Brandon é acordado, sendo puxado de leve pela mesma aeromoça que lhe respondeu suas perguntas. Mesmo assim, ele acorda assustado, como sempre.

Lembra de que uma vez quando foi adotado pela primeira vez. Seus pais eram fantásticos, tinham acabado de completar dez anos de casados e decidiram adotar seu primeiro filho, eles se chamavam Henrique e Claudia. Decidiram, pois depois de várias tentativas frustradas do casal e visitas no médico descobriram que nunca iam conseguir ter filhos. Brandon tinha apenas quatro anos quando ouviu a pior discussão da sua vida.

Henrique tinha acabado de chegar do trabalho e cansado decidiu ir direto para o banho. Passando pela mulher dando apenas um beijo na bochecha e cumprimentando o filho apenas com palavras. Claudia também não está muito feliz, teve um dia horrível. Quase se esqueceu de pagar a conta de luz e ela quase foi cortada. Quando foi pagar no banco, a fila estava enorme e ela foi obrigada á ficar 3 horas na fila. Com isso, atrasou o almoço e ela deixou queimar o arroz.

Brandon podia ter apenas quatro anos, mas acha que por ter vivido no orfanato adquiriu uma mentalidade maior para a sua idade. Sem contar, que Brandon conseguia perceber fácil quando as pessoas as sua volta não estava bem.

Depois de terminar o almoço às três da tarde, para tentar a animar sua mãe, Brandon teve uma ideia.

-Mãe, vamos brincar? Relaxar? Você escolhe. –Ele tinha na época um coração infinito, apesar de adorar escolher, queria animar a mãe.

-Não! Preciso lavar a louça que você sujou! Preciso arrumar a casa! Minha vida não é viver de brincadeiras! –Naquela época, cada palavra que saiu da boca de Claudia o dilacerou. Como se ela tivesse pegado uma faca e o cortado. Foi como levar uma esbofetada na cara. Brandon viveu uma vida difícil no orfanato, mas nunca foi tratado assim. Sem contar que ele tinha apenas quatro anos, uma criança nessa idade só pensa em brincar.

Triste, ele seguiu para o quarto, colocou o travesseiro na cabeça e chorou, até não sair mais nenhuma lágrima. Ele não gostava de chorar, ele aprendeu no orfanato com os outros garotos que chorar era para os fracos e que esse ato apenas mostrava sua fraqueza.

Quando saiu do quarto e foi para o banheiro, para lavar o rosto, quase tromba com sua mãe. Ela trazia uns biscoitos de chocolate que ele adorava. Nesse momento ele correu e a abraçou. Na verdade, as suas pernas porque ele era baixinho, mas depois ela baixou e pediu desculpas para ele e começou a beijá-lo.

Todo o rancor que ele tinha da mãe, evaporou como água num dia escaldante de sol e ele pode sentir uma sensação nova. Amor, ele amava ela, mesmo que ela não fosse a mãe dele de verdade.

Claudia foi tirar satisfação com Henrique, esperando que ele saísse do banho, o motivo dele estar mais distante.

-O que você quer? -Pergunta surpreso ao ver a mulher deitada na cama.

-Quero conversar o fato de você estar distante. Posso sentir um a abismo que cresce entre nós e é muito maior com relação a você e o Brandon. –Nessa hora ele ouve a porta se fechar e eles diminuírem a voz.

Com ele fica curioso e vai até a escada, que era o lugar mais perto do quarto para poder ouvir melhor.

-Sim, muito bem notado Claudia! –Bate palmas e fala ironicamente.

-Por quê? Apenas quero saber o motivo, amor. –Ela não queria falar, mas queria fazer tudo para ajudar o marido.

-Nossa família não é a que eu sonhei que seria.

-Como assim? –Intrigada, coloca a mão na cama indicando para o marido sentar.

-Estou trabalhando para sustentar um filho que eu não amo e que não é meu. Apenas não consigo considerar ele minha família. Chegar em casa e não ter minha mulher, pois ela está cansada demais. A culpa é sua! Toda sua, você quem me convenceu a adotar e você que não consegue ter filhos. –Ele começa descontar a raiva que sente dela.

Mas todas as palavras ditas pelo Henrique entraram pelos ouvido de Brandon e foram formando feridas incapazes de se curar. Ele apenas não conseguia mais ouvir a discussão, foi para o quarto e ainda continuava a ouvir sua mãe retrucar.

Brandon estava decidido, no outro dia ele ia voltar ao orfanto. Ele se recusava morar com pessoas que não o aceitassem. Viver no orfanato era melhor do que continuar a ver a cara do seu pai adotivo novamente.

Tão exausto ele acaba dormindo profundamente.

Acorda assustado com sua mãe chaqualhando ele pelo ombro, fazendo-o acordar. Quando abre o olho ouve um estouro, fechando-os novamente. Sentiu um liquido quente espirrando pelo seu tronco e cabeça. Ao abrir os olhos, vê que a mãe foi atingida por uma bala disparada por um homem que estava na porta e ao perceber que o garoto olhou para ele, sai correndo.

Ele pega a mãe pelo braço, sente lagrimas escorrendo pelo rosto e ouve as ultimas palavras da mãe.

-Querido, desculpe pelo o que você ouviu... –Ela começa tossir sangue. –O que importa é que independente de tudo, eu te a... –Assim, sem completar a frase, ela falece nos seus braços.

Ele soube que ela sempre o amou, que apenas a briga da tarde era porque ela estava cansada. Ele chorou mais do que nunca, arrumou os cabelos dela, a beijou e falou que também a amava, apesar dela já estar morta. Segurou-a até os policiais chegarem, chamados pelos vizinhos que ouviram os tiros. Foi tirado a força do corpo da mãe, aos berros e ouviu os policias dizendo que o Henrique estava morto, o invasor entrou no quarto deles e cortou a garganta dele.

Desde esse dia ele se assusta ao ser acordado.