As Brumas do Sol
5 Capítulo IV - Reencontros
Notas iniciais
E Tasha-chan, mais uma vez, dômo arigatou pela sua paciência e pela betagem! Eu sou muito, muito feliz em fazer parte desta série junto com você!
Levantando-se, apanhou Benihime e pôs-se a correr, usando os telhados como pista; o número de bips aumentando a cada fração de segundo. “Ela está atraindo-os.”; concluiu rapidamente, passando a usar Shunpo a fim de alcançá-la a tempo, ainda que o número de Hollows anunciados só estivesse aumentando.
Interrompendo-se com destreza ao finalmente avistá-la, notou que, na mesma dança de outrora, Youkou acabava animadamente com os Hollows que apareciam cada vez mais à sua volta.
Segurando a famosa bengala com mais firmeza, a outra mão também fechada com força encobrindo o rastreador, Urahara passou a observá-la à espera do momento oportuno, o olhar tão vazio quanto o dela.
***
Mais uma vez adentrava o território dos Shihouin clandestinamente, passando com desenvoltura pelos guardas, todos membros da Onmitsu Kidou. Escondendo-se nos arbustos de forma silenciosa, camuflou-se a fim de se aproximar de um dos cômodos mais protegidos da mansão, permanecendo em silêncio sepulcro enquanto os responsáveis pela ronda passavam por ali com postura séria.
Mantendo a respiração trancada, esperou até finalmente julgar “limpa” a área, para só assim respirar profundamente, o que quase lhe custou a aventura, já que mais dois guardas passavam por ali no momento. Sem esperar que qualquer um deles terminasse de examinar o arbusto que o auxiliava, usou de técnica recém aprendida para sair pela tangente e ir para outro arbusto, mais ao fundo.
Novamente escondido, pegou um saco de pedras que carregava consigo e, aproveitando-se da ausência de guardas na região, tacou a pedra mais pesada no pequeno lago que servia de decoração natural para a mansão. Vendo que o som atraía a atenção de todos que faziam a ronda, usou a nova técnica outra vez, aproximando-se do cômodo desejado e tacando outra pedra para servir de distração, e só parou a sequência de fuga e pedras por causa de dois obstáculos: guardas cuidando da entrada (ou saída) do grande quarto.
Observando o seu destino, começou a pensar em algum plano para tirar os dois guardas dali rapidamente (simplesmente apagá-los não era a opção mais segura), até que as portas se arreganharam, revelando uma beldade que apenas vestia uma yukata rubra de tecido fino mal-ajeitada e obi arroxeado, o olhar demonstrava irritação.
- O que está acontecendo? Eu ouvi um barulho estranho.
- Youkou-sama! – ambos os guardas responderam, virando-se para ela e curvando-se formalmente.
- O que estão fazendo? Tratem de verificar o que aconteceu! Quero todos os detalhes, entenderam?
- Hai!
Vendo que os guardas se retiraram imediatamente, o rapaz sorriu, finalmente deixando o arbusto e se aproximando sem mais precisar se esconder.
Com o olhar fixo nele e o típico sorriso de gata, a mulher cruzou os braços e esperou o visitante parar a poucos passos.
- You-san, desse jeito o que vão pensar de você? “Ah, que matriarca mais chata”, eles devem estar comentando... – soltou em tom teatral, fazendo-a rir gostosamente.
- E você? – indagou com a sobrancelha erguida — Sabia... – aproximou-se lentamente do rapaz que a fitava com deleite – que é indecente adentrar o quarto de uma mulher assim? – dito isso, puxou-o pelo Shihakushou e, vendo um sorriso se abrir nos lábios finos, sussurrou-lhe sensualmente ao pé do ouvido: — “Oh, que homem ecchi!”.
Soltando-lhe a roupa para pegar-lhe a mão, virou-se rapidamente e o puxou para dentro do espaçoso cômodo, imediatamente encostando-lhe contra as portas recém fechadas para colar o corpo no dele e tomar-lhe num beijo ávido.
- Adoro quando invade a casa... – soltou após interromper brevemente o contato; tinha um sorriso único e um brilho de excitação no olhar.
- Eu posso vir com mais frequência – disse-lhe simplesmente, para logo tomá-la num outro beijo sôfrego, afinal, já fazia uns dias que não a via, e fazia muito mais tempo desde quando haviam estado a sós.
