As Aventuras de Rin Casaco Marrom
17 Capítulo 17
Notas iniciais
Este não é tão grande, mas o próximo vai ser melhor!
Se estiver muito estranho, é porque eu estou tendo sérios problemas para dar espaço entre parágrafos...
Capítulo 17
Aquele com a nova chance.
Rin acordou, se foi devido ao desconforto dos seixos ou pelo simples fato de que seu corpo decidiu que estava na hora de levantar, não sabia. Mas provavelmente era a primeira opção.
Sua boca estava com o gosto metálico de sangue (que ela, com certo desconforto, percebeu que estava começando a se acostumar), mas quando cutucou de leve a área um pouco acima da barriga ficou feliz em constatar que seus ossos já haviam sarado.
Com a mesma mão checou a temperatura de Len, que ainda dormia, sua respiração era pesada e audível, como a de um grande felino. A febre já havia passado, e os dedos de Rin, ao caminharem um pouco mais para cima da testa encontraram os chifres escondidos nos cabelos cheios de nós.
Ah, eu já tinha me esquecido dos chifres.
Se pôs de pé depois de desvencilhar-se do abraço de Len e esticou o braço, ombro dolorido por dormir em cima de cascalhos. O rapaz não demorou muito para despertar.
Ele coçou os olhos e espreguiçou-se, fazendo o corte nas costas se esticar e rachar. Tentou girar a abeça para ver o tamanho do estrago, mas, claro, não obteve sucesso.
– Você parece melhor agora – comentou Rin, ao que ele apenas balançou a cabeça em concordância – O que aconteceu com você ontem?
Len deu de ombros, despreocupado. Já havia passado, tudo estava bem, então para quê se preocupar?
– Não está nem um pouquinho curioso? – ela continuou – E se acontecer de novo?
– Talvez eu tenha comido muitos doces – olhou para as árvores ao redor, mas nenhuma delas tinha frutas a serem comidas.
– Ah, verdade, eu sempre esqueço que chocolates podem matar uma pessoa – ironizou.
– Eu não morri – respondeu, com um sorriso no rosto, sinalizando que ela devia parar de se preocupar tanto.
Rin suspirou, talvez ele tivesse razão. Len pegou o casaco da loura, que ainda estava no chão. A peça de roupa já estava completamente impregnada com o cheiro de Rin.
Ela avistou o não livro no chão, e sua mente demorou para processar o fato de que ele tinha um novo pedido. Imaginava quando eles acabariam. Isso se sobrevivesse até lá. Len estava ocupado demais com seu casaco no rosto, e a menina não queria interromper seu estranho ritual de cheirar tudo, porque não fazia ideia de como era ver o mundo pelo nariz.
– Espero que não esteja fedendo muito – murmurou, enquanto folheava o não livro.
.
Parebéns mais uma vez.
Mais um monstro foi morto.
Mais um pedido se fez.
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Agora, por favor.
Não pense pequeno.
O que tem uma lança na calda.
E mortal veneno?
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Como próximo pedido.
Nessa feliz ocasião.
Quero um pouco do veneno.
Do Rei Escorpião.
.
Rin expeliu o ar. Era isso? Veneno de um escorpião? Um escorpiãozinho? Parecia que o não livro estava ficando mais piedoso, afinal.
Len, que havia terminado de cheirar o casaco, o entregou para a menina e se pôs a cheirar o ar, procurando algo para comer. Nesse exato momento um forte vento passou e ele sentiu o mesmo aroma que sentia sempre que a Moça das Espadas lutava de verdade.
Fungou. O cheiro era forte e desagradável.
Rin também torceu o nariz, o que significava que também o sentiu. Ela se aproximou e olhou para o céu, mais específicamente para uma fumaça escura que se projetava lá no alto.
– Fogo – segurou sua mão – Tem fogo logo ali.
Rin o levou até a água e na direção da fumaça. O cheiro ficava mais forte a medida que se aproximavam.
Ele não sabia se o fogo era um bom ou mau sinal.
E pelo o visto, Rin também não.
. . .
Meiko ainda pilotava o maldito barco. O trio acabou caindo no sono em determinada parte da viagem e a embarcação ficou à deriva. Foi perigoso, mas nada aconteceu. Logo, logo ela não teria mais combustível, e a morena seria obrigada a voltar.
