As Brasileiras

13 A Azarada De Curitiba


Notas iniciais
Capítulo em que eu brinco com essas superstições e com a sorte e o azar...

Brasil... Sul... Paraná... Curitiba. Curitiba é uma linda cidade ecologicamente correta, com seus vários parques como o Parque Tangá, o Parque Tinguí e também outros monumentos para serem admirados, como a Ópera De Árame, Museu Oscar Niemeyer, um lindo Jardim Botânico... Ou seja, podemos denominar essa cidade como mais um paraíso na Terra. Com uma área total de 434, 967 Km² e uma população de 1.764.540 habitantes, que são misturas de vários imigrantes, dos japoneses aos alemães... A variação de clima também é marca registrada dessa cidade, como o friozinho de manhã... Só que as coisas pegam fogo com a nossa heroína de hoje,

A Azarada De Curitiba

(mostram-se várias cenas de pessoas correndo em parques, andando em ruas movimentadas, pessoas em ônibus, o sol brilhando atrás de enormes prédios...)

Pois bem, essa é a grande Curitiba, uma cidade feita para encher de orgulho os olhos dos curitibanos que vivem aqui... Pelo menos os olhos dos que estão acordados, diferente da nossa heroína, que dorme tranquila...

(o despertador do seu celular começa a tocar a música de alarme, que ela odeia...)

Ou não...

(Renata abre os olhos...)

Renata: Música chata!

(ela para o despertador e olha as horas: 9 horas...)

Renata: Nove horas? Ahn...

Para não deixar nossa linda heroína a mercê de fama de desempregada ou mulher sustentada por um homem, eu explico: ela estava de folga, pela manhã, mas deveria ir trabalhar depois do almoço... Essa folga foi por ser a melhor empregada da semana passada...

E isso é só o começo da sua sorte, que ela não sabia, mas ia embora logo, logo...

(ela levanta e põe uma roupa, começa a preparar seu café-da-manhã...)

(ela toma o café da manhã e manda uma mensagem para o namorado...)

Renata(lendo enquanto escreve): Bom dia, amor...

Renata era uma mulher que tinha sorte no jogo, trabalho e de sobra no amor... Nessa mensagem, por exemplo, não sabia se escrevia logo “O que está fazendo?”, tinha medo de ser chifrada... Mas acabou mandado só bom dia mesmo, que só retornou quatro horas depois...

(ela termina o café, coloca numa xícara mais um pouco, pega um cobertor e senta no sofá. Liga a televisão e procura algo para assistir...)

(passa-se um tempo, é o horário de almoço de muita gente e Renata está se encaminhando para o trabalho, quando é parada pela amiga: Karla. Era branca, cabelos castanhos negros...)

Karla: Oi amiga!

Renata: Oi Karla...

Karla: Preciso que você me dê cinquenta reais urgentemente!

Renata: Eu não vou te emprestar nada!

Karla: E quem falou em emprestar?

Renata: Então é o qu...?

(Karla tira do bolso do casaco um raspadinha premiada...)

Renata: Karla, já falei que isso não existe...

Karla(empurrando a raspadinha e uma moeda para Renata): Você pode não acreditar, mas eu...

Renata: Tá bem...

(ela pega a moeda e raspa a raspadinha premiada. Duzentos e cinquenta reais ganhos...)

Karla: Ô loco! Pedi cinquenta e veio cinco vezes mais!

Renata: Tá, agora eu tenho que ir para o trabalho...

(Karla corre para a banquinha que comprou a raspadinha enquanto Renata continua a andar. Seu celular toca, toda esperançosa pensando ser seu namorado, ela atende: é sua mãe)

Renata: Oi mãe...

Mãe: Oi filha, liguei para te dar um recado...

Renata: Que recado?

Mãe: A Li e o João vão passar um tempo com você...

Renata: Como é que é mãe?!

(Renata para indignada e continua a falar enquanto o narrador diz...)

Li era o apelido de Liliane, a irmã adolescente de Renata. E João era João Pedro, o irmão de quatro anos de Renata. Ou seja, sua vida iria ser bagunçada...

Renata: Mãe, eu tenho vida!

Mãe: Eu e seu pai também... Vamos refazer a lua de mel... Vamos para a Europa!

Numa tradução bem nos miúdos dessa frase, refazer a lua de mel significava a última esperança de apimentar novamente o casamento que está quase morto...

