As Crônicas da Resistência
5 Capítulo 4 – Peguem aquele coelho!
Notas iniciais
Com galopes mais fracos e menos constantes, Bruce havia chegado a caverna do oeste, sombria e profunda, o cavalo se aconchegou adentrando e esperando Pamy a poucos metros da saída. Sentado e aspirante, Bruce conseguia ouvir o gotejar vindo das profundezas da caverna, mas o valente cavalo não resguardara forças suficientes para ir examinar, exausto, ele apenas deitou-se e dormiu frente a carroça de madeira.
O comissário Giussep lentamente começou a girar seu corpo para fora da carroça, derrubou-se no chão e apesar do estrondo Bruce continuou dormindo.
_Cavalo estúpido! – Sussurrou Giussep deixando a caverna rolando, as amarras que Elvis havia dado em suas pernas não foram muito fortes, encostado em um grande carvalho, o comissário começou a tentar desamarrá-las, após incansáveis tentativas, notou uma grande chama de fumaça negra vindo além das montanhas – Inferus! Que droga esse dragão está fazendo no vilarejo Cinzento?
Finalmente soltando suas amarras, Giussep levantou-se e fitou as chamas com mais atenção, conhecia muito bem aquele cenário, tudo queimará, nada resguardará! Pensou Giussep raivoso. O comissário teve poucas oportunidades de ver Inferus, o grande dragão negro, atacando e mantando, sua pele impenetrável e hálito de fogo, o maior dos demônios da época não poupava ninguém, obedecia somente ao seu mestre, e eram poucos aqueles que sabiam a identidade de tamanho privilegiado.
_Caeli mandou-me recolher os impostos do vilarejo... Ele antecipou porque planejava destruí-lo – Disse Giussep ao virar-se e caminhar contra o vilarejo – Meus soldados ainda estão no vilarejo... Porque ele não esperou até o dia de amanhã? Sei que ele enviaria Inferus, mas o dragão não tem piedade nem por seus aliados.
Finalmente percebeu, ficando espantado e assustado, Giussep raciocinava com o que acabara de descobrir, em duas noites anteriores Caeli havia selecionado criteriosamente tropas de soldados e as concedidas ao comissário, seguida de uma ordem para recolher o dobro dos impostos do Vilarejo Cinzento.
_Comissário... – Disse Caeli frente a mesa de reunião e preparação para guerra, seriamente ele movia alguns peões em formato de soldados de bronze para o Vilarejo Cinzento – Preciso que recolha mais impostos desses camponeses...
_Meu senhor... – Disse Giussep ajoelhado frente a Caeli – Aqueles camponeses estão extremamente escassos, recolhemos seus impostos a pouco tempo, aconselho que me envie para o Vilarejo Girassol!
_Não me importo com o ouro que conseguiremos recolher... – Disse Caeli ao virar-se e admirar sua imagem em um gigantesco espelho emoldurado com diamante – É algo muito mais preocupante... Algo começou a ofuscar meus sombrios sonhos... E começou com aquele lugar!
_Meu senhor... – Continuou Giussep a insistir – Não existe poder capaz de ofuscar as trevas que criamos!
_Até uma simples vela pode ofuscar a escuridão... – Disse Caeli estralando um de seus dedos, nesse momento todas as janelas se fecharam em um forte estrondo, as luzes se apagaram – Quero que recolha o dobro dessa vez! Tire todo e qualquer petisco de esperança, mate todos que se oporem ou se recusarem a contribuir, destrua famílias, Inferus queimará as casas e o que restar!
_Certo, meu senhor – Disse Giussep se levantando, olhou ao redor da grande sala de reunião e posteriormente reverenciou Caeli, deixando o local pelos corredores negros.
_Giussep! – Disse Caeli sorrindo – Você vai me ajudar a manter a estabilidade e a força da legião, por isso lhe peço para livrar-me de escórias.
_Sim, meu senhor – Respondeu Giussep com entusiasmo – Farei o meu melhor!
