As Chaves Dos Nossos Corações
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Depois que eu ri, acabou que eu achei a chave do coração uma ideia interessante, e pá, me veio essa one ;D
Ela é simples, pequena, fofa, amorzinho.
ATENÇÃO: leiam com a música Human, da Christina Perri ;D o link tá nas notas finais.
Espero que gostem -w-
Boa Leitura!
As Chaves Dos Nossos Corações
Capítulo Único
Aquele era um lugar muito parecido com o nosso, porém havia diferenças. Diferenças significativas.
Quando as pessoas nasciam, elas vinham com um buraco nos corações e na pele. Às vezes era um buraco pequeno, que apitava quando o ar estava forte. Às vezes era um buraco grande, que incomodavam a pessoa, por causa do tamanho. Além disso, as pessoas se apaixonavam muito facilmente. O buraco aumentava se ela vivesse muitos momentos tristes ou então se fossem momentos felizes demais.
Por isso, num dia, alguém apareceu com um cadeado, que trancou o seu próprio buraco. A maioria das pessoas achou estranho, mas então viram a praticidade daquilo: não haveria som, nem incomodo com a aparência, paixões instantâneas, muito menos dor se o buraco resolvesse aumentar, porquê ele não aumentaria!
Então, de repente, toda gente apareceu com um cadeado, e isso tomou proporções tão grandes que o mundo todo tinha um cadeado. Elas se acostumaram a usarem as chaves, que carregam sempre consigo, muitas vezes em bolsinhas especiais, ou, aqueles menos cuidadosos, jogada de qualquer jeito dentro do bolso.
Cada pessoa tinha a sua própria chave do seu próprio coração. Havia aqueles que davam a chave para qualquer um, pois gostavam de experimentar o amor momentâneo. Tinha outros que passavam a vida toda sem entregar a chave para ninguém, deixando–a guardada para sempre em algum lugar. Alguns abriam o cadeado de tempos em tempos, para experimentarem o ar gelado passando por seus corpos.
Hinata não era de um, nem de outro. Ela cuidava da sua chave como cuidava do seu celular, porém pretendia entregá–la para alguém tão logo que pudesse. Queria saber como era ter aquele buraco preenchido com amor, paixão e cumplicidade. Por isso, nunca entregava sua chave para ninguém, tampouco abria o cadeado, pois acreditava que havia alguém destinado a tal ato.
Um dia, porém, ela acordou e procurou a caixinha em cima da cômoda, o lugar onde sua chave estava sempre. Não a encontrou.
– Neji, você viu a minha chave? – Perguntou, ainda de pijama, olhando para o primo que comia cereal na sala. Neji balançou a cabeça negativamente, prestando atenção no programa da TV.
– Hana, você viu minha chave? – Perguntou para a irmã dessa vez, a mais nova descia as escadas e fez um som com a boca que claramente indicava uma negativa.
Hinata se desesperou, com o coração latejando no peito. Subiu as escadas e revirou o quarto, jogando as coisas para o alto, procurando em cada canto e em cada espaço. Não achou o que queria, a chave não estava lá.
Segurou o cadeado na mão, então, ficaria com aquilo para sempre? Seu coração pareceu doer com esse pensamento. Ela tinha que achar um chaveiro ou um martelo; o primeiro poderia resolver aquele caso e o segundo serviria para quebrar o cadeado, num ato de desespero.
No fim, acabou que Hinata teve que tomar um banho e se arrumar para ir logo para a escola, pois não podia se atrasar. Ela não se importava com o peso que o cadeado fazia, convivia com ele todos os dias, porém naquele dia parecia ser o dobro.
A morena sentia como se o peso de todo o mundo fosse colado em seu peito, puxando–a com força para baixo, quase a fazendo cair. A última coisa que ela fez foi botar seus sapatos e sair de casa, enquanto Hanabi continuava lá e Neji havia saído na frente. Suspirou enquanto andava, o cabelo ia de um lado para o outro, os olhos baixos e o rosto cansado.
Queria sua chave. A chave do seu coração.
