As Coisas Como São
4 ♪ Proibida Pra Mim
Notas iniciais
"Se não eu, quem vai fazer você feliz"?
–-ღ--
"Ela achou meu cabelo engraçado
Proibida pra mim, no way
Disse que não podia ficar
Mas levou a sério o que eu falei"
– Estou indo! — Gritei para o meu pai, Igneel, enquanto saía de casa.
– Boa aula filho! — Ele gritou de volta e eu corri para a minha escola, a Fairy Tail School e eu estava super atrasado.
Quando cheguei, o sinal já havia soado e apressei ainda mais o passo até chegar a minha sala e desabar na minha cadeira, praticamente morto.
– Atrasado de novo Natsu? — Uma voz conhecida falou.
– Vá se ferrar, Gajeel... — Falei com a voz cansada demais para começar a discutir. Ele apenas riu e sentou-se no seu lugar.
Nisso, o professor Gildartz entrou na sala desejando bom dia a todos, dando início a aula. Eu não prestei muita atenção. Na verdade estava mais interessado no intervalo.
Como se lesse meus pensamentos, o sinal tocou anunciando a tão esperada pausa nas aulas.
– Você vem com o pessoal? — Gajeel perguntou enquanto a turma saía para fora.
– Podem ir na frente, eu encontro vocês depois. — Eu disse e ele assentiu saindo da sala.
Levantei da cadeira minutos depois e caminhei pelo corredor quase vazio.
Eu andava tão distraidamente que acabei esbarrando com tudo em alguém e ambos acabamos caindo no chão.
– Ai... — Ouvi um murmúrio. — Ah, meu Deus, me desculpa! — A voz disse alarmada. Era uma garota.
Sentei no chão gelado e olhei para a dona da voz. Meu coração parou por um segundo.
Ela era tão bonita... Cabelos longos e loiros, parecia ser baixinha. Tinha lindos olhos grandes e castanhos e usava o uniforme da escola.
Estava tão vidrado nela e nem notei ela me chamando de novo.
– Oi...? — Ela disse abanando a mão diante dos meus olhos, já de pé.
– Ah... Oi! — Falei alto, voltando a realidade.
Ela apenas riu e ofereceu a mão para me ajudar a levantar. Aceitei e ela levantou-me com certo esforço.
– Obrigado. — Falei sorrindo sem graça.
– Desculpe ter te derrubado. — Ela disse coçando a nuca.
– Não, a culpa foi minha, eu peço desculpas. — Revidei e nós acabamos rindo. A encarei novamente. Realmente, ela era linda.
– O seu cabelo. — Ela disse de repente.
– O-O quem tem ele? É estranho eu sei... — Falei desviando o olhar, já esperando as piadinhas.
– Não! É diferente e eu gosto de rosa. — Ela falou e eu a olhei surpreso. Um belo sorriso sincero estampava seu rosto. Sorri para ela.
– Eu sou o Natsu. E você?
– Ah, eu... — Ela começou a falar, porém foi interrompida por uma voz masculina.
– Blondie, o que está fazendo?! — Era um cara loiro e alto. Eu o conhecia, era o idiota do Sting Eucliffe, o maior babaca da escola.
– Ah, eu esbarrei no Natsu sem querer. — A loira falou calmamente.
– Hum, sei. Vamos logo, vamos sair daqui. — Sting disse, ignorando-me completamente e puxou a garota cujo o nome eu não sabia. Mas que parecia ser legal e divertida.
– Certo... Até outra hora Natsu! — Ela disse sorrindo o que fez Sting puxá-la para mais perto dele. Um gesto simples porém que me incomodou muito. Sorri de canto e gritei para ela:
– Com certeza nos veremos novamente!
Sting virou-se para mim, olhando-me zangado. Apenas sorri desafiadoramente.
Ora, garota sem-nome, nosso reencontro será muito em breve.
"Eu vou fazer de tudo o que eu puder
Eu vou roubar essa mulher pra mim
Eu posso te ligar a qualquer hora
Mas eu nem sei seu nome".
–----x-----
Os dias foram passando e logo tornaram-se meses. Três meses se passaram, e eu via a garota loira todos os dias.
Nós conversávamos bastante e acabei descobrindo seu nome. Lucy Heartfilia. Ou como eu gostava de chamá-la, Luce.
Porém, só conseguíamos nos ver durante o intervalo, antes daquele trouxa do Sting chegar e atrapalhar tudo.
Ah, que ódio.
O tempo que eu passava com Luce era bom demais, eu adorava conversar com ela. Mostrou-se ser uma pessoa gentil, sempre disposta a ajudar todos. Uma garota alegre e muito encantadora. É um tanto desastrada e às vezes exagera na animação.
Mas foi esse jeitinho de ser dela, que acabou conquistando meu coração.
Estávamos mais uma vez no intervalo. Eu, Luce e meus amigos, que acabaram por se tornar amigos dela também.
– E então... — Erza estava contando sobre o seu final de semana, porém fora interrompida pelo sinal de término do intervalo.
Enquanto os outro foram se levantando para voltar á sala de aula, eu permaneci sentado, porque hoje, eu estava disposto a falar tudo o que sentia para Luce. Eu já havia tentado várias vezes antes, porém Sting sempre era um imprevisto. Toda a vez que eu começava a tocar no assunto "eu e você" com a loirinha, aquele loiro aguado surgia do além, e levava ela para longe de mim.
Mas hoje não.
"Se não eu, quem vai fazer você feliz?
Se não eu, quem vai fazer você feliz?
Guerra"!
– Luce, espera! — Falei enquanto segurava sua mão e senti-me tremer de ansiedade.