Retornando de seu devaneio, Giussep fechou fortemente suas mãos enfurecido.
_Eu fui traído! – Disse Giussep irritado – Talvez seja esse o motivo de Caeli ter me enviado apenas soldados de bronze e nenhum cavaleiro negro, ele não precisa mais de mim ou desses soldados fracos.
O comissário sentou-se atordoado, colocou as mãos em sua cabeça e disse:
_Não... O mestre jamais me trairia... Vou provar isso!
Levantando-se, correu em direção ao vilarejo Cinzento.
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Derretendo os céus com suas rajadas infernais, Inferus pousou sobre o centro do vilarejo, os soldados da legião tentaram correm e se afastar, mas grande parte foi esmagada pelas garras da criatura, os sobreviventes empunharam suas armas e tentaram afastar o monstro, ineficaz, pois com uma forte braçada o dragão os lançou para as montanhas. Inferus levantou seu grande rosto, concentrou uma grande quantidade de ar em seu peito e cuspiu liberando uma violenta rajada de chamas que incendiou as cabanas.
_Então as histórias eram verdadeiras! – Disse Elvis diante da pequena cabana de Pamy pegando fogo – O dragão negro realmente existe.
O jovem professor ligeiramente retirou um livro de sua bolsa e abriu em uma página que continha o desenho de um dragão semelhante a Inferus.
_Tudo queimará, nada resguardará – Leu Elvis lentamente – Essa é a profecia traduzida dos grunhidos de Inferus, o último legado de destruição dos dragões negros; Inferus... Esse é o nome da criatura!
_Elvis! – Gritou Dennys aproximando-se acompanhado por Thaina, Leonardo, Ramon e Bartolomeu – Não os encontrei...
_Quem são esses? – Perguntou Elvis guardando seu livro.
_Depois eu te explico! – Disse Dennys eufórico – Temos de fugir desse vilarejo antes que tudo se reduza a cinzas.
_Espere! – Disse Elvis – Eu encontrei Natan, ele está aprisionado em uma das carroças dos legionários no centro da vila.
_Droga! – Disse Dennys voltando seu olhar para a imensidão do dragão – Não conseguiremos resgatá-lo enquanto o dragão continuar a guardar o centro.
_Talvez eu consiga ajudar – Disse Thaina estendendo sua mão para Elvis – Thaina, a feiticeira negra.
_Uma feiticeira! – Disse Elvis espantado ao apertar sua mão – Estou impressionado com suas amizades Ppu, e você, caro bigodudo, é um bruxo ou arquimago?
_Eu me chamo Leonardo, sou o artesão de prata! – Disse Leonardo sorrindo e gesticulando positivamente com sua mão.
_Como podem nos ajudar? – Perguntou Dennys.
_Posso tentar criar um portal de transporte, foi o mesmo feitiço que conjurei para me transportar para esse vilarejo – Disse Thaina ao retirar um colar com duas joias de seu bolso – Essas joias me permitem realizar esse feitiço, porém cada vez que o conjuro uma joia é destruída, se conseguirmos libertar seu amigo, podemos deixar o vilarejo rapidamente.
_Ainda sim, considerando a pequena possibilidade de conseguirmos libertar Natan com vida, Inferus não irá permitir que todos consigamos escapar – Disse Elvis – A menos que...
_A menos que alguém o distraia! – Disse Pamy se aproximando acompanhada por Marcos, ambos surgindo das cinzas.
_Pamy! – Disse Elvis com uma expressão confusa.
_Estava certo, paladino – Disse Pamy – As trevas realmente surgiram nesse vilarejo!
_Paladino? – Disse Dennys confuso.
_Depois eu explico – Disse Pamy seriamente – Professor, esse jovem tem o poder de distrair o dragão, qual é o plano?
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Caminhando sob as colinas próximas ao vilarejo Cinzento, o jovem bardo sentou-se em uma pequena rocha e encarou as cinzas do fogo de Inferus.
_Um dragão... – Disse Shu sorrindo – Um soneto de um dragão!