Seus passos eram lerdos, fundos, ela quase achou que iria passar o concreto, talvez virasse pedra. O caminho seguia vazio, o sol estava forte e ela limpou o suor com as costas da mão. Então olhou para o lado; lá embaixo estava o rio, de água num puro azul e completamente vazio. Sentiu–se tentada em descer e andar pelas beiradas, talvez esquecer aquele assunto que pelo jeito só poderia ser resolvido no próximo dia.
Mas foi apenas tentação, pois Hinata não desceu. Ela apenas levantou a cabeça e seguiu seu caminho vazio, se perguntando por que todas as pessoas tinham um cadeado. Por que era assim tão necessário fechá–lo? Era assim tão ruim todos os efeitos que o vazio provocava?
Não havia nada de bom naquilo?
E, se não havia nada de bom, porque todos nasciam com o buraco, afinal?
Os pensamentos tristonhos dela foram interrompidos por um assobio gostoso. Virou a cabeça para o lado do rio, segurando com firmeza a bolsa e procurando a pessoa que fazia o barulho. Lá estava ele; os cabelos amarelos como o sol, a pele bronzeada e o sorriso estonteante. Hinata sempre o via na escola, animado e rindo com os poucos amigos que tinha. A Hyuuga o olhava por um longo tempo, escondida atrás de alguma pilastra, tentando acreditar que era só curiosidade.
Agora, o garoto estava com uma camiseta de botões, que tinha os quatro primeiros abertos e revelava o peitoral. Mais do que isso, revelava o buraco aberto, sem nenhum cadeado. Ela parou, em choque. Nunca havia visto ninguém daquele jeito.
Ele não tinha um cadeado. Tampouco parecia se importar com isso. Outra coisa chamou sua atenção, além do fato de ele estar vindo no sentido contrário e lá embaixo, o loiro jogava um objeto para cima, o pegando e jogando de novo, enquanto assobiava.
Dessa vez Hinata arregalou os olhos. Sua boca secou. Era a sua chave, sua preciosa chave! Correu em direção a escada, descendo rápida e de qualquer jeito, correndo então para alcançá–lo. O vento levava os seus cabelos, sua saia e refrescava seu rosto. Quando finalmente chegou na frente dele, se curvou, se apoiando nos joelhos e respirando ofegante.
– Por favor, essa é a minha chave. – Pediu ela, quando conseguiu levantar o tronco. O rosto estava vermelho pela corrida, calor e também por estar tão perto dele. Esticou a mão, esperando. O menino não fez nenhum movimento, estava surpreso pois ela havia aparecido quase do nada.
– Heh?
– Na sua mão, é a minha chave, do meu cadeado. – Hinata explicou, ansiosa. Seu rosto corou mais, era estranho tê–lo tão perto, pois sempre estava o admirando de longe. Era estranho como uma pessoa podia sorrir tão naturalmente como ele. Hinata gostava disso, pois não era boa em sorrir, algo a bloqueava.
– Eu a achei no caminho. – Disse ele, sorrindo. Ainda assim, não a entregou a chave. Hinata mordeu o lábio inferior.
– Eu só percebi que a perdi hoje. Deve ter caído no caminho. – Explicou outra vez, levando os olhos até a mão dele. No caminho, o buraco passou novamente pelos seus olhos. Corou mais, parecia que a intimidade toda dele estava à mostra.
– Foi mal, mas – ele levou as mãos até atrás da cabeça, ainda sorrindo de orelha á orelha. – como posso saber que a chave é realmente sua? Pode ser de qualquer um.
Hinata abriu a boca em um ‘o’. Ele bem tinha razão. Mas a chave era realmente dela, o chaveiro de estrela não a deixava mentir.
– Eu não mentiria sobre a minha chave ou a chave de alguém! – Exclamou, o sol batendo forte nas suas costas. Ela ainda tinha escola para ir. – Você tem um cadeado também, entende do que eu estou falando. – Abaixou a voz, envergonhada.
– Me desculpa, eu não entendo. – O sorriso dele diminuiu, mas continuava lá. Os olhos azuis pareciam refletir o próprio rio. Hinata deu um passo para trás, tamanha foi a intensidade do olhar dele.
Entendeu o que ele queria dizer, sem saber o que responder. Ele não tinha um cadeado, aquilo era muito esquisito.
Uma pessoa sem cadeado...
Era por isso que ele andava com poucas pessoas?
