As Crônicas Incontáveis de Bane
7 Cuidado com o que deseja
Notas iniciais
Nova York, 2008
Magnus estava extremamente cansado. Valentim tinha voltado, mas, no momento, essa não era a sua atual preocupação.
Sua preocupação, na verdade, estava com os holofotes virados para outra pessoa. Outro Caçador de Sombras: Alexander Gideon Lightwood.
Por que diabos Magnus foi gostar de um Lightverme? Ele deveria ter se lembrado melhor de como eram seus antecessores antes de fazer sua escolha. Claro que Alexander e Isabelle não eram nenhum pouco parecidos com nenhum Lightwood que Magnus já tinha visto (talvez, com excessão de Anna), porém ele deveria ter pensado antes de agir.
Ele era um feiticeiro de vários (indefinidos) anos e não um adolescentizinho apaixonado pelo garoto de olhos azuis de sua escola.
Ele bufou.
E para melhorar tudo, como uma cereja em cima do bolo, Alexander não podia esclarecer a sua atual situação para os seus pais e é claro Magnus não iria pressioná-lo, ele sabia o quanto Caçadores de Sombras podem ser tradicionais e chatos.
Bane tinha sentido uma palpitação quando, por causa da runa nova e esquisita de Clary, Alec quase contou tudo aos seus pais. Porém, Magnus impediu. Ele sabia que não era justo com o rapaz e ele não queria que Alec fosse ou se sentisse forçado a contar para seus pais sobre uma situação tão complicada.
Ele lembrou-se de Tessa e sobre como ela deve ter sofrido preconceito dos Caçadores de Sombras quando estava com Will. Talvez ele devesse ligar para ela pedindo ajuda. É, isso seria bom.
Afinal, ligar para Ragnor e Catarina, nessas horas, não era um opção.
Antes que ele pudesse digitar o número em seu telefone, a campainha tocou.
Com certeza não era Alec e sua trupe de amigos porque eles – excluindo Alexander – não tinham nenhum senso de educação e entravam quando queriam.
Ele abriu a porta para se deparar com um jovem, deveria ter uns quinze anos. Ele segurava um chapéu fortemente em sua mão e tinha um olhar de desespero em seu olhar.
— Bane? Magnus Bane? O bruxo?
— Depende de quem está falando — Magnus deixou seu corpo encostar na porta.
— Eu preciso da sua ajuda. Minha irmã...
Magnus abriu sua porta sinalizando para o jovem entrar. O outro, adentrou na sala sem mais nem menos.
***
O nome era Frederick Laywer e tinha catorze anos. Seu cabelo loiro tampava, às vezes, o seu rosto e ele tinha dois olhos azuis que transmitiam medo e desespero.
— Minha irmã e eu temos a visão, como pode ver. Por causa disso, ela decidiu virar uma arqueóloga, queria estudar o passado do sobrenatural...
— Algo muito arriscado para uma mundana eu diria — Magnus disse bebericando sua xícara de café.
— Sim — o jovem abaixou a cabeça. — O problema foi quando ela encontrou essa arca. Tinha uma espécie de medalhão dentro. E ela ficava repetindo: “eu posso fazer seus desejos tornarem realidade” — o menino balançou a cabeça. — Parecia que estava possuída. Quando eu disse que não queria nada, ela ficou louca e tentou me atacar. Eu saí correndo e vim te procurar. Preciso de sua ajuda, Bane.
Depois de pensar seriamente no assunto, Magnus não conseguiu resistir ao olhar desolado do pobre rapaz.
E por isso, Bane acabou se encontrando em frente a uma casa singela no subúrbio de Nova York.
— É por aqui — Fred sussurrou.
Magnus podia ouvir outros sussurros à medida que eles chegavam perto da sala.
— Entrem meus queridos — uma voz doce disse atrás de uma névoa roxa. — Aproximem-se e digam o que vocês mais querem.
— E você é? — Magnus perguntou ao ver a jovem que era muito parecida com Frederick.