- Eu vou cobrar – ela respondeu por fim enquanto os lábios dele passavam por seu pescoço, e, deixando o contato se intensificar juntamente com a adrenalina, entregou-se a ele outra vez naquela noite.
***
Era assim que Youkou sempre seria para ele. Uma mulher excitante, intensa como um raio de sol, que gostava de viver ao máximo todos os momentos...
Na verdade, vê-la depois de tanto tempo com a expressão que sempre mantinha no rosto certamente o deixava confuso. Afinal, não sabia se estava feliz ou aborrecido por ela continuar a ser a mesma depois de ter-lhe destruído a felicidade, juntamente com a felicidade de Yoruichi.
Ao vê-la acabar com o último Hollow e recolher a Zanpakutou, manteve a própria presença oculta e aproximou-se com um Shunpo, anunciando em tom apático:
- Bakudou no 63: Sajou Sabaku!
Tendo tempo apenas de se virar, Youkou, agora presa, permaneceu boquiaberta, claramente espantada.
- Kisuke?... – foi a única palavra que soltou, acompanhada de dois fios de lágrima.
Urahara franziu o cenho. Youkou não chorava, nunca chorava.
- Há quanto tempo... You-san. – conseguiu dizer por fim; o olhar ainda vazio, o tom um tanto depressivo.
Nenhum deles sabia mais o que dizer. Urahara tinha muitas perguntas, mas já não sabia se queria que elas fossem respondidas. No momento, não sabia se ficaria satisfeito apenas com as respostas.
Fitava-a, mas por mais que estivesse com um grande rancor, não conseguia simplesmente demonstrá-lo. Não, não conseguia demonstrar nada. A saudade, a raiva, a preocupação, a solidão, o amor... Se pensasse a respeito, acabaria apenas recolhendo tais emoções para si novamente.
“Cem anos. Iie, estou esquecendo algumas décadas...” pensou consigo, e, puxando a corrente conjurada para aproximá-la dele; sentiu-se retesar quando a viu tão próxima novamente. O cabelo estava diferente, mais curto; o olhar também estava diferente, frágil.
- Por quê? – nenhum dos dois sabia até o momento o efeito que as poucas palavras teriam sobre cada um.
- “Por quê?” você pergunta?
Vendo a mulher forte à sua frente se quebrar em lágrimas, Kisuke franziu o cenho, mudando o rumo da conversa no mesmo tom apático:
- O que faz em Karakura?
- Acho... Que tenho muita coisa para responder, até mesmo para mim – ela conseguiu dizer com a voz falha; ambos estavam falando relativamente baixo.
- É claro... – o comerciante murmurou.
Não estava fazendo uso de sarcasmo, podia ver claramente que naquele momento ela realmente estava confusa, nem parecia a mesma Youkou que conhecera, apesar da animação de outrora. Levando-a para a orla próxima ao rio que cortava a cidade, liberou-a do Bakudou; estranhamente o desespero, o medo de que ela lhe escapasse das mãos novamente cessara ao vê-la chorar.
- Vai ficar por muito tempo? – indagou, sem olhar para ela.
- Você vai?
A simples pergunta o fez balançar a cabeça negativamente, achando graça. Havia passado tanto tempo que nenhum deles podia dizer que conhecia o outro, com o tanto que haviam mudado.
- Eu sou só um gerente de uma loja de doces agora. Moro aqui.
Voltando o olhar para ela, viu que estava atônita e, respondendo à pergunta silenciosa da ex-matriarca dos Shihouin, fez sinal negativo com a cabeça – não estava ali por causa (ou culpa) dela.
- Aqui é um lugar menos tumultuado... – explicou vagamente — E por falar nisso, está para ocorrer outro tumulto lá – soltou mais para si mesmo, olhando para o céu que começava a ficar nublado.
- Quanta coisa eu perdi... – ela soltou, sorrindo amargamente.
- Bem, isso foi uma escolha sua – ele afirmou; havia corrido atrás de informações o suficiente para ter certeza de que não havia ninguém por trás do sumiço dela senão ela mesma.
- Ah, isso foi uma escolha minha – confirmou. – Kisuke...
- Se não quiser conversar por enquanto, eu vou entender. Mas você me deve ao menos uma explicação antes de ir – disse-lhe com amargura.
