As Aventuras de Rin Casaco Marrom

23 Aquele com cravos-da-índia.


Notas iniciais
Capítulo 23 :D

– O que será que farão conosco? – Rin conseguiu perguntar.

– O que você acha? – Meiko ironizou – Gentilmente nos oferecerão um delicioso café da manhã e logo depois nos carregarão para fora.

– Você não pode colocar fogo nelas?

– Talvez por um tempo, mas é muito mais fácil fazer isto – desembaiou as duas espadas vermelhas e ambas pegaram fogo. As formigas se agitaram, como se esperando um sinal para avançar.

A morena cortou dois insetos no meio, e em seguida passou para os próximos que tentavam detê-la.

– Desembaie a sua também – mandou, olhando para a menina.

Ela concordou com a cabeça e pegou o escudo do chão. Aquilo tudo seria um bom treino se a quantidade de formigas fosse menor. Mas a situação agora era de vida ou morte. Não porque os insetos eram fortes, e sim porque tinham vantagem numérica incontestável.

A loura balançou a cabeça. Tinha o péssimo hábito de pensar nas circunstâncias de tudo (a pessoa que pensa muito, acaba louco de medo), mas, em compensação, isso também a ajudava a criar soluções para quase tudo.

Posicionou o escudo perto das pernas e flexionou os joelhos. Considerando a altura dos insetos, era melhor proteger o corpo da cintura para baixo.

Sua primeira adversária a surpreendeu com a dura carapaça, que não conseguiu romper devido a leveza do golpe. Com um movimento assustadoramente rápido de cabeça, a formiga usou suas pinças para agarrar a borda do escudo de Rin, que não conseguiu obrigar a criatura a soltar, por mais que puxasse.

Outras duas se aproximaram, e a menina achou que iriam optar por morder seus braços, mas uma delas se jogou na direção da espada e, do mesmo modo que a irmã prendeu seu escudo, agarrou a lâmina. Ela guinchou. Se continuasse segurando os objetos, morreria. Se soltasse, morreria do mesmo jeito.

Mais chegavam, estas com certeza com o objetivo de machucá-la de verdade. Tentou mais uma vez puxar a espada, chutando a cabeça do inseto ao mesmo tempo. Sem sucesso.

Rin fechou os olhos com força, pensando que teria braços e pernas cortados, mas a sensação foi de que as formigas que seguravam o escudo e a espada foram agressivamente arrancadas, tanto que quase derrubou os objetos. Abriu os olhos para dar de cara com Len, quebrando a casca das formigas.

Jogou os animais sem vida no chão, e depois atacou as outras, deixando para trás uma trilha de insetos mortos. Len lutava de modo selvagem, diferente de qualquer outro guerreiro no mundo.

Mas não sou um guerreiro, pensou com inexplicável satisfação, Sou um predador.

Fez uma careta quando uma das formigas caiu do teto e mordeu seu ombro, abrindo dois buracos sangrentos. Pegou a formiga pelas pinças e a jogou no chão, pisando na cabeça. Outras subiam nas suas costas, mas ele conseguia vencê-las, quebrando suas armaduras.

– Precisa haver um modo de detê-las mais rápido – o rapaz escutou Rin comentar ao seu lado – Isso vai demorar muito, até para você – ela enterrou a lâmina brilhante na cabeça de um das coisas vermelhas.

Len fungou e olhou ao redor. Conseguia ver o Saco de Batatas e seu irmão lutando com dificuldades e lentidão, e até a Moça das Espadas e a Moça dos Gravetos Pontudos avançavam devagar. A loura mais velha praguejou e foi até eles.

– Maldição! – sibilou – Não devia ter sugerido que acampássemos aqui!

Antes que Rin pudesse responder, a gata dourada subiu agilmente em seu ombro, com dois gravetos vermelhos na boca. A menina pegou os objetos com a mão do escudo, e depois anunciou:

– Antenas?

A gata ronronou, as pupilas eram apenas fendas.

– Se é assim... – Rin passou a mão nos cabelos, incerta – Vamos tentar cortar as antenas, então...

Len não perdeu tempo em puxar as antenas de mais uma formiga que lhe atacava. Pensou que precisaria fazer mais que isso para detê-la, mas o inseto parecia tão desnorteado que nem foi preciso mexer mais nem um dedo.

Tentou fazer isso com o as outras, obtendo o mesmo resultado. Girou o corpo para ficar cara a cara com Rin. Deu de ombros, querendo saber se havia alguma explicação para o fenômeno.

– Parece que elas precisam das antenas para enxergar – disse, e a gata ronronou novamente.

– Ótimo, cortem antenas e corram! – ordenou a Moça dos Gravetos Pontudos, sacando uma lâmina brilhante curta.

– Correr para onde? – o Homem Cachecol usou um bastão para impedir que uma formiga subisse em sua perna.

