Notas iniciais
Estou aqui novamente, depois de um bom tempo! Resolvi dar mais detalhes sobre o que houve com a elfa após o soterramento... Espero que gostem!

A próxima coisa que viu quando abriu os olhos, foi luz. Diretamente em seu rosto, a luz era forte demais para seus olhos que há muito não se abriam, então ela rapidamente os fechou. Ouviu vozes, mas não compreendeu uma única palavra, sua mente estava em um turbilhão de pensamentos desordenados que a impediram de distinguir os sons.

Ela sentiu algo a envolver e a puxar. Amarraram-na com algum tipo de corda e a ergueram. Assim que seu corpo foi erguido e descolado da parede de cristais com a qual ela parecia ter quase que se misturado, ela apagou.

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Luz. Ela sentia um feixe de luz do sol bater em seu rosto, uma leve brisa acariciar sua pele e o som de vozes encher o ar. Dessa vez, o cérebro estava menos energizado com pensamentos rodopiantes e ela compreendeu, com um pouco de dificuldade. A língua era humana, mas diferente do que ela estava acostumada. Esses humanos falavam mais delicadamente, com uma cadência menos cortada e arranhada que ela lembra de ouvir da fala dessa raça. Eles estavam discutindo.

Ela tentou abrir os olhos. Via as folhas, muito altas, formando um dossel sobre sua cabeça. A luz do sol era filtrada pela folhagem, que se movia com o vento, deslocando os minúsculos pontos de luz, em um movimento quase que ritmado. Ela estava deitada sobre o solo de uma floresta. Olhou para a sua direita, o pescoço meio rígido, mas ainda funcional: viu cordas em meio à serapilheira. Ela tentou se levantar e conseguiu, embora com dificuldade, o peito subindo e descendo rapidamente, como se estivesse exigindo de seu corpo o esforço necessário para correr. Sentada, ela pode ver melhor.

À sua frente, um grupo de humanos discutia, como as vozes sugeriam. O assunto era ela mesma: o que fazer com a elfa que encontraram dentro da rocha. Uns queriam levá-la com eles e outros preferiam deixá-la onde está. Não perceberam quando ela lentamente se levantou e disse, a voz rouca:

— Saudações. — A língua humana fluiu estranha pelos seus lábios, mas ela viu que eles entenderam.

— Expressão antiga essa, menina.

As palavras definitivamente eram parecidas com as que sabia fluentemente. Aprendera a língua dos humanos na escola, mas aqueles humanos, mesmo que falassem palavras muito similares, havia algo diferente. E nos rostos deles também. Os humanos que conhecera eram mais... brutos. Esses pareciam menores e mais delicados e sua fala também o era. Este que falava com ela era magro e esbelto, quase como se tivesse sangue élfico. O cabelo era preto e a pele escura.

Ela limpou a garganta e tentou falar mais uma vez, com a voz mais firme.

— Onde estou? Onde está a vila dos elfos?

O humano que falava com ela franziu o cenho.

— Não há vila de elfos em nenhum lugar perto daqui.

— Claro que há, eu moro aqui! — Ela via mais claramente agora: a floresta era a mesma em que treinara a vida toda, para se tornar uma caçadora e proteger a vila.

— Essa área é propriedade particular. O nobre que a controla certamente saberia se houvesse uma porção de elfos vivendo em suas terras. — O outro homem que se adiantou para falar com ela parecia agitado, quase irritado. Seus cabelos eram castanhos e a pele bronzeada. Ele se virou para os demais: — Temos que levá-la daqui. Ela claramente está perturbada.

— Eu não... — Ela se irritou. Aquilo era tudo muito estranho. Olhou mais uma vez ao redor e notou que a floresta era a mesma, mas não era: a vegetação era do mesmo tipo, a fisionomia também, mas ao mesmo tempo, ela não reconhecia a trilha, nem algumas grandes árvores que havia por ali. Ela deveria conhecer todo o terreno da floresta, incluindo as trilhas e também as árvores maiores. Era o básico do treinamento.

O grupo de humanos olhou para ela, em um misto de desconfiança e pena.

— Como você foi parar no meio da mina de lírio? —O homem de pele escura falou.

— Eu... — Ela resgatou as memórias. Orcs. A vila, a fuga e então... — A vila estava sendo atacada, a barreira caiu e então eu fugi. Havia um orc, que estava me perseguindo. Eu entrei em uma caverna e então me deparei com os cristais... O lírio? Como vocês chamam. —Os cristais de fato se assemelhavam a flores, ela notou. — E então houve um terremoto e a caverna desabou, eu acho. Não me lembro muito mais depois disso. Quando me dei por mim, estava aqui.

— Teremos que reportar ao Lorde. E levá-la conosco. — O homem moreno disparou. — Não podemos deixá-la aqui.

— Ele não vai gostar nada disso. Sabem como ele é. — O homem de pele mais escura recrutou. Ele estava visivelmente preocupado. Consigo mesmo ou com ela, Aelysia não podia dizer.

— Quero falar com esse lorde. — A elfa disse, subitamente.

E eles então a levaram.

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— Então, a senhorita está sugerindo que, aqui, bem no meio da minha propriedade, havia uma vila de… Elfos da Floresta. — O nobre falava em um tom irritantemente calmo. Aelysia já sentia falta dos humanos com os quais estava acostumada.

— Não estou sugerindo nada, milorde. — Ela não desgrudou os olhos violeta do rosto impassível do Lorde. — Estou afirmando que eu morava nessa vila…

— Basta de loucuras. Acho que a nossa amiga precisa de ajuda para sair de minha propriedade.

— O quê?

— Não se preocupe, não prestarei queixa contra você, imagino que tenha consumido algum tipo de erva élfica e não tenha tido a intenção de invad—

O ar ao redor de Aelysia ficou gelado, assim que ela, inconscientemente, retirou-lhe a mana. Seus cabelos cor de areia tremularam e os olhos furiosos fitaram o nobre gorducho.

— Eu não invadi nada, eu sempre vivi aqui!

— Guardas, tirem-na da minha frente!

Aquele nobre não poderia lhe fornecer resposta alguma e, por mais nervosa e confusa que estivesse, Aelysia não resistiu.

Suspirando, e deixando o ar ao seu redor se aquietar, a elfa caminhou sozinha para a grande porta do salão, indagando em que momento ela acordaria daquele pesadelo de mal gosto.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.