Shu fitou os camponeses correndo, muitos estavam feridos e desesperados, os montes encheram-se de pessoas feridas, fugindo e protegendo suas vidas da morte pelo fogo negro. O bardo ligeiramente correu para ajuda-los, apoiando uma senhora idosa sem seus ombros.
_O que aconteceu no Vilarejo Cinzento? – Perguntou ao carregar a idosa.
_Um dia infernal aconteceu... – Respondeu ofegantemente – O comissário surgiu repentinamente pelas ruas da cidadela, junto com seus soldados de bronze, eles avisaram que iriam recolher o dobro de impostos na praça central até o fim do dia, depois ouvi boatos sobre o sequestro do comissário... Os soldados ficaram mais raivosos, começaram a torturar, matar e aprisionar os camponeses, foi quando o dragão surgiu cobrindo os céus com sua névoa negra e começou a destruir e matar tudo o que encontrou pela frente.
_O comissário dos legionários – Disse Shu como uma expressão raivosa – Aquele monstro mereceu isso!
_Minhas pernas doem... – Disse a senhora entristecida – Será que poderia me suportar somente até o abrigo mais próximo?
_Sim... – Disse Shu sorrindo – Para onde vocês camponeses estão fugindo?
_Vamos para o vilarejo Girassol – Respondeu a senhora – Mas pode me deixar na cervejaria Castanha.
_O lar da mulher que me deu de beber – Pensou Shu – Levarei a senhora em segurança.
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Segurando com todo seu vigor nos grandes galhos da árvore, Henrique permaneceu escondido junto com Leslian realizando o menor silêncio possível, quase inaudíveis, puderam observar a grande magnitude do dragão a sua frente detalhadamente, ao subir seus olhos aos céus, o jovem garoto fitou um adolescente muito bem equipado empunhando duas espadas vermelhas que pingavam algo semelhante a sangue, ele encarava sorrindo, montado sobre o Inferus, a destruição do vilarejo.
_O dragão! – Disse Henrique para Leslian com entusiasmo – Ele tem um mestre!
Inferus inclinou-se cuidadosamente e deitou sua cabeça no chão, o legionário Doug desceu de suas costas e seguiu em direção a um grupo de soldados de bronze que sorriram ao vê-lo.
_Meu senhor! – Gritaram os soldados felizes e sorridentes – Ainda bem que o senhor nos avistou, o dragão matou muitos de nós!
_Ainda bem? – Disse Doug com um sorriso psicótico ao avançar furiosamente nos soldados e cortar três ao mesmo tempo com um único corte – Inferus seria mais piedoso... Hahaha!
_Senhor?! – Disseram os outros dois soldados remanescentes assustados – O que isso significa?
_A legião vai solidificar as trevas no mundo com todo seu ímpeto! – Disse Doug rindo – Escórias inúteis como vocês não merecem viver e usufruir do poder negro! Nossa época! A época mais sombria de todos os tempos começará hoje!
_Que insanos... – Sussurrou Leslian assustada – Eles não poupam nem ao menos seus aliados feridos...
_A legião não poupa ninguém! – Disse Henrique apertando com força o galho da árvore, no intuito de descarregar sua raiva – Ninguém!
Não muito longe da luz, caminhava Marcos lentamente empunhando sua espada em direção ao centro do vilarejo, sorrateiramente o seguindo entre as cabanas, Elvis e Dennys mantinham a atenção total ao seu redor, alguns metros de distância deles, Thaina e Leonardo estavam rodeando o centro da vila para encontrar a carroça onde Natan estava aprisionado sem serem percebidos pelo dragão.
O paladino olhou distraidamente para Elvis, este sinalizou com um sinal positivo, posteriormente Marcos girou sua espada e a levantou, emanando um forte brilho, Inferus e Doug direcionaram seu olhar para a fonte de luz.
_Dennys! – Gritou Elvis – Eles o notaram, vamos seguir com o plano!