– Não pode ser por aquele lado – ponderou Rin, usando a ponta da sua lâmina brilhante para indicar o lado direito do túnel – Pararíamos no começo de novo. Então... – guinchou quando uma coisa vermelha avançou em sua direção. Usou o truque das antenas para ganhar a luta – ...só nos resta a esquerda.

Len, em um salto baixo, pôs-se ao lado da morena, ciente de que os dois seriam mais rápidos em abrir caminho para o resto.

– Vamos ver do que você é feito – provocou a Moça das Espadas – Chegue no final do túnel antes de mim, e eu lhe darei um bolo de banana com canela inteiro.

Ele riu, sabendo muito bem que era um tática para que desse seu melhor. E um bolo só para ele não soava nada mal. Mas ela não entregou o jogo de mão beijada, cortava as antenas com velocidade assustadora, as lâminas brilhantes vermelhas quase não podiam ser vistas, apenas um borrão se destacando.

Len tinha um pouco mais de trabalho para cortas os gravetos das cabeças das coisas vermelhas, porque era preciso que usasse as mãos para puxar. Apesar disso, era um adversário mais que digno para a morena. Uma trilha era feita, e os outros só precisavam enfrentar as coisas vermelhas que por ventura eram esquecidos.

Os minutos se tornaram horas, ou pelo o menos pareciam horas para Len. O lugar era escuro e não permitia que ele visse o tempo passar. Mas teve certeza que passaram mais que uma hora abrindo caminho por entre as formigas, cortando suas antenas.

Chegaram a várias áreas onde o caminho dividia-se em dois, e Rin apenas dizia “escolham o que tiver menos formigas”. E talvez fosse devido à esse método que eles foram parar em uma câmara cheia de folhas marrons e coisas vermelhas mortas.

– É uma câmara de lixo – Rin apoiou as mãos no joelhos, examinando o local vazio – Deve haver poucas ou nenhuma formiga.

Ela fez uma careta e abraçou a si mesma, observando o lixão, mais precisamente as coisas vermelhas mortas no chão. Len fungou e a abraçou por trás. Aprendera algumas coisas sobre laços afetivos entre humanos, e descobriu que, assim como ele, gostavam de abraços.

– Alguma coisa errada? – Len tinha certeza que sim, mas talvez fosse preciso um empurrãozinho para que ela admitisse.

– Sim – Rin se mexeu um pouco, desconfortável. Não com o abraço, mas com a situação – Nós estamos errados. Matamos dezenas, se não centenas, de formigas. E elas não fizeram nada além de se defender – se virou e o abraçou de frente – Me sinto mais uma assassina do que uma guerreira.

A cabeça do rapaz pendeu para um dos lados. Tentou achar palavras de conforto, mas não obteve sucesso. Então limitou-se a disser:

– Não falta muito para sairmos deste lugar – não tinha certeza disso, mas era melhor que dizer “talvez tenhamos que matar muito mais” – Eu divido meu bolo com você.

Ela riu e o abraçou mais forte, afundando o rosto ainda mais em seu peito. Mas desvencilhou-se segundos depois, porque precisava examinar mais precisamente o local e decidir qual seria o melhor caminho a tomar.

Len se distraiu cutucando os dois buracos no ombro, para ver se haviam parado de sangrar, e depois pôs-se a brincar com o líquido gelado que manchou as pontas dos dedos. A Moça dos Gravetos Pontudos ergueu uma sobrancelha.

– Seu sangue é bem escuro – comentou, passando as pontas dos dedos pelo machucado –, e bem grosso.

– Rin já comentou isso uma vez – lembrou – Ela disse que era uma coisa boa, porque, caso eu me machuque, não vai escapar muito sangue.

– Sim – concordou –, ela está completamente certa – depois de ver que todos estavam ocupados, continuou a conversar – Conte-me, meu caro e bizarro companheiro, como vocês se conheceram.

– Por que quer saber? – coçou o queixo, imaginando se deveria esconder a não tão amigável história.

– Sou curiosa, só isso.

Pensou um pouco sobre a resposta. Depois deu de ombros, sem ver perigo algum em falar a verdade.

– Eles queriam que ela morresse, por isso a jogaram na caixa de areia redonda – começou a explicação, como se fosse a coisa mais normal do mundo – Me obrigaram a cheirar a coisa fedorenta, eu quase a matei, ela fugiu e me tirou da caixa cinza gigante.

– Quem são “eles”? – quis saber.

– São... – franziu o cenho, sem saber direito o que responder – São pessoas ruins... que se vestem igual... ah, não sei direito.

– E o que Rin fez para que ficassem tão zangados?

– Alguma coisa sobre... um monstro voador.

– E você a acompanha desde o dia que foi libertado?

– Ela está me ensinando a ler – explicou – e a escrever também. Nunca ninguém fez nada disso por mim.

– Entendo porque não. Sem ofensa, mas você é um sujeito de aparência assustadora – admitiu – É como se um general de exército tivesse um filho com um demônio.