O grande problema era que não sabia nem onde estavam, e para onde voltariam. A situação não era agradável, mas ela já havia estado em piores. Ela já havia estado em muito piores.
Os irmãos ainda dormiam no chão, e a morena chegou a conclusão de que eram tão inúteis que nem valia a pena acordar.
– Só servem mesmo para roubar, e nada mais – resmungou. Voltou sua atenção para um detalhe no céu azul da manhã, algo com o qual já estava mais do que familiarizada – Fumaça!
Virou o barco na direção do sinal no céu. O que seria? Um incêndio florestal? Um pedido de socorro?
Mas de uma coisa ela sabia muito bem.
Fumaça era sinal de que algo grandioso havia acontecido, ou estava para acontecer.
. . .
A fumaça escura invadiam os olhos, nariz e boca de Rin. Len acompanhava a corrida penosamente, aquilo era uma espécie de tortura para seu olfato apurado. A menina o havia informado que estava tudo bem se ele quisesse ficar para trás, mas o rapaz recusou a oferta, decidido que iria protegê-la direito agora.
Rin segurava a mão do acompanhante com força, se ele se perdesse, não conseguiria encontrá-la no meio de tanta fumaça. Com os olhos vermelhos e úmidos, identificou na trilha sinais que já havia visto antes; já havia batido a cabeça naquela árvore, já havia tropeçado naquela pedra, já havia machucado o pé naquele buraco.
E tudo isso a estava deixando apavorada, e ficava cada vez mais difícil negar a verdade: o fogo vinha do Maravilhoso Reino das Crianças.
Chegou um momento que as árvores mais próximas umas das outras ardiam em chamas em conjunto, e Rin teve que se abaixar para não ser atingida pelos galhos. Len praticamente teve que rastejar.
– Só um pouquinho mais, Len – conseguiu falar, juntando o pouco ar disponível ao redor.
Seu rosto ardiam, e o calor era quase insuportável. Teve vontade de tirar o casaco para aliviar um pouco, mas precisava dele para se proteger das brasas que voavam livremente. Queria desistir e voltar para o centro das oito ilhas, mas sabia que, se o fizesse, se arrependeria pelo resto da vida por não ter tido coragem de encarar a verdade.
Suas roupas e cabelo já estavam escuros de cinzas, acima de suas cabeças, os animais gitavam e corriam, fugindo do monstro amarelo, laranja e vermelho. Os únicos que não faziam os mesmo era a dupla, chegando cada vez mais para perto do coração do incêndio.
Pelo o que Rin conseguiu constatar, o incêndio não havia começado há pouco tempo. O caminho que escolheram (propositalmente) tinha bastantes árvores totalmente torradas e mortas (mas ainda era quente), o que significava que o fogo deveria ter começado mais ou menos quase no final da noite.
As árvores cinzas foram se tornando cada vez mais raras, até que, logo a frente, a única paísagem existente fosse o Maravilhos Reino das Crianças, que não era mais tão maravilhoso assim...
A respiração da menina falhou, mas dessa vez não devido à falta de oxigênio. Agora que não havia mais plantas, e as casinhas coloridas da cidade eram espaçadas, era possível ver tudo claramente. Agora sem a grande concentração de fogo, ficava mais fácil de respirar.
Rin correu até o local desolado, com Len a acompanhando sem esforços. Só o que se podia ouvir era o creptar das chamas. Nada de risadas de crianças, nada de passinhos apressados, nada de gritos desafiados e felizes. Só o creptar das chamas, ainda viva em alguns lugares.
A menina nunca havia visto um cadáver de uma pessoa morta por fogo, e nunca fez questão de ver. Agora presenciava a terrível visão de centenas de cadáveres no chão queimado da cidade. Alguns até dentro da fonte de chocolate, que por algum motivo não apagara as chamas.
Rin, com passos descordenados e pesados chegou até um um menininho desfigurado. A única coisa que dava um sinal de que era mesmo ele era uma pelúcia que, em meio a foligem e cinzas, podia-se notar a cor verde.
Ela não havia percebido que estava chorando até que as lágrimas caíram no rosto morto de Ryuto.
