As Crônicas De Garou
1 Luna: A Morte do Amor - Parte I
Notas iniciais
Lembrando eu eu apenas me basei no jogo para criar essa história então nem tudo está igual. Espero que gostem.
“- Então irmão? – Jin perguntou sentado perto da fogueira no Caern. – Não acredita em amor, nem nos sentimentos felizes por quê? Conte-me o seu passado. – Você é meu irmão, merece saber. – Erick se aproximou se sentando ao lado dele. – O amor me ensinou que sofrimento é a verdadeira eternidade, é a única coisa que sobre quando tudo mais se desfaz, e foi há muito tempo atrás que descobrir isso... “
Foi há muito tempo que cheguei a meu Caern desamparado depois da minha primeira transformação, acordei numa caverna sem lembra de nada apenas do rosto dos meus pais no fundo da minha memória nem mesmo sabia como havia chegado ali, aos poucos minha visão se adaptando e então vi um homem mais velho e que olhava com seriedade para a vastidão gélida que se seguia lá fora o observei por um tempo com os olhos entre abertos até que consegui me sentar e quando fui apoiar nos meus pés para poder me levantar ele me disse sem olhar para mim: –Deite-se meu jovem, ainda tem muito que deve saber. – O homem me contou tudo sobre a lenda Garou, sobre o poder que eu realmente carregava, sobre o que eu era, mas demorou até ele acreditar e entender que aquilo era verdade. – Qual seu nome ? — Perguntei num tom intrigado. – O que sabe sobre mim? – Meu nome é Voz-Do-Luar, Líder deste Caern... E foi nesse momento que eu o conheci, foi nesse momento que através de Voz-Do-Luar eu entendi quem eu realmente era. Neste momento que passei entender a verdade, e tudo aquilo que aconteceu comigo naquela noite, só que tudo aquilo que os Wendigo viam como orgulho eu agora via como maldição, algo que eu apenas repugnava, pois para mim restou apenas a dor... Já a fúria não era nada dolorosa. Descobrir neste momento que meu pai havia sido um grande líder e que havia se apaixonado por escrava sem saber que ela possuía o sangue dos parentes, dessa junção ele me concebeu seu único herdeiro e único herdeiro dele de direito. Eu havia descoberto a verdade sobre mim e de quem eu era, e mesmo sendo herdeiro de Tempestade Gélida e filho de Garra-Que-Trás-A-Morte eu não era mais do que impuro perante os olhos dos outros Garous no Caern, não merecia nada além de um olhar de desgosto eu era um bastardo sem nem uma honra o fruto de um amor proibido perante os olhos dos puros. Talvez por isso eu tenha ganhado tanta força de vontade para seguir Voz-Do-Luar nas caçadas, aprendi a caçar com arco e lança assim como aprendi a sobreviver nas florestas gélidas do norte e segundo meu mestre aprendi rápido comparado aos outros filhotes porque já estava aprendendo a sobreviver sozinho, e continuei a seguir em frente. Um dia nós estávamos na floresta saímos para treinar com as lanças, ele era um bom guerreiro e rápido, mas ultimamente ele não vinha ganhado constantemente como antes e foi nesse mesmo dia em quanto descansávamos que ele me encarou, era o único que não carrega um olhar de desprezo para mim ele parecia mais curioso ao me observar parecia que vinha em mim algo mais do que as minhas diferenças e isso era algo que fazia eu me sentir especial e não um excluido. – Venha, está mais do que na hora de entender o mundo espiritual. — Ele falou. – O mundo não é só o que ver como já te disse. – Interessante. — Respondi com clareza. Ele me levou ao um mundo através da película e caminhamos em quanto ele me contava toda história dos espíritos com base na tradição do meu povo, dos formidáveis e orgulhosos Wendigos. Um mundo incrível, um reflexo do que eu via mais que perfeito ao menos ali na floresta era o que parecia e até mesmo os espíritos das árvores e do vento todos eram um reflexo da bondade de Gaia. Eu caminhava em quanto me sentia cada vez mais ligado aos poderes e em um pequeno momento de reflexão