_Entendido! – Dennys fincou sua espada no chão de uma cabana e começou a sussurrar lentas palavras – Vou precisar de tempo, cadelo.
_Certo, adicionaremos tempo então! – Disse Elvis a continuar acompanhando Marcos escondido entre as cabanas.
_Ora ora ora! – Riu Doug sarcasticamente – Uma purpurina está vindo!
_Guardião negro! – Disse Marcos apontando sua lâmina na direção de Doug – Sentira o pesar de minha crematória!
Doug avançou rapidamente na direção de Marcos, o legionário era extremamente rápido, porém Marcos apenas abaixou desviando de uma adaga que Pamy, que o seguia escondida em sua sombra e disfarçada pelo brilho, atirou velozmente, Doug conseguiu se desviar, mas perdeu a velocidade e a posição ofensiva, ne momento Marcos avançou no legionário e tentou cortá-lo lateralmente, com extrema maestria Doug colocou-se em pé em um salto inclinado e defendeu o golpe do paladino.
_Impressionante, seu verme! – Disse Doug rindo – Mas vai precisar de muito mais que isso!
Doug rapidamente brandiu sua segunda espada, atingindo parte da perna de Marcos e o fazendo recuar, Pamy avançou no legionário, este guardou suas espadas no suporte de suas costas e esmurrou a garota, lançando a metros.
_Que foi, florzinha? – Disse Doug sorrindo – Te machuquei?
_Seu covarde! – Gritou Marcos colocando-se em posição na frente de Pamy – Você será punido!
_Vejam só... – Doug olhou aos arredores admirando a tremenda destruição, posteriormente fitou as carroças com as crianças aprisionadas – Inferus, elimine esses vermes e poderá comer todos esses pequenos, minha missão já foi comprida, estou retornando.
O grande dragão aquiesceu, de uma forma tão obediente que parecia ter entendido capa palavra de seu mestre, Doug virou-se e correu para fora do vilarejo.
_Se nos encontrarmos de novo, jovem púrpura, rançarei seu coração! – Disse Doug ao desaparecer nas cinzas.
_Não existe ponte que não se parta para almas covardes! – Gritou Marcos – Estarei lhe esperando!
_Ppu! – Gritou Elvis – Uma variável a menos!
_Preciso de mais tempo! – Disse Dennys transpirando.
_Espero que consigamos manter Inferus ocupado, o verdadeiro desafio começa agora! – Disse Elvis retirando alguns pequenos objetos cilíndricos de sua bolsa.
_Pamy – Disse Marcos seriamente encarando o terrível demônio a sua frente – Deve fugir, eu manterei o dragão ocupado.
_Vou ajudar Elvis com o plano! – Disse Pamy ao virar-se correndo contra o dragão, porém o mesmo lançou uma gigantesca rajada de fogo em sua direção, devastando os arredores, Marcos empunhou seu escudo e o levantou, proferindo uma magia!
_SÉTIMO CÉU! – Uma imensa barreira de energia brilhante surgiu partindo das laterais do escudo de prata, bloqueando o golpe – VÁ AGORA!
Inferus avançou na direção do paladino e tentou esmaga-lo com sua imensa garra, porém com agilidade Marcos conseguiu saltar entre seus dedos, sobre a mão da criatura ele fincou sua espada, e exclamou:
_Purificar! – O dragão contorceu sua mão e rosnou de dor, com sua cauda acertou Marcos e o lançou a metros no céu, sobrevoando todos e antes de começar a cair, gritou – Elvis! Agora!
Elvis e Pamy acenderam com faíscas provenientes de pedras os cilindros que o mesmo havia preparado, jogando-as no dragão.
_Queime! Desgraçado! – Gritou Elvis atirando os cilindros, pólvora compactada, pensou o professor, aprendi a criar muitas armas em minhas viagens.
