A viagem ocorreu sem problemas, com os viajantes descansando de dia, em cavernas para esconder os dragões, e voando à noite. Todos os dias recebiam mensagens de Aimos, falando sobre as últimas notícias sobre os reinos que pensavam em atacá-los. Não houve nenhuma movimentação de batalha durante a viagem. No meio da terceira noite chegaram a Camelot, entrando pela caverna onde Kilgharra havia sido mantido prisioneiro. Gaius, que estava lá dormindo num canto, esperando por eles, acordou com o barulho das asas dos dragões. Merlin foi o primeiro a descer e correu para abraçar o velho amigo, com lágrimas nos olhos.

– Gaius, como é bom te ver!

– Meu menino, eu sabia que você conseguiria – falou retribuindo o abraço. Vejo que a viagem rendeu mais de um resgate – falou se virando para Arthur e se curvando – Estou muito feliz de vê-lo bem, senhor. Gwaine, soube de sua provação e recuperação. Seja bem vindo de volta. Kilgharra fique aqui para descansar o tempo que quiser. Aithusa, em breve procuraremos um lugar para você ficar em segurança. Agora vamos subir. A Rainha e os cavaleiros estão aguardando na sala da Távola Redonda.

– Calma Gaius, você está parecendo Merlin, quando começa a falar não para mais – riu Arthur.

Todos riram e foram seguindo o velho médico, em direção a sala da Távola Redonda.

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O clima na sala era tenso. Há uma semana haviam recebido mensagem de Avalon, que o Reino de Lot e outros reinos menores, estavam querendo aproveitar a ausência de Arthur para atacar Camelot. As mensagens continuaram vindo, mantendo-os a par do que estava acontecendo. A última que receberam , falava do retorno de Arthur, Merlin e Gwaine. Todos estavam ansiosos. Segundo Gaius, eles chegariam essa noite. Gwen não se continha de tanta ansiedade. Depois de quase um mês, seu marido estava voltando para casa. E já ia enfrentar problemas com outros reinos. Ela queria abraçar Arthur, ficar com ele em seus aposentos, mas sabia que, quando ele chegasse, isso seria difícil. Muito teria de ser discutido com o conselho e os cavaleiros. Estes também estavam ansiosos. Tinham se mantido alerta, e em treinamento constante, para qualquer emergência. Todos esperavam que, com a volta de Arthur, as coisas se acalmassem, mas não podiam contar com isso. Enquanto estavam conversando, a porta da sala se abriu e Gaius entrou, trazendo com ele os três viajantes. Gwen correu para abraçar Arthur, enquanto os outros cumprimentavam Gwaine e Merlin. Depois de alguns minutos, quando Arthur já tinha falado com todos os cavaleiros e Gwen agradecido a Merlin pelo que tinha feito pelo Rei, todos se posicionaram em torno da Távola Redonda, aguardando que o rei se sentasse, para que fizessem o mesmo. Antes de se dirigir a mesa, Arthur falou alguma coisa com Gaius e este saiu da sala. Arthur tomou seu lugar na Távola, mas não se sentou. Merlin se colocou em seu lugar, atrás de Arthur, no canto da sala.

– É bom estar de volta a Camelot – disse Arthur sorrindo – Bom receber o carinho de todos vocês. Mas antes de discutirmos qualquer coisa, tem algo que eu preciso fazer. Caros amigos, durante esse mês que passei fora daqui, descobri o quanto estava enganado sobre a capacidade, lealdade e coragem de alguém muito próximo a mim. Graças a essa pessoa, estou vivo hoje e tive a oportunidade de rever vários conceitos que recebi, de maneira distorcida, de meu pai. Hoje, pela primeira vez, será nomeado um Conselheiro que também será um Cavaleiro – Um murmúrio começou em torno da mesa — Sei que todos os cavaleiros são meus conselheiros no que diz respeito à batalhas, alianças, etc.. Mas, esse, será alguém que me ajudará em todos os problemas de Camelot. Alguém que estará comigo tanto nas reuniões de conselho, em reunião da Távola Redonda, como quando estivermos em campo.

Merlin começou a se preocupar. Será que Arthur estava falando sobre ele? E se fosse, estaria ele à altura dessa tarefa? Nesse momento, Gaius entrou na sala carregando uma capa e um cinto com uma espada.

– Antes de tomar essa decisão, me aconselhei com Aimos, Alto Sacerdte Sidhe, de Avalon, que cuidou de mim quando cheguei lá e salvou minha vida. Ele disse que minha escolha estava certa e que, apesar de eu não ter percebido, ela já fazia essas funções, mesmo sem ser um conselheiro — O murmúrio na sala aumentou. O Rei havia se aconselhado com um feiticeiro. O que estava acontecendo? — Sei que estão achando isso estranho, mas quando terminar a cerimônia, que será rápida, devido a urgência, vocês ficarão sabendo o que se passou nesse mês e me entenderão. Como temos muito que conversar e resolver, a celebração ficará para outro dia. Merlin – chamou Arthur afastando-se da Távola.

– Sim, majestade – respondeu o mago.

