Ao amanhecer, Draco acorda e olha envolta, se depara com a cama vazia e as bandagens que Anna usava jogadas no chão, ele logo saiu para a procura lá na mansão. Após procurar por diversos cômodos, olha por uma janela, e olha para todos cantos, e então ao olhar para o jardim ele avista alguém, que estava caminhando ali. Então saiu e foi para o jardim, procurou por toda a parte até achar alguém próximo a uma grande fonte, era Anna já com os seus ferimentos totalmente curados, estava observando lindas flores que estavam florescendo em plantas sobre as águas da fonte. Draco se aproximou, então ela se virou em sua direção com algumas flores em sua mão, sem saber como seu coração parecia bater cada vez mais rápido, suas pernas não pareciam se mover, parecia ter engolido sua língua, e já não via mais o jardim, o céu e todo o resto, como se a beleza de Anna, ofuscasse toda paisagem em sua volta. Então Anna o vê, se aproxima e lhe diz:

– Oi ... Eu queria lhe dizer obrigado, por ter se preocupado comigo, e ter tratado de meus ferimentos, gostaria de lhe retribuir.

– Não, foi nada demais ... Só fiz o que era certo, não precisa retribuir.

– De qualquer forma obrigado – falou se aproximando dele, até ficarem bem próximos, olhou nos olhos dele e disse – Se não fosse você, provavelmente estaria morta agora, lhe devo minha vida, e não importa o que você diga eu pretendo lhe retribuir um dia.

Draco continuou olhando em seu olhos sem saber o que lhe responder e Anna logo fala:

– Acho melhor ir se arrumar, pois assim que você estiver pronto te levarei para conhecer o tão famoso “paraíso” que todos tanto falam.

– Então não tem com o que se preocupar, pois já estou pronto.

– Vamos logo então.

Draco e Anna saíram da mansão e foram caminhando pelas calmas ruas que passava pelo bosque rodeava sua mansão até chegar na cidade, caminharam até chegarem um quarteirão que era consideravelmente grande, mas só tinha uma casa em uma de suas esquinas, Anna o levou ao fundo da onde havia uma estrutura em forma de arco feito de pedra, ela se aproximou tocando na estrutura de pedra sussurrando algumas palavras em algum idioma difícil de entender, em seguida a região do arco começou a se iluminar com uma luz branca e forte, de certa forma quente, mas era um calor agradável, passando uma sensação de segurança e conforto, Anna olhou para Draco que demonstrava uma expressão de admiração e disse:

– Logo após esta passagem está o lugar que todos os humanos conhecem como “paraíso”.

Draco a olhou e voltou a olhar para a luz, e seguiu andando até atravessar e chegar ao outro lado, abriu os seus olhos e se espantou, era idêntico ao mundo de onde veio, só que era mais claro, parecia um vasto jardim cheio de árvores e flores, onde passarinhos pareciam voar livremente, onde o céu não era manchado pela fumaça das fábricas, onde silêncio não conhecia as buzinas incessáveis, mas inesperadamente meia dúzia de longas lanças com lâminas afiadas se direcionaram ao pescoço de Draco, ele olhou e era um dos que pareciam soldados usando armaduras prateadas, e Anna atravessara o portal estranhamente já com sua armadura e se depara com a situação em que ele se meteu e fala aos soldados:

– Abaixem suas armas.

– Não permitimos intrusos, e quem é você? – Falou um dos soldados.

– Sou a arcanjo Anna Salvatore, do segundo batalhão celestial – lhe respondeu com uma postura de superioridade.

– Perdão senhora – Lhe respondeu um dos soldados, enquanto todos punham se em uma postura de respeito, colocando suas lanças ao chão, enquanto abaixavam e deixavam um de seus joelhos encostar ao chão e pondo uma de suas mão sobre o joelho e abaixaram as cabeças – Não sabíamos quem era vossa excelência, esse erro não ocorrerá novamente. Mas e quanto ao intruso senhora?

– Quanto a ele, eu irei me responsabilizar por ele. Estão dispensados, podem voltar aos seus afazeres.

– Sim senhora, continuaremos nossa patrulha pela região – Falaram apanhando as lanças e saindo em formação.

– Quem eram eles? – Falou Draco para a Anna ao ver que os soldados se distanciaram deles.

– São anjos, que provavelmente foram postos para patrulhar a região

– E onde estamos?

– Os humanos chama de “paraíso”, mas nós chamamos de o Jardim das três flores, ou só Jardim mesmo pra facilitar, mas sem enrolação vamos logo até o meu professor, ele mora não muito longe daqui.

Assim Draco e Anna caminharam pelas ruas que eram feitas de blocos de pedras uma encaixada na outra, e não tinha carros por canto algum, e tinha muitas árvores em ambos lados das ruas, e canteiros de flores em frente a todas as casas, andaram até chegarem a um lugar que se assemelhava a um quartel ou um campo de treino, mas estranhamente era bem aberto, sem muros, como se não houvesse preocupações em invasões ou algo do tipo, só um grande campo onde anjo treinavam e algumas construções pequenas ao fundo, provavelmente alojamentos. Eles entraram e foram direto a uma construção que se destacava em meio às outras, logo à sua frente havia um homem olhando um tabuleiro de xadrez, aparentava ter na faixa dos quarenta e cinco anos, mas parecia ter bastante vigor apesar da idade e seu cabelos brancos, usava uma armadura assim como os outros, mas aparentava ser um pouco grande demais em comparação às outras e ao seu tamanho. Anna se aproximou e se aproximou, e o homem percebe sua presença e se vira em sua direção com expressão de seriedade em seu rosto, ela parou próximo a ele, se ajoelhou e disse:

– Perdoe-me por ter trazido um estranho até aqui, e espero que não fique com raiva de mim, mas precisava de seus conhecimentos para uma coisa e precisava dele.