Ele ficou calado para imaginar como um general de exército conseguiria ter um filho com um demônio, e a Moça dos Gravetos Pontudos pareceu assumir que havia ficado chateado com a descrição. Acrescentou:

– Um demônio bem bonito. E um general bem bonito também – ele não respondeu. E ela suspirou – E é uma pessoa boa por dentro. Por isso Rin faz essas coisas por você. Ela não iria gostar de alguém ruim.

– É, ela não iria – ele sorriu dessa vez, se enchendo de orgulho.

– E você, também tem uma afeição especial por ela? – Len concordou energeticamente com a cabeça – Morreria por ela? – novamente ele concordou. Sem excitação. Sem dúvida. Sem pensar duas vezes.

A loura apenas acentiu com a cabeça, e disse que agora tinha que se juntar aos outros na busca por saídas. Quando estava afastada, pareceu falar consigo mesma.

– Ótimo – disse. Mas o rapaz conseguiu entender do mesmo jeito – Era tudo o que eu queria ouvir.

. . .

Andavam vagarosamente, tomando extremo cuidado para não fazer nenhum som. Havia algum tempo que nenhuma coisinha vermelha os atacava, e a Moça dos Gravetos Pontudos disse que talvez elas achassem que já haviam partido.

Len cheirava a ar, em busca do odor das suas inimigas, mas não encontrou nada. Sorriu, satisfeito. Pensou se deveria cavar outro buraco para que tentassem sair de lá do mesmo modo que entraram, mas lhe foi explicado que estavam muito fundo na terra, e que a passagem seria ou muito íngreme ou muito extensa, e ele se mataria de trabalhar.

E, além doi mais, o mundo lá fora poderia ser tão perigoso quanto o mundo lá dentro, e as formigas provavelmente escolheram lugares menos mortais para colocar sua porta de entrada.

– Onde vocês acham que estamos agora? – Rin fitou o teto, como se pudesse ver o que estava lá fora – Será que estamos perto do centro?

– Podemos estar perto, podemos estar logo abaixo dele, podemos estar longe, podemos já ter passado por ele – a loura mais velha constatou – Tudo é possível. Só descobriremos quando acharmos uma saída.

E todos achavam que encontrar tal coisa seria fácil. Mas o caminho, que antes era simples e sem grandes mudanças, acabou tornando-se um grande e embaralhado labirinto. Se antes consideravam ruim que ele se dividisse em dois, agora três, quatro e até cinco passagens novas eram consideradas um golpe de sorte.

Chegou um momento que estavam tão perturbados que pensavam já ter passado por aquele caminho em especial ou que tal detalhe já fora visto antes. Por isso a Moça das Espadas se ofereceu para marcar as paredes de tempos em tempos.

– É oficial – declarou, observando uma marca – Já passamos por aqui antes.

– Quantas garrafas de água ainda temos? – o Saco de Batatas revirou sua sacola, tirando de lá uma garrafa de vidro quase vazia.

– Poucas – Rin engoliu em seco, examinando sua própria garrafa.

– Usei a minha toda no gigante – o Homem Cachecol tentou usar a peça de roupa para esconder o resto vermelho.

– Ah, não... – murmurou Rin.

– Controle suas emoções – a Moça dos Gravetos Pontudos direcionou o comentário apenas para a menina. Riu, como se contasse uma piada –, e tenha sangue frio. Guarde seu desespero para quando ele for útil.

– Eu entendi da primeira vez — resmungou.

– Então por que não o está fazendo? – ela calmamente sacou uma faca, e Len cerrou os punhos, achando que a arma seria usada contra Rin. Mas a loura mais velha avançou em uma coisa vermelha que se aproximava em passos ritmados.

Ao invés de cortar as antenas, afundou a lâmina na dura carapaça.

– Vejam – tomou nas mãos uma folha verde que se encontrava entre as pinças do inseto – Ela só pode ter vindo do lado de fora – voltou sua atenção para o túnel por onde a coisa havia chegado.

– Mas do mesmo modo teremos dezenas de outras opções – lembrou Rin.

– Pelo o menos eliminamos outras milhares – afundou uma flecha na parede – Não se preocupe, posso dar um jeito nisso tudo.

E ela cumpriu com a palavra. Guiou os outros prestando bastante atenção nas paredes e no chão, tentando localizar marcas ou trilhas feitas pelos insetos. Quanto mais uma passagem é usada, mais desgastada ela fica. A Moça dos Gravetos Pontudos era boa em perceber esses detalhes e, por mais que tomasse o caminho errado às vezes, não demorou para que vissem, literalmente, uma luz no fim do túnel.

Demorou para que se acostumassem com a claridade, mas a gata que Rin levava nos braços era a que parecia a mais incomodada. Len arqueou uma sobrancelha e aproximou o nariz do bichano.

– Não tem cheiro de gato – informou à menina, que olhou para os lados, certificando-se de que não havia ninguém escutando.

