazar; seu trabalho era zelar pelas instituições, não destruí-las e tomar o que restou.

— Cale-se, idiota – ordenou o ditador – Suas esperanças estão mortas com a “criança coroada”! Agora, meu nobre Ambrósius, você vai me coroar assim que possível, caso contrário, Marcos não verá a luz do dia outra vez! Estamos entendidos?

O clérigo assentiu com a cabeça, pois não desejava que o Mestre de Justiça padecesse naquele dia sombrio.

As notícias logo correram a capital, chamando a atenção de uma certa coruja que sobrevoava uma padaria: Arquimedes.

A ave ficou muda ante a notícia do golpe de Estado orquestrado por Salazar, as ameaças a Ambrósius (um homem da igreja!) e o absurdo decreto contra os magos e bruxas do império; mas foi a morte de Aethel que mais tomou sua atenção, assim como do povo.

As pessoas choravam nas ruas, os anciãos cobriam os cabelos com terra e vestiam-se com roupas feitas com panos de saco.

Naquele dia, as aulas de cada colégio e universidade da capital foram suspensas e os alunos juntaram-se à multidão de artesãos, artistas, eruditos, comerciantes etc., para chorar por seu falecido imperador.

Arquimedes voou até a torre de Merlin, onde o mago costumava perder (ou ganhar) tempo com sua pilha de volumes sobre aritmética, retórica, história antiga, enciclopédias, etc.

— Merlin, Merlin! Não sabe o que estão dizendo na cidade?! Como pode estar tão calmo!

— Sei de tudo, Arquimedes – sorri o Mago – Não vejo problema algum nisso.

— Não vê problema?! – questionou a coruja, furiosa – Como pode dizer uma coisa dessas, seu velho caduco! Não tem coração?

— Ora, vamos, meu caro Arquimedes – disse o feiticeiro, com semblante sério – Isso acontece em toda parte! Já passamos por isso várias vezes, logo as coisas voltam ao normal, haha, confie no povo.

A coruja não entendeu patavinas, o que fez sua fúria crescer:

— O povo?! As pessoas não podem fazer nada, me entendeu? Elas agora vão viver a pior época de suas vidas!

— Com certeza – concordou o mago – Se algo não for feito, nem conseguirão mais pagar os aluguéis. Admita, hahaha, estávamos melhor com Vortigern, não estávamos? – riu o feiticeiro, enquanto ajeitava os óculos e bebia uma xícara de chá.

A coruja pousou na mesa de madeira e perguntou do que Merlin estava falando, ao que o sábio pegou o jornal da manhã e mostrou a manchete: “Imposto sobre o peixe sobre 26% devido a guerra contra Franco-Armânia”.

A ave olhou, incrédula, para o feiticeiro, enquanto tentava escolher as palavras certas:

— Não, não, não, Merlin! Não! Não estou falando disso, mas de algo muito mais sério: o golpe de Estado!

Merlin não entendeu, mas quando a coruja lhe explicou sobre tudo o que ouviu nas ruas, o mago se levantou e caminhou até a janela: com atenção, viu soldados pregando cartazes em algumas paredes e colunas helênicas.

Movendo os dedos, o mago gerou uma rajada de vento que arrancou um cartaz e o trouxe até sua torre, podendo comprovar as palavras da coruja: o golpe de Salazar, a inquisição e a iminente coroação; quanto a isso tudo, Merlin não interveio.

Quando, porém, o mago ouviu de Arquimedes que o inocente Aethel estava morto, o pobre sábio encolheu-se na poltrona e cobriu o rosto com seu manto azul.

Pela primeira vez em sua vida, Arquimedes viu seu amigo, Merlin, de coração contrito.

É natural que a coruja desejasse respeitar o sofrimento do feiticeiro, mas não havia tempo:

— Merlin, não sabemos o que Salazar fará a seguir. Temos que proteger as crianças… Ora, vamos, meu velho; sei que está triste, eu também estou, mas… As pessoas precisam de ajuda, você entende?

— Eu o abriguei – disse o sábio –, eduquei, alimentei e o vi crescer. Entende, Arquimedes? Ele era como um filho para mim… e se foi. E quanto a senhorita Pines? Se for mesmo verdade, ela vai se debulhar em lágrimas. Salazar, aquele grande… Seja quem for o responsável, cometeu um erro muito grave.

O mago ficou em silêncio, como se lembrasse de algo importante, mas logo voltou a si, compreendendo a futilidade de seu lamento; Arquimedes estava certo, afinal, e o ditador logo ameaçaria as vidas de Mabel e dos outros.

Tentando se recompor, Merlin levantou e abriu os braços, gerando um pequeno tufão que o engoliu junto com a coruja, sumindo no ar.