- Ah... Eu sei. Eu não vou mais embora – anunciou, surpreendendo-o. – Acho que... Perdoar seria um pouco demais, não?
- Seria – respondeu com sinceridade, virando-se de modo a ficar de frente para ela. – Seria crueldade me pedir para te perdoar.
Vendo-a assentir e voltar o olhar para o outro lado, também desviou o olhar; não se sentia melhor ou mais leve com o rumo que aquela conversa tomava.
- Eu entendo – ela disse por fim – Ainda assim não vou embora – decidiu, fazendo o ex-amante voltar o olhar para ela. – Kisuke, quando você quiser...
- Eu sei – disse simplesmente, e ela assentiu, derramando outra lágrima. – Está muito sentimental, You-san – comentou, fazendo-a assentir novamente.
Com o cenho franzido, aproximou-se dela, puxando-a num abraço e deixando que Youkou se enroscasse a ele em meio ao pranto que ele nunca havia visto. Suspirou sentido, devia pelo menos isso a ela depois de tanto que havia feito por ele quando eram mais novos.
Não estava tudo resolvido; aliás, não havia nada resolvido, já que tudo o que ele fez foi desviá-los do assunto principal, no entanto, por que ele se sentia tão bem naquele momento?
***
Mesmo que ainda não a tivesse perdoado e ainda, mesmo que não fizesse ideia do que a levara a deixar a Soul Society há um século, fizera questão de ver Youkou todas as noites daquela semana, levando a cada visita algum utensílio diferente entre comida, roupas e produtos de higiene pessoal, presentes apreciados pela Shinigami que ainda o fitava com remorso quando estavam juntos.
Uma vez com ela, só se despedia quando via o céu clareando, e, com frieza, ignorava a expressão de culpa de sua ex-amante enquanto conversavam sobre qualquer banalidade. Com as prosas, o pouco que descobriu foi que ela passara o tempo todo no mundo humano, e que estivera em outro país com alta densidade espiritual – ela não chegou a lhe dizer o nome do país, onde executara vez ou outra o trabalho de um Shinigami.
Fora os anos de ausência de Youkou, os únicos assuntos sobre os quais não conversavam eram o passado e a família (assuntos delicados para ambos).
Tessai estranhava as saídas noturnas de seu chefe, mas nada falava, sabia que Urahara tendia a fazer muitas coisas que, embora parecessem mera extravagância, sempre tinham alguma importância.
Jinta e Ururu, que algumas vezes viam Urahara assaltar a geladeira, haviam concluído entre si que o chefe podia estar estressado com o fato de Yoruichi estar na Soul Society – já que Tessai apresentara Yoruichi a Jinta como a amiga mais próxima de Urahara, algo muito suspeito na opinião do moleque.
Pensando em Yoruichi, Urahara não sabia o que fazer para contar a ela sobre a sua irmã, afinal, se tinha alguém com rancor maior que o dele, esse alguém era a mulher-gata que no momento estava na Soul Society, e ele não a condenava por isso.
***
Apenas na noite em que Yoruichi voltou da Soul Society juntamente com Ichigo e seus amigos ele não foi visitar Youkou, avisando-a previamente de que teria algumas coisas a fazer, sem mencionar-lhe a sua irmã.
Preparado com o grande tapete voador, esperou que todos caíssem do senkai mon para apanhá-los ainda no céu e levá-los cada um à sua casa. Naquela noite, também se desculpou formalmente com Ichigo por tê-lo envolvido em algo tão grande e, principalmente, por ter enganado e usado a todos para consertar um erro dele mesmo, que fora criar e implantar a Hougyoku em Kuchiki Rukia.
Após deixar cada um em sua respectiva casa de forma nada convencional, voltou para a própria casa com todos da Urahara Shouten e Yoruichi em forma de gato, lambendo a pata de forma displicente.
Vendo Tessai recolher o tapete e pegá-lo para guardar, dispensou Ururu e Jinta para que se recolhessem também e, sentindo um toque no ombro, não se virou quando uma Yoruichi nua lhe disse:
- Precisamos conversar.
*
Depois de se vestir apenas com um roupão de banho, Yoruichi, com as pernas cruzadas e a feição séria, começou:
- Akemi nos traiu.