– Ah, pelos deuses! – ela se obrigou a dizer, com voz embargada, quando sentiu Len a envolver nos braços – Eles eram iguais a nós! Poderiam ter sido nós! – se referia a si mesma, e aos outros do orfanato. O rapaz instintivamente produzia um leve roncar do fundo do peito, que aos poucos a acalmou, enquanto se engasgava na própria saliva. Ele não sabia por quê fazia o barulho, só sentia que era o momento certo.
Eventualmente ela parou de chorar, mas não queria sair daquele abraço, não queria deixar de ouvir aquele roncar aconchegante, não queria encarar as centenas de corpos sem vida.
Entretanto, fragmentos de alguma coisa brilhante chamou sua atenção, a alguns metros de distância. Não parecia pedra nem vidro. Era vermelho brilhante. Rin se afastou um pouco de Len, para depois se aproximar do fragmento.
Com o cabo de vassoura queimado de Ryuto (depois de desamarrar a pelúcia da ponta, claro), a menina cutucou os pedacinhos vermelhos, mas nada ocorreu. Quando tomou coragem o suficiente, tomou os fragmentos na palma da mão. Estavam quentinhos e fumaçavam um pouco.
Colocou-os no bolso, Meiko saberia o que eram.
Deu uma última olhada ao redor, nas chamas nas paredes e chão, nas casas destruídas, nas vidas perdidas. Segurou a mão de Len e se afastou, sem olhar para trás.
Não queria mais estar ali.
. . .
Se artistas de rua que manipulam fogo ganhassem bem, Meiko seria a mulher mais rica de todo o mundo. Ela não era imune ao fogo ou seus efeitos mas, digamos, tinha um relacionamento muito mais amigável com ele do que a maioria das pessoas tinha o privilégio de ter.
Ela achava que era o mesmo que ter um amigo sociopata. Ele pode muito bem proteger você, e você pode muito bem brincar e fazer piadas com ele, mas tem que saber quando parar, saber quando essas brincadeiras começam a ferir seu orgulho. Porque a faca que perfura um inimigo é a mesma faca que perfura um amigo.
Desviava das chamas com a naturalidade e elegancia de uma dançarina. Abria caminha por entre as labaredas, criando uma trilha vermelha e mortal. Seus pulmões treinados suportavam a falta de ar sem problemas, e seus olhos enxergavam a floresta em chamas sem grandes desafios.
Queria descobrir o que havia causado toda essa confusão. A noite fora clara e sem relâmpagos, e um incêndio como aquele não surgia do nada. Alguém ou alguma coisa o havia iniciado.
Não sabia para onde estava indo, só sabia que estava se dirigindo cada vez mais para o coração da ilha.
Em certo momento, porém, escutou passos apressados e respiração pesadas. Como desconfiava, não era a única no meio do fogo. Prendeu a respiração e permaneceu imóvel.
Fosse quem fosse, não estava nem um pouco acostumado com incêndios. Um dos sinais era a caminhada (ou seria corrida?), lenta demais e interrompida a todo momento, para ser decidido que caminho tomar. Percebeu, também, que eram mais de um, mas não sabia dizer o número exatamente.
Meiko desembaiou uma das espadas (uma seria o suficiente). Se não sabiam nem andar no fogo, era improvável que soubessem lutar nele. De acordo com os sons ao seu redor, eles também pararam de andar, talvez esperando que ela fosse até eles. Sem paciência, e sem querer perder tempo, fez exatamente isso.
O elemento surpresa estava ao seu lado, ninguém poderia imaginar que uma pessoa pudesse mover-se tão rapidamente em um terreno infernal como aquele, e pode ouvir o engasgo de susto do adversário. Aquilo seria rápido. Ainda bem, não tinha tempo a perder.
– Diga-me seu nome e o que faz aqui! – gritou, se preparando para saltar.
– Meiko!
A morena se assustou ao escutar o próprio nome, mas então reconheceu a inconfundível voz de Rin. O rosto pálido e os cabelos claros da menina estavam escuros e sujos, além de empapados em suor. Len não estava muito melhor. A loura estava armada com um cabo de vassoura tão queimado que Meiko achava que iria se desintegrar e virar pó a qualquer momento, e o rapaz já havia retraído as garras.