– Levante-se – Falou o homem ao mesmo tempo que se levantava, e de repente um sorriso apareceu em seu rosto e ele a abraçou – Por que eu ficaria com raiva da minha pequena Anna, agora me diga quem é este homem que lhe acompanha?

– Este é Draco, e Draco este é Marcus Salvatore.

– E o que vocês gostariam de saber? – perguntou Marcus.

– É complicado de explicar – Anna deu um suspiro e continuou – É que não sabemos ao certo quem é e de onde o Draco veio, nem se ele realmente é humano, achei que você provavelmente conseguisse explicar isso.

– Draco, certo? Não sou adivinho, mas gostaria de saber quem era seu pai e sua mãe, talvez eu consiga lhe explicar de onde veio.

– Sim, é Draco. Quanto aos meus pais, não me recordo ao certo quem eram, morreram quando eu era bem pequeno. Lembro de ter lido talhado em uma pintura de meus pais os nomes deles, se me recordo bem seria, Sarah Benedetti e Darius Valenttini.

– Hum... Me recordo destes, mas... é estranho, pois ninguém sabia sobre a existência de um filho e mesmo que soubesse teriam matado também... Talvez o tenham criado em segredo para te salvar.

– Então você sabe o que aconteceu com meus pais?! – Falou Draco dando um passo à frente, um tanto inquieto.

– Calma rapaz, se me recordo de “Sarah, a morte alada”, e o temido “Darius, O Aniquilador”. São nomes que qualquer velho deve conhecer. Mas é estranho pois nunca ouve antes um hibrido, bem não que eu saiba ou tenha registro aqui.

– Um “hibrido”? – Perguntou Anna.

– Foi esquisito para mim este casal. Sarah, sua mãe, admirada por muitos, foi uma Grande Serafim, o mais alto cargo que um ser de nosso mundo pode chegar, ela era responsável pelo batalhão de elite que combatia na vanguarda, chegou a eliminar esquadrões de demônios sozinha, e posteriormente foi lhe imposto o título de “A morte alada”. Já seu pai, era temido por diversos, era um grande general, comandava um esquadrão de extermínio, composto pelos mais temidos demônios da elite, diferente de sua mãe, ele não matava de imediato com suas vítimas, ele costumava “brincar” com elas, arrancando suas peles enquanto vivos e quebrando cada osso de seus corpos, até que elas implorassem sua morte, e por fim as prendia e fazia mais alguns pequenos cortes em seu corpo, de forma que a hemorragia só os matassem dois a três dias depois, nem um anjo ou demônio ousava enfrentá-lo e quando enfrentavam e quando a derrota era certa se matavam antes de serem capturados, afinal quem suportaria esse tratamento, aniquilou quase um quarto de nossas forças, mesmo sem ordem sentia prazer em caçar qualquer anjo que aparecesse, e lhe impuseram o título de “O aniquilador”. Não sei como uma Serafim como a Sarah que jurou eliminar todos os demônios, foi amar um demônio, ou como Darius, extremamente sádico, foi amar um anjo. Após uma reunião entre todos os Serafins, foi declarado que o esquadrão de Darius era uma ameaça que não poderia ser ignorada e deveria ser eliminada com urgência, todos temiam combatê-lo, excerto Sarah que se ofereceu para ir. Após um dia inteiro de combate, parecia que só Darius ficou em pé. E que após perceber que só havia um sobrevivente que seria Sarah... Alguns dizem que ele se encantou com sua beleza e decidiu cuidar de seus ferimentos, após Sarah ter se curado ela percebeu que nem todos os demônios eram tão ruins, como todos relatavam, e no tempo em que passou com Darius aprendeu a amar. Para os anjos isso quebra suas linhas de conduta, foi condenada à morte, e Darius não foi diferente. Provavelmente nesse meio tempo você nasceu, e depois foram caçados e executados.

– Então o que eu sou? – Perguntou Draco, cheio de dúvidas.

– Você seria o primeiro hibrido, meio humano e meio demônio – Falou Marcus pondo uma de suas mãos sobre o ombro de Draco – Nunca notou suas diferenças em relação aos humanos? Que você poderia ser algo mais que um ser humano? Se quiser eu posso lhe ensinar sobre sua parte anjo, mas sobre a sua outra metade será uma incógnita que não irei poder lhe mostrar.

– Se não for um incomodo adoraria aprender com você.

– Será um prazer ter o filho de Sarah e Darius como meu aprendiz, mas só poderei começar amanhã... Anna lhe mostre os aposentos de Draco para ele.

– Vem Draco, me siga – Disse Anna para o Draco, ela entrou na construção e seguiu até a frente de um quarto e falou – Este é seu quarto, fique à vontade. Qualquer coisa eu estou no quarto ao lado.

– Obrigado, até daqui depois – falou entrando no quarto.

Draco entrou em um quarto pequeno, deitou na cama e ficou olhando para o céu através de uma grande janela que havia em uma das paredes, e refletiu sobre seus pais e quem ele era, e o que faria a partir de agora, e ficou pensando até adormecer.