eu ouvi o bater de asas vindos de longe abri os olhos e uma águia vinha em um vôo imperial e então repousou meu ombro e eu o acariciei, ela parecia gostar. – Intrigante. – Voz-Do-Luar disse quando o olhei surpreso. – Um espírito com forma material que gosta de você, parece que tem um futuro brilhante nas mãos Erick e os espíritos podem ver, acabaram te dando um presente. – Meu? – Voltei o olhar para o animal e naquele momento senti que estávamos ligados. – Forks... Esse será o seu nome. – Bom. – A águia piou alto ecoando pela Umbra o que fez Voz-Do-Luar sorrir. – Esse parece mesmo nome dele. Foi naquele dia que encontrei meu primeiro amigo e daquele dia em diante comecei a treinar para controlar minha transformação. Primeiro aprendi com meu mestre a controlar a respiração e a meditar para entender o poder que habitava em mim mais vivo do que nunca e todos dias nós meditávamos na floresta com calmaria do chacoalhar dos ventos, o poder era algo que corria pelo meu sangue de forma viva, era algo que eu podia sentir se agitar dentro de mim e isso me fazia sentir cada vez mais vivo, e cada vez mais energético. Era um fim de tarde e eu sentia o meu corpo se encher de poder com o toque suave da brisa fria em quanto com os olhos fechados eu me concentrava em nada mais do que o meu próprio interior e dentro de mim algo vibrava tentando explodir e tomar o meu corpo, mas ao mesmo tempo eu notei sentimentos intensos percorrendo meu corpo como se as lembranças e memórias tivessem sendo revividas eu senti minha carne tremer e então meu corpo por um breve momento parecia ser tomado.
– Foco, respire. – A som da voz do mestre me fez desperta por um momento. – Muitos Garous falam do poder da fúria, mas me diga Erick o que é a fúria? Ela não é apenas um sentimento ela é a vida nos sentimentos é uma forma viva de expressar o que se sente de maneira insana, Gaia nos deu um dom e não uma maldição cabe a nós controlar. Sentir minha respiração mudar em quanto tentava apenas me concentra na minha mudança, a forma Crinos vinha na minha mente em quanto meu corpo voltava a tremer e seu sentia ele modifica a cada respiração minha, abri os olhos e a minha visão estava diferente era como se eu estivesse vendo através de outros olhos pude notar que agora o meu corpo era pura pelagem negra e sentia o focinho se estende no meu rosto. Meio homem, meio lobo todo poder de uma fera agora ao meu favor. Levantei devagar agora respirando mais normalmente. – Sente esse poder que percorre seu corpo? – O ouvir dizer atrás de mim- Use-o, vá. Um passo após o outro e senti meu corpo se mover como uma bala, era incrível o poder que eu tinha e agora era mais que o suficiente para eu poder me controlar e sobreviver, agora um filho de Gaia um bastardo com uma linhagem incrível e que tinha poderes equivalentes, salto, patadas e fúria tudo no meu corpo. Uma mão segurou meu ombro agora já em seu aspecto humano em quanto uma voz conhecida citou: – Sangue Inuit e Wendigo correm na sua veia com um toque poderoso vindo do estrangeiro, não é inferior a ninguém Erick só é diferente. – Ele então surrou. – Se prepare para sua passagem, para que se torne um adulto. *** Os dias se passaram em quanto eu sobrevivia na floresta ao redor do meu Caern com o que Voz-Do-Luar havia me ensinado, preferia me manter longe dos meus irmãos tribais que me encaravam curiosos acredito eu pelo meu tom de pele, mas então em um dia de caçada em quanto eu estava atento notei Forks voltar de um longo vôo e trazia um pedaço de madeira com grifo da minha tribo entalhado o sinal para eu volta ao Caern. Assim que fui chegando notei que estava um pouco mais cheio principalmente de jovens assim como eu, não me importei com os olhares apenas caminhei para o centro onde os jovens estavam sentados formando um circulo em quanto Voz-Do-Luar como ancião líder estava de pé ao meio, assim que cheguei