As Coisas Como São
3 ♪ Longe De Você
Notas iniciais
"Longe de você, eu enlouqueço muito mais"...
–-ღ--
"Longe de você eu enlouqueço muito mais
Eu vivo na espera de poder viver a vida com você
Vejo as pessoas sem saberem para onde o mundo vai
E eu conto as horas para estar com você".
– ... E depois o senhor tem uma reunião com os acionistas da empresa. Ah, e o Sr. Fullbuster já se encontra por aqui... — Minha secretária, Yukino, passava toda a minha agenda.
Já na minha sala, sentei na cadeira atrás da minha mesa, enquanto Yukino tagarelava sem parar.
– E é isso por hoje Sr. Dragneel. — Ela disse quando terminou. Espera, ela disse "por hoje"?
– Essa é a minha agenda semanal, certo?
– Não senhor, são seus compromissos para hoje.
Meu. Deus.
Suspirei cansado e recostei-me na cadeira. Automaticamente olhei para um pequeno porta retrato, que continha uma foto simples, porém que me importava muito e sempre me acalmava.
Era a foto da minha amada noiva, Lucy Heartfilia.
– Está tudo bem, Sr. Dragneel? — Yukino perguntou.
– Sim, Srta. Aguria, tudo bem. Pode retirar-se agora, obrigado.
Ela assentiu e saiu da minha sala, deixando-me sozinho com meus pensamentos. Respirei fundo e deitei minha cabeça na mesa.
Eu sou Natsu Dragneel, o mais novo presidente da Dragneel's Company. Assumi este cargo depois que meu pai, Igneel Dragneel, resolveu se aposentar. E desde então, eu trabalho como um condenado.
Ser presidente é uma grande responsabilidade, precisando estar sempre presente por aqui, tendo raros momentos de folga. E são nesses momentos que eu posso ver a minha Luce.
Conheci Lucy na faculdade. Ela cursava Letras e eu Administração. Logo estávamos amigos e mais tarde, nos tornamos namorados. Foram bons anos de namoro, antes do nosso tempo juntos diminuir drasticamente.
Enquanto eu assumi a Dragneel's Company, Lucy tornou-se escritora, e estava lançando um novo livro.
Ou seja, os dois sem tempo algum.
Não falo com Lucy desde ontem a noite. Talvez eu devesse ligar para ela.
Peguei meu celular e disquei seu número. Depois de dois toques, ela atendeu.
– Eu estava ligando para você nesse instante.– Ela disse ao atender e sua doce voz soou nos meus ouvidos como música.
– Então estamos bem conectados. — Falei e ouvi sua risada.
– Concordo.– Ela disse e ficou segundos em silêncio. – Estou com saudades.
– Eu também Luce. Muita. — Falei devagar.
– Lisanna disse que hoje eu não tenho compromissos. Acha que eu conseguiria te ver hoje?– Ela perguntou. Lisanna era a irmã de Lucy e também sua agente.
– Se estiver disposta a me esperar até a madrugada, talvez. Não poderia imaginar que teria tanto trabalho por aqui.
– Entendo. Bom, eu posso esperar.– Lucy falou.
– Luce, por favor. Eu tenho certeza que chegarei tarde, não quero que fique tanto tempo acordada. — Argumentei, preocupado.
– Eu vou esperar Natsu, e não adianta contrariar.– Ela disse firme. Mas que mulher teimosa...
– Tudo bem então, sei que essa discussão eu já perdi. — Falei e nós dois rimos.
– Amor...– Ela disse com certo receio.
– O que foi querida? — Falei calmo.
– Quando você chegar, tenho algo muito importante para te contar.
– O que? — Perguntei curioso e ela riu.
– Como é curioso... Não direi nada agora. Isso é tipo de coisa que se conta pessoalmente.
– Mas Luce... — Choraminguei.
– Não adianta fazer essa voz, seja paciente.
– Ok, eu vou esperar. — Falei suspirando derrotado.