As fortes explosões fizeram Inferus recuar, esse assumiu uma posição quadrúpede e começou a canalizar uma grande quantidade de fogo em sua garganta, Marcos caiu sobre seu olhou direito, fincando a espada com força na córnea e gritou:
_PURIFICAR! – O dragão perdeu o equilíbrio com a tremenda dor, seu grande corpo vibrou, porém, girando violentamente sua cabeça ele lançou Marcos contra uma parede e encarou Elvis e Pamy furioso.
_Corre! – Gritou Elvis segurando a mão de Pamy e fugindo, Inferus terminando de canalizar a imensa quantidade de fogo em sua garganta disparou contra ambos – Vai arder!
Uma gigantesca quantidade de água atingiu as chamas, seguida por uma torrente que tombou Inferus, que por ser pego de surpresa acabou por engolir grande quantidade, impossibilitando de lançar novas rajadas.
_O Lamento de Poseidon! – Gritou Dennys ao saltar sobre os dois brandindo a espada e controlando o fluxo de água, açoitando o dragão com gigantescos chicotes aquáticos– Consegui conjurar!
_Pamy, vou ajudar o paladino, procure a feiticeira e faça-a evocar o portal agora! – Disse Elvis – A habilidade de Dennys é poderosa, mas tem curto tempo de duração!
Pamy aquiesceu, correndo em direção a carroça de Natan.
_É... Maninho? – Disse Elvis se aproximando de Marcos que estava ferido entre os escombros da cabana que foi atirado – Consegue se levantar?
_Sim, porém não me restam mais forças, me perdoem... – Disse Marcos ofegante.
_Você já fez muito – Disse Elvis o levantando e fazendo o mesmo apoiar em seus ombros – Vamos sair desse inferno!
Correndo e a poucos metros da carroça de Natan, o rato Ramon reclamava incessantemente com Bartolomeu.
_Meu penteado arrepiado... – Disse Ramon ao tentar arrumar seu cabelo – Essa fumaceira... E essa fumaceira! Estão acabando com meu estilo, chefe! Isso não estava no contrato!
_Ramon, seu rato falante – Disse Bartolomeu – Apenas segure essa poção com firmeza!
_Estamos nos aproximando do local! – Disse Thaina encarando a carroça – Aquelas rajadas de água... Parece que o plano está funcionando!
Thaina e Leonardo finalmente alcançaram a carroça, fechada por fortes correntes encantadas.
_Encanto de selamento... – Sussurrou Thaina – Não vamos conseguir libertá-lo com facilidade.
_Bruxa! – Disse Leonardo fitando um grande cadeado – Se conseguíssemos forjar uma chave, conseguiríamos libertá-lo?
_Quem são vocês? – Perguntou Natan se aproximando.
_Viemos te salvar, pequeno! – Disse Thaina ao tentar conjurar um encantamento para quebrar as correntes, porém era ineficaz – Sem a chave jamais vamos conseguir abrir isso!
_Eu posso ajudar! – Disse Leonardo ao retirar algumas joias de prata e uma agulha dourada de seu cilindro – Se me deixar analisar essa trinca, talvez eu possa fazer algo...
_O que um costureiro pode fazer? – Perguntou Bartolomeu rindo.
_Costureiro não... Artesão! – Disse Leonardo analisando cuidadosamente o cadeado e costurando algumas joias em uma haste de prata – Hahaha, muito simples, vou precisar só de alguns segundos...
_Não temos alguns segundos! – Disse Thaina apontando para os chicotes de Dennys que estavam fraquejando.
Se aproximando da carroça, Pamy ouviu seu nome sendo produzido pela copa de uma árvore, momentaneamente parou e encarou a mesa, novamente ouviu seu nome, reconhecendo a voz.
_Henrique! – Gritou Pamy enfurecida – Eu vou te matar!
Henrique e Leslian desceram da árvore, o garoto abraçou Pamy assustado, retribuindo o abraço e puxando a orelha do garoto.
_Se não houvesse um dragão enfurecido querendo nos devorar... – Disse Pamy irritada – Esquece, depois conversamos, jovem!