– É com isso que você iria se defender? – tirou o cabo das mãos de Rin – Como não morreu ainda, nunca vou entender.
– Nem venha me dizer que sou uma boba ou algo assim! – se irritou, puxando tanto Len quanto Meiko pela mão, tinham que ir embora daquele lugar – Você ia nos matar sem motivo algum! E sem se importar com as consequências!
– É muito dificil encontrar pessoas inocentes no meio de um incêndio em uma ilha deserta – justificou, dando de ombros e tomando a dianteira na corrida – Tentem me acompanhar!
Um pedido muito difícil de se cumprir, até mesmo para Len. Tudo bem, Meiko desviava e manipulava o fogo, mas as condições eram desfavoráveis para ambos, que, quando chegaram na praia, sentiam o peito arder por dentro.
Os dois ladrões até que se mostraram úteis, guardando o barco para que não fosse levado pelo mar. Rin nem perguntou onde haviam conseguido a embarção, simplismente jogou-se no chão e observou a ilha ser consumida completamente pelas chamas.
. . .
Rin deu mais um gole na água. Por mais que pudesse beber umas mil garrafas naquele momento, ainda bebericava a primeira. Isso porque a água do barco estava quase no fim, e não sabiam como voltar para a Ilha dos Marinheiros.
– Rei Escorpião? –Meiko falou mais consigo mesma do que com a menina – Não conheço.
– Nem eu – admitiu – Confesso que nunca tive interesse em viajar para desertos.
As duas estavam na cabine, enquanto Len estava lá fora, cuidando para que nem Kaito nem Miku escutassem a conversa e descobrissem algo sobre o não livro. Os irmãos podem não ter se mostrado uma grande ameaça até aquele momento, mas Rin ainda sentia um certo receio desde que fora roubada na cidade.
Contou tudo o que havia ocorrido para a morena, que escutava do mesmo modo de sempre; sem interromper ou demonstrar emoções, apenas um quase inaudível "sinto muito pelo seus amigos mortos".
– E tem mais uma coisa – tirou os fragmentos do bolso, surpresa por eles ainda estarem quentes – Eu encontrei estes pedacinhos na cidade queimada.
Quando os olhos de Meiko pousaram nos fragmentos, seu rosto se iluminou, em uma mistura de terror e admiração. Quase largou as mãos do leme, então Rin tomou o controle do barco, só para que a morena pudesse tocar nas pedrinhas. Nunca havia visto tal expressão no rosto dela.
– Você sabe o que estas coisas são? – quase susurrou, tocando nos fragmentos com as pontas dos dedos – São os restos de uma pedra do fogo. Sabe o quão difícil é para criar uma? É preciso muita habilidade. Muita mesmo.
Rin engoliu em seco.
– E existe alguém melhor que você quando se trata de habilidades com fogo? – não recebeu nenhuma resposta, apenas um olhar preocupado e triste – Meiko?
Mas ela não respondeu, apenas colocou os restos no bolso interno do casaco que usava depois de um momento e tomou de novo o controle do leme.
Passaram tanto tempo em silêncio que Rin até pensou que havia ficado surda de uma hora para outra, mas antes que pudesse puxar um assunto (mais para testar a própria audição do que para começar uma conversa), Meiko foi mais rápida.
– E você e Len? – Rin havia contado tudo, confiava completamente na aliada.
– Realmente não sei – deu de ombros – Ia deixar o tempo dizer. E ele não comentou nada.
– Ele é muito carinhoso – observou – Mas lembre-se, Rin, você nem sabe o que ele é. Com certeza não é humano.
– Sei que não... – bebeu outro gole, tentando acalmar o nervosismo – E o que você me aconselha?
Meiko mordeu os lábios, pensativa.
– Primeiro é melhor você consultar algum livro ou até um especialista em humanoides – disse – Mas você deveria já ter feito isso, pois Len pode muito bem tem um imenso potêncial que ele mesmo desconhece e está o desperdiçando – parou um pouco – E segundo, não faça nada que não venha daqui – apontou para o coração.
Rin sorriu, e com um baixo “tudo bem”, a conversa morreu novamente, mas dessa vez foi aquele confortável e agradável silêncio muito comum entre as duas que reinou.