– Explico mais tarde.

Len concordou com a cabeça e olhou uma última vez para o buraco que levava para o labirinto. Acenou com a mão e acelerou o passo para se encontrar com os outros.

A única diferença entre o lugar onde estavam antes de entrar no buraco e no que estavam agora eram as árvores cada vez mais próximas uma das outras. Rin disse que “isso significa que estavam perto do centro”.

Len gostava mais do cheiro de plantas e terra molhada do que o cheiro de mofo a abafo nos buracos. Na verdade aquele até agora foi o lugar do qual o odor ele mais apreciou, e não se importava em demorar mais ali.

– Dormimos pouco – a Moça dos Gravetos Pontudos comentou – Ainda é de manhã cedo.

Len pensou que Rin iniciaria uma conversa com ela (porque a menina gostava de conversar) mas, em vez disso, parou abruptamente de andar, pele pálida, olhos arregalados.

O louro seguiu seu olhar, e entendeu a razão do susto. Parcialmente escondidos entre folhas de plantas baixas e entre galhos e cipôs de árvores, centenas, milhares, talvez milhões de mosquitos os observavam com seus olhos redondos aparentando serem feitos de vidro.

– As formigas não parecem algo tão ruim agora... – Rin pôs o gato no chão lentamente. Desembaiou a espada com cautela.

– Esperem – a arqueira tranquilizou a todos – Percebem que eles não vêm até nós? São todos machos.

– E daí? Qual a diferença? – Kaito se encolheu de medo.

– Machos não sugam sangue. Podemos atravessar este trecho sem preocupações.

Foi uma informação animadora, mas ainda não foi o suficiente para fazer Rin guardar a espada. Ela olhou para a Moça das Espadas. Ela também tinha suas lâminas brilhantes preparadas. Qualquer movimento que as coisas fizessem era motivo para que Rin pulasse de susto. Len riu de seu comportamento, e recebeu um soco fraquinho no ombro em resposta.

Eles não aparentavam querer atacar, mas a presença de estranhos não parecia ser bem vista pelos mosquitos gigantes.

– Se os machos estão aqui... – começou Rin – ...isso não significa que as fêmeas logo virão?

– Por isso não paramos para um piquenique – comentou a Moça das Espadas.

O rapaz aguçou a audição, pensando ter escutado algo. Moveu a cabeça de modo que se posicionasse em vários ângulos diferentes por vez, para checar se o que ouviu era real ou não. Sim, era real, e vinha de trás deles, mas fosse o que fosse, estava longe e demoraria para alcançá-los.

– Cheguem mais perto e vejam isso – pediu a Moça dos Gravetos Pontudos, que subira em uma planta e olhava para o horizonte com uma coisa estranha de metal, que a deixava com uma aparência engraçada, como se seus olhos fossem enormes.

– Deixe-me ver com o binóculo também – pediu Rin, escalando a planta com certa dificuldade.

– Bi... nó... binóculo – acentiu com a cabeça, memorizando o nome da coisa.

– Ah... – a menina soltou um suspiro e fez uma careta – Isso não é nada bom...

– O que foi dessa vez? – perguntou a morena.

– A árvore que estamos procurando – começou Rin – parece ter se tornado um verdadeiro ponto de reunião de gigantes.

O resto do grupo se apressou para ver um pouco do que iriam enfrentar no futuro. Len permaneceu no solo, sentando-se pouco tempo depois.

– Binóculo... – ele escutava a discução acalorada que tomou forma. Uns diziam que teriam que dar um jeito de passar pelos gigantes enquanto eles dormiam, e outros deram a ideia de esperar um vento forte carregar uma folha até eles – Binóculo...

Mais uma vez, escutou o ruído, agora mais próximo. Observou uns quatro ou cinco novos mosquitos pousarem a uns vinte metros de distância. Deveriam ser mais machos. E o barulho que escutou deveria ter vindo de suas asas.

Os outros mosquitos, aqueles que estavam grudados nas plantas e cipôs, começaram a rodear os recém chegados, como se dessem as boas vindas.

Eles fazem isso com todos os que chegam? Pensou. Ou será que esses aí são celebridades?

Continuou observando o comportamento dos insetos, imaginando o que estaria acontecendo. Foi no momento que os recém chegados se aproximaram perigosamente da planta onde os outros se encontravam que ele compreendeu.

– São fêmeas! – o alerta felizmente foi ouvido pelo grupo.

– Para o chão agora! – a Moça dos Gravetos Pontudos ordenou, descendo da planta – Vocês que usam espadas, tentem matá-lo com um golpe rápido, não esperem que ataquem primeiro!

O som ensurdecedor das batidas das asas incomodou len de um modo que ele ficou grato quando a coisa se aproximou o suficiente para que ele saltasse e arrancasse e lhe arrancasse a cabeça.

Mas seu alívio durou pouco. Ouviu, mais do que viu, uma orda de mosquitos surgindo dos céus, enquanto os machos que, graças aos deuses, eram silênciosos, abandonavam o local.