Dennys continuava balançando sua espada, extremamente exausto o garoto ajoelhou-se no chão, seu feitiço de água se extinguiu, Inferus raivoso começou a se recuperar e lentamente avançar na direção do grupo. Dennys voltou-se correndo a carroça onde Natan estava, todos já o esperavam lá.
_Natan ainda não está solto?! – Gritou Dennys exausto – Não podemos mais segurar Inferus, o paladino está ferido e não consigo mais evocar habilidades.
_Só mais alguns instantes... – Disse Leonardo cutucando o cadeado com o estranho instrumento que havia acabado de construir – Quase lá...
Inferus continuava avançando, já a poucos metros do grupo.
_Não temos mais tempo! – Disse Thaina evocando o portal de transporte a frente da carroça – Que os deuses nos ajudem!
_Consegui! – Disse Leonardo destrancando o cadeado, Natan pulou rapidamente em seus braços, Pamy entrou com os animais, Henrique e Leslian no portal, seguida por Thaina, Elvis entrou carregando Marcos e Leonardo adentrou com Natan em seus braços momentos antes de inferus esmagar a carroça e seus arredores, extinguindo o portal.
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Shu continuava a carregar a idosa junto com muitos camponeses feridos, os fortes ventos soprando ainda eram gélidos, apesar da chuva ter sido muito atenuada, o gotejar celestial ainda mantinha o clima frio e detestável.
_Quase lá... – Disse Shu já observando a cervejaria ao horizonte – Mas... O que é aquilo?
O jovem bardo avistou duas figuras se aproximando a uma alta velocidade, uma delas empunhava uma marreta e gritava loucamente algo que soava como:
_Seu cão imundo! Eu te achei! Vou te matar!
Shu assustou-se e soltou a idosa momentaneamente, avançando na direção da figura berrante.
_O que está acontecendo? – Alex, empunhando a marreta, acertou-a com firmeza no rosto de Shu, lançando-o ao chão, o cervejeiro subiu s obre seu corpo e o prendeu segurando suas vestes.
_Escuta, desgraçado! – Gritou Alex – Quero que devolva o anel que roubou!
_Alex... – Disse Gabi tentando retirar Alex sob o corpo de Shu – Espere, vamos tentar conversar...
_Não... – Disse Alex levantou sua mão para esmurrar Shu – Ele nos roubou!
_Do que você está falando? – Perguntou Shu tentando tirá-lo de cima de seu corpo – Não roubei nada de vocês, tudo que ganhei foi-me oferecido!
_Jovens... – Disse a idosa se aproximando – Conseguem ver a mancha negra se aproximando?
Alex e Shu começaram a encarar o horizonte, uma estranha mancha avançava velozmente na direção deles, seriam cercados em pouco tempo.
_Que droga é essa? – Perguntou Alex ao sair de cima do bardo.
_Isso, meu amigo – Disse Shu levantando-se e empunhando seu violão – É o exército dos cavaleiros negros...
Os camponeses começaram a chorar e se abraçar, pois toda a rasa esperança que ainda lhe restavam foi despedaçada, seu vilarejo fora destruído por Inferus e os cavaleiros se aproximavam a cada segundo, eles não planejam permitir que nenhum de nós sobreviva¸ pensavam as pobres almas amarguradas.
_Bardo! – Disse Alex irritado – Precisa devolver meu anel!
_Eu não lhe roubei! – Disse Shu seriamente – Precisa confiar em mim!
_Prove que é digno de confiança – Alex estendeu a garrafa que carregava e entregou-a para Shu, gesticulou demonstrando que o bardo deveria bebê-la – Vamos ver se aguenta com isso!
O jovem bardo, sorridente, levantou a garrafa e “virou-a” totalmente, bebendo grande quantidade de líquido.
_Não foi ele... – Disse Alex voltando-se para Gabi.
_Sério?! – Disse Gabi sorrindo e feliz – Como soube disso?
_Simples... – Disse Alex ao tornar a pegar a garrafa e entrega-la para Gabi – Esse homem não tem ganância em seu coração, ele deixou o resto da cerveja para você.