apenas um olhar me incomodou um lupino do outro lado sentado com outros lobos jovens ele me encarava não com surpresa mais com um ódio declaro tentei não me importa com ele. – Jovens Lobos! – Voz-Do-Luar chamou atenção para ele. – Vocês estão aqui por que estão perto do seu ritual que acontecera daqui a uma semana, mas antes, bem antes quis lhes informa o quanto esse teste é brutal, quero dizer a vocês que devem se preparar e se concentrar durante essa semana ficarão no Caern, façam seu preparativos individuais e boa sorte. Alguns se levantaram e saíram outros continuaram conversando entre si e eu ali apenas observando os felizes e agraciados filhotes de Gaia que me desprezavam, mas foi em quanto meu olhar percorria a face deles que eu há vi sentada com seus grandes e lisos cabelos negros e sua pele indígena mais que brilhante e o olhos negros que se encontraram com os meus me mantiveram por um momento em outra dimensão e quando me senti novamente em meu corpo notei o seu sorriso esplêndido voltado para mim. Desviei o olhar e sair em passos lentos passando por algumas cabanas indo em direção a floresta me peguei pensando naquela garota durante o caminho, por muito momento achei que estava ficando idiota pensar nela não fazia sentido afinal eu não era nada além de um intruso ali, porém meus pensamentos foram interrompidos por passos conhecidos pelos meus ouvidos. – Já irá partir novamente? Erick? – Ouvir Voz-Do-Luar me dizer agora caminhando ao meu lado, ele não desistia de mim e eu admirava isso nele. – O que me aguarda aqui, me aguarda em qualquer outro lugar então prefiro que ficar longe Voz-Do Luar. – Sabe que essa passagem não será fácil não é? – Voz-Do-Luar parecia preocupado. – Tem que se encaixar em um grupo, encontra uma matilha. – Para mim nunca foi fácil senhor... – Continuei andando. -... Sempre sozinho, não mudarei agora. – Meu jovem, tenha cuidado, seu pai pediu que cuidasse de você, mas agora está longe do meu alcance, só cabe a você. – Agradeço pela preocupação Voz-Do-Luar, fique tranquilo ficarei vivo mais um dia. Na floresta eu me sentia melhor, me sentia mais a vontade, era apenas eu e os meus pensamentos e me concentrar era o mais certo a fazer eu tinha que está pronto em alguns dias, tinha que treinar, caçar e sobreviver para ser um Garou de verdade. Assim que voltei para minha barraca peguei minha lança e sentei aos pés de uma árvore para meditar e isso com certeza me fazia bem. Os sons da floresta sempre foram tranquilizadores para minha mente, os olhos nada viam selados na escuridão em quanto o vento tocava as folhas e fazia com que elas dançassem em um som hipnotizante o mundo agora era feito de pequenos sons que marcavam e desenhavam o território ao meu redor, meu corpo entrava em um estado de relaxamento incrível e por um segundo eu me via longe da minha fera interior como se ela não mais existisse. – É bom estar no meu mundo? – Eu abri o olho e havia um rapaz em pé na minha frente apoiado em uma longa lança, ele usava roupas de couro para frio feito pelos andarilhos do gelo o cabelo era negro e trançado em um longo rabo de cavalo, não pude ver os seus olhos usava uma faixa no rosto em cima dos olhos. – Quem é você? – Perguntei me erguendo também com a minha lança em mãos. – Devo me apresentar realmente, já que vim até você... Meu nome é Mutan.