Já esperando que sua amiga tivesse essa reação a respeito de Akemi, Urahara apenas suspirou, no que a mulher-gata fechou a mão com força e, não vendo mais onde bater, socou a própria mão, nervosa.
- Por enquanto, vamos esperar, Yoruichi-san. A nossa prioridade continua sendo o Aizen – e Yoruichi não percebeu o quanto a última frase era significativa. – Agora, por que não jantamos? Deve estar cansada da comida da Soul Society...
- Nem me fale... O que Soi Fong aprendeu de artes marciais, desaprendeu na culinária...
- Não devia falar assim, Yoruichi-san – comentou, sorrindo. Afinal, Yoruichi também não era lá muito boa para cozinhar. – Vou falar com Tessai-san. Por enquanto, procure descansar – pediu, retirando-se do cômodo em seguida.
***
Nos dias posteriores, Yoruichi, ainda amargurada pelo que pensava ser traição de Akemi, passava as tardes treinando no subsolo, tempo esse que Urahara, por outro lado, aproveitava para continuar suas saídas misteriosas.
Continuava a conversar animadamente com Youkou, sem mencionar-lhe a sua irmã em nenhum momento sequer, e a única coisa suspeita para a Shihouin mais velha foi o pedido feito por ele: não cuidar mais de Hollows naquela cidade.
- Mas...
- Um Shinigami muito bom que estava na Soul Society voltou agora, e eu tenho certeza de que ele vai dar conta... – explicou vagamente. – Seria estranho se mais alguém estivesse ajudando a diminuir o número de Hollows, não? – indagou; o leque lhe cobrindo parte do rosto.
Youkou, ainda pensativa, meneou a cabeça, bufando alguns segundos depois, no que Urahara, vitorioso, sorriu.
- Agora você acabou de me tirar toda a diversão! – reclamou, sentando-se bruscamente.
- Se quiser, posso arrumar um trabalho ou outro para você – disse simplesmente, no que, novamente animada, Youkou se levantou; o sorriso de gata no rosto.
- Ótimo!
- Bem, vou preparar uma gigai para você, depois veremos o que fazer – anunciou, no que Youkou puxou-lhe e lhe deu um beijo na bochecha, aturdindo-o.
- Arigatou, Kisuke!
Um pouco sem graça, o comerciante fechou o leque e ajeitou o chapéu.
- Bem, tenho que ir agora. Oyasuminasai, You-san.
- Oyasumi, Kisuke.
Ainda aturdido com a súbita aproximação de Youkou, Kisuke não percebeu o meio sorriso que tinha quando chegou à sua casa, onde encontrou Yoruichi a sua espera. A Shihouin mais nova, que não fazia ideia das saídas diárias de Urahara, não ligou para a sua demora; a única coisa que lhe chamou a atenção foi o fraco aroma de canela que ele trazia consigo.
Fungando, aproximou-se dele com o cenho franzido, abrindo um sorriso de gata ao detectar de onde vinha o cheiro.
- Estava com uma mulher.
- Eu... – hesitou — Não é o que está pensando, Yoruichi-san! – soltou em tom tão teatral que a fez rir, afastando-se dele.
- Vou ficar com ciúme, se continuar com isso – soltou em tom de brincadeira, no que ele sorriu, escondendo bem a pouca ansiedade que tinha.
- Bem... Vamos jantar? – convidou, e Yoruichi logo abriu o típico sorriso de gata, o que certamente o deixou desnorteado. Era muito fácil se lembrar de Youkou quando estava com Yoruichi.
- Algum problema?
- Iie... Vamos? – dito isso, abriu a porta e deu passagem à mulher-gata, que sorriu novamente e passou, espreguiçando-se.
***
No dia seguinte, quando estava com Youkou excepcionalmente pela manhã, ambos viram no céu uma Garganta, e Urahara, em silêncio, foi em direção ao corpo que caía; Akemi definitivamente não estava bem. A Shihouin, vendo-o partir, não pensou em questionar o que estava havendo, tampouco pensou em segui-lo, sabia que no momento apenas atrapalharia.
Pegando a pupila nos braços, Kisuke desceu até o terraço de um prédio e, verificando o estado dela, imediatamente voltou para casa, sério.
Chamando por Tessai, entregou-lhe a Shinigami inconsciente quando ele abriu a porta e, ignorando o olhar de espanto do seu amigo, pediu em tom de urgência:
- Leve-a para o quarto e mantenha-a aquecida. Eu vou pegar um pouco de sedativo.
