As Cartas De Y.P.
7 Capítulo 7
Joshua o levou para o fundo do apartamento e no quarto masculino mostrou sua cama e seu armário. O quarto era relativamente pequeno, mas dava a privacidade, pois em volta da cama tinha trilhos com cortinas, para caso a pessoa quisesse fechá-la.
–Não tenho roupas, apenas a do corpo e minha sunga! O que vou guardar no armário? –Pergunta meio triste, sobre o fato de não ter alguns artigos que lembravam o orfanato e sua infância.
–Temos apenas algumas camisetas, calças, shorts, cuecas. Na semana que vem, vamos fazer compras do que falta, mas primeiro precisa aprender a usar os seus poderem, pois eles são fundamentais! Para sairmos desse apartamento, você tem que saber pelo menos o básico, pois pode haver algum atentado contra você. É necessário muita atenção e dedicação no treino de amanha, então trate de dormir que teremos um dia bem cheio amanha.
–OK. –Responde meio desconfiado, pois tinha certeza que os tutores estavam escondendo alguma informação importante.
Abre o armário e dentro há uma pilha com: duas calças jeans, dois shorts, quatro camisas, quatro cuecas. Ele fica feliz, pois a maioria das roupas que ele tinha eram doadas e para ele esse era um presente maravilhoso. Por ter vivido num orfanato e não ter tido tudo, isso fez com que ele se tornasse uma pessoa simples.
–Obrigado. –Diz meio sem graça, para o tutor.
–Pelo o que? –Ele retruca.
–Pelas roupas e por terem me aceitado, não me tratando como uma aberração! –Responde com as palavras tiradas do coração.
–De nada, mas na verdade, as roupas o governo quem deu e pra nós você faz parte da família, assim como os outros. –Ele responde meio sem graça, pois sentiu que o que Brandon estava falando vinha do fundo do coração. Pensava o quanto deveria ser difícil, não ter os pais e o orfanato que você foi criado foi destruído. Terminando ele o abraçou o Brandon.
Depois, Brandon decide arrumar a cama. Coloca o lençol e arruma o travesseiro. Quando deita, percebe alguma coisa dentro do travesseiro. Com isso, senta e coloca a mão por dentro da fronha. Discretamente, tira uma carta e coloca dentro do short.
–Preciso ir ao banheiro tomar banho, onde fica? -Pergunta com um certo tom de dissimulação, mas o tutor não percebe.
–É aquela porta, no canto direito. –Diz apontando.
–Obrigado. –Pega uma cueca e toalha, que estava pendurada na cabeceira da cama e vai para o banheiro.
Chegando, decide pegar a carta e ler.
‘’Acho que te dei motivos suficientes para confiar em mim, então leia com atenção! Não pense que está seguro nesse apartamento, então treine bastante para caso aconteça alguma coisa você esteja preparado. Não tente entrar em contato comigo e jamais conte aos seus tutores sobre. Você deve estar perguntando o motivo, apenas saiba que vai ser melhor assim para ambos. Por fim, sempre que mandar carta, não leia na frente deles e se desfaça dela o mais rápido possível.
De: Y.P.’’
Ao ler ele ficou atordoado. Para tentar pensar melhor, decidiu se enfiar debaixo do chuveiro, que já estava aberto. Colocou a cabeça debaixo da água e começou a pensar deliberadamente.
Será que as pessoas que agora ele considerava uma família, não podiam ser confiadas? Ele sabia que esse tal de Y.P. era um amigo, na verdade tinha certeza! Os outros apenas vieram para cá, pois o governo dos Estados Unidos enviou uma carta avisando, tudo formalmente. Com ele, se não fosse por essa pessoa que o avisou e ajudou, indiretamente, mas ajudou ele, tinha que admitir que era um amigo, mesmo nunca tendo visto essa pessoa.
Depois de terminar o banho, coisa que o ajudou a esclarecer a mente, se trocar, ir pra cama, foi assistir tv até pegar no sono.
–Bom dia! Vamos todos acordando! –Ele é acordado por Joshua e precebe que já eram 10:30 a.m.. Todos estavam acordando, dava para ouvir os murmúrios no quarto das garotas.
Ele se trocou, escovou os dentes e foi para a cozinha. Sentou-se á mesa que todos já estavam sentados, menos Joshua e Sharon, que estavam fazendo panquecas para o café da manha e deu oi. A mesa estava completa com todo o tipo de comida, que provavelmente eram para pessoas que viveram em outros países. Ele pegou café com leite e algumas torradas e começou a passar requeijão. Por mais, que estivesse adorando o café da manha, nã0 conseguia parar de pensar sobre Y.P.. Ele podia afirmar que o que ele falou, era como se ele tivesse plantado uma semente no estomago de Brandon e que a cada minuto que ele ficava com essa ‘’família’’ ela ia crescendo.
–Oi, dormiu bem? –Perguntou Clary, parecendo bem interessada e até encostou a cabeça nos braços para ouvir melhor.
–Bem e você? –Pergunta meio desconfiado.
–Ótimo! Não teve problemas com o fuso-horário?
–Acho que como minha mente se adaptou a língua, ela também deve ter se adequado ao fuso-horário. Mesmo assim, meu apetite deveria ter mudado...
–Ele não mudou, pois o que você comeu hoje no café da manha, você sempre comia. Esse hábito é difícil de tirar, mas com o tempo ele vai sumir. –Joshua falou tranquilamente enquanto sentava-se à mesa.
–Está animado para começar a treinar? –Pergunta Clary.
–Não poderia afirmar dessa maneira, mas estou ansioso e receoso. -Responde dando uma mordida na torrada.
–Acho que todos estão ansiosos! –Ela aponta para cada um e eles retribuem com um aceno.
–Mas vocês não tiveram nenhum treinamento desde que chegaram? –Coloca a mão no queixo curioso.
–Não eles disseram que devemos te esperar, para que todos trabalhassem juntos. –Responde Judith. Com isso, Clary olha para ela com uma cara de raiva.
–Os poderes de vocês já se manifestaram?
–Só às vezes, principalmente quando estamos muito agitados ou sentimos emoções muito fortes. -Richard comenta e é a primeira vez que ele participa da conversa.
Ele tomou um gole do café com leite e pensou sobre a Ashley.
–Joshua, eu preciso ajudar a Ashley, mas não faço ideia como! –Brandon fala com um pouco de indignação, pois queria ajudar a menina a falar.
–Para ajuda-la, primeiro você precisa se ajudar. Todos já terminaram? –Pergunta para todos.
–Eu comeria um pouco mais, mas estou realmente a fim de treinar. –Richard balança os ombros.
–Terminei. –Reponde Judith, empurrando o prato.
–Essa é a última garfada, prometo. –Ashley pega o resto da panqueca e enfia na boca.
Brandon traduz o que ela diz. Como está determinado a se esforçar o máximo, pergunta.
–Já que todos acabaram, vamos? –Levanta da cadeira animado.
–Vamos! Sem contar que temos que mostrar a todos a sala de treinamento. –Diz Sharon empolgada, arrastando o pessoal para o andar á cima.
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