_Então é assim? – Perguntou Shu sorrindo – Vamos enfrentar uma tropa da legião bêbados?
_Dizem que dói menos quando apanhamos! – Disse Alex gargalhando – Pedras vão rolar agora!
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Acariciando um grande lobo cinzento, o jovem de cabelos finos, encaracolados e negros levantou-se, um pouco abatido com e entristecido, caminhou sobre seu acampamento solitário.
_Bob... – Disse o garoto para seu lobo – Você foi o único que me restou...
O cachorro latiu e acariciou a perna de seu mestre, seguiram para o centro do acampamento, um grande campo rodeado por uma muralha de madeira e várias cabanas, algumas poucas árvores e um lago em um dos cantos.
_O que é aquilo? – Perguntou retoricamente o jovem fitando uma dobra espacial negra se formando a sua frente, repentinamente, um rato saltou da forma escura que ali se formou, seguido por um papagaio e a nossa turma já conhecida de heróis.
_O acampamento sentinela! – Disse Elvis observando com euforia e animação – Genial, feiticeira!
_Por nada! – Disse Thaina timidamente.
_Ora! – Disse Bartolomeu – Foi extrema sorte isso!
_Quem são vocês!? – Perguntou o jovem empunhando uma longa espada curvada e apontando-a na direção de Pamy – Como conseguiram entrar no meu acampamento?
_Acalme-se! – Disse Elvis lentamente – Somos aliados!
_Me pergunto sobre isso! – Disse o jovem ao posteriormente assoviar lenta e agudamente, o som ecoou por todo o acampamento, alguns grunhidos começaram a surgir da escuridão, rosnados e latidos.
_Lobos... – Disse Marcos empunhando sua espada e percebendo que o acampamento estava infestado de lobos da noite, ferozes e raivosos, os animais começaram a cercar o grupo.
_Por favor... – Disse Pamy com delicadeza, colocando a mão sobre o ombro de Marcos, indicando para o mesmo guardar sua espada – Escute-nos, não somos seus inimigos!
_É verdade! – Disse Elvis colocando suas bolsas no chão e levantando as mãos – Meu nome é Elvis, sou apenas um humilde andarilho e professor, junto com meus amigos, estamos enfrentando a força sombria dos legionários, precisamos de um abrigo e comida.
_Hum... – Disse o garoto seriamente, colocou a mão em seu queixo e olhou para seu lobo Bob, o mesmo aquiesceu com a cabeça com calma, posteriormente uivou, fazendo com que todos os outros lobos uivassem também – Meu nome é Jeff, sou o guardião do Acampamento Sentinela, vocês são inimigos dos meus inimigos, então acho que também somos amigos!
_Hahaha! – Disse Natan Sorrindo – Que bacana! Lobos!
_Aquilo é uma árvore de maçãs? – Perguntou Leslian sorrindo.
_Esquadrão Alpha pode voltar a guardar os arredores, Delta e Teta continuem a descansar – Gritou Jeff para seus lobos antes de apontar para o grupo de Pamy – Vocês, venham comigo, quero que contem-me tudo o que sabem.
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Cavalgando em um grande cavalo amadurado com ouro negro, Martosael levantou sua mão, toda a tropa de cavaleiros negros parou, prontamente ficaram a encarar o horizonte, perfeitos e bem treinados soldados, pensou Martosael.
_Capitão – Perguntou um dos soldados ao se aproximar em seu cavalo – Por que paramos?
_Quero observar algumas coisas – Disse Martosael olhando para o céu, pela incidência daquela fumaça... Parece que Inferus e Doug já cuidaram do vilarejo Cinzento, Martosael pegou uma luneta e olhou atentamente para frente – Camponeses a frente...
_Quantos? – Perguntou o soldado sorrindo.
_Quase metade do vilarejo... – Disse Martosael seriamente – Mas creio que nenhum deles venha a ser um problema.