- Ele fez uma suave reverencia. – Impuro, Ragabash. – Um Impuro... – Por um momento eu o observei. – Então sua punição é viver nas trevas? – Depende de como enxerga, eu ouvi falar de você, o bastardo de Garra-Que-Traz-A-Morte, tratado como um Impuro assim como eu, agora me diga Erick, quem está mais submerso em trevas eu ou você? – Ele indagou com tranqüilidade. – Não te interessa onde vivo. – Senti a raiva me tomar e girei a lança o observando. – Sai daqui e me deixe em paz, agora. – Porque ser assim quando na verdade só procuro te entender? – Ele agora caminhava me rodeando em quanto os meus olhos não saiam da lança nas mãos dele. – Somos filhotes Erick, com a diferença que eu entendo o mundo eu consigo enxergá-lo além do que imagina. – Eu já disse não lhe devo explicação nem uma... Agora saia daqui. – Não, eu não vou. – Ele girou a lança e veio num golpe em diagonal que foi facilmente interceptado. – Ficar só, viver só... É isso que te torna mais forte? Talvez fosse melhor se tivessem nos matado não é? – Talvez, mais os meus meios não são seus meios então não tente me entender. – Eu girei a lança fazendo a dele deslizar tentei atingi-lo no peito com a base da minha lança em uma estocada mais o golpe foi desviado. – Eu sempre fui diferente, minha falta de visão sempre me fez viver no escuro me sentir no escuro. – Ele girou a lança. – Eu um impuro que não via o mundo mais o mundo me via como a marca de um erro, de um crime. – E acha que isso vai te fazer me entender? – Ele veio girando a lança contra mim num ataque horizontal que interceptei facilmente. – É o que estou tentando. Uma flecha atingiu o chão entre nos dois, eu observei ao redor e lá estava agarota de antes em cima de um galho com um arco em mãos e a aljava nas costas, ele me encarava com um olhar sereno, saltou suavemente tocando o chão com delicadeza e nos observou, Eu acho que parecia mais impressionado pelo jeito como ela me olhava e quando sua voz doce tocou meus ouvidos eu despertei. – Não podem se entender sem lutar? — Ela caminhou até nós lentamente. – Se comportem como guerreiros honrados, ou viverão o resto da vida como filhotes. – Está falando de Honra para um Ragabash e Impuro. – O Próprio Mutan falou. – Eu te conheço Mutan você acredita mais em sua Honra do que outra coisa. – Que bonito encontro de amigos. – Minha ironia ficou clara. — Agora saiam daqui e me deixem em paz. – Eu me dirigi a ela com os olhos novamente banhados em fúria. – Meu nome é Luna, Philodox, perdão por te atormentar eu vi o Mutan te seguindo e sei como ele pode ser irritante às vezes. – Ela explicou gentilmente então me acalmei. – Posso saber o seu nome? – Erick Cedrus, Ahroun. – Eu a observei sorrir em quanto meu nome soava estranho.
– Um guerreiro da lua cheia filho de Garra-Que-Trás-A-Morte... –Eu ia responder mais ela não me deu tempo. – Ainda bem que me envolvi Mutan, se não você não iria contar essa história. – Eu pensei o mesmo. – E outro jovem saiu de trás de uma arvore com uma lança em mãos e uma roupa parecida com a minha, eu sou Koda, Theurge. – Koda, o que está fazendo aqui? Eu sabia que tinha sentido seu cheiro. – Mutan se sobressaltou com as palavras do novo rapaz. – Queria ver se não ia se matar e acabei te seguindo. – Todos preocupados com sua cabeça de vento. – Luna disse sorrindo. – Vocês são divertidos demais. – Eu soltei um sorriso entediante, dizendo. – Agora saiam daqui! Me deixem em paz! – Vamos embora. – Koda segurou Mutan e os dois saíram, mas Luna ficou para trás me encarando com os seus olhos indescritíveis que perfuravam a alma. – Porque não vai logo com eles? — Eu perguntei tentando ser ríspido. – Você tem um bom coração, ele só mergulhou fundo demais nas dificuldades, mas ainda assim você tem um bom coração. — Ela se aproximou estendeu a mão e tocou o meu rosto me deixando estático. – Cuide de si mesmo Erick, as pessoas no mundo ainda irão precisar de você.Ela se afastou suavemente e desapareceu entre as arvores em quanto eu ainda refletia sobre suas palavras tocantes, o ritual de passagem estava próximo e eu não sabia o que exatamente iria acontecer e por instante me senti mais fraco do que realmente era, me senti sozinho no escuro e preso. Assim que me dei conta que não poderia me abalar me movi e voltei a minha sobrevivência que naquele momento era o que mais me importava. Os dias se passaram e nada mudou apenas a expectativa do ritual que estava cada vez maior. O grande