– O que foi Natsu? — Ela perguntou meio confusa.
– Eu... Preciso falar com você.
– Tudo bem, pode falar. — Ela disse sorrindo.
– Precisa ser a sós Luce. Por favor...
– Claro, mas a aula já vai começar, sabe... — Ela argumentou. Poxa Luce, colabora aí!
– O assunto é meio urgente sabe? — Eu disse tentando parecer calmo.
– Eu...
– Blondie! — Sting gritou de longe, vindo na nossa direção.
Ah não abelhudo, não dessa vez!
– Desculpe! — Eu disse e a peguei no colo, correndo para longe de todos.
– Natsu, o que está fazendo?! — Luce gritou.
Não respondi, apenas continuei correndo, até pararmos em frente a grande cerejeira da escola, que ficava no pátio atrás da mesma.
Coloquei Luce no chão e ela sentou-se no banco respirando devagar.
– O que aconteceu Natsu? — Ela perguntou, olhando-me séria.
– É... E-Eu... — Gaguejei nervoso.
– Natsu, eu quero saber o que você tem para me contar, mas temos aula agora. Depois conversamos, certo? — Ela levantou-se do banco, afastando-se de mim.
Eu não conseguia falar, eu estava travado. Mas eu tinha que dizer algo, então, larguei a bomba.
– Luce, eu te amo.
Nesse instante, ela parou de avançar e ficou parada, sem virar-se para mim.
Bati a mão na minha testa. Ora, que ideia brilhante, imbecil!
"Eu me flagrei pensando em você
Em tudo que eu queria te dizer
Numa noite especialmente boa
Não há nada mais que a gente possa fazer".
– E-Eu sei que é repentino... Eu tinha preparado todo um discurso, mas essa é a verdade. — Ela ainda estava de costas. — Estou apaixonado por você. Desde o dia que esbarramos naquele corredor. Você é incrível garota, e eu amo seu jeito de ser. — Nesse momento fechei os olhos morrendo de medo de sua reação. — Eu só queria que você soubesse, talvez não desse jeito, mas você sabe que eu sou meio idiota e impaciente. Mas enfim, Luce, é isso. Eu te a — Minha fala fora interrompida bruscamente por um pressionar de lábios sobre os meus.
Abri os olhos e enxerguei a cena que eu mais tenho desejado ver e sentir nos últimos meses.
Luce estava me beijando. E era muito real!
Paramos o breve beijo para respirarmos. Luce olhava-me ofegante, com os olhos brilhantes, as bochechas coradas e os lábios entreabertos.
– Luce...? — Perguntei meio hesitante. Ela apenas sorriu para mim, sincera.
– Ah, Natsu... Pensei que eu falaria isso para você primeiro... — A linda garota a minha frente disse.
– O que? — Falei bobamente.
Luce nada disse, apenas abraçou-me fortemente e claro que a abracei de volta.
– Eu te amo Natsu. Do jeitinho que você é. — Ela sussurrou no meu ouvido e meu coração apertou-se de uma maneira boa.
Sorri abertamente e a afastei para enxergar seu rosto. Sua face estava avermelhada adoravelmente e um sorriso ainda enfeitava seu rosto.
Devagar, coloquei minhas mãos sobre suas bochechas e aproximei nossos lábios até selá-los delicadamente.
Um beijo perfeito, com a garota perfeita. A garota que eu amava.
Cessamos nosso beijo sem desviarmos o olhar, com as testas encostadas.
– Luce? — Perguntei.
– Sim?
– Quer namorar comigo? — Meu tom era cauteloso.
– Ainda pergunta? É claro que sim! — Ela exclamou alegre e lhe dei um selinho.
– Não faz ideia de como estou feliz, Luce. — Afastei nossos rostos e segurei sua mão. — E não se preocupe, ninguém irá roubá-la de mim, nem mesmo Sting!
– ... Sting...? — Ela disse confusa.
– Ora, é claro! Ele vive tentando tirá-la de mim, mas até parece que eu iria perm -
– Mas Natsu, Sting é o meu primo! — Luce disse rindo.
...
OI?!
– 'Tá de sacanagem?! Mas e todo aquele teatrinho de namorado-pretendente-sei lá o que, com você?!
– Ah, ele é alguém super protetor. Parece mais o meu irmão, mas é só alguém desconfiado de todos.
Ah, isso é brincadeira, só pode!
– Eu meio que fui um babaca... Desculpe Luce...
– Está tudo bem, sério! Claro, não vai ser fácil quando ele souber, mas vai dar tudo certo. — Ela disse calmamente, o que amenizou a situação constrangedora que se formara.
– Sim, dará tudo certo. Imagina quando o pessoal todo souber... — Falei rindo e ela acompanhou-me.
– Ah, não se preocupem com isso, a gente já sabe. — Uma voz do além falou e ambos nos assustamos, procurando pela voz. Olhamos para o lado e vimos Levy e todos os nossos amigos, inclusive Sting, que estava sendo segurado por Gajeel.
– Ah, cara, cadê a privacidade nessa escola?! — Brinquei.
– Nós já sabíamos que isso aconteceria, só queríamos saber quem tomaria coragem primeiro. — Erza disse o que nos fez rir.
– Nós teremos uma conversinha depois, Dragneel. — Sting disse emburrado, olhando seriamente para mim, mas não me intimidei.
– Quando quiser. — Falei convicto e senti Luce encostar sua cabeça no meu ombro. A abracei de lado, sorrindo para ela e caminhamos juntos até o pessoal, que não parava de tagarelar o quanto éramos lerdos e essas coisas.
É, a vida é uma caixinha de surpresas, mas ás vezes, as surpresas são realmente muito boas.
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