Ao entrar no aeroporto, ele decide comprar uma blusa, para caso haja necessidade de se camuflar ou caso veja alguém suspeito. Ainda bem que junto com a carta tinha uma boa quantidade de dinheiro, pensa ele aliviado. Na loja, esse era um momento fantástico para ele, pois ele quase nunca entrava em uma loja e as roupas que tinha eram todas doadas, não se sentia mal por isso, mas sim orgulho, pois não era mesquinho como as pessoas da televisão. Escolheu a blusa grossa branca e com gorro, sem se importar tanto com o preço, já que o homem da carta colocou uma boa quantidade de dinheiro junto com o bilhete.

Depois, mesmo sem fome, mas decidido ficar acordado no voo inteiro e também ajudá-lo a ficar alerta e acordado no aeroporto, compra um cappuccino de chocolate, uma bebida que tinha vontade de beber desde pequeno, mas como vivia naquele orfanato, ele não tinha e nunca teve dinheiro suficiente.

Meio em contragosto, pois odiava seguir ordens, foi se informando e caminhando para à fila fazer o check in, vê que a mesma está enorme. Mesmo assim, ele se coloca atrás de um homem, que estava do lado de uma mala vermelha enorme. Podia apostar que cabia ali facilmente. Com muita curiosidade, decide olhar a cara do homem, e por um momento quase morre de susto, sentindo em volta de si uma leve vibração. O homem estava usando um terno preto, mas a única diferença ara que ele tinha listras na vertical. Foi como se o destino estivesse brincando com ele e com a vida dele!

Passado trinta minutos naquela infernal fila, coisa que Brandon mais odiava, passa no balcão e mostra sua passagem.

- Meu Deus! O senhor já devia ter embarcado! O avião vai partir em 10 minutos! – Ela chama Ivanilda pelo telefone e quando chega as duas começam a falar baixo e rápido.

Ivalnilda tinha uma cara de cansada, com várias rugas no rosto. Tinha uma pele morena, com estatura baixa e fazia uma cara estranha parecendo que tinha alguma coisa que fedia embaixo do seu nariz.

- Ok! Senhor me acompanhe rápido, já fui informada do seu caso. – Ela o pegou pelo braço e começou a puxá-lo para outra sala. Ele começou a refletir, “Já foi informada”? Então esse Y.P. é magico, pois ele parece estar em todos os lugares!

Meio indignado e nesse total alvoroço, Brandon pode ver o verdadeiro homem de terno indo no balcão que estava segundos atrás e começar a conversar com outra atendente fervorosamente. Com isso, ele decide ir mais rápido, com destino apenas no avião o mais rápido.

Ao embarcar, a mulher o leva para frente do avião, onde ficam as poltronas da 1ª classe. Mal estava acreditando que ia viajar de primeira classe. Era fantástico, considerando que nunca tinha viajado de avião antes. Só tinha essa noção pelo o que via nos filmes. Mas, só conseguiu sossegar quando depois de ele fechar o cinto e o avião começar a decolar. Desse jeito, podia ter certeza que estava livre.

Depois, de cinco minutos que o avião decolou, houve um pequeno tumulto com um passageiro da classe econômica, mas nada aconteceu durante quinze minutos. Foi quando, ele estava muito apertado para ir ao banheiro, chegando a amaldiçoar o cappuccino baixinho. Levantou de sua poltrona, e caminhou. O banheiro ficava entre a classe econômica e a primeira classe. Depois que entrou e usou, quando saiu, olhou para uma fileira do fundo, onde estava sentado o homem.

Suas esperanças tinham morrido a partir daquele olhar. Parecia que seu mundo ia desmoronar e de novo sentiu aquele pequeno tremor na sua volta. Agora conseguiu entender o motivo de o homem ter ido direto para o balcão e não para ele. Ele queria embarcar, para que lhe pegasse de surpresa no avião. A única coisa que Brandon não entende é o porquê dele já não ter vindo lhe raptar. Mas, nesse exato momento lembra-se do pequeno alvoroço logo depois de embarcar. Ele deveria ter revistado todo o avião e o único lugar que faltava era a primeira classe, mas de acordo com o que ele sabe, passageiros não podem se misturar. Então, para tirar sua duvida, ele decide chamar a aeromoça.

-Pois não, senhor? –Pergunta educadamente.

-Gostaria de saber o motivo do alvoroço no embarque, claro, se puder me falar. –Fala com calma e um pouco dissimulado. Mas consegue com que ela conte.

-Não deveria estar preocupando o senhor com besteiras, mas um passageiro da classe econômica queria entrar aqui!–Ela fala parecendo que está cuspindo as palavras, como se qualquer pessoa devesse saber que isso é proibido. — O senhor deseja mais alguma coisa?

-Não, obrigado. –Diz de uma forma educada.

Ele começa a pensar numa forma de sair do avião quando ele pousar sem ser notado, acaba pegando no sono. Aliás, foi uma tarde difícil para Brandon e na verdade essa aventura esta apenas começando.