As Coisas Mudam
1 Capítulo único - As coisas mudam
Notas iniciais
Essa fic é uma oneshot de Percabeth beem bobinha que eu escrevi há uns dois anos, eu a encontrei entre uns arquivos antigos e resolvi postar. Ela se passa depois d'A Batalha no Labirinto. é possível que eu tenha deixado passar algum detalhe, mas não se prendam a eles mas me avisem, se for algo significativo. Eu sei que existem fics assim aos montes, mas por favor, leiam! E me digam o que gostaram, o que não ficou legal, me deem dicas; a opinião de vocês é muito importante. Obrigada!
Mais um dia no Acampamento Meio-Sangue. Mais um dia com ela. Aqueles cabelos cor de areia, os olhos cinza... E, principalmente, a expressão impetuosa em seu rosto. O que mais me atraía. A ideia do inalcançável. Amá-la e saber que nunca poderia tê-la.
—Hei, cabeça de alga, o que há? Que olhar é esse? — Ela chegara perto de mim, e eu sequer percebera.
—Eeeh, nada. Só... só estou distraído.
—É. Cara, que dia lindo! Apolo caprichou hoje, hein? Bem... O que você acha e nadar um pouco?
—O que? Nadar?
—Sim, nadar. O que foi, um filho de Poseidon com medo de água?
—Claro que não. — Eu não estava com medo. Apenas achava estranho, Annie nunca competia em algo que poderia perder, parecia ser algo incontrolável. —Se você quer, vamos.
Andamos juntos até a baía de Long Island. Ela virou-se e tirou a camiseta e a calça. Seu corpo era perfeito: bem delineado, levemente bronzeado. Eu ainda tinha a mesma opinião do dia em que a conheci: ela parecia uma daquelas garotas de praia da Califórnia.
—Vamos? — Ela disse, estendendo a mão para mim. Seu corpo brilhava realmente, ou era imaginação minha? — Vem, Cabeça de Alga!!
—Calma! — Levantei-me e me despi, ficando apenas de bermuda. Ao olhar para Annabeth, percebi que seu olhar demorara-se um segundo além do comum em meu corpo. Ela viu que eu a observava, e desviou o olhar. Ela estava corando ou era imaginação minha?? — Agora sim, vamos. — Respondi. Fomos até uma pedra, que ficava pouco acima da beira da praia, onde a areia encontrava a água.
—Que tal uma disputa, Percy? — ela disse, com um sorriso travesso no rosto.
—Você gosta de perder, não é?? Sabe que eu ganho.
—As coisas mudam.
—Você acha o que, que eu “des-aprendi” a nadar? Ou que não sou mais filho de Poseidon?
—As coisas mudam. — repetiu ela, sorrindo ainda mais. Olhou para mim, sorrindo.
—Tudo bem, então. Um, dois...
—Três! — ela disse, pulando antes de mim. Seu corpo fez uma curva delicada antes de atingir a água. Ela gritou, a água estava fria.
—Aaah!!! — Eu pulei logo atrás dela, dando uma cambalhota e caindo na água como uma bomba. — Annie? — Eu mergulhei e voltei até a superfície, olhei em volta, mas não a encontrava em lugar nenhum. — Annabeth? ANNABETH!!! — Ah, meus deuses, onde ela estava? Será que ela se afogou? Se isso tiver acontecido, eu nunca me perdoarei ... eu nunca disse a ela o que eu sentia... Eu nunca... argh! Ao invés de me lamentar, eu deveria procurá-la, não? Sim, eu deveria. Virei-me, e já ia mergulhando, quando senti uma mão gelada em minhas costas.
—Percy? — Eu dei um grito e virei-me, encontrando uma Annabeth sorrindo — O que houve?
—O que houve? Eu só pensei que você tivesse morrido afogada! — Não contive um impulso e abracei-a, encostando-a na rocha.
Percebi que ela retribuia o abraço, enlaçando-me com seus braços.