Na verdade foi uma sábia decisão, pois depois de quinze minutos os guardas de James entraram pela porta do recinto, armados com baionetas e prontos para pôr um fim ao professor de Aethel.

A era de Salazar já havia começado…



***

Enquanto isso, Mabel se encontrava sentada na cama, de cara amarrada e ouvindo com seus amigos uma velha canção folclórica, cantada por Beatriz.

James Salazar os havia aprisionado no quarto, mas o que pretendia fazer com todos eles era uma incógnita.

— Só posso imaginar o pior – suspirou Roland, com olhar sério – Talvez ele deseje nos usar como moeda de troca com nossos reinos, rainha Blair, mas quanto aos garotos…

— … não tem utilidade para ele, não é? – disse a garota, cabisbaixa.

Spud e Tucker propuseram usar uma de suas máquinas voadoras para espionar o 2° cônsul, mas Jazz recusou, tendo em vista que não possuíam nada que servisse para montar um novo equipamento. Além do mais, eram aparelhos grandes e passíveis de serem percebidos, a não ser de distâncias muito longas.

Dipper e Beatriz cogitavam fugir pelas janelas, mas a ideia morreu assim que viram um grupo de soldados armados com baionetas a postos:

— Precisam de algo, amigos? – perguntou um dos militares.

— Nã-não, não cara, valeu – respondeu Dipper, com um sorriso camarada.

A razão da educação do gêmeo era simples: o soldado, apesar da simpatia, não parou de apontar a baioneta para a janela, como se estivesse prestes a dar o disparo fatal.

De repente, um homem com uniforme azul fiado a ouro entrou pela porta dourada do aposento: James Salazar, ditador de Ghalary.

— Senhor Salazar – começou Blair – Por quanto tempo pretende nos manter aqui? Ainda estamos em “perigo”?

— Sinto muito, vossa alteza – respondeu o 2° cônsul, cordialmente – Espero que não esteja lhes faltando nada.

— Talvez “liberdade”? – debochou Tucker, recebendo um beliscão de Jazz e um olhar sério de Sam.

— Perdoe os maus modos do nosso amigo, excelência – disse Jasmine – Ficamos felizes com seu zelo pela nossa segurança, mas… estamos com medo, só isso.

— Está tudo bem, minha criança – respondeu James Salazar – Eu compreendo perfeitamente o que estão sentindo. Infelizmente, sinto em dizer que sou portador de notícias ruins.

— Por favor, fale, senhor cônsul – pediu Beatriz, enquanto ajeitava os óculos.

Suspirando, o homem limpou a tez com um lenço de seda e começou, de forma direta:

— Como sabem, nossos irmãos Felipe e Danny então combatendo Juba III e seu exército. Enquanto isso, o divino Aethel está seguindo até o Oráculo da Eternidade, na busca de desvendar a localização da Armadura da deusa Maeve… Pelos menos, essas eram as informações que tinham até agora…

— O que quer dizer? – perguntou Mabel, sentindo um frio na barriga.

— É com imenso pesar que lhes comunico isso… – disse James, com uma expressão de tristeza – Aethel, nosso divino imperador e senhor do mundo, morreu em sua jornada, junto de seus três amigos, Jack, Trixie e Rosa. Nossos soldados já estão trazendo os corpos para serem velados na catedral… Me enviaram por uma águia com um lenço, embebido no sangue de nosso imperador; claro que não vou mostrá-lo a vocês… ainda estou tentando tirar o vermelho do tecido da minha mente.

Todos ficaram chocados, mas foram as lágrimas de Mabel que melhor expressaram a tristeza de todos.

Antes que houvessem mais comoção, o ditador do império continuou:

— Receio que não seja é apenas isso: nossas tropas estão muito enfraquecidas ante as hordas de Juba e… Bem, talvez não possamos proteger a capital, por isso decidi que vocês todos devem ser levados para um local seguro, já que o palácio será o foco dos soldados franco-armanianos. Vamos, levarei todos por uma passagem secreta até um lugar onde os bárbaros não lhes poderão fazer mal.

Tendo dito isso, um grupo de quatro soldados usando uniformes vermelhos e armados com baionetas se enfileiraram atrás do cônsul.

Sem escolha, o grupo marchou com dois soldados ao lado e dois atrás, enquanto seguiam o ditador à frente.

Após cruzarem um corredor, Salazar abriu a porta de um escritório e depois seguiu até uma estante, onde tirou o livro de aritmética do dia anterior, quando conspirou com Gaius.

Neste momento, a passagem secreta se abriu e James passou por ela, sendo seguido pelo grupo e a escolta armada.

