Sexta-Feira, 4 de abril de 1997.

— Amélie!

— Fernanda!

— Terminou aquela música que você estava escrevendo?

— Estou quase.

— O que falta?

— O último verso.

— Sobre o que é a música?

— É sobre procurar algo que você perdeu.

— O que exatamente?

— Minha nossa, Fê, para de fazer tanta pergunta, poxa.

— Eu estou tão ansiosa com esse álbum.

— Calma, menina, com tranquilidade conseguimos qualquer coisa.

— Queria ser calma como você.

— Vai ficar querendo, desgraçada.

— Mas o que é isso?

— Estou brincando.

— E o trabalho de física?

— Minha nossa, nem me lembra disso.

— É pra entregar na segunda, meu pai comprou um computador pra mim.

— Nossa, depois fica reclamando que é pobre.

— E eu faço as contas pela calculadora do computador.

— Ótimo exemplo você, aliás, acho que já tive ideia do último verso da música.

— Conta aí.

A canção 4, chamada Nostalgia, fala sobre perder algo dentro de um computador.

Segunda-Feira, 28 de Dezembro de 2015. 16:36.

— Nossa, essa música é bonita, só não entendi a pista direito.

— Igor! — chamou Marina

— Marina!

— Precisava falar mais uma coisa antes de você sair.

— O que?

— Suponho que você leu o texto do CD, certo?.

— Certo.

— Já ouviu a canção 4?

— Terminei de ouvir agora mesmo, só não entendi bem qual era a tal pista para encontrar os outros álbuns.

— O último verso é essencial, mas agora preciso que você volte à casa o mais rápido possível.

— Pra que?

— Para pegar os teus ingressos para o festival, esqueceu?

— Mas a casa estava toda quebrada, alguma coisa deve ter acontecido, ou você sabe de algo a mais? Aliás, nem sei como você adivinhou que eu peguei o CD.

— Preciso sair agora, só quero que você vá à casa novamente, por mim. Tchau, Igor.

— Tchau.

Cerca de uma hora e meia depois, na Casa da Floresta. Igor, cansado, está vasculhando o local novamente.

— Não entendo porquê a Marina está fazendo esse joguinho comigo. — pensou Igor.

Igor ouve um barulho estranho vindo de um quarto, ele se aproxima, e no momento em que chega à porta, ouve um suspiro.

— Quem é você? — disse Igor.

— Eu que te pergunto. — disse uma mulher. — Tá fazendo o que na minha casa?

— Você é Amélie?

Amélie estava prestes a esconder mais uma cópia falsa de Black Cachaça II.

— Sim, sou eu, suponho que seja mais um amiguinho da Marina, certo?

— Mais um?

— Sim, sempre tem um amigo dela vindo me visitar, e roubar minhas cópias.

— A senhora pode me explicar o que está acontecendo?

— Pra que você quer saber? Você não gosta de mistério ou aventura?

— Bem, prefiro isso nos filmes e nos jogos.

— É uma pena. Vi você mesmo vindo aqui mais cedo. Por que voltou? Esqueceu de algo?

— Bem, Marina pediu para eu pegar os ingressos do Festival da Casa da Floresta com você. Aliás, como você me viu?

— Sério isso?! Eu estou sempre observando, onde quer que eu esteja.

— Sim.

— Bem, isso já não era esperado.

— Olha só, eu estou cansado, só quero pegar os ingressos e voltar pra casa.

— Tão fácil assim? Que menino chato você, estou até impressionado que tenha chegado até aqui.

— Na verdade eu nem sei porque Marina me colocou nisso.

— É o que todos dizem.

— Então existem outros caras mesmo? Que Marina fica fazendo gostar da banda e ficar indo atrás dos álbuns? Isso é decepcionante, acho que até já estou entendendo tudo.

— Guri, acalme—se, preciso fazer uma ligação, fica aí.

Amélie fica no lado de fora da casa, saca o seu smartphone e liga para Marina.

— Alô, Amélie?

— Por acaso mandou um menino aqui de propósito só pra me pegar em flagrante?

— Eu queria falar com você exatamente sobre isso.

— Qual é a tua ideia agora, menina?

— Esse menino é um de nós agora, conte tudo a ele.

— Por que?

— Eu estava pensando aqui, e desisti de fazer ele participar disso, ele não merece.

— Como assim, garota?

— Igor é um rapaz especial pra mim, ele não é como os outros.

— Para com esse papinho romântico.

— Não é isso, só acho que não devemos metê—lo nessa sua maluquice.

— Bem, podemos dar um jeito então! Quanto mais gente apoiando melhor, não?

— Sem dúvidas.

— Mas você confia mesmo nesse menino?

— Confio nele mais do que qualquer um.

— Nossa.

— Ah, e que história é essa de quebrar a casa? Fiquei sabendo disso, hein.

— Foi pra deixar o cenário melhor, bobinha.

— Você é demais.

— Eu sei.

— Amélie, então conte o esquema pro Igor e deixe—o ir embora, tadinho.

— Tranquilo, querida.

— Beijos.

— Beijos da dinda!

Amélie volta pra casa e encontra Igor escorado na parede, tentando ouvir a conversa.

— Garoto, é o seguinte, não tem festival pra nós.

— Como assim?

— Na verdade o festival é real, mas não sou a organizadora, ou melhor, Black Cachaça nem ao menos estará lá.

— Por que? Explica isso.

— Nossa, odeio ficar dando explicações, mas tudo bem, a chefinha mandou. Nossa participação foi cancelada por culpa da nossa gravadora. Porcaria Records odeia a nossa banda e fizeram de tudo para sabotar o festival.

— Por que esse ódio todo?

— Porque eu e Fernanda terminamos com o projeto Havenna, que seria a última esperança da gravadora, que está falindo. Por algum motivo os chefões gostam de nós, apesar de sermos do BC.

— Isso é realmente estranho.

— Também esqueci da parte em que invadimos o computador da gravadora e pegamos todos os arquivos da banda. Cara, tinha tanta coisa valiosa lá, como o nosso álbum incompleto. E é isso o que os fãs estão procurando. Mas mal eles sabem que já terminamos de gravar.

— E essa história toda de ficar escondendo os álbuns para os fãs procurarem?

— Além de fazer isso por diversão, também foi para testar o amor dos fãs.

— Estou triste por Marina ter me usado pra isso.

— Não é verdade, ela quer que você nos ajude.

— Ajudar como?

— Ajudar com o lançamento do Black Cachaça V, não conseguimos porque a gravadora não libera. Acreditam que não vamos conseguir bater a meta de vendas. Entenda que essa Caça ao Tesouro é uma forma de mostrar a gravadora que somos capazes.

— Mas como provamos que tem diversas pessoas brincando disso por causa da banda?

— Bem, isso está na próxima pista!

— Ótimo.

— Igor, você toca algum instrumento?

— Eu só costumo a produzir em softwares.

— Perfeito. Quer ser membro do Black Cachaça?

— Sério isso?

— Sim, e se tudo der certo, você pode gravar Black Cachaça VI com a gente.

— Mas é claro que quero entrar!

— Ótimo, agora vá pra casa e descanse, amanhã você pode voltar aqui? Umas 10 horas?

— Claro, estou disponível.

— Beleza, vou chamar os outros membros da banda e vamos contar o esquema melhor.

— Obrigado, Amélie.

— Por nada não, agradeça a Marina. O jeito que ela disse que confia em você me deixou comovida. Agora suma daqui, haha.

— Beleza, até amanhã!

— Até, menino.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.