Renata: Tá bom mãe, eu fico com os dois...

Mãe: Eles já vão se arrumar para a viagem...

Os pais de Renata nem moravam tão longe assim, era na cidade mesmo...

(Renata desliga...)

Renata: Era só o que me faltava!

(aparece Renata no trabalho. O chefe, Guilherme, reunia os funcionários numa roda, para a coisa óbvia do ano...)

Guilherme: Então pessoal, como todos sabem, daqui a uma semana ocorrerá o aumento do ano...

E Guilherme continuou com o blá blá blá explicando o que todo mundo já sabia. A propósito, irei explicar para vocês: é um aumento em que cinco funcionários são escolhidos, e cada um deles escolhe um envelope, e somente um tem o aumento de 800 reais... E adivinha quem sempre ganhava? Renata...

(Renata boceja enquanto o chefe termina de explicar...)

(uma moça, grávida, entra e esbarra na mesa, que faz barulho... Era Maria...)

Guilherme: Algum problema Maria?

(Maria, nervosa, explica enquanto o narrador diz)

Maria era uma mulher que já tinha três filhos e que foi abandonada pelo homem que dizia ser seu príncipe encantado... Que nada! Era mais o sapo...

Guilherme: Bom, é isso, voltem ao trabalho...

(Renata se senta e começa o trabalho...)

(Renata mexe no computador. A tela começa a piscar e se desliga... Uma fumaça começa a sair...)

Renata: Ai meu Deus!

Guilherme: O que é isso?

(um funcionário joga um copo de água no computador, que sota algumas faíscas e uma fumaça final...)

Guilherme: Amanhã, no mesmo horário senhorita Renata...

(o chefe sai bravo e Renata fica com cara contorcida...)

(tempos depois, no ônibus...)

Karla: Ainda não acredito no que aconteceu lá no computador... Ah! Valeu amiga... Tá aqui o dinheiro! Quer um pouco?

Renata: Não... Já vou descer, tchau...

(Renata se levanta, enquanto a amiga fica contando o dinheiro. Quando ela chega perto da porta, o ônibus freia bruscamente e ela cai em cima do cobrador do ônibus, beijando-o...)

Renata(levantando desesperada): Ai meu Deus! Me desculpa! Perdão...

Renata não era lá do tempo da escrava Isaura, mas qualquer saliência já era considerada traição para ela...

(Renata sai correndo do ônibus e bate o pé numa pedra grande na calçada...)

Renata: Ai!

(Karla vê a amiga massagear o vermelhão que ficou no lugar batido e estranhou o que estava começando a acontecer com ela...)

(ao chegar ao apartamento, ela vê no chão um papel: uma carta do síndico pedindo o dinheiro para ajudar na conta de água. Ela para ao ver Liliane e João sentados no sofá, vendo televisão, e outro homem estava na poltrona marrom...)

(ela joga a conta na mesa...)

Renata: Liliane? João? Diego? O que estão fazendo aqui?

(Diego se levanta...)

Diego: Podemos conversar?

Renata: Clar...

Liliane: Ixi...

Renata: Ixi o que garota?! Fica na tua...

(Renata e Diego vão para o quarto.)

Renata: Tava com saudade...

(Renata tenta beijá-lo, mas ele desvia...)

Renata: O que foi?

Diego: Eu quero te dizer algo...

Renata: Já desconfio o que é...

Diego: Não, você não sabe, deixa eu explicar... Eu acho que eu preciso de um tempo...

Renata(começando a se irritar): Tempo? Tempo para que? Sou relógio para dar tempo?

Diego: Não, você não tá entendendo...

Renata(se desesperando, sentando na cama e chorando): Não, eu tô entendendo bem!

(Diego tenta explicar...)

Diego tinha aparência de mauricinho e jeito de príncipe encantado, o que deixava Renata naquele momento como se fosse o sapo...

Renata: Sai da minha casa! Xô!

(ela abre a porta do quarto e aponta com o dedo para fora...)

Diego: Rê... Eu...

Renata: Xô!

(Diego sai do quarto, passa pela sala, onde Li e João estavam comendo pipoca numa bacia vermelha e branca...)

Diego: Tchau galerinha...

Liliane: Tchau...

(Renata bate com força a porta do quarto e se joga na cama e desaba em lágrimas...)

