As Cores

18 Presente de Aniversário


Notas iniciais
Olá! Depois de tanto tempo estou aqui. I'm sorry. Agora nas férias vou tentar postar mais. Então vamos ao capítulo de hoje. Espero que gostem e comentem, favoritam e etc, etc. Obrigada a todos que esperaram. Beijos Isabell

Devo dizer que não tenho lá muita noção de tempo, mas eu acredito que tenham se passado uns três meses, porque era dezembro, vésperas de Natal. O dia amanheceu nevando pela primeira vez em meses, mas graças as nossas idas à casa velha de Thalia, tínhamos roupas, gorros e luvas bem quentes para nos esquentarmos. Acho que em todos os aspectos estávamos bem melhores do que no começo.
Na rua, as pessoas corriam para lá e para cá fazendo suas compras para o fim de ano e tudo estava enfeitado para o Natal.

Thalia e eu estávamos cada dia mais próximos, como uma família de verdade e eu estava feliz de passar cada dia com ela. Nos divertíamos juntos e nada nos atrapalhava. Exceto pelos pesadelos com monstros que compartilhávamos e, consequentemente, as perguntas sem respostas, tudo estava perfeito ao meu gosto.

Sentados num meio fio na rua, eu riscava alguns desenhos na neve com um graveto. Thalia ajeitava o gorro no cabelo, deixando alguns fios repicados escaparem.

– Você sabe que dia é amanhã? – ela me perguntou.

– O Natal? – tentei adivinhar.

– Não. Amanhã ainda são 22 de dezembro. – respondeu. – É meu aniversário.

Larguei o graveto, ignorando os desenhos e levantei a cabeça, olhando nos olhos dela.

– Você nunca me disse. – falei sorrindo.

– Você também nunca me disse o seu.

– 2 de fevereiro. – falei – Vou fazer alguma coisa pra você amanhã.

– Não, não se preocupe com isso.

– Por favor. – insisti – Me deixe fazer alguma coisa pra você.

– Luke, nosso dinheiro não é tanto quanto imaginamos. Podemos comprar alguma coisa para o Natal. Mas não gaste agora com besteiras.

– Seu aniversário não é uma besteira. E eu juro que não vou gastar quase nada.

Ela deu um sorriso de lado finalmente cedendo. Dei outro em retribuição.

Na última vez que estivemos na antiga casa de Thalia, encontramos no fundo de uma gaveta, um envelope com duzentos e cinquenta dólares que deviam estar ali desde que a mãe dela morreu. Não podíamos ter tirado uma sorte maior. Mas ainda assim não era muito. Queríamos guardar para termos uma noite especial de Natal com um jantar, ou sei lá. Porque eu não queria ter que roubar nesse dia. Mas não posso deixar o aniversário de Thalia passar batido.

À noite, enquanto ela dormia, eu planejava o que faria para ela no dia de amanhã. Dormi bem rápido e acordei cedo para preparar tudo. Fui até uma padaria e comprei um café da manhã especial pra ela.

– Feliz aniversário! – eu disse acordando-a – Bom dia aniversariante.

Ela espreguiçou-se e sentou, olhando toda a comida que eu havia preparado para nós.

– Luke, eu não queria que gastasse isso tudo hoje.

– Não foi muito. – falei – Deixa de ser ingrata e come logo. Quero te levar em um lugar mais tarde. Juro que não vai custar nada.

– Obrigada Luke. – ela sorriu, depois comeu seu café da manhã em silêncio.

Confesso que a comida era muito até pra nós, então guardamos os restos na mochila, as deixamos em um canto do beco e saímos para nossa caminhada.

– Aonde vai me levar? – Thalia perguntou.
– Não posso contar. Estragaria a surpresa. – eu falei com um sorriso no rosto – Por isso quero que feche os olhos.

– Fechar os olhos? – ela perguntou desconfiada.

– É. – digo entusiasmado – Confie em mim. – então a coloco nas costas e continuo caminhado.

– Precisa mesmo me levar no colo? Deve estar pesado pra você. Eu não sou tão leve.

– Sim, precisa. E não está pesado. Você está com os olhos fechados?

– Estou. – ela responde – Luke, não está exagerando?

– Não. – eu digo – Cale a boca Thalia Grace e me deixa fazer o que eu planejei.

– Você pode fazer o que quiser. Mas nunca mais na sua vida me chame de Thalia Grace de novo, Luke Castellan.

Começo a rir. Com certeza Thalia era a pessoa que mais me divertia no mundo. Mesmo com aquele jeito todo durão e punk/rockeiro, eu me divertia com ela e ela comigo.

– Pelo menos estamos chegando? –ela perguntou – Eu estou ficando cansada.

– Eu é que estou carregando você e é você quem fica cansada? Mas sim, estamos chegando.

Nosso destino era o Empire State Building, bem ali, no centro de New York, o maior arranha-céu do mundo. Eu queria levar Thalia lá, no último andar para, juntos, podermos ver toda a cidade. Eu sempre quis ir lá, mas de todas as excursões do orfanato, o edifício mais famoso da cidade foi um dos lugares onde não visitamos.

Coloquei Thalia no chão e segurei em suas mãos.

– Coloque os fones de ouvido. – eu disse a ela.

– Por que? – ela perguntou. Seus olhos ainda estavam fechados, como eu ordenei.

– Porque não quero que ouça. Faz parte da surpresa. E não abra os olhos.

– Não vou. – respondeu. Tateou os bolsos até encontrar o Ipod e deu play em uma música qualquer, colocando os fones no ouvido.

Guiei-a até dentro do edifício, assegurando-me de que ela não descobriria até que estivéssemos lá encima, na cobertura. Falei com um recepcionista e ele nos deu passes para o 102° andar, o último. Estranho foi o fato de ele ter me olhado como se esperasse que eu fosse pedir outra coisa, mas ficou aliviado em saber que só queríamos fazer uma visita.

Pegamos o elevador e gastamos uns cinco minutos até chegar lá no alto. As portas se abriram para a cobertura. Lá fazia mais frio que na rua, por causa da altitude. Mas estava tudo ótimo, eu estava realizando um desejo, ao lado da minha melhor amiga.

Eu a levei até a beirada da grade pra que ela pudesse ter toda a visão da cidade, então soltei suas mãos e puxei os fones de ouvido.

–Você me interrompeu a escutar Paramore, sabia? – ela disse.

– Você quer ouvir Paramore ou ver a sua surpresa de aniversário? Pode abrir os olhos agora. –e ela os fez.

Estávamos lá, no topo do mundo. Na visão mais maravilhosa da cidade de New York.