As Crônicas De Névoa
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Bom, meu nome é Rachel Katherine. Eu estudo numa pequena escola de Los Angeles, Colégio Porto Angeles. Sim, eu nunca fui do tipo de garota bonita, atraente ou sedutora, pelo contrário, sempre fui esquisita, patética e cafona. Más mesmo assim, sou muito azarada por certos alunos e professores.
Sou magra, baixa, olhos verdes como uma esmeralda, cabelos ruivos alaranjados abaixo do ombro e pele clara com tons pasteis. Sinceramente, não sei o que as pessoas veem em mim de tão especial.
Eu caminhava pelos corredores em direção da biblioteca. Algo tirou minha atenção, uma mulher de cabelos negros na altura da cintura, pele bronzeada e olhos verdes um pouco mais claros que o meu. Ela era alta e me parecia bastante maligna.
Em seu crachá, estava escrito: "Samara Medans, monitora.", então é ela a substituta da senhorita Bethânia Rosas. Andei até ela com curiosidade, ela me olhou de canto, jogando os cabelos para trás cuidadosamente. Quando ela olhou em meu pescoço, ficou assustada, não sei porque, deve ser por causa do meu medalhão.
O sinal bateu, avisando que começou a aula de Educação Física. Fui até o toalete segurando meu uniforme esportivo laranja com branco. Entrei no pequeno banheirinho onde eu troquei de trajes.
Prendi o cabelo em um coque desarrumado com mechas caindo em todos os lados juntamente a minha franja.
Caminhei pelos corredores, até chegar ao meu armário cinzento e bagunçado, guardei minhas roupas lá. Sai correndo para a quadra feminina.
Essa era a ultima aula, ainda bem, então, eu já iria direto para o armário, apanharia meus trajes, me vestiria e sairia dessa escola.
Catlyn me esperava, ela é minha melhor amiga, tem cabelos louros e curtos na altura do ombro, olhos negros, é de estatura mediana e é bem magra.
Ela é o tipo de garota que causa inveja em todos em sua volta. O seu único defeito é o egoísmo, não sei nem como consigo aturar ela.
- Você era a única que faltava para o meu time de Vôlei! — Catlyn disse me puxando para o lado da quadra que pertence ao time A, ou seja, o nosso time.
O time A, era aquele time repleto de garotas bonitas e populares, aquelas que tiram o fôlego dos garotos jogadores de Futebol Americano do nosso colégio.
Eu não merecia estar nesse time, eu merecia estar no time B, o time de garotas excluídas, nerds e medrosas, sem nenhum pingo de popularidade. Mais Catlyn insiste em me deixar no time das populares, ela sempre diz que eu sou como ela, mais é claro que eu não acredito nem um pouco.
Começamos a jogar, eu como sempre, fui um desastre, uma vergonha para o time A, mais tudo bem, Catlyn foi paciente comigo, mesmo tendo me dado uma bronca, como: "Fique mais atenta! Por sua culpa, nós perdemos o jogo para aquelas bobocas!", mais em seguida, ela veio com: "Amiga, me desculpe, vem cá me dar um abraço...".
Peguei minhas roupas no armário, me troquei no toalete e sai sozinha pelas ruas de Los Angeles. Minha casa ficava muito longe dali, muito mesmo.
Tive a pequena impressão de que eu estava sendo observada. Me virei. O corpo escultural da nova monitora estava ali, mais assim que eu a olhei, ela sumiu com o vento, como se fosse apenas uma alucinação.
Fiquei assustada, isso é tão estranho quanto o acontecimento de ontem, abelhas começaram a me atacar, mais por sorte, consegui me livrar das feridas que restaram.
Continuei a andar.
Ouvi um rosnado tão forte quanto o som de Rock 'n' Roll.
Olhei novamente para trás, dessa vez, não era a monitora, era um homem, de cabelos negros, olhos azuis claro e moreno. Da cintura para baixo haviam patas brancas e felpudas, como a de um cavalo encantado. Comecei a correr desesperada quando percebi que ele vinha furioso em minha direção.
Depois de muito correr, fiquei ofegante, cai sob o chão duro, de cara em uma poça de lama. O centauro, se é que posso chama-lo assim, começou a pisotear meu corpo, e depois de muitas patadas, ele começou a afundar sua pata da frente em meu pescoço, como se quisesse me matar.
Uma centena de centauros, veio de longe, meu coração disparou, eu não sabia o que fazer. A pata do centauro que me sufocava, passou por dentro do espaço do meu medalhão tirando-o do meu pescoço e colocando-o entre os dentes.
- Epa! — Falei ofegante.
Empurrei o centauro, e subi em cima de suas costas, puxei de sua boca o medalhão, puxei com tanta força que vi seus dentes saltarem para fora de sua boca.
Peguei o medalhão e coloquei-o novamente em meu pescoço. Fiquei em pé nas costas do centauro e pulei alto, me pendurando em um galho de árvore.
A centena de centauros se aproximaram, e cercaram a árvore, batendo as patas no tronco.
Fechei os olhos naquele momento, eu não sabia o que fazer. Os centauros olharam para os céus, eu resolvi olhar também.
Algo marrom e grande veio voando em alta velocidade, deixando nos céus um trilho de fogo, que com o vento sumiu. O enorme pássaro mordeu minha blusa, e continuou a voar. Em fim, o pássaro me jogou para cima, e eu cai agora em suas costas, e agarrei seu pescoço. Voando pelos ares.
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