(uma mão bate na porta...)

Renata(chorando e soluçando): O QUE É?!

Liliane: O que a gente vai jantar?

Renata(chorando e soluçando): TEM MACARRÃO INSTANTÂNEO LÁ NO BALCÃO! Você sabe fazer...

(Liliane sai e volta para o sofá...)

E então Renata recorreu ao ombro amigo que qualquer um chora depois de passar por essa situação: o melhor amigo.

Renata(chorando): Alô? Karla?

Karla: Oi, Renata? Que foi amiga? Por que você tá chorando?

Renata: Nem vou te contar o que aconteceu!

Isso é uma frase complexa porque quando as pessoas dizem isso, é que vão contar... E foi o que Renata fez, desabando em lágrimas...

Karla: Ai amiga... Não acredito...

A preocupação das duas era que Renata nunca havia levado um ponta pé na reta guarda, e sim dava o ponta pé na reta guarda...

Renata: MINHA VIDA ACABOU...

(chorando desesperada, Renata afunda no travesseiro...)

***

(Renata acorda, com os olhos secos de tanto chorar e umas pequenas olheiras...)

Renata: Ai...

(ela vira o rosto, toma um susto e pula da cama)

Renata: Ai Jesus, Maria e José!

(era João, seu irmãozinho...)

João: Bom dia...

Renata: Bom dia João...

(ela anda pela casa...)

Renata: Cadê a Li?

João: Foi para a escola...

Renata: O que? E você ficou aí sozinho?

João: Eu vou de tarde...

Renata: Ai meu Deus! Você comeu alguma coisa?

João(massageando a barriga): A Li deixou um suquinho com bolacha... Mas tô com fome de novo...

Renata: Ai...

(aparece Renata terminando de mexer um suco de laranja. Ela coloca o copo de suco na mesa, onde estava umas bolachinhas e um pouco de cereal. João estava sentado na cadeira esperando o suco...)

João: Ah Rê...

Renata: O que foi?

João: Um tal de Guilherme ligou, perguntando por você...

Renata: Guilherme?

João: É... Disse alguma coisa de atrasada, daí eu falei que você tava dormindo...

Renata: Ai meu Deus!

(ela olha no relógio do celular: onze horas e vinte minutos...)

(aparece Renata correndo para se arrumar...)

Aí foi aquela loucura de atraso ali, atraso aqui, Renata havia se esquecido que tinha dado um bater das botas a um computador e que sua recompensa havia sido exterminada!

Renata: Fica aí, vou tomar banho...

(ela coloca o celular na parte fechada da saboneteira e coloca um musiquinha...)

(ela liga o chuveiro, cai dentro do chuveiro para a ducha e começa a passar shampoo na cabeça...)

Renata: Ai, rápido...

(ela massageia com força a cabeça, fazendo bastante espuma... Ela passa sabonete pelo corpo todo, ficando totalmente ensaboada...)

(de repente, a água começa a diminuir, diminuir até parar...)

Renata: O que?

(ela olha para o chuveiro e levanta a mão, onde uma última gota cai...)

Renata: Ah droga!

(ela sai do chuveiro e toda ensaboada, se enrola na toalha...)

Renata: Preciso avisar que irei chegar atrasada...

(ela pega o celular da saboneteira e ao tentar parar a música, o celular escorrega da sua mão toda ensaboada e molhada e cai na privada...)

Renata: Ai não!

(ela se ajoelha no banheiro e encara com nojo o celular boiando na água da privada...)

Renata(balançando as mãos com nojo): Ai meu Deus...

(ela fecha os olhos e tampa o nariz e enfia a mão na privada, para tirar o aparelho...)

A questão dessa situação era o porquê dela tampar o nariz...

(ela tira a mão da água, com o aparelho encharcado... Com nojo, passa a mão na toalha...)

(ela sai do banheiro correndo e escorrega com tudo no piso encerado...)

Renata(caindo): Ai!

(ela cai com um “bum!” enorme e quando se levanta um desenho do corpo dela feito de sabão estava no chão...)

(João começa a rir, Renata fica olhando-o...)

Renata queria tanto matar alguém que até o desenho do corpo da vítima quando os policiais vem já estava ali, no chão mesmo...

João: Você tava brincando com sabão, mana?

Renata: É... Tava sim... Já terminou de comer?