– Que bom. Vou deixar você trabalhar agora.
– Argh, eu prefiro continuar a falar com você... — Reclamei com a voz cansada.
– Eu sei querido, também queria ficar o dia inteiro falando com você. Mas nós dois sabemos que isso não é possível.
– Por que você precisa ser tão responsável, hein? — Perguntei rindo.
– Alguém precisa ser nessa relação não é mesmo?– Ela respondeu e riu também. – Vou desligar agora. Eu te amo Natsu, até mais tarde.
– Também te amo Luce. Até logo. — Falei sorrindo de leve e ela desligou.
Fiquei bons segundos olhando para o celular antes de guardá-lo e começar a trabalhar. Mas uma coisa não saía da minha cabeça.
O que Lucy tinha de tão importante para me contar?
"Longe de você eu preciso de algo mais
Eu vivo na espera de poder viver a vida com você
Vejo pessoas sem saberem para onde o mundo vai
E eu conto as horas para estar com você".
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Horas e horas de trabalho depois, eu ainda me encontrava na empresa na minha sala, sobre a fraca luz do local.
Praticamente todos os funcionários já haviam ido embora e eu precisava ficar para rever alguns documentos e assinar outros. Yukino ofereceu-se para ficar e ajudar, porém eu a dispensei. Ela tinha um marido e uma filha para cuidar, seria injusto mantê-la aqui além do horário dela.
Depois de uma hora, eu finalmente terminei tudo por aqui. Suspirei cansado e olhei para o relógio, que marcava duas da manhã.
– Luce... — Sussurrei para o nada.
Levantei da cadeira com pressa e rumei para fora da minha sala. A tranquei e saí do prédio da Dragneel's Company.
Entrei no meu carro rapidamente e dirigi até em casa, ansioso para ver a minha Lucy.
–----x-----
Cheguei na nossa simples, porém aconchegante, casa. Estacionei o carro na garagem e para o meu alívio, finalmente entrei em casa.
A primeira visão que tive foi da nossa sala. A televisão estava ligada e nele estava passando um filme que parecia ser um romance. E, dormindo no sofá, estava Lucy.
"Que mundo é esse que ninguém entende um sonho?
Que mundo é esse que ninguém sabe mais amar?
Pra tanta coisa que faz mal eu me disponho
Quando eu te vejo eu começo a sorrir".
Sorri alegre e caminhei até ela. Lucy dormia sentada, apoiada no seu braço com Happy, nosso estranho gato de pelo azul, no seu colo.
Agachei de frente para ela e comecei a sacudi-la de leve.
– Luce...? — A chamei novamente, e Happy acabou acordando. Acariciei seu pelo macio e ele ronronou, pulando do colo de Lucy. Isso fez com que ela se remexesse no sofá e lentamente abrisse seus belos olhos castanhos.
– Natsu? — Ela sussurrou ainda sonolenta.
– Oi, amor... — Falei feliz.
Ela abriu os olhos completamente e sorriu radiante.
– Ah, Natsu! — Lucy falou contente.
A observei com carinho e me inclinei para abraçá-la pela cintura, descansando minha cabeça nas suas pernas. Lucy logo começou a passar as pequenas mãos pelo o meu cabelo.
– Eu senti tanto a sua falta Luce... — Falei saudoso e apertei ainda mais meus braços ao seu redor.
– Eu também Natsu...
Ficamos assim por um bom tempo, apenas curtindo a presença um do outro.
– Está com fome? — Ela perguntou de repente.
– Faminto. — Falei rapidamente e ergui a cabeça para olhá-la. Ela apenas riu.
– Eu preparei uma macarronada. Vem, vou esquentá-la para você. — Lucy disse e eu me levantei para que ela fizesse o mesmo.
Nos dirigimos para a cozinha. Eu sentei à mesa e Lucy direcionou-se para o fogão.
– Como foi o seu trabalho? — Perguntou de costas para mim.