Vendo-o sair, notou a aproximação da gata de olhos dourados; ela não tinha a melhor das expressões.
- O que está fazendo? – ela indagou, acompanhando-o até o cômodo que ele mantinha para pesquisas.
- Não é óbvio? – indagou um tanto sarcástico, ainda que o tivesse feito com a intenção de irritá-la.
- Ela deve arcar com as consequências dos próprios atos. Akemi não é mais criança, Kisuke – soltou com amargura.
Sem responder àquela declaração, terminou de preparar o sedativo e deixou o cômodo apressadamente, ainda sendo seguido pela gata. Chegou ao quarto e, pedindo licença a Tessai, aproximou-se e aplicou o sedativo em Akemi, sob o olhar de condenação de Yoruichi.
- Tessai-san, pode chamar a Inoue-san para mim? – indagou, no que Yoruichi, irritada, levantou a voz.
- Não é para chamá-la! Kisuke, você não pode protegê-la da decisão que ela mesma tomou!
- Tessai-san, cuide dela até eu voltar – mudou o pedido, deixando a casa.
Não se demorou a chegar ao grande colégio onde, discretamente, chamou a atenção da jovem Inoue na hora do almoço.
- Urahara-san? O que houve?
- Inoue-san, onegai... – pediu-lhe, tirando o chapéu e ajoelhando da mesma forma que fizera quando se desculpara com Ichigo – Preciso que cure Akemi-chan.
Inoue, embora confusa com o pedido, aceitou prontamente e logo ambos estavam à porta da Urahara Shouten, atendidos por Ururu.
- Kisuke-san, a Yoruichi-san...
- Eu vou dar um jeito – respondeu, tranquilizando-a como de praxe. – Inoue-san, pode me esperar um pouco? – indagou, recebendo uma resposta positiva.
Chegando à porta do cômodo onde Akemi estava, encontrou Yoruichi em forma humana, fitando-o com incredulidade — toda a amargura que sentia em sua feição.
- O que está fazendo, Kisuke?
- Inoue-san, pode vir – anunciou com calma depois de lançar apenas um olhar à mulher-gata, no que a jovem se aproximou deles timidamente.
- Eu falei para não chamar a Inoue para curá-la! Ela precisa arcar com as consequências das decisões dela! – soltou, assustando Orihime — Ela foi até lá para se vingar!
— Não me diga como eu devo agir, Yoruichi – soltou em tom ameaçador, e Inoue manteve-se calada, dando apenas um passo para trás, hesitante. — Você deixaria Youkou sem um braço? – indagou, e Yoruichi fechou ainda mais a cara — Creio que não. Então não tente me dizer como eu devo agir com a minha irmã.
- Hoh... Então ao menos tenha dignidade e conte a Akemi o parentesco que tem com ela, Kisuke. E não diga essas coisas como se eu não ligasse para ela! Só acho que ela foi impulsiva.
— E ela deve ficar sem um braço para aprender, que idéia genial! – soltou, carregado de sarcasmo.
- Temporariamente! – Yoruichi esbravejou.
Vendo que ambos estavam à flor da pele, Inoue, tentando apaziguá-los, soltou quase num sussurro:
- Urahara-san, Yoruichi-san, eu posso...
Yoruichi, fuzilando Kisuke com o olhar, deixou o local em silêncio, e, suspirando, o comerciante voltou o olhar para a insegura Inoue.
- Eu sinto muito por isso, ela está aí – anunciou quase num sussurro, apontando-lhe o cômodo ao lado. – Eu conto com a sua ajuda.
- Hai...
Um pouco mais calma, Inoue se aproximou da porta à medida que Urahara se afastava, adentrando o cômodo para curar a conhecida.
Vendo o segredo que havia feito questão de guardar por anos ser cuspido num momento de estresse, sorriu amargamente; era realmente um péssimo irmão e quanto a isso não podia julgar Youkou. Estava o passado querendo lhe cobrar a conta por todos os seus erros?
Suspirando, voltou o olhar para a porta recém fechada. No momento, a única coisa que queria era não precisar ver Akemi, sua imouto, tão debilitada novamente.
Notas finais
-//-
E finalmente a Youkou apareceu! Sinto muito por tê-los enrolado...
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