João: Já, por quê?

Renata: Quer brincar? Tenho uma brincadeira ótima para você!

João: Que brincadeira?

(ela pega na estante um secador de cabelo e liga na tomada... Num banquinho coloca o celular e chama o irmãozinho...)

Renata: É a brincadeira de secar... Aqui ó... Você pega o secador e fica secando o celular, sem tocá-lo... Se conseguir, você ganha a brincadeira!

João: Tá...

Renata: Fica aí, já volto...

João(secando o celular da irmã): Beleza! Vou ganhar esse jogo...

(Renata vai até a porta do apartamento e vê que o vizinho está saindo para comprar alguma coisa, talvez... Ela olha para trás e para os lados)

Nossa heroína então deu uma de espiã do 007...

(Então toma coragem, sai de seu apê e entra correndo no do vizinho...)

Renata: Graças à Deus! A porta estava aberta...

(ela vai até o banheiro e começa a encher a banheira...)

Renata: Vamos!

(ela ouve a porta se abrindo...)

Renata: Ai droga!

(ela se esconde atrás da porta branca do banheiro...)

Homem: Amor... O banheiro é ótimo...

(um casal chega...)

Homem: Ué! Não lembro de ter deixado a banheira enchendo...

Mulher: Querido, o que é isso?

Homem: Lindo banheiro, não?

Mulher: Não! Tô falando desse rastro de sabão!

Então numa de Sherlock, o casal achou Renata atrás da porta...

Renata: Eu... Poss... Explic...

Mulher: Então era aqui que você trazia sua amante?

Homem: Amante? Eu nem conheço ela!

Mulher: Ah, é assim? Contratou uma prostituta para sexo a três?!

Renata: Hey, prostituta não!

Homem: Você fica quieta...

Mulher: Hey, não diga isso para ela!

Renata: É!

Mulher: Eu digo: fica quieta piranha!

Renata: Ah!

Mulher: E você, cafajeste, cala a boca!

Homem: Vem fazer eu calar!

Mulher: Ah eu faço!

(a mulher se joga no homem e eles começam a se beijar, até que caem na banheira... Renata sai de fininho e desce pelo elevador, vendo que não tinha ninguém...)

(ao chegar em baixo, sai cuidadosamente e entra na piscina, tira todo o sabão e volta para seu apartamento, se veste e pega sua bolsa marrom...)

João: Tô secando direitinho...

Renata: Ótimo, vou para o trabalho! Daqui a pouco a Li já vai chegar...

(Li entra com um garoto...)

Liliane: Hey, o que tá fazendo aqui?!

Renata: Hey digo eu, quem é ele?

Liliane: É meu namorado...

Renata: Ah que seja, vou para o trabalho! Cuida do João e se comporta...

Liliane: Pode deixar... Né Fê...

(ela e o garoto se beijam. Renata faz uma sinalização de “Tô de olho” e sai...)

Mal sabia nossa heroína que quando as coisas estão ruins, a tendência é piorar...

(ela anda desesperada pela calçada até o ponto de ônibus...)

(de repente, se ouve um “crec” e ela vê que seu salto se quebrou, ela então torce o pé e cai num monte de sacos de lixos, muitos se rasgam e ela se enche de coisas)

Seu cabelo vira um desastre: alface, cascas de banana e laranja e até necessidades fisiológicas de um cachorro...

Renata: Ai não!

(ela teria que ir até o cabelereiro, já estava atrasada mesmo...)

(ela chega num prédio todo rosa com o letreiro: CABELEREIROS ARRASO. Primeiramente estranhou, mas entrou...)

Quando entrou no estabelecimento naquele estado, meia dúzias de cabelereiras desmaiaram porque a pressão ou subiu ou baixou demais...

Renata: Preciso de ajuda!

Cabelereiro: Estou percebendo! Vem aqui minha filha!

Renata então fura a fila de peruas que tinham invés de cabelo perucas e se sentou na cadeira...

(uma cabelereira vem e com nojo, tira um alface pendurado de seu cabelo...)

E aproveitou para fazer o sétimo pecado capital e natural das mulheres: a fofoca...

Renata(chorando de novo enquanto o cabelo é lavado e as unhas feitas): E então ele disse que queria um tempo...

(ela para e começa a chorar...)

Manicure: Não se preocupe, ele vai voltar...