Em pouco tempo, todos chegaram até o depósito, onde o cônsul deu ordens para que os soldados protegessem o grupo com suas vidas, lhes entregando um papel em seguida.

Estava escuro, mas James se encarregou de acender uma pequena vela, iluminando o ambiente e revelando caixas, estantes com livros, objetos esquisitos e o quadro do príncipe Nikolas.

Mabel perguntou porque uma pintura de Aethel estaria escondida e cheia de poeira, mas Salazar sorriu e disse que a garota se enganara;

— Este é o príncipe Nikolas, filho do divino Antônio, senhorita. Ele morreu junto de sua família durante a crise de vinte anos atrás.

Apontando para uma porta de madeira, o ditador comunicou que o grupo deveria seguir os soldados e aguardar novas instruções, sendo prontamente obedecido.

Salazar não permaneceu com o grupo, logo se despedindo de todos, mas ressaltando a importância de seguirem as determinações dos militares e “evitarem acidentes”.

Caminhando por um novo lance de escadas que desciam, Roland, Blair, Mabel e os outros de depararam com um tipo de quarto antigo, com colunas etruscas, duas estátuas muito velhas em pé, retratando homens com saiotes de linho, cabelos trançados e sem calçados, uma brisa húmida e sons de água.

Havia bastante vegetação, o piso azul e branco lembrava um primitivo estilo romano, mas as rachaduras, a grama crescendo por suas frestas e a aspereza da superfície denunciavam sua idade.

Nas paredes podia-se ver desenhos de homens segurando peixes em varas, mulheres de vestidos coloridos derramando água de cântaros e também rapazes saltando sobre touros. Na parede norte havia duas cabeças esculpidas de leões com as bocas abertas, por onde jorravam águas cristalinas que desciam até uma fonte logo abaixo, decorada com mosaicos de animais marinhos e pessoas com caudas de peixe.

Dipper, olhando tudo com atenção, supôs que aquele lugar devia ser muito mais antigo que o palácio de Aethel; talvez fosse mais velho que a própria cidade!

Com seu habitual olhar analítico, o gêmeo notou sinais de que alguém, recentemente, havia feito escavações no lugar: perto de um arbusto que rodeava uma coluna, era possível ver uma pá suja com terra, algumas pedras amontoadas e rastros de pegadas.

Será que Salazar estava trabalhando ali? Se sim, qual a razão? Não importava mais, pois os soldados pediram que o grupo ficasse em fileira, de frente para uma parede em ruínas, onde não havia mais sinais de pinturas ou restos de reboco.

O grupo foi enfileirado em ordem: Blair, Roland, Spud, Tucker, Jazz, Dipper, Mabel, Beatriz e Sam.

Sem esperar mais, um dos soldados leu a nota para o grupo:

— “Limpem o problema” – disse o homem, de forma fria.

Roland olhou incrédulo para os militares e fitou Blair, que parecia assustada.

O rei se preparou para desembainhar a espada, mas o que poderia fazer contra as baionetas?

Apesar dos gritos de súplicas de Blair para que poupassem as crianças, os homens armados fingiram não ouvir e um deles, o mais velho, fez um breve discurso:

— Por ordens de James Salazar, futuro imperador, cônsul do império e supremo pontífice, você todos são acusados de traição e conspiração contra o Estado. Devido a isso tudo, o senado decidiu executá-los… Adeus – Terminou o soldado, empunhando a baioneta e disparando contra o grupo.

Porém, o que deveria ser um momento de horror, se converteu em alegria: as balas de metal transformaram-se em margaridas e jasmins antes que tocassem Roland e os outros.

Irritado, o soldado ordenou que os companheiros “cumprissem com o dever” e dessem fim aos “moleques traidores”, o que os descerebrados tentaram fazer, sem hesitar.

Dessa vez as balas se transformaram em coelhinhos, beija-flores e rosas sem espinhos, que muito alegraram Mabel.

Os militares não entenderam o que estava acontecendo, mas quando ouviram passos atrás de si, finalmente suas mentes clarearam: Merlin estava ali.

Olhando para trás, o grupo viu Miriam com um mosquete apontado para eles, enquanto Merlin postava-se a seu lado direito e ordenava que os homens largassem as armas.

— Façam o que ele mandou, velhacos! – Ordenou Miriam, enquanto pedia que os garotos relaxassem e saíssem da parede.

Com um movimento da varinha, Merlin transformou os soldados em pedra e depois envolveu os amigos com uma nuvem branca, tirando a todos dali.

Não havia razão para permanecerem naquele lugar, principalmente porque Salazar retornaria para ver se suas ordens haviam sido cumpridas.