dia havia chegado, estávamos todos ali novamente até mesmo o grupo que havia me seguido dias antes, eu me sentia preparado esperando a chegada de Voz-Do-Luar. Os outros filhotes estavam em pé em volta de uma grande fogueira em quanto o a luz do luar inundava o local e eu me mantinha ao fundo observando, ouvi os passos do nosso líder ao se aproximar e o vi com um olhar de seriedade que me fazia sempre ver as coisas de uma maneira mais seria o que fazia com o respeito por suas palavras só aumentasse. – Jovens Lupinos olhe como Luna nos abençoa e como Gaia esquenta os nossos corações, hoje vocês estão aqui para se tornarem adultos de verdade e mostra para mundo o porquê de Gaia ter dado a vocês o poder de serem da tribo do poderoso Wendigo. – Ele começou a caminha em volta da fogueira em quanto citava suas poderosas palavras. – Força, orgulho, coragem e fúria! Vocês foram agraciados com essas virtudes as grandes virtudes do grande Wendigo o poder que é necessário para um Garou caçar e Destruir a Wyrm que veio através dos malditos estrangeiros as nossas terras! Agora em varias partes dessa floresta existem essas criaturas e esse será o teste de vocês; — Ele parou perto da entrada do Caern. – Tragam as cabeças desses monstros e sobrevivam e serão então aceitos não mais como filhotes mais sim como guerreiros de Gaia!Os filhotes se entre olharam com o pânico agora de uma caçada mortal bem a frente de todos, mas o meu olhar se fixou no de Voz-Do-luar que suavemente assentiu num breve balançar de cabeça e então eu caminhei passando pelos filhotes estáticos que me observavam parei ao lado dele de costa para todos os outros e ouvi ele sussurrar: – Está pronto? – Não me atrevi a olha para ele, apenas para floresta escura a minha frente. – Vamos descobrir... – Me concentrei e saltei meu corpo todo tremeu, minhas roupas rasgaram e eu senti os meus músculos se alterarem, respirei novamente agora com quatro patas no chão e olhei para trás, vi que os outros me olhavam com espanto menos Voz-Do-Luar que parecia sorrir ao ver minha forma Hispo de lobo gigante pré-histórico de pelos negros. Eu me virei e uivei para a lua antes de sumir na escuridão da floresta. Sozinho eu e a mãe Gaia, nada mais importava naquela noite. Eu podia enxergar o caminho com clareza mesmo na escuridão e o meu corpo flutuava correndo na neve como Forks fazia ao voar, eu sentia que agora eu tinha que agir com todo instinto selvagem de caça que Gaia havia me fornecido a cada passada eu sentia a neve entre as minhas patas me dando mais força. Comecei a farejar o ar para tentar sentir o cheiro do inimigo, e o meu nariz agora distinguia as coisas assim como os meus olhos e eu podia sentir o cheiro da podridão da Wyrm por todos os lados, invadindo meu nariz como oxigênio que me mantinha de pé. Diminui o ritmo e farejei com mais atenção o ar, senti que agora os meus irmãos de tribo corriam pela floresta em seus grupos, porém entre eles um cheiro estranho me chamou atenção e estava muito perto de mim, virei meu corpo e silenciosamente caminhei até ele sempre com todos os sentidos atentos, as árvores e os arbustos cobertos de gelo dificultavam um pouco a visão na noite de lua cheia, mas como um bom lupino eu me sentia em casa. Lentamente segui em direção ao cheiro e passando entre alguns arbustos eu vi no centro perto de uma árvore uma garotinha sentada brincando com a neve no chão “Não é possível, eu me enganei”. Surgi do arbusto devagar e fui até a criança que brincava de cabeça baixa com a neve, farejei o ar envolta dela e ela nem se movimentou com a minha presença, mas seu pequeno corpo parecia tremer o cheiro da maldita Wyrm ainda era forte naquela região eu olhei ao redor e nada parecia estranho, mas quando voltei meu olhar para criança vi o corpo dela crescer de maneira estranha, ganhado uma cor negra de aspecto sombrio. Lancei meu corpo para trás e mantive