As Cores do Inferno

3 Capítulo 3 – Vinho


Notas iniciais
Oi, gente! *-* Cá estou com mais um capítulo! Espero que vocês gostem! Obrigada a todas que estão acompanhando e comentando, vocês estão fazendo uma escritora muito feliz! E, principalmente, um obrigada especial às lindas que recomendaram a fic! Amo vocês! Está cada vez mais difícil escrever nas notas iniciais, sempre sai cortado D: então desculpem não ter citado o nome de todas vocês nos agradecimentos... Enfim, vamos à história? xD

– No que diabos você estava pensando? – Emmett me afrontava.

Dei as costas a ele, encarando o céu através da janela de meu quarto-gabinete. Era noite. E vinho. Seco. Tão seco quanto minha garganta agora.

– Diminua seu tom de voz.

– Você tem alguma ideia do que fez? – ele disse ainda mais alto. Eu podia ouvi-lo andando de um lado para outro na sala.

– Emmett, pare. – pedi, baixo e calmo, para impedi-lo de gritar.

– Você sabe a merda em que isso pode dar?!

Eu evitara essa conversa o dia inteiro, inventando reuniões, desaparecendo por longas horas ou dando a ele tarefas idiotas, como verificar se as portas da cela continuavam trancadas e auxiliar os soldados na limpeza das armas. Ele finalmente havia me encurralado em minha sala e me cobrava uma explicação, mas eu não estava preparado para responder suas perguntas.

– Eu exijo mais respeito. – falei – Ainda sou seu superior.

– Ao inferno com a sua superioridade! – ele gritou.

Ele obviamente estava certo, por isso eu não revidava. Isso, aparentemente, o deixava cada vez mais irritado.

– Se alguém descobrir, Edward, as coisas vão ferrar pra gente! Você será acusado de proteger uma traidora e eu serei cúmplice! Nós perderemos os cargos e a confiança que conquistamos e, se eles agirem justamente, vamos acabar no mesmo pelotão de fuzilamento que ela, e aí...

– Ela não vai morrer.

– Ela vai!

Nós nos encarávamos agora. Sobrancelhas franzidas, mandíbulas trincadas, punhos fechados, arfantes e com ódio nos olhos. Emmett era um palmo mais alto que eu, mas igualávamos no tamanho da nossa raiva. Ficamos assim por um bom tempo e achei que nenhum dos dois daria o braço a torcer.

Por fim, Emmett foi mais forte. Fui o primeiro a relaxar de minha posição e, segundos depois, ele também relaxou. Segui novamente até a janela, encostando minha cabeça no vidro frio e deixando que minha respiração se acalmasse aos poucos. Ouvi Emmett suspirar e sentar-se em minha cama, fazendo as molas rangerem.

– Por que você fez aquilo, Ed? Por que a defendeu? – ele perguntou, e sua voz aparentava cansaço.

– Você não entenderia.

– E por que não?

– Porque nem eu entendo.

– Tente explicar! – ele praticamente gritou.

Eu suspirei. Saí do meu lugar na janela e sentei-me ao seu lado na cama.

– Os olhos dela... – eu disse, relembrando a sensação que aquele mar de chocolate me causara – Eles tinham um magnetismo incrível, me prendiam como imãs... Eu não consegui raciocinar direito quando ela me olhou. E o mesmo acontece quando penso nela.

– Sentiu pena? – ele perguntou, tentando adivinhar.

– Não. Foi mais forte que isso.

Nós ficamos em silêncio por mais um longo momento, enquanto eu observava o céu dançando em suas tonalidades e pensava naqueles olhos cor de chocolate. Isabella havia acabado comigo de inúmeras formas. Arruinando meu autocontrole, fazendo-me perder os sentidos quando estava ao seu lado. Destruindo minha fachada de oficial e obrigando-me a entrar em contato com sentimentos que eu evitava encarar. Fazendo-me sentir medo por ela. Se ela ao menos se arrependesse e se desculpasse, alegando insanidade e desespero, talvez ela obtivesse o perdão. Mas ela era – e eu tinha certeza disso – orgulhosa demais para se sujeitar à humilhação, ainda que sua própria vida dependesse disso.

– Escute, eu não vou denunciá-la, se é nisso que você está pensando – Emmett disse, me tirando dos meus devaneios. – Só queria que você soubesse que... Cara, o que você fez foi perigoso.

– Eu sei.

– E você não faria isso a toa.

Ponderei suas palavras antes de responder.

– Eu sei.

Mas eu não sabia. O que aquilo queria dizer? Que eu realmente acreditava que ela era inocente? Impossível. Ela havia confessado. Que eu sentira pena? Isso não era do meu feitio.

– Edward, há... Há algo que eu possa fazer? – Emmett perguntou, meio sem jeito – Quero dizer, para ajudá-la...?

Quis responder que eu havia me feito aquela pergunta o dia todo.

– Não – respondi firmemente, tentando convencer a ele e a mim mesmo – Acho que fiz tudo que estava em meu alcance.

Senti meus olhos molhados de repente. Abaixei a cabeça, tentando manter as lágrimas no lugar delas.

– Edward, eu preciso ir embora. – Emmett disse se levantando da cama – Já passam das 20h30 e estou rezando pra ter a sorte de não encontrar o Tenente Brandon perambulando por aí. Você vai ficar bem?

– Fique tranquilo – eu sorri – Vou tentar me manter afastado de belas prisioneiras por hoje.

Antes que ele atravessasse a porta por completo e a fechasse, eu o chamei novamente.

– Er, Emmett! – ele se voltou me olhando – Me desculpe por hoje... Mesmo. Não pensei no que estava fazendo. Eu não queria lhe causar problemas.

– Não se preocupe – ele respondeu, sorrindo – Eu sei como é amar alguém.

E saiu, me deixando em minha própria solidão.

XX

Eu estava deitado em minha cama, as luzes apagadas, tentando inutilmente pegar no sono. Meu relógio de pulso marcava 1h15 da manhã. Em poucas horas eu estaria em pé, mas nem mesmo esse pensamento conseguia tirar a frase de Emmett da minha cabeça.

Eu sei como é amar alguém.

Amar? Pensei em tudo que o amor implicava. Eu não estava amando Isabella... Estava? Não, eu não estava. O amor era algo forte demais para surgir de um único olhar. Eu não a conhecia o suficiente para amá-la.

O céu lá fora continuava vinho. Mais ao fundo ele clareava, a ponto de quase se obter um vermelho. Nenhuma estrela brilhava no céu. Não no meu céu.

Desejei conhecer Isabella o bastante para obter respostas a todas as perguntas que agora ocupavam minha cabeça. Quem era ela? Por que havia se arriscado tanto? Uma ex-funcionária da Força Aérea tinha outros meios para conseguir água. Por que ela não temia seu destino? Por que não tinha tentado fugir? E, o mais importante, por que ela tinha aquele efeito sobre mim?

Suspirei e fechei os olhos, desistindo de tentar dormir. Ela era tudo em que eu conseguia pensar. E não havia como aliviar minha ansiedade em vê-la.

A não ser...

Um pensamento insano passou pela minha cabeça. E, para minha própria surpresa, eu o considerei.

Era óbvio. Eu precisava falar com ela. E não podia esperar.

Notas finais
E então, o que acharam? *-* Deixem suas opiniões sinceras, por favor xD Só postei hoje porque eu tinha prometido, mas o próximo capítulo só vai sair sábado, ok? Essa história tem apenas 6 capítulos + um epílogo, então não quero que ela acabe rápido demais x.x rs. Vejo vocês no próximo capítulo! Ruby.