— Sou Amabel Rennus. Uma feiticeira anciã e pronta para fazer seus desejos se realizarem.
— Você está morta desde quando? — Magnus perguntou ignorando o fato da voz da mulher parecer um canto de sereia. Ele era o Alto Feiticeiro do Brooklyn, ele não seria enganado.
— Desde que os humanos lançaram aquela estúpida Caça às Bruxas — ela disse com rancor e por um segundo, Magnus pôde ver a verdadeira face do espectro maligno. Eu apenas ajudei as pessoas — ela sibilou. — E por causa disso agora eu estou presa num medalhão estúpido!
Um vento cortante passou rapidamente pela sala.
— Mas não mais — a voz doce voltou. — Agora, eu tenho esse belo corpo e um mundo inteiro para dominar. Afinal, qual melhor prazer se não a realização de um desejo?
— Devolva minha irmã! — Frederick gritou do outro lado da sala.
— Ah, Fred, não faça assim — a mulher desapareceu e reapareceu ao seu lado. — Diga-me, Freddy, o que você mais deseja?
— Fred não! — Magnus gritou, mas era tarde demais.
— Eu desejo ter bastante dinheiro para minha irmã não precisar mais trabalhar tanto — ele disse meio entorpecido.
Um sorriso demoníaco ocupou o rosto da mulher e em menos de um segundo, Frederick estava agachado no chão, vomitando o que pareciam ser moedas de outro.
A agonia no rosto do rapaz fez Magnus ter vontade de vomitar junto.
Sangue e muco estavam pelos pés do rapaz junto com moedas de ouro, mais e mais saindo pela boca do rapaz.
— E você, Bane? O que deseja? Dinheiro? Não — ela disse como se estivesse olhando sua alma. — Nós, do submundo, não precisamos disso. Hm... Espere! Quem sabe... Um jovem? Isso, o que você precisa é de aceitação do seu amor pela outra parte, Magnus, você não queria isso?
E Magnus, através dos poderes da bruxa, podia ver isso. Ele e Alec sorrindo e se beijando ao redor de todos do Instituto e os mesmos com sorrisos e aplausos.
Mas aquilo não era real.
E ele queria o verdadeiro Alec. Mesmo com a negação e as imperfeições.
Ele queria o seu Alexander.
— Eu desejo que você volte para o Submundo e deixe essas crianças em paz — ele disse em alto em bom tom.
O rosto da mulher começou a se destorcer, até que, com um grito agonizante, o corpo da menina caiu no chão, ao lado de Frederick que finalmente tinha parado de expelir moedas ensanguentadas.
Magnus suspirou e tirou o medalhão do pescoço da jovem. Ele precisava deixar longe de todos, mesmo com o espectro longe, aquilo ainda era um item mágico poderoso.
***
Os jovens agradecerem imensamente e Frederick pagou Magnus com algumas de suas moedas que tinham saído de sua boca. Magnus tentou recusar, recusar mesmo, mas eles insistiram e Frederick até lavou as moedas que ele deu a Bane.
Chegando a seu apartamento, Magnus guardou o medalhão em sua caixa especial. Um lugar inalcançável para todos.
Suspirando, Bane decidiu ficar no sofá assistindo TV ao lado do Presidente Miau.
Ele se surpreendeu quando viu Alexander parado na porta ofegante.
— Alec? — ele disse assustado. Afinal, eram duas da manhã.
Antes que Magnus pudesse perguntar mais alguma coisa, Alec estava beijando-o fervorosamente.
— Eu tive um pesadelo em que você foi aprisionado por uma bruxa que fazia desejos — ele disse envergonhado depois que eles se desgrudaram. — Ainda bem que foi só um sonho.
Magnus não resistiu e beijou Alec novamente.
Aquilo era real, ele era real.
— Obrigado por ter se preocupado — ele sussurrou.
— Sempre — Alec murmurou.
Fale com o autor