a observá-la em quanto os olhos vermelhos como próprio fogo e me observavam com ódio. Comecei a rodear a criatura com um rosnado silencioso e nossos olhos conectados sem vacilar nem mesmo um segundo. – Acha mesmo que poderá sobreviver a esse mundo sangrento Erick? – Ele disse com uma voz que parecia dolorosa. – Em sua carne, em seu sangue você já nota o fim da linhagem de seu povo, agora olhe ao redor, acha que a humanidade sobreviverá mais quanto tempo? Você é a prova viva da corrupção não lute contra ela! Senti a raiva percorrer minhas veias como uma descarga de energia meu corpo se moveu antes mesmo que eu pudesse pensar no que estava fazendo, joguei o corpo de lobo gigante para o lado e impulsionei voando diretamente no pescoço do meu inimigo encravando minhas presas afiadas na garganta dele em quanto ele se sacudia tentando se livrar do ataque eu me prendi o quanto pude mais ele me jogou contra uma árvore eu cai no chão, ele foi rapidamente e tentou me chutar mais eu rolei o meu corpo e mordi seu joelho na parte de trás o que fez ele gritar de dor. Em quanto ele gritava de dor eu pude me levantar e colocar a uma distancia segura para um novo ataque, corri contra ele para lhe aplicar outra mordida na garganta, mas ele colocou o braço na frente e as minhas mandíbulas se fixaram com firmeza em quanto ele sacudia o braço de um lado para o outro me batendo contra a árvore, soltei o braço e antes do meu corpo tocar a neve ele chutou o meu corpo que se chocou contra arvore. Senti meu corpo todo doer em quanto aos poucos meus ossos quebrados se regeneravam, mas o corte que havia feito no pescoço do inimigo ainda estava aberto vazando um liquido tão negro quanto à pele da criatura e ainda assim ele se mantinha de pé, olhou ao redor e segurou um grande pinheiro arrancando o mesmo do chão com uma força impressionante e foi caminhando até mim. – Você acha que pode mudar o mundo com essa sua raiva? Acha mesmo que o seu poder é suficiente só porque você sofre? – Ele caminhou me encarando de cima para baixo com a árvore em mãos. – O mundo é cheio de dor e raiva Erick, não é só você que conhece os caminhos tortuosos da vida, mas agora você irá conhecer o da morte. Ele ergueu os braços usando a árvore como um taco, meu corpo não se movia a dor era grande em quanto ele se curava, não tinha saída, eu estava fadado a morrer ali como um cão solitário como as pessoas acreditavam. Fechei os meus olhos e como um chamado no meu interior minha visão modificou, eu estava agora de pé e entre as árvores eu vi um garoto de 15 anos mais ou menos e ele estava com uma lança em mãos ele estava lutando com um homem mais velho com uma pericia inacreditável, as lanças se chocaram e o homem o atirou para trás. – Muito bem meu filho, você é assim como eu um grande herdeiro de Tempestade Gélida nascido para a guerra. – O homem começou a rodear o garoto que não desviava o olhar, e naquele momento eu notei que o garoto indígena de roupa de pele era o meu pai. – Agora me diga, acha que com toda essa habilidade pode defender seu povo? – Sim, claro que posso. – O jovem Garra-Que-Trás-A-Morte falou com firmeza. – Errado! Sozinho você pode me oferecer algum desafio, sozinho eu sou fraco! – Ele parou de frente para o garoto que o olhava com seriedade. – Mas com a minha tribo.... A minha matilha! Eu me torno forte! Quatro índios saltaram das arvores com suas lanças agora apontadas para garganta do garoto que se surpreendeu, fiquei estático observando aquilo, então o garoto soltou a lança em sinal de rendimento e assim a visão mais uma vez ficou turva.Meus olhos se abriram e mão do monstro ainda descia em um golpe feroz, mas não foi o fim, um vulto cinzento atingiu o inimigo pela lateral o que fez com que ele perdesse o equilíbrio em quanto outro vulto surgiu e se colocou a minha frente rosnando para a grande criatura. Era um lobo na forma Hispo, com