Ele não sabia como iria lidar com tanto barulho, e queria desesperadamente enfiar pedaços de algodão nos ouvidos. No entanto, ficar completamente surdo, apesar de confortável naquele momento em especial, era perigoso e tolo, por isso decidiu aguentar um pouco mais.

A moça dos Gravetos estava claramente tendo problemas em atirar e ao mesmo tempo desviar de todos os insetos ao mesmo tempo, mas os outros tentavam ajudá-la, mesmo que fosse um auxílio mínimo. Sempre que algum deles tentava golpeá-los as coisas se afastavam, tornando as chances de acerto, mesmo que estivessem cercados por todos os lados de mosquitos, quase nulas.

No fim das contas, Len e a arqueira eram as únicas ameaças reais para aqueles demônios alados e tudo que podiam esperar era que dos outros era que saíssem ilesos, ainda que a Moça das Espadas usasse seu fogo de vez em quando, para evitar que alguém tivesse seu sangue roubado.

A grande vantagem de Len era que ninguém tentavam investir contra ele, já que não era humano, e assim poderia pegá-las com mais tranquilidade. Era uma tática simples, sempre que um deles chegava perto do solo, o rapaz pulava em suas costas, arrancava as asas e o decapitava, a mesma coisa que fez com o primeiro.

Observou Rin rolar no chão para escapar de uma perigosa investida, usou o escudo para afastar outro mosquito, e depois outro e depois outro. Pela primeira vez, a lâmina de sua espada cortou um deles ao meio, jorrando sangue de um animal qualquer. Ela ainda era um tanto desajeitada com a arma, mas sua velocidade havia aumentado absurdamente, e era habilidosa com o escudo.

E ele teve certeza de que o gato não era um gato normal quando viu o bichano tirar a vida de todos os insetos que jaziam no chão, mas que não foram totalmente mortos, esquecidos.

Estreitou os olhos e voltou a atenção para os mosquitos que o rodeavam, agora não com a intenção de tirar-lhe sangue, mas matá-lo velozmente. Fazê-lo parar.

Len rosnou e imitou Rin, jogando-se no chão quando todos investiram contra ele de uma só vez. Agarrou com brutalidade a agulha de um deles e, fazendo uso de sua força para segurar o inseto agitado, perfurou outro com a mesma. Percebendo que a estratégia não era das piores, repetiu o processo até que o ferrão ficou molenga quando o bicho em seus braços parou de lutar e morreu.

Bufou e usou o bicho morto para se defender da agulha de outro inimigo, que atravessou o escudo, mas não chegou ao alvo. Dessa vez ele preferiu quebrar a agulha do inseto, em vez de usá-la como arma. Optou pela velha tática de usar as garras para matar o outros.

Um montinho de cadáveres tomou forma ao seu redor, e foi só aí que a realidade o atingiu com força total. Havia muitos deles ainda voando por aí, cada um do grupo lutava com cerca de cem deles, sem parar. Seria muito fácil ficar cansado.

Era exatamente isso que os insetos queriam. Cansá-los até não terem forças para mover um dedo.

Ele rosnou, mostrando os dentes. Saltou, evitando seus inimigos e correu até Rin, com cuidado para não deixar ninguém atacá-lo pelas costas. A menina não estava em uma situação favorável. O campo de batalha não oferecia nenhuma ajuda, os inimigos eram numerosos e rápidos. Ou seja, era uma batalha cuja força bruta era mais útil que estratégia e esperteza.

Ela estava em mortal desvantagem.

Arfava, respirando pela boca. Sua garganta estava seca, seus pulmões ardendo e seus braços pareciam que iriam cair a qualquer momento, de tantas vezes que tentou cortar os insetos com a espada ou afastá-los com o escudo.

Len se jogou na direção de um dos mosquitos, jogando o corpo morto de sua vítima em outro que também a ameaçava. Em um piscar de olhos, o rapaz espantou e matou mais insetos do que ela faria em horas. Rin segurou o escudo e a espada na altura das coxas, poupando os braços doloridos.

– Rin, eles querem nos cansar! – avisou Len, tentando fazer com que sua voz vencesse a confusão e sem deixar tempo para que ela agradesesse a ajuda – Por isso todos vieram!

Ela abriu a boca para dizer alguma coisa, mas a fechou logo depois, engolindo em seco.

– Talvez... você possa ter razão – seus olhos caminharam para a cena ao seu redor. Para o caos ao seu redor.

– O que vamos fazer?

Ela mordeu os lábios, cenho franzido. Suor escorria de seu rosto e caía no chão, mas ele não soube dizer se era fruto do esforço que ela exercia minutos atrás ou da concentração. Ele foi obrigado a batalhar com diversos mosquitos para que ela tivesse um pouco de “paz”, e pensasse em alguma coisa.