. . .
Miku escalou um muro tão rápido que qualquer gato teria inveja de tanta habilidade. A lua lá em cima iluminava seu caminho. Já era tarde da noite e estava com fome.
A viagem foi uma bela tortura. O combustível acabou na metade, e tiveram que desfraldar as velas, mas o vento não estava ajudando em nada. Tiveram, então, que remar, mas ainda assim não sabiam o caminho de volta. Então tiveram que esperar até a noite, para avistar o velho farol da cidade.
Esticou os braços doloridos, resmungando. Desceu no outro lado do muro, em um beco pouco amigável. Como já era tarde, não havia quase ninguém na rua. Se por um lado era mais seguro assim, por outro não tinha nada para roubar.
Mas foi aí que algo grudado na parede chamou sua atenção. Iluminados por um poste de luz, estavam os cartazes de procurados. Entre eles estavam ela e Kaito. Um belo exagero, devia acrescentar. “Cinquenta objetos semi-valiosos à escolha de quem trouxesse um deles, e cem para quem trouxesse os dois”. Arrancou os dois cartazes da parede, rasgou e jogou no lixo mais próximo.
Mas seus olhos localizaram outros procurados, e suas pernas quase falharam de susto.
. . .
Kaito estava deitado em seu colchão, observando a luz do pequeno cômodo piscar ritmicamente. Meiko cumprira sua promessa, e deixou os dois em paz assim que colocaram o pé na ilha.
Seu estômago roncou. Bem que poderia ter pedido ao trio que pelo o menos comprassem um pouco de carne ou pão para ele e para Miku. Lembrou-se dos acontecimentos dos últimos dias como se tivessem sido um grande sonho (ou pesadelo).
Havia muito tempo que não usava seu dom, e a experiência não lhe agradou muito. Mas ele viu como Meiko dominava o seu, com confiança e experiência. E por um momento, sentiu inveja. Queria fazer as pazes com sua habilidade. Tão poucos a tinham, e ele a desperdiçava daquela maneira.
Kaito foi tirado de seus pensamentos quando sua irmã invadiu a pequena casa que dividiam, arfante e sem conseguir falar.
– Pelo palácio! – levantou-se – São os políciais?!
Miku negou com a cabeça, gesticulando furiosamente.
– Acalme-se, não estou entendendo nada!
Ela puxou bastante ar e tentou explicar.
– Um feudo para cada! – fala rápida, olhos arregalados – Um feudo para cada, e mil itens valiosos pela outra!
– Como? – por um momento Kaito achou que fosse uma má notícia, mas um sorriso se formou no rosto de Miku.
– Um feudo para cada – repetiu, quase chorando, desenrolando os cartazes que havia trazido – Um feudo para cada, e mil itens valiosos pela outra!
Kaito quase não acreditou no que viu. Lá estavam o rosto de Rin, Meiko e Len, em cartazes de procurados pela polícia da Cidade da Tempestade. Mortos ou vivos, Rin e Len valiam um feudo cada, e Meiko, mil itens valiosos, escolhidos pela guarda real.
Rin e Meiko estavam quase iguais, a única diferença eram os cabelos um pouco mais curtos nas fotos. Já Len, deve ter sido difícil para Miku reconhecê-lo, estava de barba e cabelo mais cumprido que o de Rin. Mas era ele, com certeza.
– Mas o que eles fizeram? – não tirou os olhos dos panfletos – Quer dizer, sei que a Cidade da Tempestade exagera nas coisas mas... mesmo assim – sentou-se, olhos brilhando.
– Quem se importa? – exclamou – É a nossa chance! Nossa chance de mudar de vida!
– É! É, sim! – abraçou a mais nova – Chega de roubar! Chega de passar fome! Chega de morar em um buraco de ratos! Chega!
– Senhor e senhora feudal! – comemorou, mas lembrou um pequeno detalhe – Espere! Que horas o barco deles vai embora?
Kaito vasculhou em sua mente a informação que lhe havia sido dada por Rin.
– Acho que daqui a alguns minutos.
– Então vamos logo!
E os dois puseram-se a correr pela cidade, a caminho do porto. E a caminho de uma nova vida.
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