– Um inferno. Tem realmente MUITA coisa para fazer por lá. — Falei suspirando.
– Bom, pelo menos você está em casa agora. Eu estou muito feliz. — Lucy continuou e não pude deixar de sorrir.
Ela terminou o que estava fazendo e virou-se para mim, depositando um prato com uma massa com molho na minha frente e sentou-se em uma cadeira perto de mim.
Provei a comida e um gosto muito bom espalhou-se na minha boca.
– Está excelente Luce!
– Obrigada, que bom que gostou. — Ela falou meio sonolenta mas sorriu.
Enquanto eu "jantava", conversamos muito, para matar a saudade. Tudo estava bem, até tocarmos no assunto "famílias".
– Por falar em família Natsu... — Lucy começou quando eu terminei de comer.
– O que foi Luce? Está tudo bem com eles? — Perguntei preocupado.
– Está sim, tudo certo. É que, na verdade... — Ela falava com dificuldade. O que estava acontecendo?
Levantei e agachei-me de frente para ela pela segunda vez naquela noite.
– Luce, diga o que está havendo... — Falei em tom baixo e pus a mão no seu rosto. Ela sorriu e sua mão sobre a minha.
– É que... — Ela me olhou atentamente por longos segundos até dar uma curta risada. — Você está com bafinho Natsu...
– Como? — Pisquei os olhos desconcertado. Depois de um bom tempo percebi o que ela tinha dito. — Ai Luce... — Falei constrangido e coloquei-me de pé, de costas para ela.
Lucy riu mais uma vez e abraçou-me por trás.
– Desculpe, não quis te envergonhar. Mas não acha melhor tomar um banho e relaxar? — Ela falou apertando o abraço e eu ri pondo minhas mãos sobre as dela.
– E escovar os dentes? — Brinquei.
– De preferência. — Completou rindo e eu me virei para olhá-la.
– Tudo bem, vou tomar um banho.
– Vou te esperar no quarto. — Ela disse e olhou-me uma última vez antes subir as escadas até o nosso quarto.
O banheiro ficava no andar de baixo, e então fui até ele pronto para tomar uma boa ducha.
Despi-me e entrei no box ligando a água e deixando-a escorrer pelo o meu corpo dolorido, depois de horas de trabalho.
No meio do banho, não pude deixar de notar algo. Lucy iria me dizer o que queria tanto falar antes. Era algo sobre família...
Do que Lucy estava falando?
"Não quero desperdiçar a chance de ter encontrado você
Hoje o que eu mais quero é fazer você feliz
Vejo as pessoas e sei que juntos nós podemos muito mais
Eu vivo na espera de poder viver a vida com você".
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De banho tomado, subia as escadas com a toalha enrolada na cintura. À medida que me aproximava do nosso quarto, pude ouvir murmúrios vindos de Lucy.
– Tudo bem, você consegue... Consegue dizer a ele... É fácil Lucy, qual o seu problema? — Ela se xingava. Ri com isso e parei de frente para a porta. Ela estava sentada na cama, vestindo uma blusa larga que me pertencia.
– Dizer o que Luce? — Falei de repente e ela deu um gritinho virando-se assustada.
– Natsu! Quer me matar?! — Ela falou irritada. — E-E trate de colocar uma calça pelo menos! — Disse cobrindo os olhos com as mãos, totalmente corada e virou-se para o lado oposto novamente. Balancei a cabeça, sorrindo em seguida. Ela não muda mesmo...
– Por quê? — Falei quando cheguei perto dela e sussurrei no seu ouvido. — Você já viu o que eu tenho aqui. E eu já vi o que você esconde, amor. — Mordi sua orelha de leve e ela tremeu suspirando em seguida.
– N-Natsu, eu p-preciso falar com você. — Falou virando-se para mim. — Mas antes vista algo.
Bufei de tédio e abri o armário colocando uma cueca e uma calça de moletom preta. Voltei a encará-la que mantinha os olhos cobertos.