—Não sabia que você se preocupava tanto assim comigo, Jackson. — ela disse, olhando-me nos olhos, mas ainda me abraçando. Isso fazia com que nossas bocas ficassem perigosamente próximas. Ela logo percebeu isso, e sorriu — O que foi? Que sorriso bobo é esse no seu rosto?
—Sorriso bobo? Igual ao seu?
—Eu não tenho um sorriso bobo. —Eu ergui uma sobrancelha. —Tenho?
—Sim. Talvez não tanto quanto eu, mas sim. — Eu sorri. Novamente um sorriso bobo?
—É. Ultimamente, tenho visto muitos sorrisos bobos no seu rosto.
—Sério? — Eu empalideci. Era tão obvio assim que eu gostava dela?
—Sério. Ai! — Seu corpo contraiu-se, e ela agarrou-me com mais força.
—O que foi?
—Ah, que susto! Foi só um peixe. Do que você está rindo?
—Você enfrenta Dracaenae, Empousai, Hidras e Semideuses do mal e tem medo de um peixinho??
Seu olhar encheu-se de maldade — Pelo menos eu demonstro meus medos. Ao contrario de outras pessoas.
—Que outras pess... — Ela olhava maliciosamente para mim — Eu não faço isso.
—Ah, claro que não, imagine!
—Ah, eu tenho certa... Dificuldade.
—É, eu percebi.
Nós nos encaramos por longos segundos. Enfim, ela desviou o olhar.
—O que foi, Annabeth?
—Ah, Percy, Sei lá! Eu imaginava que esse verão fosse ser diferente, mas ele está igual aos outros.
—Como assim, “diferente”? — ela bufou, desvencilhando-se de meu abraço. Eu segurei-a mais forte — Annie, não adiante ficar brava, diga-me o que há de errado que eu te ajudo.
—Ah Percy... argh, bem que Clarisse disse que você era bem tapado.
—O que? Clarisse disse algo de mim? Não me admira que ela diga isso, me admira que você tenha dado ouvidos a ela.
—Percy, mas eu não posso negar que ela está certa. Às vezes você pode ser bem tapado mesmo.
—Annabeth, o que você quer que eu faça? Eu sou assim!
—Sim, mas você poderia ser um pouco mais... Mais direto!
—Direto como?
—DIZENDO O QUE VOCÊ SENTE!! Percy, eu estou cansada de esconder o que sinto, de tentar adivinhar o que você sente!
—Como assim “o que você sente”, “o que eu sinto”?
—Caramba, diz que me ama!!
...
...
...
—Como assim? — eu falei, quase num sussurro.
—Tudo bem... — ela disse, o brilho esvaindo-se de seus olhos — Acho que eu estava imaginando coisas... — seus olhos encheram-se de lágrimas — é... É melhor eu ir para o meu chalé.
Eu olhei-a e percebi que se eu não fizesse algo, perderia ela para sempre.
—Espere! Tal... talvez Clarisse esteja certa, talvez eu seja mesmo um paspalhão tapado. Você pode até me chamar assim, mas fique.
—Por que, Percy?? Para me iludir ainda mais?
—Não — uma idéia veio à minha cabeça — Mas, talvez para isso.
Eu aproximei meu rosto do dela vagarosamente, dando tempo para que ela se afastasse, se quisesse. Ela ficou no lugar. Delicadamente, aproximei meus lábios dos seus. Ela retribuiu. Foram minutos de êxtase — meu primeiro beijo com a garota que amo. Depois de um tempo, nos afastamos — afinal, precisávamos respirar. Nossos olhares se encontraram, mas logo se desviaram, como dois amantes proibidos. Puxa, se eu realmente quisesse conquistá-la, devia mudar meus modos. Olhei-a nos olhos, e disse o que estava travado há muito tempo:
—Eu amo você, sabidinha.
Um sorriso surgiu nos seus lábios. Delicadamente, ela se virou e sustentou meu olhar:
—Também amo você, cabeça de alga.
É, aquele verão prometia.
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