As Aventuras de Merlin - Final alternativo
4 Cap. 4 – Revelações sobre Uther
Uma hora depois, Aimos entrou no quarto de Arthur, junto com outros dois sacerdotes, trazendo sucos e travessas com frutas e sopas.
– Boa tarde, Emrys, hora do almoço.
– Boa tarde, Aimos. Não percebi que tinha passado tanto tempo. Arthur se cansou durante a conversa e achei melhor ele descansar um pouco.
– É uma reação normal, mas agora é hora de acordar e se alimentar. — falou Aimos passando a mão na fronte de Arthur, que abriu os olhos lentamente – Está descansado amigo?
– Estou – falou tentando se levantar. Em um instante Merlin estava ao seu lado, ajudando-o. Aimos sorriu com o cuidado demonstrado pelo jovem mago.
– Ótimo, então vamos almoçar e depois conversaremos.
– Pra mim está ótimo – falou Merlin.
– Podemos conversar enquanto comemos – disse Arthur.
– Claro que podemos conversar durante a refeição jovem rei, mas apenas amenidades.
O almoço transcorreu tranquilamente, com os amigos relembrando passagens engraçadas vividas por eles desde que se conheceram. Terminada a refeição, Aimos perguntou a Arthur se ele estava se sentindo bem e se gostaria de se sentar no jardim. Arthur disse que sim, que seria ótimo deixar aquela cama. Com a ajuda de Merlin, ele foi levado até o jardim, onde todos se sentaram em confortáveis cadeiras.
– Que lugar lindo! — exclamou Merlin – Não tinha vindo até aqui ainda.
– Realmente é muito bonito.- falou Arthur.
– Esse é o nosso “local de reunião”. Preferimos nos reunir próximo a natureza, onde a magia da Mãe Terra está mais presente – disse Aimos.
– Posso senti-la. O local pulsa de vida – falou Merlin.
– Mas vamos ao que nos trouxe aqui. Arthur, sei que você quer voltar o mais rápido possível para Camelot, mas vai precisar ficar aqui por algum tempo mais, umas duas ou três semanas pelo menos. — Arthur ia começar a falar, mas foi cortado pelo sacerdote. — É para seu bem. Temos que nos assegurar que a sua saúde esteja perfeita quando sair daqui. A partir de amanhã, você poderá caminhar pela ilha, sem exageros. Deverá descansar bastante e se alimentar bem. Com os passar dos dias, conforme for se sentindo mais forte, poderá começar a correr e fazer exercícios. Depois pode voltar ao treino com sua espada. Quando estiver pronto, e somente aí, você será liberado.
– Com quem vou treinar? Não vei ser com Merlin – falou rindo.
– Ei! Eu melhorei muito, não sou tão bom quanto os Cavaleiros, mas luto direitinho. — riu
– De início você vai, realmente, treinar com Merlin e com Eoin, até se sentir mais forte. O resto poderá fazer em Camelot. — falou Aimos – Durante esse tempo, também iremos conversar. Temos que falar sobre coisas que você ou desconheça, ou tenha um conhecimento distorcido. Me responda Arthur, porque seu pai odiava tanto a magia?
– Porque minha mãe morreu por causa disso.
– Esse é seu primeiro conhecimento distorcido.
– Como assim?
– Uther falou com você sobre seu nascimento? — Arthur balançou a cabeça negativamente. — Então vou contar o que realmente aconteceu. Seu pai queria muito um herdeiro. Ele tinha Morgana, mas ela era bastarda e morava com o homem que pensava que era seu pai. Não, ele precisava de um filho legítimo, que ninguém pudesse questionar. Mas Igraine não conseguia levar nenhuma gestação a termo e isso frustava Uther. Ele resolveu usar magia então, para conseguir isso. Não era a primeira nem foi a última vez que ele usou magia. Isso era comum. Todos usavam na época. Ele procurou uma feiticeira, Nimuê, e pediu o que queria. Nimuê avisou a ele que, para uma vida ser criada por magia, outra vida seria necessária em troca. Seu pai aceitou, ele queria o herdeiro a qualquer preço. Quando você nasceu e sua mãe morreu no parto, ele culpou a magia por isso, mas a verdade é que ninguém pode saber ao certo se foi isso o que aconteceu. Igraine era frágil, tinha tido problemas nas outras gestações, mas ele tomou o que Nimuê falou como verdade absoluta e levou seu ódio às últimas consequências. Muitas pessoas foram mortas por ele suspeitar que tinham ligações com feiticeiros. Muitos bons magos, que só usavam magia para o bem, para a cura, foram mortos, os Senhores dos Dragões foram traídos e eliminados, as criaturas mágicas como os Dragões, também foram dizimadas. Ele dizia que a magia tinha corrompido Camelot, apesar de usa-la quando lhe era conveniente. Dizia que só servia para o mal, mas eram poucos os magos que usavam magia negra.