Renata(chorando ainda mais): Não! Quem não quer mais... Não sou eu! Eu preciso dele para viver!

(as mulheres fazem todo o processo no cabelo de Renata, até chegar a lavagem...)

(a cabelereira pega o secador e começa a secar o cabelo de Renata, que cheirando seu cabelo, pega um spray que colocaram nele...)

Renata: Ai que cheiro bom...

(ela espirra no ar, que com a força do secador, chega a lâmpada, que explode e começa a queimar o cabelo de Renata...)

Renata: Ai socorro!

(Renata começa a correr pelo salão, nervosa e desesperada)

(uma manicure pega a bacia que utilizava para fazer seu trabalho e joga em Renata, que cai numa cadeira e começa a sair rodando, até parar...)

Renata: Ai, obrigada, eu acho...

(aparece o prédio de trabalho de Renata e a mesma escondida num carro, com um casaco preto e um chapéu preto extravagante... Nossa heroína vê a amiga Karla sair do prédio, para o almoço...)

Renata: Karla!

Karla: Ai meu Deus! O monstro do mar...

Renata: Não, sou eu, Renata...

(ela tira o chapéu...)

Karla: Meu Deus! O que ouve com seu cabelo?

Renata: Queimei...

Karla: Ai não... E por que essa roupa preta, vai num enterro?

Renata: Nunca se sabe...

(Renata explica tudo que aconteceu com ela...)

Renata confessa todas as desgraças, desde a falta de água ao assassinato do cabelo...

Karla: Você não tá com sorte!

Renata: Muito pelo contrário... Tô com o maior azar!

Karla: E o que você vai fazer?

Renata: Não... O que nós vamos fazer...

(Renata começa a explicar seu plano...)

Karla tremeu de medo dessa ênfase na palavra “nós”, estava começando a achar Renata meio psicótica e que tinha virado uma nova terrorista saudita... Mas topou a ideia que Renata explicou e foi fazer essa loucura...

***

E lá foram as duas, disfarçadas de pessoas normais, atrás do dito cujo...

(aparece as duas esperando um ônibus...)

Karla: Como você vai saber que é ele?

Renata: Eu lembro de quem eu beijei, não saio beijando qualquer um!

Karla: Mas ele pode não estar aí!

(o ônibus para e elas entram...)

Karla: Ainda não entendi porque você acha que o cobrador que você beijou roubou sua sorte!

Renata: Sei lá... Pode ser um macumbeiro, pai-de-santo... Foi na noite que beijei ele que tudo começou...

(ela passa pela catraca e vê que, para sua sorte –depois de muito tempo um pouquinho dela- o cobrador é o mesmo daquela noite...)

(as duas se sentam no último banco do ônibus...)

Karla: Se não funcionar...

Renata: Tem que funcionar!

Karla: Mas se não funcionar, procurar um pai-de-santo não seria má ideia...

Renata: É... Anote isso... Tô acreditando até em duende...

(ela respira fundo...)

Renata: Vou lá...

Karla(abanando a mão como se não estivesse respirando): Santo Cristo! Ou a poluição de Curitiba está aumentando ou alguém nesse ônibus não assinou o contrato de boa vivência com a população!

(Renata sente o cheiro desagradável do pum...)

Renata(abanando a mão): Minha nossa...

(todos os passageiros faziam caretas e respiravam pelas janelas...)

Alguma pessoa havia comido cebola com feijoada de manhã...

(o motorista dá uma olhadinha de canto e sorri...)

Ah! Achei quem foi...

(Renata se levanta e vai até o cobrador...)

Renata: Oi...

Cobrador: Oi...

Renata: Lembra de mim?

Cobrador: Não s...

(Renata pega sua cabeça e dá um beijo, de olhos fechados...)

(ao terminar o beijo, olha para Karla, que estava em outra porta. O ônibus para e as duas descem...)

Karla: Será que funcionou?

Renata: Não se...

(ela tropeça numa pedra e cai, depois um caminhão passa e joga água de uma poça suja nela...)

Karla: Ih... Acho que não...

(elas andam pela rua, Renata toda mal cheirosa por causa do lixo que havia caído e por causa da poça...)

Karla: Acho que teremos que recorrer ao pai-de-santo... Conheço um ótimo! Me trouxe um ex-namorado meu uma vez em três semanas... Ou foi meses?