Para o seu horror, os outros também já começavam a desistir de lutar. Era uma situação muito parecida com a das formigar, só que muito mais desesperadora, porque aquelas coisas não os deixariam em paz só por sair de seu território.

– O que ela está fazendo? – a Moça dos Gravetos Pontudos se aproximou, arfando, quase sem se aguentar de pé. Levava no braço um corte amplo e circular, mas não muito fundo – Não deixei que terminasse o serviço. Rin se machucou?

– Não, só está pensando em alguma ideia – explicou ele. Nesse momento, Rin girou o corpo para encará-los, olhos brilhando.

– Vejam só isto! – tirou do casaco um pacotinho de cravos-da-índia e três limões. Havia carregado tudo aquilo consigo para deixar as refeições mais apetitosas. Nunca pensou que os temperos pudessem algum dia salvar sua vida.

– O que há de bom nessas porcarias? – a arqueira ficou preocupada que a menina tivesse perdido o juízo.

– Nunca ouviu falar neste repelente caseiro? – Rin se agaixou, pedindo cobertura, e cortou os limões em seis pedaços. Com cuidado, afundou os cravos-da-índia na parte macia da fruta. Entregou um pedaço para a Moça dos Gravetos Pontudos e um para Len.

– Sim, mas não achava que funcionasse – a arqueira respondeu lentamente.

Ele cheirou a comida em sua mão. Tinha um cheiro cítrico semelhante ao da fruta que a loura tanto gostava. Encostou a ponta da língua no suco que escorria, mas se afastou sem demora, com uma careta.

E não foi só ele que não apreciou o sabor da fruta. Todos os insetos que há poucos segundos faziam mensão de investir contra ele se afastaram, depois tentaram se aproximar de novo, mas não conseguiram e voltaram a tomar distância.

Len riu, e aproximou a fruta dos mosquitos, só para vê-los perturbados. Continuou com a brincadeira por mais algum tempo, até que a Moça dos Gravetos Pontudos pôs a mão em seu ombro.

– Meu bizarro companheiro, se já se divertiu o suficiente – ela lhe entregou seu repelente –, apreciaria muito se você pudesse me dar cobertura. Limparei o caminho para todos.

Len acentiu. A Moça dos Gravetos Pontudos não poderia atirar só com uma mão. O rapaz não mais precisava matar os insetos, só o que fazia era espantá-los com o repelente, e não podia negar que estava se divertindo muito com aquilo.

A arqueira também ficou grata com a falta de inimigos agora que todos possuíam uma metade da fruta. Estava molhada de suor e terra de tanto que correu e atacou. Agora só abria uma trilha por entre os insetos que eram resistentes ao cheiro.

– Está dando certo, estamos nos aproximando da árvore! – comemorou Rin, apontando para o alto. Lá no topo, quase rasgando o céu, a copa da árvore que procuravam.

– Vamos primeiro nos livrar dessas coisas, para depois cantar vitória! – a Moça dos Gravetos Pontudos colocou umas quatro flechas no arco, e todas elas acertaram um alvo – Maldição, estão acabando – ela se referiu a quantidade de munição que lhe restava.

– O que? – a menina não entendeu.

– Minhas flechas, estão acabando – esclareceu – Logo teremos que nos contentar apenas com os repelentes – eram úteis, mas não o suficiente.

– Inferno! – Rin cortou um pedaço de seu vestido, depois pediu a faca de caça da arqueira emprestada – Não queria ter que fazer isso.

– O que você está planejando? – a Moça das Espadas ergueu uma sobrancelha, mas seu rosto carregada um sorrisso. Rin era imprevisível.

– Por favor, me protejam – pediu, abrindo um feio corte na palma da mão, depois deixando o sague ser absorvido pelo pedaço de pano.

Os mosquitos se agitaram ainda mais, alguns ignorando o cheiro do limão, que era vencido pelo cheiro de sangue.

Acho que você não entendeu direito! – a arqueira arregalou os olhos – Minhas malditas flechas estão acabando!

Rin ignorou o comentário e pegou uma pedra no chão, a envolvendo com o tecido vermelho. Em um movimento rápido tirou o laço preto que prendia os cabelos de Len. Amarrou as pontas do lenço sangrento e tinha em mãos agora algo que se parecia com um pacote vermelho com uma predra dentro.

Ignorou o sangue pingando e ergueu sua isca. Moveu o pacote de um lado para o outro, e pôde ver que os insetos acompanhavam o movimento. Sorriu e voltou-se para Len.

– Jogue o mais longe possível.

O rapaz não se sentiu nada satisfeito em segurar algo que tinha o cheiro de sangue de Rin, por isso ficou mais que feliz ao lançar a coisa com tanta força que se perdeu de vista.

E se perderam de vista também os mosquitos, levando consigo seu barulho infernal.

– Você podia ter feito isso desde o começo – assinalou a Moça dos Gravetos Pontudo.