pelos brancos e brilhantes como a neve do norte ele virou sua cabeça gigante e me encarou, aqueles olhos eu reconheceria em qualquer lugar, era Luna. Levantei e olhei ao redor, um lobo cinza também Hispo estava de frente para o monstro andando de um lado para o outro com um rosnado silencioso na face, mais o identifiquei pelos olhos que estavam fechados, era Mutan com toda sua fúria encarnada expondo suas presas, Koda surgiu também em um ataque feroz com seu pelo também cinza, e com ele veio outro lobo um mais rápido ainda esse que não conhecia, eles começaram a lutar com monstro chamando atenção dele. Luna voltou a sua forma humana me indicando a fazer o mesmo, meu corpo estava com alguns ferimentos, porém todos já quase curados, não tirei meus olhos da luta em quanto ouvi ela falar. – Você quer morrer? Ter vindo sozinho foi loucura. – Ela me disse. – Nós vamos te ajudar. – Eu... – Por um momento pensei no meu orgulho, e a visão tomou a minha mente e vi que naquele momento eles me ajudavam de bom grado. – Eu agradeço. – Deveria ter cuidado, Mutan, Koda e Kiev concordaram que você era bom demais para morrer. – Kiev? Não me lembro dele. – Ele é irmão do Koda. –Ela disse colocando as correndo para o outro lado me arrastando para fugir do campo de visão do monstro. – Um Galliard, mas me diga você tem um plano? Porque nós esperávamos que sim. – Tudo... Tudo bem eu tenho. – Eu observei espantado. – Se transforme e os chame. Luna se transformou no enorme lobo branco e chamou os outros que se aproximaram deixando um monstro atordoado para trás, rapidamente eu disse pensando numa estratégia. – Ele é grande mais os ferimentos não se curam tão rapidamente, temos que passar pela defesa dele e dilacerar sua garganta. – Eu olhei o monstro girar nos procurando. – Kiev, Koda e Luna corram dispersando a visão dele chamando atenção, Mutan você e eu iremos ficar focados no pescoço, mas não quero que morda, arrancaremos a cabeça dele. Eles rosnaram baixo em sinal de entendimento, eu corri e durante a corrida assumi minha forma de lobo gigante indo com mudando dando uma volta nas laterais, os outros se mantiveram a frente do monstro em tentativas de ataque chamando a atenção e correndo o que deixou o inimigo furioso dessa forma eu e Mutan passamos despercebidos, dando a volta no monstro a uma distancia que pudéssemos calcular melhor momento de atacar, porém a criatura era rápida e conseguia se esquivar e atacar com muita facilidade. Me mantive atento observando como as brechas dele poderiam ser aproveitadas e em um momento rápido a achei uma, parei e mantive meu corpo posicionado para uma corrida e Mutan fez o mesmo, os outros se espalharam e monstro ficou confuso com a guarda aberta e foi nesse momento que avançamos, como bala de canhão em um salto para um golpe mortal. Vi as presas de Mutan irem fundo na carne do monstro através do grito da criatura, eu prendi as minhas, porém não afundaram e com um balançar ele me jogou contra uma arvore. Ergui me corpo e vi que Mutan ainda segurava a garganta do monstro, então eu coloquei me corpo sobre as patas traseiras e sentir meu corpo tremer em quanto assumia a minha forma de guerra, a forma com a qual a lua cheia havia me abençoado, a Crinos. Não perdi tempo correndo contra a criatura e agarrei seu pescoço afundando as minhas garras na garganta dele, meu parceiro entendeu o que eu ia fazer pressionou ainda mais a mordida em quanto eu forçava para cima com os braços e impulsionava com os pés o corpo. Koda e Kiev entenderam e surgiram da floresta cada um mordendo em uma perna o que fez com que ele cedesse e caísse de joelhos, Luna veio em apoio e impactou o inimigo fazendo com que mesmo caísse no chão a o ver tão vulnerável eu usei toda força que encontre e arranquei a cabeça dele sem piedade fazendo sangue esguichar brilhante e quente para todos os lados e de uma cor negra jamais vista.