– Pronto bobinha estou vestido. — Disse retirando suas mãos de sobre seus olhos.
– Q-Que bom. Agora, sente-se por favor. — Estranhei o pedido dela mas fiz o que ela disse. — Eu tenho algo sério para lhe contar.
– Luce, pode me contar o que quiser, sabe disso. — Falei pegando suas mãos.
– Oh Céus, pensei que seria mais fácil... — Ela disse para si mesma. Ela respirou fundo diversas vezes até encarar-me firmemente. — Posso te perguntar uma coisa?
– Claro que sim... — Falei tentando parecer calmo, mas com a minha curiosidade quase explodindo.
– Você me ama? — Perguntou meio vacilante.
A olhei sem entender.
– É claro que eu te amo Luce, duvida disso? — Perguntei com um pouco de medo.
– Não, claro que não. Apenas gosto de ouvi-lo dizer isso. — Disse sorrindo. — Você iria gostar de ter uma família?
– Mas já somos uma família. — Argumentei confuso.
"Que mundo é esse que ninguém entende um sonho?
Que mundo é esse que ninguém sabe mais amar?
Pra tanta coisa que faz eu me disponho
Quando eu te vejo eu começo a sorrir".
– E o que acha de termos... Mais um integrante? — Ela disse ainda hesitante.
– O que...?
– Estou grávida, Natsu... Você vai ser pai... — Ela finalmente, sussurrando as palavras, como se estivesse me contando um segredo.
Demorou bons segundos para cair a ficha.
– ... Pai...? — Falei ainda extasiado. Lucy fitava-me com os olhos brilhantes de expectativa.
– Você não está feliz? — Ela perguntou meio triste.
O QUE?!
– Não, não estou feliz. — Falei sério e vi os olhos de Lucy marejarem. Sorri brincalhão e a peguei no colo, girando-a pelo quarto. — ESTOU EXTREMAMENTE FELIZ!
Lucy ria nos meus braços e isso esquentou meu coração. Puxa vida, um filho! Meu e da Lucy. O fruto do nosso amor. Como não poderia estar feliz?!
– Natsu... — Lucy sussurrou quando a coloquei no chão. Pequenas lágrimas escorriam e um sorrido lindo estampava seu rosto.
Aproximei nossas faces e a beijei profundamente.
– Eu te amo tanto Luce... — Falei encerrando o beijo e encostei nossas testas.
– Também te amo muito Natsu...
"Molduras boas não salvam quadros ruins
Eu procurei a vida inteira sem saber bem pelo o que
Mas se pelo menos você estivesse aqui
Eu conto as horas para estar com você".
– Obrigado por estar na minha vida. Por me fazer o homem mais feliz do mundo.
– Eu apenas sou feliz com você, meu amor. — Ela disse sorrindo e eu suspirei de felicidade.
– Vou cuidar de você Luce. E dele também. — Falei acariciando seu ventre.
– Ou dela. — Ela disse rindo. — Mas e o seu trabalho? Eu tenho licença, mas você...
– Luce, quando vai entender que você é a minha prioridade? — Falei sorrindo. — Eu vou dar um jeito e tudo vai dar certo, ok? — Completei e coloquei uma mecha teimosa atrás de sua orelha.
Ela assentiu e me abraçou descansando a cabeça sobre meu peito.
– Nosso primeiro filho... — Ela sussurrou.
– O primeiro de muitos. Teremos mais vinte e nove! — Falei animado e Lucy olhou-me alarmada.
– Enlouqueceu?! — Ela falou e deu-me um leve tapa, mas riu em seguida e eu a acompanhei.
Ah, Lucy... Iniciamos outra aventura. Mais uma de tantas outras que ainda teremos. Você é meu lar Luce, sempre estarei com você.
"Estive lá na sua presença
Só pra saber o que você diria sobre nós
O que te diz mais"?
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