(Renata a olha com uma cara estranha...)

(elas passam por uma igreja, onde um coroa de flores está sendo levada... Renata lê “DIEGO SAL...” ,mas não lê o resto do sobrenome...)

Renata(se desesperando): Ai meu Deus!

Karla: O que foi?

Renata(quase chorando e apontando para a igreja): Di-Di-Diego!

Karla: Diego? O que tem Diego?

(Renata sai correndo para a igreja e entra nela, havia um caixão no centro e uma senhora chorando... Várias pessoa estavam tristes, sentadas nos bancos...)

Renata(chorando): Ai... Ah...!

(ela chega perto do caixão, do outro lado da senhora e começa a chorar...)

Karla: Renata... Diego é...

Renata(chorando desesperada): Meu falecido amor...

Senhora(chorando): Com licença, você conhecia o Diego?

Renata(chorando ainda mais e se abaixando): Até demais...

Senhora: Como?

Renata(chorando desesperada no chão se apoiando no caixão): Nós rompemos ontem...

Senhora: Como? Eu sou a esposa dele!

Renata(se levantando depressa): Como? Eu era a mulher dele!

Senhora: Ah meu Deus!

(a senhora cai para trás e é segurada por dois homens...)

(Renata dá uma batida no caixão e olha para Karla)

Renata: Cafajeste, como pode me enganar?

Karla: Ih, vai piorar antes de melhorar...

(ela pega um copo de bebida e toma num gole. Os homens abanavam a senhora, sentada num banco...)

Renata(se abaixando perto do caixão e se jogando no chão, voltando a se apoiar no mesmo): Fizemos tanto amor...

Senhora: Ah meu Deus!

Renata(chorando desesperada): Tantas vezes... Com tanto carinho...

Senhora: Ah não vou aguentar!

(Renata desaba em choro e cai no chão...)

Karla: Renata... Renata levanta! Vambora!

Renata: Como ele pode me deixar? Por que não me avisaram?

Karla: Porque ele não sabia que ia morrer né Renata...

(Karla pega outro copo de bebida e toma com tudo...)

Karla: Vem... Levanta...

Renata(chorando no chão): Não, eu quero ser enterrada com ele!

Karla: Levanta Renata!

Renata: Tá bom...

(Renata, chorando desesperada, se levanta se apoiando no caixão, que vira com força. O caixão cai ao lado de Renata, que também cai. O caixão se abre e dele cai o defunto: um senhor pálido...)

Senhora: Ah meu Deus!

(a senhora desmaia, enquanto Renata se levanta correndo...)

Renata: Ah!

Karla: Eu tentei te avisar...

(Karla aponta para a coroa de flores na parede da igreja: DIEGO SALVADOR...)

Renata: Não é o meu Diego!

(Renata sai sorridente da igreja com Karla...)

Renata se sentiu uma viúva sem ter sido esposa, compreende?

Renata: Vambora no teu pai-de-santo!

Karla: Meu não! Foi só um caso...

Elas vão então para a casa do pai-de-santo com nome suspeito: Pai Furtado.

Pai Furtado: Então minha cara, o que deseja?

Renata: Minha sorte de volta... Eu tinha tanta sorte, agora sou tão azarada...

Pai Furtado: Espere um pouco... Consuela!

Renata tomou um susto, pensou que ele estava invocando um espírito! Mas não... Era só sua esposa... Uma mãe-de-santo, para variar...

Mãe Consuela: Que foi?

Pai Furtado: Vê aí na lista da boca do sapo o nome da moça, que é...

Renata: Renata!

(Mãe Consuela pegou uma espécie de lista telefônica, só que com nomes das pessoas que estavam “na boca do sapo”...)

Mãe Consuela demorou um pouco para achar o nome de Renata, pois não sabia se o “R” ficava antes ou depois do “T”... Tinha faltado na aula do alfabeto e não pegado a matéria depois...

Mãe Consuela: Renata Zchimer?

Renata: Não...

Mãe Consuela: Renata Tengiz?

Renata quase gargalhou ao ouvir o “Tengiz”. E disse não, para o sobrenome e para a pergunta se ela tinha giz...

Mãe Consuela: Então não...

Pai Furtado: Vai para o trabalho então minha filha... Tudo vai voltar ao normal... Só isso fora de lugar?

Renata viu que já tava íntima da família e desabafou...