– Aproxime-se – Merlin fez o que o Rei mandou, ficando de frente para ele. — Ajoelhe-se – Merlin sacudiu a cabeça negativamente – Eu estou mandando Merlin, pelo menos uma vez na vida, faça o que te mandam – Todos os presentes, que estava de boca aberta com o que estava acontecendo, riram, enquanto Merlin se ajoelhava em frente do Rei – Merlin, filho de Balinor, eu te nomeio Conselheiro e Cavaleiro de Camelot. Levante-se Sir Merlin, Cavaleiro de Camelot. Gaius, pode ajudar o novo cavaleiro a colocar a capa e a espada.

Merlin se levantou com as pernas bambas, olhando incrédulo para Arthur. Quando terminou de ser arrumado, por um orgulhoso Gaius, Arthur o segurou pelos ombros e o virou em direção a Távola. Todos aplaudiram, principalmente Gaius e Gwaine, que imaginou de quem o rei estava falando, desde o início.

– Agora vamos nos sentar, Temos muito o que conversar. Tome seu lugar na mesa Merlin, isso é, se o novo cavaleiro conseguir andar – falou Arthur rindo, passando o braço nos ombros de Merlin e encaminhando-o para a Távola.

Durante horas, Arthur contou, junto com Merlin e Gwaine, o que tinha acontecido desde que chegaram a Avalon. Arthur falou da decisão de liberar a magia em Camelot, e abriu espaço para que Merlin contasse seu segredo. O jovem mago pediu desculpas por ter enganado a todos por tanto tempo e falou de seus motivos para não contar. De início os mais chegados ficaram chateados, mas conforme Merlin falava, foram entendendo suas razões. Arthur pediu segredo sobre isso. Ele não queria que os outros reinos soubessem que tinha um mago na corte, porque poderiam se sentir ameaçados. E isso não seria bom. Falaram também sobre Aithusa e que isso também não poderia sair daquela sala. Ela era responsabilidade do Senhor dos Dragões e somente ele, o próprio Rei, e Gaius, saberiam onde e como se comunicar com ele. Estava raiando o dia quando Arthur resolveu que já era hora de parar. Ninguém mais estava em condição de fazer nada. Marcaram, então, de se encontrar à tarde, para rever as estratégias de defesa, que já haviam sido montadas pelos cavaleiros, para o caso de algum reino ainda querer atacá-los depois da volta do Rei. A única ordem dada, foi para que, fosse espalhada a notícia de que o Rei havia voltado.

Merlin e Gaius foram para os aposentos do velho médico, comeram alguma coisa e logo dormiram. Tinham muito que conversar, mas isso ficaria para depois. Quando Gaius acordou, começou a preparar a refeição favorita de Merlin. Logo que ficou pronta, o jovem apareceu na porta do quarto.

– Gaius, se o gosto da comida estiver tão bom quanto o cheiro, não sei se vou conseguir chegar a tempo para a reunião – falou sentando na pequena mesa que dividia com o amigo.

– Bom dia Sir Merlin – brincou Gaius – Espero que não se atrase para a sua primeira reunião como Cavaleiro.

– Para de brincadeira Gaius – falou Merlin corando – estou tremendo até agora. Não sei como Arthur pode fazer aquilo. Como ele espera que eu consiga arcar com toda essa responsabilidade? Eu, um cavaleiro de Camelot. Ele não está bem da cabeça.

– Merlin, você é capaz. Aimos concordou com Arthur e eu também concordo com ele.

– Mas...

– Não tem mas, Merlin. Você sempre aconselhou Arthur e sempre acompanhou ele em campo. A diferença é que agora, todos vão ouvir sua opinião, você será igual a eles e não apenas um servo.

– Tenho medo de falhar com ele e com Camelot, Gaius. De não ser o que Arthur espera de mim.

– Você é mais do que ele espera, tem que parar com essa mania de se achar menos do que é. Você pode Merlin, e vai ser o melhor conselheiro/cavaleiro que Camelot já viu.

– Obrigado pela confiança Gaius. Agora vamos comer. Temos uma longa tarde pela frente.

A reunião não foi tão longa quando imaginava Merlin. Como já tinham sido avisados, os planos de defesa já estavam montados, precisando apenas da aceitação de Arthur. As medidas seriam colocadas em prática imediatamente. Tembém foram enviados mensageiros para convidar os reis aliados, para irem a Camelot comemorar a volta do Rei. Depois de tudo resolvido, Arthur chamou Merlin em seus aposentos, para tratar sobre Aithusa.

– Acho que ele pode ficar onde está. A caverna é espaçosa, próxima, escondida e temos fácil acesso a ela. A noite ele pode sair para caçar e esticar as asas – falou Arthur.

– É uma boa ideia. Vou falar com ele e assim aproveito para me despedir de Kilgharra.

– Vou com você, também quero me despedir dele e mandar uma mensagem para Aimos – Merlin olhou para Arthur e franziu a testa – Não precisa me olhar com essa cara, Merlin. Depois você vai saber o que é?

Os dois amigos foram até a caverna onde conversaram com Aithusa, que aceitou o convite e se despediram do Grande Dragão, que iria voltar a Avalon naquela noite mesmo. Fora da ilha, Kilgharra se sentia mais cansado e não queria ficar mais tempo longe. Aithusa iria com ele, para levar a mensagem de Arthur e trazer a resposta. Apesar de saber que não veria o amigo mais, com tanta frequência, Merlin estava feliz por ele estar indo para um local onde ficaria bem.