– Podia, mas agora estou cheirando a sangue – rebateu a menina – então é melhor tentar disfarçar este cheiro logo, antes que eu vire um farol ambulante de mosquitos.

Len bufou e examinou o local. Algo não estava certo. Afastou-se cautelosamente, passos lentos, olhos agitados. Moveu a cabeça, tentando escutar melhor. Não havia mais sons de asas batendo, mas o ruído de perninhas se movimentando o deixava inquieto, principalmente com Rin sangrando.

Então seu olhar pousou em um último mosquito, que não seguiu a multidão, escondido nas sombras, debaixo de folhas secas. Len avançou em sua direção, mas quando seu inimigo percebeu que fora descoberto não perdeu tempo e saltar e se dirigir até seu verdadeiro alvo.

O louro tentou, com todas as suas forçar, parar aquele monstro. Mas estava rápido e alto demais para ele. Na verdade, ninguém esperava que havia um sobrando, todos baixaram as armas.

Suas garras roçaram na pele do inseto, mas ele não parou, Len caiu no chão, derrotado. O caminho estava livre. Nem mesmo a arqueira teve tempo de sacar uma flecha. Nem mesmo Rin teve tempo de absorver o que acontecia.

Só o que Len viu foi a menina tentando desviar da agulha do bicho, mas caiu, e a arma mortal se afundou um pouco abaixo do seu pescoço, quase no ombro direito.

Ela não gritou, nem tentou lutar. Estava paralisada, apavorada. O corpo ficou dormente, e Rin pode ver seu próprio sangue ser levado pela agulha transparente. Viu o próprio reflexo pálido nos olhos daquela coisa. Uma bolsa também transparente na parte de baixo do inseto se tingia de vermelho.

Estava ficando com frio. Estava ficando cansada. O mundo girava e ficava turvo. Sentiu dor de cabeça só de olhar para cima, por isso fechou os olhos.

Escutou alguém gritar, era uma voz de mulher. Depois pensou ter ouvido algo cair no chão. Alguém levantou uma de suas pálpebras, e ela abriu ambas, com surpreendente esforço.

– Eu tentei! – choramingou Len, ao lado do inseto trucidado. Não teve piedade – Eu juro que eu tentei!

Rin quis dizer que estava bem. Mas ela sabia que não estava. Neru se aproximou e a menina sentiu Len pressioná-la mais forte contra si.

– Maldição, maldição, maldição – falava rápidamente – Perdeu muito sangue. Não, não se mexa! – sibilou entre os dentes quando um pouco mais de sangue brotou do feio buraco quando a menina se contorceu para ficar mais confortável.

– Perdeu muito sangue?! – o rapaz falou baixinho, sem querer ouvir a resposta – E o que isso significa?

Neru balançou a cabeça e cobriu o buraco e o corte na mão com gaze.

– Só... evite que ela perca mais. Isso vai demorar para sarar.

– É isso – Meiko se manifestou – Vamos embora.

SeeU pareceu ser a favor da ideia. Mas Rin reuniu forças para discordar.

– Voltar? – sorriu amargamente – Depois... de tudo... isso?

– O que você pretende? – Meiko cruzou os braços – Ameaçar os gigantes dizendo que está com a peste?

– Não... Vocês vão... sem mim.

– Espere um minuto – Miku interrompeu – Sem você? Quero dizer... você tem as boas ideias.

– Miku, você... vai ficar comigo. Alguém... precisa ficar. Vão ficar bem... sem mim, sei que vão — parecia que ela estava tendo um trabalho tremendo apenas para falar.

Neru mordeu a parte de dentro da boca, e se aproximou de Rin.

– Sei o que está fazendo – sussurrou – Len é realmente mais forte que Miku. Mas seja esperta, qual dos dois a abandonaria em uma situação de perigo?

Rin concordou com a cabeça. A outra tinha razão.

– Len, você fica – anunciou Neru – Ache um lugar seguro e fique de guarda. Rin, a sensação de dormencia logo vai chegar ao fim. Prepare-se para muita dor.

A loura acentiu novamente com a cabeça, sem ter noção da violência da dor que Neru se referia.

– Meiko – chamou a menina.

– Não estou feliz com isso – deixou bem claro.

– Sei... que não – Rin moveu um pouco os dedos, já podia senti-los – Você vai ficar no... meu lugar, está bem? Confio em você, sei que... não fará besteiras.

Meiko sorriu, e despenteou mais ainda seus cabelos.

– Obrigada pela confiança. Miku está certa, seus planos farão falta. Mas vamos conseguir – seu sorriso murchou – Não se preocupe conosco. Se preocupe consigo mesma. Reze para não pegar nenhuma doença dessa picada.

Escutaram o bater de asas dos mosquitos, que retornavam velozmente. Era hora da separação. Len se levantou e a carregou nos braços, a procura de um lugar seguro, e Rin observou os outros tomando um rumo diferente, em direção à árvore no centro da floresta. SeeU ficara, Meiko estava com o não livro, e ela iria para onde aquela coisa fosse.

