As Aventuras de Merlin - Final alternativo
5 Cap. 5 – Mais revelações
Depois do banho, Merlin levou Arthur até a cama e esperou que o amigo dormisse, para sair e buscar algo para o jantar, o que não foi difícil, já que Eoin estava preparando as bandejas para levar para eles. Agradecendo, Merlin pegou as bandejas e voltou para o quarto.
O jantar se deu em silêncio. Arthur tinha muito no que pensar e Merlin respeitou isso. Quando terminaram, Arthur perguntou a Merlin se poderiam dar uma volta no jardim. O rapaz disse que sim e saíram passeando pelas alamedas. Mesmo à noite, iluminado pelas tochas, o jardim não perdia em nada sua beleza. Após andar um pouco, procuraram um local para se sentar.
– Merlin, pensei muito em tudo o que você e Aimos me falaram e decidi que vou permitir que a magia seja usada novamente, livre, em Camelot. Mas continuarei proibindo o uso da mágica para o mal. A magia negra continua banida.
– Muito justo. Só temos que ter certeza absoluta do uso desse tipo de magia, antes de fazer qualquer julgamento. Podem haver pessoas que queiram fazer mal a outras usando isso contra elas.
– Terei isso em mente. Amanhã falarei com Aimos.
– Fico feliz com sua decisão. Vai se bom não precisar me esconder mais.
– Deve ter sido muito difícil pra você esses anos todos. É engraçado, mas vi uma mudança em você desde que me revelou que tinha mágica. Sumiu o rapaz medroso, inseguro, idiota mesmo – falou rindo – e no seu lugar está um homem seguro, que sabe o que fazer, que presta muito mais atenção em detalhes do que qualquer cavaleiro. Isso sem deixar de ser o mesmo Merlin de sempre, desastrado, com suas piadas bobas, falando o que pensa. O amigo leal de todas as horas.
– Foi um caminho muito solitário. Não sei o que seria de mim sem Gaius. É difícil ter tanto poder e precisar parecer um idiota. — sorriu
– Imagino que sim. Merlin, desde que acordei, tem uma coisa na minha cabeça que está me intrigando. Nós viemos pra cá no dorso de um dragão, não foi? Ou isso foi alucinação de alguém que estava morrendo?
– Não foi alucinação – falou Merlin rindo – Viemos sim. O nome dele é Kilgharra, um grande amigo e conselheiro. Muito do que sou, devo a ele.
– Ele chegou até nós porque você o chamou, eu ouvi.
– Sim, eu chamei. Sou um Senhor dos Dragões, Arthur. — o jovem rei olhou para Merlin de boca aberta. — Você vai engolir uma mosca. — Arthur olhou pra ele sério. — Tenho que te contar uma coisa. Fui eu quem soltou o Grande Dragão.
– Você? Por que fez isso? Quase matou todos nós. — falou exasperado.
– Calma, vou explicar. Durante mais de dois anos, ele me ajudou a te proteger, me ensinou muita coisa, me deu conselhos sábios, que nem sempre eu segui. Um dia precisei muito dele pra te ajudar, nem lembro o que foi, mas para isso, ele me fez prometer que, um dia, o libertaria. Enrolei o mais que pude, mas um dia ele exigiu que cumprisse minha promessa. Pedi a ele para não atacar Camelot, porque sabia do ódio que tinha de Uther por ter deixado ele preso durante mais de 20 anos. Ele foi embora sem falar nada e no dia seguinte, estava atacando. Me senti culpado, tentei falar com ele, mas não me dava ouvidos. Foi quando Gaius informou a Uther que, talvez, houvesse um Senhor dos Dragões vivo. Antes de sairmos a procura de Balinor, ele me revelou que o homem que íamos procurar era meu pai.
– Seu pai? Balinor?
– Por isso fiquei tão abalado com a morte dele. Conheci e perdi meu pai em um dia. Quando voltamos estava arrasado e preocupado. Como iríamos vencer o dragão? Então Gaius me disse que, com a morte do meu pai, o seu dom passaria para mim. Eu era agora o último Senhor dos Dragões. Quando fomos ao encontro dele na clareira, depois que você caiu, me concentrei e procurei no meu interior a voz que eu e Kilgharra partilhamos, porque nossas almas são irmãs. Consegui falar com ele de igual para igual e, com isso, pude fazê-lo me obedecer. Eu poupei a vida dele, e nossa relação melhorou muito desse dia em diante. Ele salvou minha vida várias vezes, me ajudou inúmeras e brigamos outras tantas – falou sorrindo – Mas nos respeitamos, somos velhos amigos.
– E você me falou que eu tinha vencido ele.
– Você queria que eu dissesse o que? Que eu era um Senhor dos Dragões? Falou rindo, passando a mão no pescoço como fosse uma espada.
– E onde ele está agora? – perguntou balançando a cabeça, sorrindo.
– Aqui na ilha. Estão tentando recuperar a asa dele. Kilgharra está muito velho, muito em breve ele vai nos deixar. Fico triste só de pensar nisso, mas como ele mesmo diz “É o ciclo da vida.” Falou com um meio sorriso e lágrimas nos olhos. — Ah! Antes que me esqueça, tem outro dragão na ilha. Consegui trazer Aithusa para cá.....
– Aithusa?
– O dragão que estava com Morgana. Ele está sendo tratado. Vão tentar reverter alguns problemas causados pelo tempo que passou no cativeiro. Foi muita maldade o que fizeram com ele. Vamos ver o que os sacerdotes podem fazer para ajuda-lo. Se Aimos permitir, e você quiser, podemos ir vê-los amanhã.
– Pode ser. Acho que preciso agradecer ao Grande Dragão por me ajudar.
– Ele vai gostar disso. Amanhã falaremos com Aimos então. Mas por hoje, acho que já chega. Esse negócio de “abrir o coração” não é nada fácil. Precisamos descansar. Vou te acompanhar até o seu quarto e depois vou dormir. Amanhã teremos um longo dia pela frente.
A volta foi tranquila. Merlin auxiliou Arthur a se preparar para dormir e se despediu do amigo indo para seu quarto. Tinha muito que pensar, mas estava realmente exausto. Chegando no quarto foi se lavar e quando deitou, estava dormindo em poucos minutos.
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