– Então meu pai foi realmente o culpado pela morte da minha mãe.
– Arthur, Igraine queria tanto um filho quanto Uther. Queria dar um herdeiro para ele. Não sei se sabia sobre a magia, mas sabia, como mulher, dos riscos que corria com aquela gestação.
– Mas se ele não quisesse tanto um herdeiro...
– Arthur não adianta ficar se atormentando por isso. Entenda apenas uma coisa, de um jeito ou de outro, você iria nascer. Seu nascimento já estava previsto há muito tempo. Você é o primeiro e futuro rei, àquele que irá trazer paz a essa terra, que irá unificar os cinco reinos.
– Arthur ficou olhando para o jardim, tentando colocar os pensamentos em ordem. Tudo que fora levado a acreditar por seu pai, era mentira. Seu mundo estava desmoronando e ele se sentia sufocado.
– Arthur – falou Merlin – Não adianta você ficar assim. Tem que se acalmar.
– Merlin, como você acha que estou me sentindo? Meu pai, o homem que passei minha vida procurando ser o que ele queria que eu fosse, para que se orgulhasse de mim, era um hipócrita. Matou pessoas inocentes porque as coisas não saíram do jeito que queria. Fez minha mãe ter um filho que não podia, porque não queria que soubessem que tinha uma filha bastarda. Ele mentiu para mim depois que Morgause mostrou minha mãe naquele poço, quando perguntei para ele se era mentira o que ela tinha me mostrado, ele disse que era. Que tipo de homem é esse, Merlin?
– Um homem que errou muito, como todos podemos errar. Ele achava que estava fazendo coisa certa. O ódio dele não permitiu que visse o mal que estava fazendo. Grande parte dos súditos tinham medo dele, outra parte, tinha raiva. Morgana era muito parecida com ele, também ela deixou que o ódio a cegasse. Mas tem uma coisa Arthur, ninguém pode dizer que Uther não te amasse, e do modo distorcido dele, amasse Morgana também. É necessário que você saiba a verdade para poder seguir em frente e fazer a coisa certa. Tem que parar com essa perseguição alucinada a todos que tem magia. Ser um rei mais justo com todos os seus governados, isso você já demonstrou várias vezes que é. Você trata todos com justiça, faz suas alianças acontecerem por respeito e amizade e não por medo. Você é um grande rei Arthur, bem melhor que Uther foi.
– Acho que por hoje basta. — falou Aimos – Arthur, o importante não é apontar os erros de Uther e sim aprender com eles. Você tem um bom coração, é um homem melhor que seu pai. Conhecer seu passado é importante, mão não deve se prender a ele. Aprenda e siga em frente. Merlin vai levá-lo até seu quarto. Você poderá se lavar e descansar até o jantar. Amanhã temos mais coisas para conversar. Se quiserem utilizar o jardim para passear ou conversar, estejam à vontade. Até amanhã.
– Até amanhã Aimos. — falou Merlin se curvando, depois virou para Arthur ajudando o amigo a se levantar – Vamos Arthur.
Ao chegar no quarto Merlin colocou Arthur numa poltrona e foi preparar o banho. O jovem rei estava tão perdido em seus pensamentos, que só prestou atenção ao que estava acontecendo, quando Merlin chamou.
– Arthur venha, seu banho está pronto.
– Ein?
– Seu banho Arthur. Vamos, chega de esquentar a cabeça. Um bom banho vai te relaxar.
– Merlin, você não é mais meu servo, porque continua agindo como tal?
– Não sabia que tinha sido demitido – falou rindo – Posso não ser mais seu servo Arthur, mas sou seu amigo e estou aqui para te servir e proteger, já te falei isso.
– Obrigado – falou dando um sorriso – acho que estou precisando realmente relaxar.
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