Neru virou-se de última hora, e seus olhares se encontraram. Ela parecia tomada por stresse, punhos cerrados, mandibula travada.

– Você precisa viver, pequena – murmurou – Você precisa viver.

. . .

Rin se virou para deitar de lado, mas de nada adiantou para bloquear a dor. Suspirou, e até seu suspiro saiu quebradiço e dolorido, como se estivesse prestes a chorar. Ou talvez já estivesse chorando e não percebera.

Sentiu mais sangue sair do buraco, devido ao movimento brusco, e a gaze ficou mais vermelha ainda. Estava deitada na jaqueta de Len, e seu próprio casaco a cobria como um cobertor.

Estava com tanto frio...

O corte na mão já havia virado uma casquinha, que agora estava quase virando pele. Mas o o buraco causado pela agulha do mosquito não sarava. E nem apresentava sinais de que iria sarar tão cedo. Deveria estar inflamado àquela altura.

Picadas de inseto faziam isso. Impediam que o sangue coagulasse.

Tremeu quando uma brisa entrou no buraco de tronco de árvore no qual se encontravam. Se enrolou mais ainda no casaco. E gemeu de dor quando isso forçou o machucado. Perdia sangue pouco a pouco.

É isso? Será que não passo deste dia?

Mas seus pensamentos foram interrompidos por mais uma onda insuportável de dor e não foi capaz de formular mais nenhum. Espremeu os olhos, e lacrimejou mais. Não tinha coragem de tirar as ataduras para ver o estado da coisa. Ver sua carne viva, rosada, e sangue quente brotando.

Sua única chance era que seu corpo reagisse, e cicatrizasse o ferimento logo, mas esse fiapo de esperança ficava cada vez mais distante.

Len saiu de seu ponto de vigília na entrada do buraco, o único lugar que permitia a entrada de luz. A cada vinte minutos ele fazia isso. Ia até ela, checava para ver se ainda estava respirando e voltava para a entrada, sempre alerta.

Aproximou sua mão do nariz e boca de Rin. Ficou satisfeito quando sentiu a respiração quente de Rin. No momento que ia levantar-se, porém, sentiu uma mão gélida segurar a sua.

– Por favor... fique – pediu a menina, e ele pôde sentir seu desespero – Estou com frio...

Com todo o cuidado do mundo, ele a colocou em seu colo e soprou em suas mãos trêmulas. Engoliu a saliva, e teve a sensação de que no meio dela havia uma pedra. Limpou as lágrimas da menina com a mão esquerda, pois o braço direito apoiava seu corpo, e seus dedos pararam um pouco abaixo de seus olhos. Contornou as olheiras escuras, destacadas no rosto pálido, olhos cansados, lábios praticamente brancos.

Rin suspirou e fechou os olhos.

– N-não dorme... – ele temia que, se ela dormisse, nunca mais acordaria – Rin... não d-dorme – não conseguiu controlar o tremor na voz chorosa.

– Len – ela abriu um pouco os olhos – Se alguma coisa acontecer... comigo... fique... fique com a... Meiko... está bem?

– Para... – ele pediu.

– Ela vai... deixar você morar com... ela... sei que sim... – Rin realmente não queria falar aquelas coisas, mas precisava – É uma casa bonita... e bem grande... tem... espaço para.. correr...

Para!

Mais uma onda de dor. Rin respirou fundo e tentou ignorar.

– E você tem que... me prometer que... não... vai fazer nenhuma estupidez – ela tinha certeza de que ele sabia o que queria dizer “estupidez”.

Para!

– Prometa...

Cala a boca! – ele chorou, e afundou a cabeça no ombro da menina – Cala a boca...

– Len... – ela escovou seus cabelos com os dedos finos.

– Cala a boca... – soluçou.

Rin beijou a cabeça dele diversas vezes. Len finalmente saiu de seu esconderijo e encostou sua testa na dela.

– Eu te... amo – murmurou, pouco antes de ele pressionar seus lábios nos seus.

Len pôs a mão atrás de sua cabeça e mordeu seu lábio inferior. A menina abriu um pouco a boca e ele fez o mesmo, suas línguas se encontrando. Nunca havia feito aquilo antes. Era uma sensação estranha. Não estranha ruim. Estranha maravilhosa. Se morresse agora, pelo o menos não deixaria o pobre Len na dúvida se era um amigo ou amante.

– Eu te amo, também – o louro ronronou, mas ainda havia tristeza em seus olhos. Tristeza que iria embora apenas quando Rin estivesse de pé e bem de novo.

– Seus dentes são... muito pontudos... – ela riu forçado, tentando trazer um pouco de alegria. A resposta fora só um sorriso fraco e breve.

E, cientes de que não poderiam fazer nada além disso, esperaram.

E rezaram.

Notas finais
Eu tentei fazer um cap menor... mas não consegui... desculpa...