Notas iniciais
Olá vocês! Finalmente mais um capítulo. Desculpem a demora, ando meio sem tempo pra escrever. Espero que gostem desse. Beijos Isabell

Nunca liguei muito pro Natal até agora. Eles não eram muito divertidos no orfanato e eu nunca entendia o sentido da festa. Todo o mundo dizia que era mais do que ganhar presentes, mas eu não sabia o quê. Agora eu sei. Mesmo sem ninguém me dizer eu finalmente compreendi o sentido do Natal.

Família.

Era a primeira vez que eu tinha uma e agora eu realmente compreendo a importância dela para uma pessoa. E constituir uma família com Thalia e a pequena Annabeth era o melhor presente de Natal que eu poderia receber.

Nós três, juntos, enfeitávamos a antiga casa de Thalia para comemorarmos a data. As garotas montavam a árvore e o presépio, enquanto eu pendurava enfeites para todo o lado. Ao final do dia, estávamos tão exaustos que nos jogamos no sofá para descansarmos um pouco e Annabeth acabou adormecendo. Eu a peguei no colo e levei-a para a velha cama de Thalia.

– Ela estava muito cansada. – eu disse voltando para a sala e me sentando novamente ao lado de Thalia.

Nós estávamos sozinhos agora, o que era bem estranho, porque na última vez que estivemos assim, nós quase nos beijamos.

– Luke, obrigada pelo dia de hoje. – ela sorria pra mim – Foi o melhor aniversário de todos. Eu adorei os presentes.

– Os presentes? – perguntei – Mas eu só te levei no Empire State.

– E teve aquele café da manhã delicioso que você preparou. Mas o melhor de tudo que eu ganhei hoje foi Annabeth.

Eu jurava que ela ia falar do nosso quase-beijo, mas que bom que não tocou no assunto. Acho que nenhum de nós dois estava preparado pra fazer ou falar sobre aquilo. Não sei o que me deu na cabeça naquela hora.

– Com certeza Annabeth foi o melhor presente do dia. – foi o que eu disse – Pra nós dois.

– Nós vamos mesmo ficar com ela, não é? Não é justo leva-la de volta pra casa.

– É claro – respondi sério – Ela só tem a nós. Temos que cuidar dela. Tem pais tão idiotas como os nossos.

Thalia respirou fundo, mas não disse nada.

– Sabe – continuei –, se um dia eu pudesse encontrar com nossos pais, eu ia acabar com eles.

– Não fale essas coisas Luke. – Thalia me repreendeu – Se os encontrássemos, nós teríamos que conversar com eles e não mata-los ou sei lá o que está pensando.

– É que não suporto saber que estamos precisando de ajuda, que estamos morando na rua com fome e frio e eles nem se quer sabem disso. Isso não te incomoda?

– Incomoda, é claro. – ela responde – Não são os pais mais adoráveis do mundo. Mas teríamos que conversar com eles sobre o porquê de terem nos abandonado.

Foi a minha vez de não dizer nada, mas ela continua:

– Acho que estamos nos dando tão bem na rua que não precisamos deles. Graças a você a gente tem comida e sempre conseguimos dar um jeito de espantar o frio. Além disso, se não estivessem nos deixado, eu nunca iria conhecer você. – ela engoliu em seco.

Eu baixei a cabeça sem coragem de encarar seus olhos azuis. Eu devia estar vermelho de novo. Era uma mistura surreal de cores naquela sala.

– Pelo menos nos deixaram alguma coisa. – eu disse com a voz falha – Um ao outro.

– Viu? Não foi de tudo ruim. – ela falou.

Concordei com a cabeça e me levantei do sofá.

– Nós deveríamos ir dormir – falei – Aposto que você está cansada.

– Estou. Annabeth está na minha cama, então vou ficar na de mãe. Você vem comigo? Está frio.

Não respondi nada, apenas a segui até o quarto. Thalia e eu nunca tivemos problemas em dormir juntos, abraçados. Nós fazíamos isso pra nos esquentarmos nas noites de frio lá na rua.

Deitei-me na cama e ela se encolheu em meus braços. Era uma cama de casal, então tinha espaço suficiente para nós dois, mas o calor de nossos corpos nos protegia da baixa temperatura, esquentávamos um ao outro.

Thalia caiu no sono mais rápido do que eu imaginava. Já eu, por mais que estivesse cansado, não consegui pregar o olho por muito tempo. Eu estava ocupado demais com os meus pensamentos, entusiasmado demais com eles. A realidade é que eu estava ardendo de felicidade com tudo que aconteceu hoje, principalmente a chegada de Annabeth.

Eu olhava Thalia dormir, agarrada em meu corpo e novamente me lembrei do nosso “beijo não dado”. Agora eu não sabia se estava feliz ou confuso com isso. Eu e ela não tínhamos nenhum problema em dormirmos juntos. Até agora.

Não muito feliz foi o sonho que tive quando adormeci, eles me deixavam cada vez mais assustado e intrigado.

Eu me encontrava no alto de uma colina, logo abaixo estava o lugar mais bonito que se pode imaginar. Era um campo gigantesco, cheio de árvores e flores. O espaço era ocupado por uma casa grande e doze pequenos chalés. Dez eram menores que outros dois, mas todos pareciam muito confortáveis. Além disso, havia um refeitório enorme, uma parede de escalada, uma arena de combate daquelas estilo gregas, campos com plantação de morango, um estábulo de cavalos (voadores?) e a praia mais maravilhosa do mundo. Parecia um acampamento de verão, e devia ser isso mesmo porque haviam centenas de crianças e adolescentes uniformizados com uma camisa laranja com os dizeres “Acampamento Meio-Sangue” e um desenho de um cavalo-voador (Pégaso é o nome correto pra essa criatura). A parte estranha é que todos eles tinham espadas, lanças e arcos na mão e, até onde eu sei isso é proibido ou até mesmo ilegal em um acampamento de verão.

Mas até ai tudo bem. Tinha tudo pra ser um sonho bem legal, o cenário era perfeito. O único problema era o que estava acontecendo:

Havia uma garota deitada no chão aos meus pés. Ela estava toda esfolada e com machucados e arranhões enormes. O cabelo curto e repicado estava desgrenhado, mas ainda assim era linda. A pior parte é que a garota era Thalia e estava à beira da morte. Parece que havia sido atacada por um monstro ou animal gigante e respirava com dificuldade. E alguma coisa me dizia que a culpa era minha. Eu segurava a mão dela implorando pra que não morresse, mas era inútil.

Em meio às crianças, estava Annabeth, ela vestia a mesma camiseta laranja que todos e tinha um boné azul preso no cinto. Chorava desesperadamente pela morte de Thalia e queria se aproximar, mas um dos outros adolescentes a segurava impedindo-a (tudo bem, essa é a pior parte).

Thalia suspirava e tentava me dizer alguma coisa, mas bem quando ela ia falar o sonho foi esbranquiçando e eu acordei assustado.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.