Segurei a cabeça decaptada do inimigo a cima da minha observei o monstro com o olhar perdido e então olhei ao redor e lá estavam os quatro em suas formas humanas me encarando como se o cansaço não importasse pois a satisfação era maior. – Terminamos então. – Disse Kiev com uma voz parecida com a de seu irmão. – Caçamos juntos. – Koda complementou. – Sob a neve. – Luna citou. – Como um- Disse Mutan com emoção em sua voz. Caminhamos de volta sob a neve em direção ao Caern carregando a cabeça do inimigo com orgulho em quanto a Lua brilhava iluminando o nosso caminho com toda sua beleza e força, avistamos de longe nosso centro espiritual e cada passo que nos aproximávamos eu podia sentir um poder diferente tomar meu corpo uma energia. Nós entramos em nossa forma humanóide, olhos se voltaram para nós, principalmente para mim, do outro lado da fogueira estava o Lupino que me encarava com seu olhar de ódio de sempre, mas mesmo assim me aproximei da fogueira e larguei a cabeça ao redor como as outras posicionadas. – Os Caçadores do Frio completaram a missão. – Eu disse encarando um Voz-Do-Luar sorridente. – Senhores! Aqueles que conseguiram e estão aqui hoje são mais que sobreviventes, são heróis e grandes guerreiros para seu povo! – Voz-Do-Luar elevou sua voz emocionado e notei que não haviam muitos ali. – Olhem para Luna ela nos abençoem agora não mais filhotes! Agora jovens Cliath sejam bem vindos à sociedade Wendigo e o Grande os abençoe em sua nova jornada! Saúdem a Lua! Nos transformamos em nossas formas lupinas e por um longo tempo as nossas vozes ecoaram durante muito tempo chamando e glorificando Luna em um coro perfeito, e pela primeira vez em varias eu me senti novamente e verdadeiramente em casa. *** A noite estava fria o que fazia com que eu me sentisse bem e mesmo que lua não estivesse no céu eu me sentia confortável ali sozinho pensando nas coisas que haviam acontecido nas ultimas horas, ontem havia sido a passagem e desde o fim da cerimônia me mantive escondido em minha clareira no abrigo que havia montado, mas agora na noite fiz uma fogueira não por causa do frio, ele não me fazia mal, mas para poder me comunicar com as chamas e entender como arder como elas para sobreviver o tempo que fosse preciso. O vento estava calmo e eu não ouvia mais nada além do som do fogo a queimar a madeira que me fazia sair daquele ambiente gélido por um tempo, me levando para outras dimensões inimagináveis do meu cérebro foi então que o silencio foi cortado por passos doces e suaves a se aproximar, vi a figura se aproximar de gente e meus instintos me disseram que era ela, Luna com seu olhar que me deixava tranquilo e além do fogo me levava para uma vida diferente, uma vida onde eu podia ser feliz.– Com frio? Não é comum para um filho do Wendigo. – Não, só precisar enxergar um pouco de luz fica na escuridão, às vezes cansa. – Eu a respondi e me levante em direção ao meu abrigo feito de madeira e palha, assim que entrei vi que ela me seguia, meu abrigo era grande eu havia feito uma cama como Voz-Do-Luar havia me ensinado usando os materiais que tinha, num canto estavam meu arco e flechas, minha lança e minha machadinha. Mais que confortável para mim. – Porque sumiu após a passagem? – Ela parou na entrada me observando me virei e a encarei. – Eu precisei pensar, me entender. – Eu continuei encarando seus olhos brilhantes como a lua. – Nós conversamos, eu e os outros e chegamos a conclusão de que nosso grupo trabalhou muito bem junto. – Admito isso também, vocês foram ótimos guerreiros. – Ela caminhou até mim e parou bem na minha frente. – Me orgulharei eternamente por ter lutado ao lado de vocês muito obrigado, mas... – Mas o que? Nós fomos incríveis sim, porém vocês no liderou e mostrou ser tão bom quando qualquer um de nós Erick, um guerreiro incrível. – Ela estendeu a mão e tocou a minha face, sentir um calor diferente no meu corpo, uma vida nova. – Seja nosso Alfa, lidere os Caçadores do Frio. – Eu... — Suspirei e a encarei. Suave como um floco de neve ao cair ela se aproximou me engolindo com aqueles olhos cheios de carinho, senti sua mão percorrer minha face em quanto os nossos lábios suavemente se tocaram e o calor dos nossos corpos se encontraram pela primeira vez, um beijo cheio de amor e vida que eu retribui sem nem ao menos pensa, não pensava em mais nada apenas nela e naquele beijo se a felicidade realmente existe e amor é um sentimento verdadeiro aquele momento eu senti os dois encherem o meu ser ao mesmo tempo, aquilo que se agitava dentro de mim por um momento ficou em silêncio. – A tribo precisa se você Erick, a matilha precisa.... – Ela disse ao afasta um pouco o rosto do meu, podia sentir o cheiro das mais variadas flores em seu belo cabelo, podia sentir todo amor em seus olhos. -... Eu preciso de você.
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