_Ninguém é um problema para a tropa de cavaleiros negros, meu senhor – Disse o cavaleiro ao voltar para seu posto.
_Escutem todos! – Disse Martosael ao virar-se e encarar seus cavaleiros – Temos ordens para sequestrar todos os camponeses, não podem matar nenhum deles, fui suficientemente claro?
_Sim, meu senhor! – Gritaram todos simultaneamente.
_Certo... – Martosael tornou a olhar em sua luneta, avistando três jovens a frente dos camponeses, um segurava um violão, outro uma espécie de marreta e o terceiro parecia ser uma garota de vestido, empunhando um cetro, que droga é essa? Pensou Martosael intrigado – Em frente!
Os cavaleiros começaram a cavalgar furiosamente a frente, todos retiravam suas espadas negras das bainhas e fitavam seus alvos com maestria.
_Meu senhor! – Disse novamente o mesmo cavaleiro que havia conversado com Martosael – Não podemos matar nenhum deles? Nem mesmo os que tentarem se rebelar contra vossa vontade?
_Eu cuidarei pessoalmente de qualquer rebelde – Disse Martosael seriamente – Agora volte ao seu posto e não me atormente mais!
_Sim, meu senhor! – Disse o cavaleiro ao voltar silenciado a seu posto.
_As trevas me cegaram por muito tempo... – Sussurrou Martosael consigo mesmo – Não mais!
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As chamas haviam se extinguido, pois não restara mais nada que sofresse combustão sobre as cinzas do antigo vilarejo cinzento, chorando e desesperado, Giussep segurava a mão de um de seus soldados de bronze partido ao meio, pálido, um corpo do qual a alma havia sido traída.
_Era o meu mais fiel soldado... – Disse Giussep chorando – Era meu amigo...
Olhando a sua frente, o comissário pode ver as carroças todas destroçadas, manchadas de sangue por todos os lados, levantou-se diante de tamanha crueldade, tremelicando ele olhou os céus vermelhos, nos mandaram aprisionar as crianças para servirem de alimento, Giussep caiu de joelhos sobre a poeira e esmurrou fortemente o chão.
_MONSTROS!!! – Gritou o comissário – Eu os servi todos esses anos e fui abandonado!
Finalmente Giussep percebeu a maldade e o verdadeiro lado negro, nas trevas não existe amizade, nas trevas o amor é apenas uma sombra que esconde um vínculo frágil de lealdade, não existe piedade ou misericórdia, as trevas devem ser silenciosas, as trevas... devem ser silenciosas.
_Não existe mais nada que eu possa fazer nesse mundo – Disse Giussep ao pegar sua pequena lâmina que guardava em teu cinturão e posicioná-la na frente de seu coração — Não existe conforto para mim na escuridão, eu mereço o esquecimento!
Em meio as sombras, o comissário pode ver um pequeno ponto branco caminhando em sua direção, um coelhinho carregando um pedaço de cenoura com sua pelagem pura e fortemente esbranquiçada, aproximando-se de Giussep, ele o olhou com seus olhos azuis, acariciou sua perna com seu focinho e deixou a cenoura na frente do comissário.
_Coelhinho... – Disse Giussep encarando a pequena criatura voltar para as sombras.
Encarando-o o comissário a distância, dois estranhos seres conversavam.
_Sério? – Disse um dos seres com uma voz um tanto grave – Acha mesmo que mandar um coelho vai convencê-lo?
_Não é um simples coelho... – Disse o outro pequeno ser voando com sua fina voz – É um símbolo que representa a esperança e a luz.
_Veja! – Tornou a dizer o ser com voz grave – Ele está tentando pegar o coelhinho!
_Perfeito! – Disse o pequeno ser batendo com suas mãozinhas umas nas outras – Enfrentar as trevas e a desordem para encontrar o coelhinho é lutar contra a escuridão para resgatar a paz.
_Então... – Exclamou o outro ser segurando uma garrava de cerveja – Vamos todos pegar aquele coelho!
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Capítulo 5 – O Recrutamento dos Resistentes
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