Notas iniciais
Desculpa a demora.

Alice acordou num pulo, era dia de ir à escola. Ela havia sonhado que Hipérion morria e estava péssima. Além do mais, estava frio, muito frio. A aula foi normal. Em casa Alice estava olhando Pretty Cure e Rion estava lendo Percy Jackson (ele tinha dito a ela que o livro era ridículo, no entanto continuava lendo). Rion perguntou:

–Por que você olha essas coisas ridículas?

–Não são ridículas, são legais! – protestou Alice.

–São coisas de criança! – reforçou ele.

–Claro que não, eu aprendo muita coisa com isso.

–Tipo o quê? A gritar como elas? – debochou.

Alice o olhou emburrada.

–Não me diga que quer ser como elas? – perguntou Rion – Sério?

–E o que você quer que eu olhe?! – perguntou ela.

–Sei lá.

Querendo mudar de assunto, Alice comentou:

–Está muito frio, não acha?

–Sim, a sensação é de que pode nevar. – falou ele.

–Que legal!Nunca nevou por aqui! –exclamou Alice.

–Você quer neve? – Rion parecia pensativo.

–Claro! Isso seria incrível! – respondeu ela alegre.

–Eu sou um mago do tempo e... – Hipérion sorriu.

Alice entendeu, ele podia fazer nevar!

–Alice, coloque um casaco bem quente! – disse ele.

Alice fez isso e os dois foram ao pátio da casa. Sorrindo, Rion estendeu as mãos para o céu e começou a nevar. Quando o primeiro floco caiu, Alice correu para pegá-lo, sorrindo feito louca. Todos pararam na rua, para ver os floquinhos de neve, caindo suavemente sobre as casas, árvores e carros. Rion foi o primeiro a jogar uma bola de neve na cabeça de Alice. Então começou a guerra de neve, o irmão de Alice também entrou na brincadeira e até os pais de Alice brincaram. Na casa de Lucca diversão não faltava, todos brincavam esquecendo os problemas. Mas os problemas não os esqueceram.

Á noite Alice teve o mesmo sonho: um castelo em chamas, os gritos de seus amigos, Rion sendo apunhalado por um homem mascarado, um homem... ruivo... Então acordou ofegante, Hipérion estava sentado em sua cama.

–Você estava gemendo. O que aconteceu? – perguntou ele.

–Eu tive aquele sonho de novo. –respondeu ela tristonha.

–Está cedo e frio. Melhor ficar na cama...

–Não, eu não consigo mais dormir. – resmungou ela.

Alice tentava segurar o choro, se aquele sonho se repetiu, Rion poderia mesmo...

–Rion... eu... não quero que você... – Alice começou a chorar.

–Alice... – Hipérion limpou uma lágrima dela com o dedo – Eu não vou morrer.

–Promete? – perguntou ela.

–Alice, eu não posso prometer isso... mas eu prometo me esforçar para não morrer.

–E eu prometo não deixar você morrer. – prometeu Alice

Rion a abraçou, uma abraço aconchegante. Ele tinha dito que não iria morrer, mas sabia que os sonhos de Alice eram um presságio.

–Não chore Alice. – disse – Sorria enquanto pode, Não sabemos quando vamos ter que lutar contra Eidolon, nem que sacrifícios poderão ser feitos.

Mas uma lágrima correu do rosto dele, que pensava na mãe. Ela estava viva, mas não sabia por quanto tempo. Então tudo em volta deles ficou branco, eles viraram desenhos e de repente estavam em uma ilha. Tudo em volta era preto e branco, como um rascunho de um quadro que seria bonito se estivesse pintado. Alice e Hipérion se olharam, dois desenhos mal feitos.

–O que... O que aconteceu com a gente? – perguntou Alice.

–E onde estamos? – Hipérion olhou em volta.

–Isso só pode ser um sonho! – exclamou Alice confusa.

–Não. Deve ser algum mago brincando conosco. — Supôs Rion – Mas eu nunca ouvi falar de um mago que transformava pessoas em desenhos.

–Será que vamos ficar assim pra sempre? – Alice se apavorou.

–Temos que encontrar um jeito de sair dessa ilha, só assim voltaremos ao normal. – explicou ele.

–Então vamos explorar a ilha! – decidiu Alice.

Ela foi caminhando até a selva sem cor, mas Rion a impediu.

–Alice, nós não o que há lá, pode haver monstros ou animais selvagens. – avisou.

–E como sairemos daqui? – perguntou ela.

–Acho que contornando a ilha é melhor. – sugeriu ele.

Como Rion estava errado...

Os dois começaram a andar em volta da ilha, na praia. Alice ficava pegando conchinhas pretas e brancas, sem acreditar que aquilo era real. Hipérion olhava para todos os lados, alerta a qualquer sinal de perigo. Alice começou a ouvir um sussurro.

–Rion...