– Eu abro. Posso abrir meu cadeado e te mostrar. – E ergueu a mão, esperando que lhe desse. O garoto pareceu se convencer, entregando a chave para ela.
Hinata também abriu os botões da própria camiseta, puxando o cadeado para fora, sem precisar mostrar muito do sutiã. A chave tremou em suas mãos, ela tinha medo de fazer isso. Muito medo.
– Não dói. – O garoto lhe falou, quando percebeu a demora, o medo dela. – Confie em mim.
E Hinata acenou com a cabeça, encaixando a chave e girando–a. Então, seu cadeado abriu e ela o soltou no chão, tamanho foi o susto.
O vento pareceu duas vezes mais forte, entrando pelo seu corpo, quase percorrendo suas veias. O sol quase queimava sua pele, mas a sensação era extremamente satisfatória. O céu mudou de cor; ele tinha tantos tons diferentes, que se Hinata pudesse identificar 100, ainda seriam poucos. Ela não podia ver nem a metade, pois as cores não paravam de se mover.
Levou a mão até peito, tocando por cima da abertura. Tudo o que ela havia sentido em sua vida toda parecia voltar duas vezes mais forte, como se ela tivesse que experimentar todos os sentimentos novamente.
Seu corpo ficou mole e ela quase caiu, porém, antes que alcançasse o chão, alguém a segurou. Hinata abriu os olhos, quase sem forças; havia sido demais para o seu corpo.
– O cadeado é realmente seu. – A pessoa sorria, segurando–a pelos ombros. Hinata levou a mão até o rosto dele.
– É por isso que você não tampa? O pedaço que te falta. – Murmurou, com dificuldade.
– Não me falta nada, é isso o que a maioria de vocês não entende. – Lhe respondeu, ajeitando–a com cuidado, para que ela se levantasse. O sorriso dele estava muito mais bonito agora, cheio de sentimentos e coisas que Hinata não podia ver, mesmo com aqueles olhos.
– Naruto... – Murmurou o nome dele, que havia tido medo de falar até agora. – É claro que falta algo, você sabe, falta em todos nós.
– Diga por você. Eu estou completo. – Hinata tentou sorrir com aquela resposta, porém seus lábios apenas se curvaram. Naruto pareceu satisfeito com o silêncio. – Está vendo agora, não está? Você também está completa, sem nada que esse cadeado representa.
E, finalmente, Hinata experimentou o ponto alto que a abertura representava. Ela segurou o braço dele, apertando com força, enquanto os olhos se enchiam de lágrimas. Virou seu rosto para o céu, agora ele se unificava no mesmo tom de azul que via sempre. Olhou novamente para Naruto, tentando entender o que estava acontecendo consigo mesma.
Não encontrou a resposta.
– Você guarda a minha chave? – Perguntou, baixinho, levando a mão até o buraco dele e percorrendo com o dedo. Nunca havia falado com ele pessoalmente, mas agora parecia que se conheciam há anos. – E o meu cadeado?
Ele arregalou os olhos.
– Eu não sei se você vai... Sabe, aguentar viver sem ele. – Engoliu em seco.
– Eu não posso simplesmente trancar tudo o que senti. – Foi a resposta dela, que finalmente conseguiu sorrir, mesmo que fosse pequeno. – Eu posso te confiar a chave do meu coração?
Naruto ficou surpreso por alguns instantes, mas depois voltou a sorrir, balançando a cabeça.
– Prometo cuidar dela.
Hinata teve a respostas para todas as perguntas dela.
O buraco no coração com que todos nasciam não era ruim; não era feio. Ele estava lá para que as pessoas pudessem ter uma terceira visão do mundo, uma visão onde o perfeito não existe.
Prometeu para si mesma que nunca mais precisaria usar o cadeado, tampouco da chave. Havia uma coisa que completava seu coração de maneira muito melhor.
Amor.
Notas finais
Perdoem qualquer erro, eu não reviso D;
Essa ideia do buraco eu já vi em algum lugar, acho que foi numa tirinha hmmmm de qualquer forma, eu lembrei agora, não foi proposital, eu precisava de algo p por o cadeado huaahauahua
Mt obg pra todo mundo q leu ♥
Bjss!
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