A enfermeira conferiu o RG, procurou por meu nome em uma lista e me disse o número do quarto. Agradeci e fui até o hall do hospital. O elevador se abriu. Era grande e espaçoso como esses dos filmes de cinema, tinha um espelho e cobria toda sua parede, sendo marrom carvalho. Entrei e apertei o décimo quinto andar. Já no corredor de piso de mármore preto, adentrei o quarto. Deixei as rosas no vaso e logo fui ver minha irmã, ainda adormecida por causa dos remédios. Coloquei minha mochila em cima da mesinha que estava do lado da cama, bebi um copo e d'água e esperei algum tempo até que ela acordou.

— Como vai Charlotte? Está melhor? Ela fez um sinal de que sim com a cabeça e sorriu. Logo depois a enfermeira chegou e pediu para que eu fosse embora pois já tinha acabado o horário de visitas. “Devia ter chegado mais cedo” Eu pensei. Saindo do quarto, topei com uma moça bonita.

— Você não vê por onde anda?! — Esbravejei eu, arrependido após ver a bengala e perceber que era cega. Desculpei-me e a ajudei a achar o quarto que procurava.

— Obrigada — Disse ela baixinho com uma voz fina.

— Ah… Bem desculpa por ter sido rude — Eu disse um pouco envergonhado.

— Não tem problema — Disse ela indiferente procurando pela cama — Muita gente faz isso.

— Bem… Eu não queria… É que eu não tinha prestado atenção. Tem algo que eu possa fazer para me desculpar?

— Bem… — Pensou — Poderíamos almoçar naquele restaurante da esquina amanhã.

— Ah bem… Então tá. Qual é o seu nome?

— Ana e o seu?

— Marcos. Bem, preciso ir. Te vejo amanhã — Despedir-me, saindo do quarto. Entrando no elevador novamente, Vi um grandalhão loiro de olhos azuis sair. Pela abertura das portas, pude vê-lo entrar no quarto de Ana. Deve ser o namorado dela… A porta se fechou. Comecei pensar em mil coisas nesse momento: Quem seria ele? Seria mesmo o namorado dela? Ou só um parente? Se ela namora, por que pediu para sair comigo? Argh, eu acabei de conhecê-la! A porta se abriu e eu sai. Novamente ao hall de entrada meu irmão me esperava impaciente.

— Nossa cara demorou quanto tempo lá? E o meu show? Você disse que me levaria.

— Pelo menos eu vim visitá-la, diferente de você.

— Cara ela é só um saco de carne agora, ela não pode fazer mais nada.

Dei um longo suspiro e fui embora para o meu apartamento enquanto o ouvia reclamar. Quando cheguei, o porteiro abriu o portão para mim. Entrando, logo estava no hall de entrada. Percebi que o mesmo moço loiro do hospital me esperava na porta do elevador. Fiquei nervoso porém prossegui. Comecei a suar pensando na ideia dele me bater por conta da Ana.

— Ah, olá enfim você chegou. Obrigado por ter ajudado a minha irmã, er.... Marcos, certo?

— É… É sim — Disse com um pouco de hesitação.

— Prazer meu nome é Rogério — Disse ele entendendo a mão para me cumprimentar. O cumprimentei e o chamei para subir comigo. Ele aceitou e ficamos conversando. Comentei que íamos almoçar juntos e fiquei aliviado em ver sua reação animada. Após falarmos sobre Ana, conversamos sobre coisas bem irrelevantes e nisso, já era tarde da noite.

— Nossa, já está tarde! A hora voou – Disse ele se levantando.

— Nossa é verdade — Concordei ao me levantar e pegar a jaqueta dele —Toma aqui sua jaqueta. Quer uma carona? — Perguntei ao lhe entregar a jaqueta.

— Eu aceito, meu carro está na oficina. Após descermos, com suas instruções eu o levei até sua casa. — Obrigado por me trazer Marcos— Agradeceu ele saindo do carro —Como sua casa é longe, não quer dormir aqui? Afinal já está bem tarde.

—Ah não, eu não estou querendo incomodar.

— Vamos! — Insistiu animado — No quarto da minha irmã tem uma cama sobrando você pode dormir lá.

— Não dá, tenho que trabalhar amanhã,mas podemos deixar para outro dia.

— Bom, então até amanhã! — Acenou e se dirigiu à sua casa. Liguei o carro e dentre alguns quarteirões o carro parou. Advinha? Tinha acabado a gasolina. Que ótimo, tinha esquecido de abastecer! Observei o carro e, por sorte, Rogério tinha esquecido o celular. Procurei por “casa” na lista telefônica, liguei e uma senhora simpática atendeu. Disse que queria falar com o Rogério e em poucos minutos ele me atendeu. Expliquei a ele o que havia acontecido e ele logo veio me buscar na camionete do pai.

— Nossa cara, obrigado. Parece que vou ter que dormir na sua casa hoje hein? Que coisa — Disse eu com animo.

—Parece que sim — Sorriu — Bem vamos. Ele rebocou meu carro até a casa dele enquanto nos dois conversávamos na camionete. Quando entrei dentro de sua casa, cumprimentei os pais dele.

— Tome, aqui tem uma toalha e um pijama. Acho que cabe em você… Era de quando eu era mais novo.

— Obrigado — Peguei a toalha e a muda de roupas e fui para o banheiro. Depois de um banho quente, me troquei e fui a cozinha conversar com os familiares da casa. Mais tarde subi ao quarto e vi Ana. Comecei a ficar nervoso e meu coração estava acelerando. Por que eu estaria assim? O que tinha de especial nela que me deixava assim? Eu a conheci a um dia e já estou assim.... O que seria esse sentimento?

— Rogério? É você? — Disse ela sentada na cama com um livro na mão.

— N..não, sou eu Marcos — Disse eu nervoso.

—Ah — Me olhou — Oi Marcos, tudo bem? O que faz aqui?

— Eu vim trazer seu irmão e a gasolina do meu carro acabou... Você ta lendo?

— Sim é um livro muito bom. É hebraico. Ficamos algum tempo em um silencio meio constrangedor até ela terminar de ler. Assim que o fez, se deitou.

— E então Marcos, você tem sonhos? — Sonhos?

— É sonhos! — Bem eu não sei se são sonhos mas eu tenho vontade de expandir meu restaurante, e você?

— Meu sonho é poder ver as cores. Depois dessas palavras se abriu um amargo em meu peito e ficamos outra vez em um silencio profundo. Sem mais palavras, simplesmente fomos dormir.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.