–O que foi? – perguntou ele.

–Está ouvindo?

–O quê? – tentou ouvir algo.

– Esse barulho, esse sussurro. – respondeu ela.

Ele franziu a testa. Alice ouviu os sussurros ficando cada vez mais altos, então ouviu com clareza: “Cuidado, ela está vindo.”

–Ela quem? –perguntou.

–Alice, você está louca? – Rion começou a ficar preocupado.

–Eu nasci louca. – respondeu ela ignorando-o – Mas tem alguém me dizendo que “ela está vindo”.

–Quem está vindo? – perguntou ele confuso.

–Não sei talvez uma maga.

Então apareceram um enxame de abelhas e borboletas, todas dizendo: “ela está vindo”.

– Rion, são elas que estão falando. –explicou.

–O que?Mas insetos não podem falar. – Rion não acreditava nela.

–É verdade, talvez...

Os insetos começaram a os rodear, voando desesperadamente.

– Quem está vindo? – perguntava Alice.

Então surgiu uma mulher, também em preto e branco. Uma velha de pele enrugada e corpo curvado. Ela estava com uma bengala e um sorriso maquiavélico, mostrando a boca sem dentes. Rion foi o primeiro a reagir, ele mostrou a espada para a velha e iria dizer alguma coisa, mas as palavras não saíram. Depois tentou apunhalar a velha, mas começou a encolher, Alice deu um grito (ou tentou, pois não teve som). Rion voltou a ser um rato, Alice o pegou rapidamente e correu o mais rápido que podia. Lutava para não chorar, estavam perdidos em uma ilha sem cor e agora nem falar podiam.

Ela ouviu em sua cabeça: “Não vai adiantar correr!” Era a voz de Hipérion. Tentou falar, mas não conseguiu, então tentou pensar: “Sabe que maga ela é?”

“Parece que transforma as coisas” foi a resposta.

“Ótimo! Eu é que não quero virar um rato também!”

Alice resolveu na selva e se jogou numa moita preta. Rion perguntou (no pensamento):

“O que está fazendo?”

“Me escondendo, quero pegá-la de surpresa.” – respondeu Alice.

A velha passou lentamente pela selva, Alice olhou atentamente até a velha se virar e ela pulou em cima da velha. A velha caiu e bateu com a bengala na cabeça de Alice, depois a atirou num lago lodoso.

Alice odiava banhos inesperados, mas o pior foi ser atirada em um lago sujo e nojento, até porque ela nem sabia nadar. Alice se debatia na água, tentando desesperadamente voltar a superfície. A voz de Rion ecoou na sua cabeça:

“Não desista Alice, não morra!”

Então ela alcançou um galho e voltou a superfície tossindo. Havia pedras ali perto, Alice subiu numa dessas pedras e a mesma se levantou. No entanto, não eram pedras. Eram crocodilos brancos e famintos, Alice foi pulando em cima das cabeças deles, escapando das dentadas até chegar em terra firme. Tremendo de frio se perguntou aonde estaria Rion. Quando viu a velha, ela estava com um rato em uma de suas mãos. Rion gritava em sua mente: “Socorro! Ela vai me matar!”

Um ódio imenso surgiu em Alice, ela não ia deixar Rion morrer de jeito nenhum. Então saiu correndo em direção a velha, que a fez tropeçar. Mas ele não desistiu, começou a dar socos e chutes, só que a velha os desviava. Até que Alice acertou o rato. Perplexa perguntou no pensamento: “Está vivo?”, O bicho não respondeu, chorando Alice gritou:

–EU QUERO IR PARA CASA!

Aquele dragão lilás com o coração na testa apareceu, a velha gritou enquanto virava pó, Rion voltou ao normal um filete de sangue corria de seu nariz. Alice o abraçou chorando feito uma criancinha.

–Desculpa Rion! Eu não queria te machucar, me perdoa! – se desculpava.

–Não foi nada Alice, você queria me salvar. Além do mais eu estava merecendo um soco mesmo, por te tratar tão mal. – disse ele.

No chão não havia um animal e sim uma pedra no formato de um animal todo misturado e sem cor. Rion a olhou e disse:

– Ela não era uma maga, era um espírito! – falou.

–O quê?

–Ela era um espírito do mal, que entrou em uma maga. Já ouvi falar disso. – explicou ele.

–Acha que agora iremos para casa? – perguntou Alice.

Nem precisaram de resposta e estavam novamente no quarto de Alice, em cores.

–Ufa!Não sou mais um rato! – vibrou Rion.

–Eu estou com frio. – reclamou Alice tremendo.

– Claro, está toda molhada. Vai tomar um banho.

E foi o que ela fez, depois os dois ficaram conversando sobre seus melhores momentos. Para esquecer o mal.

Notas finais
É, muitos momentos emocionantes aguardam. Até o próximo capitulo(acho que vai demorar).