Após alguns instantes (que pareceram ainda mais breves do que realmente eram), o grupo se viu em uma clareira aberta, rodeada por grandes carvalhos, rochas fendidas e cobertas de limo.

Roland II limpou uma pedra e convidou Blair a se sentar, Tucker e Dipper começaram a conversar sobre os últimos acontecimentos e as garotas tentaram se animar, ouvindo os sons de pássaros e cigarras.

Spud tentou animar Mabel, mas não estava conseguindo mais do que alguns poucos sorrisos tímidos; “já é um começo” pensava o garoto, “mas não é suficiente”, suspirava.

Quanto a Merlin, esse chamou por Arquimedes, que apareceu em um galho, preguiçosamente. A ave olhou para todos e perguntou ao mago quais seriam os próximos passos:

— O que faremos? Salazar tomou o controle de tudo e iniciou uma caça às bruxas! Ele precisa ser detido.

— E o que sugere, Arquimedes? – perguntou o feiticeiro – Não posso ir ao palácio e aniquilar o 2° cônsul! Isso apenas justificaria a perseguição dele contra os magos e feiticeiras… Desculpe a exaltação, meu velho amigo, mas ainda estou lembrando do… – nesse momento, o mágico se calou; não desejava piorar o estado emocional dos amigos, especialmente de Mabel.

A gêmea ainda sofria pela tragédia recente, mas sentiu que não podia demonstrar mais fraquezas:

— Senhor Merlin, onde “ele” está? – perguntou a garota, limpando as lágrimas.

— Eu não sei – admitiu o feiticeiro – Nem sei onde fica o Oráculo da Eternidade…

Sam andou em círculos, ajeitou sua camisa escura e, após uma pausa, bateu o pé esquerdo no chão, raivosamente; não podiam ficar ali para sempre, por isso ela exigiu que fizessem alguma coisa:

— Galera, a gente não pode ficar aqui pra sempre! Claramente o James deu um golpe de Estado, ou jamais teria tentado acabar com todos nós daquela maneira!

— A Sam tem razão – concordou Jazz, ajeitando seus cabelos ruivos – Mesmo que Salazar tenha mentido sobre algumas coisas, deve mesmo ter certeza quanto a morte de Aethel.

De repente, Spud sentou em uma pedra e abaixou o olhar, entrando na conversa:

— Meus amigos se foram… Trixie, Rosa e Jack. Será que eles “partiram” de verdade? Foi mal, galera, mas o Jack passou por tanta coisa que… E a Rosa, poxa, ela… ela já foi uma caçadora de dragões! Quem é que pode com uma garota tão durona?! A Trixie, ela… ela tinha espírito; eles estão vivos, eu sei que sim!

Ninguém questionou o rapaz; como poderiam derrubar suas esperanças se nem eles próprios tinham provas de que ele estava errado?

Arquimedes voou até o ombro direito de Spud e concordou com suas palavras:

— Enquanto for possível, vamos ter esperanças. – encerrou a coruja.

— Não é má ideia… – uma voz carregada falou, vinda do interior da floresta – Não concorda, Merlin?

O mago olhou na direção de um grupo de carvalhos e tentou, sem sucesso, identificar o visitante.

De repente, a voz misteriosa chamou por Merlin, repetidamente, sendo ouvida por toda parte, como se a própria floresta estivesse falando: “Merlin, Merlin…” chamava o ser misterioso, até que o mágico se aborreceu e perguntou quem o chamava:

— Quem é você?

De repente, a voz misteriosa partiu detrás do feiticeiro, de forma tão jocosa quanto desafiadora:

— O fim do mundo em Gravity Falls não foi a tanto tempo; é claro que um mês não basta para esquecer um “velho amigo”, não concorda, Merlin?

Assim que ouviu essas palavras, o mágico identificou quem era o visitante: lá estava Gael, com seu manto negro, feições joviais e sapatos de couro.

De forma imponente, o mago sombrio caminhou até o centro da clareira e perguntou, um tanto desinteressado, se o grupo gostaria de ser “levado para outro lugar”, sendo interrogado:

— Vai nos levar pra onde? – perguntou Dipper – Foi mal, mas é difícil confiar em você.

— Para o único lugar que importa… – respondeu Gael – O castelo do Cavaleiro Verde.

Blair perguntou o porquê de irem para a residência do guerreiro, mas o mago sombrio apenas deu de ombros e, gerando uma poderosa ventania, levou todos direto para a fortaleza em ruínas onde vivia o misterioso cavaleiro.

Considerando o que aconteceu ali, no dia anterior, talvez Mabel tivesse preferido ficar na clareira…