Renata: É meu namor... Meu ex-namorado... Eu amo ele... Não sei se vivo sem ele...

Pai Furtado: Não se preocupe... Consuela?

Mãe Consuela: Oi?

Pai Furtado: Não, tava falando com o espírito!

(ele olha para cima e para Renata...)

Pai Furtado: Tudo vai ficar bem... Vá, seu destino está traçado...

(Renata e Karla se levantam e saem, quando Pai Furtado as chama...)

Pai Furtado(com a mão esticada): Vá depois de dar 500 para o santo...

Já estava no pôr-do-sol do mesmo dia, quando Renata chegou e explicou ao chefe, que caiu na lábia do “nunca mais vai acontecer”... Lá, estavam fazendo o sorteio do aumento do ano...

Renata: Espero que tudo tenha voltado ao normal...

Os três primeiros tinham pego os envelopes escritos “VOCÊ GANHOU... NADA!” e choravam no banheiro... Era a vez de Renata, só faltava ela e Maria, a grávida pobre...

Renata já ouvia o “É MARMELADA” e sentiu que devia pegar o envelope de número três...

(Renata se aproxima, estica a mão e pega o envelope de número quatro, que estava escrito “VOCÊ GANHOU... NADA!”...)

Karla: Ô amiga, não fica triste não...

Renata: Não tô triste...

(ela olha para Maria, que era carregada pelos funcionários...)

Renata: Ela precisa mais que eu...

(ela olha para a janela, onde Diego a chama mandando um beijo e fazendo um coração com as mãos...)

Renata(sorrindo): Não acredito!

Karla: Sua sorte voltou!

Renata: É!

Isso, porque elas não sabiam o que tinha acontecido dois minutos atrás...

(na casa do pai-de-santo... O telefone toca e o Pai Furtado atende...)

Pai Furtado: Alô? Oi Diego!

Diego: E então, o que ela disse?

Pai Furtado: Que te amava e não viveria sem você...

Diego: Ótimo...

Pai Furtado: Já pode tirar o nome dela da boca do sapo?

Diego: Não acredito nessas coisas, não funciona!

Pai Furtado: Mas você pediu para pôr!

Diego: Eu não! Só falei para recebê-la bem!

Pai Furtado: Ops!

(Diego desliga e liga para Karla...)

Diego: Oi Karla!

Karla: Oi Diego!

Diego: Valeu pela ajuda e por leva-la para o pai-de-santo... Depois resolvemos a recompensa...

Karla: Claro!

(voltando para o presente...)

Renata: Vou lá!

Karla: Vai mesmo!

(Renata tira o terno e a saia preta, revelando estar com um vestido rosa, lindo e leve, que balançava com a brisa do vento...)

Renata: O que você quer aqui?

Diego(abraçando e beijando-a): Você!

(depois de terminar o beijo, Renata se afasta...)

Renata: Pensei que quisesse um tempo...

Diego: Eu não terei tempo para nada sem você...

(Renata o olha brava... Mas sorri, o agarra e o beija...)

Renata: Ah, tenho que te dizer uma coisa...

Diego: Hum... O que?

Renata: Eu te amo!

Diego: Eu sei... Também te amo!

(os dois se beijam e a câmera começa a subir, até aparecer os dois se beijando e o pôr-do-sol pelos prédios, enquanto o narrador fala...)

Renata começou a desviar de gatos pretos e a usar ferraduras penduradas no apartamento. Diego conseguiu saber o que queria. Nada foi comprovado nas causas do azar dela, se foi pela boca do sapo, se foi por destino mesmo ou se foi pelas escolhas erradas, como não pagar a água para ela acabar, ou pegar o celular com as mãos molhadas... Mas o que ela queria agora era viver feliz com Diego, para todo o sempre e mais um feriado, de preferência no aniversário da cidade, enquanto fazia sua própria sorte...


Notas finais
Na próxima quinta:
Você vai conhecer Lívia, uma perua folgada, linda e que acaba por voltar da Europa com a última moda de lá... Inclusive... Er... Peças mais "íntimas", se é que me entende, e essas são as que ela faz questão de provar, principalmente com a janela aberta e vizinhos olhando... O que causa estranhos ataques de ciúmes e de desejos, além de muita confusão! Você vai se divertir com a história de Lívia, A Exibida De Sampa.