Notas iniciais
Para quem leu a primeira versão essa é a continuação do capitulo anterior que tive que dividir em dois e a segunda parte (essa) tornar-se um novo capitulo. Boa leitura.

Já era fim de tarde, um típico fim de tarde de outono. O sol estava todo laranjado e banhava toda a universidade com seus tons de laranja e pêssego. Na universidade havia uma área com algumas grandes árvores, a maioria delas eram enormes carvalhos com suas copas majestosas. Ali foi o local onde Oliver combinou com professor Heitor de se encontrarem. Oliver já estava lá aguardando o professor a quase meia hora, estava ansioso e por um momento pensou que o professor talvez tenha desistido do compromisso. Mas o professor apareceu e viu Oliver sentado debaixo de uma das árvores.

— Boa tarde! Estou atrapalhando? – Disse Heitor.

— Oh, Não. Que pergunta é essa? Estava aqui esperando o senhor. Pensei que não viria mais. Como está?

— Estou bem, cansado para falar a verdade, são muitos alunos de diversos lugares. A vida de professor universitário não é muito fácil meu caro. Mas diga-me, o que há de tão importante para me abordar daquela forma no corredor? Você parecia um pouco tenso.

— É que bem, agora que eu parei para refletir um pouco, não sei por onde começar. Não me julgue mal mas tenho coisas na cabeça que se as pessoas soubessem iriam me chamar de louco.

— Então comece do inicio. Pode confiar em mim, não irei te chamar de louco.

— Tudo bem, tentarei ser direto, Bem quando eu percebi que o senhor entende sobre outros mundos, apesar de realmente você saber disso pois o senhor é o nosso professor de astronomia, pensei que o senhor poderia ser a pessoa certa para me ajudar a tirar algumas dúvidas, acho que o senhor possa pensar que nem eu e é óbvio que existem planetas lá fora mas até hoje não se sabe o que se tem neles, minha dúvida é além disso. Eu acho que não existem outros plantes apenas mas também exista outro lugar que não são planetas que fazem parte desse nosso planeta de alguma forma, só que ele não é visível a nós. Entendeu? Deu para entender?

Heitor calado e ouvindo atentamente o que ele disse, apenas falou.

— Continue.

— Tenho que te contar um segredo, ninguém sabe porque eu nunca contei para ninguém, preciso saber da sua opinião se é possível ou não disso existir.

Ano passado nas férias de verão, fui ao norte da Inglaterra visitar parentes em uma um pequeno condado e ao lado do condado existe uma enorme montanha que quando é fim de tarde ou a noite o topo da montanha é coberto por luzes coloridas vindas do céu que pousam no topo da montanha. Disseram que aquele era um fenômeno natural chamado Aurora e que atraia muitos curiosos ao condado para observa-las, principalmente no inverno. Pois bem, certo dia resolvi subir a montanha sozinho para admirar aquilo de perto, quanto mais perto eu chegava do topo mais encantador era aquele fenômeno. Cheguei lá em cima, não avistei ninguém, no verão a Aurora é mais rara com isso menos gente subia lá. Fazia um silencio terrível. Caminhei sobre a montanha admirando a linda paisagem do céu e a visão de lá de baixo, subi mais um pouco até que finalmente cheguei ao topo. Dava para se ver tudo, do o outro lado da montanha dava para avistar o mar ao longe. no centro tinha uma formação rochosa parecendo um pico pontudo bem alto, onde as luzes tocavam, parecia a conexão da terra com o céu. Me aproximei do pico, e logo me dei conta que ouvia algo, um sussurro, uma fala bem lenta em forma de canto, achei que fosse o barulho vindo do mar, mas não era, depois pensei que eu estava começando a ouvir coisas por causa da altura do lugar, mas mesmo assim me sentia bem e a cada passo que eu dava o barulho aumentava mais e mais, só que num tom ainda mais alto, fiquei receoso, me aproximei e quando cheguei ao lado do pico o som parecia vir do céu, as luzes estavam ainda mais fortes e mudavam de cor a todo segundo, foi quando tudo em volta começou a mudar, eu não percebi na hora mas, quando me dei conta não era mais a mesma montanha, e a cidade tinha sumido, tudo em volta começou a ficar diferente e embaçado, eu já estava dentro das luzes, igual a neblina quando toma conta de tudo a sua volta. Foi quando vi que havia uma rocha diferente com formas retas e lisas no lugar daquele onde estava aquele pico deformado e pontudo. Fiquei muito assutado, não quis passar mais um minuto lá e não sabia como voltar, percebi que eu estava com o braço esticado com a mão encostada na rocha, soltei a mão da rocha, depois disso eu não lembro mais nada do que aconteceu, lembro que abri os olhos e estava deitado no chão. Devo ter desmaiado, já era noite e decidi sair dali o mais rápido possível.

Oliver ainda um pouco ofegante de ter revivido esses momentos pediu uma orientação ao professor mas ele ficou queto por alguns instantes, meio que sem saber o que dizer, sua preocupação não era o que dizer, depois de tudo aquilo que ele ouviu tudo se encaixava claramente com o que estava escrito no livro de seu avô. Ele respirou fundo e olhou para o aluno e disse.

— Oliver, você não está louco.

— Mas o que o senhor acha? Juro que tudo isso que contei é verdade. Não são coisas da minha cabeça, juro, só quero que me ajude a entender.

— Sim, eu acredito. Acabei de falar que você não é louco não ouviu?

— Desculpe senhor, bem o que senhor tem a me dizer?

— Sempre é bom duvidar do que se vê para ter a conclusão que seus olhos não estão mentindo para você. Como você acredita no que viu, quem sou eu para duvidar?

— Então você acredita que o que vi é real?

— Talvez. Venha comigo.

Heitor o levou para seu dormitório. Um quarto simples, sem muitos luxos. Tinha uma pequena estante cheia de livros. Uma escrivaninha ao lado, cama e os outros moveis simples e rústicos que completavam o ambiente. Lá ele apresentou o livro do seu avô que estava em cima da escrivaninha, explicou sobre o que o livro falava e a história de como ganhou aquele livro do seu avô. Heitor estava ansioso pois lembrava que algo no livro parecia com os relatos que acabara de ouvir de Oliver.

Folheou o livro, procurando certa página que havia lido a um tempo atrás. Demorou para acha-lá e quando enfim encontrou leu um trecho a Oliver que dizia o seguinte.

Essas luzes são intrigantes para mim, estou cansado de ouvir histórias e noticias, existe um grande mistério que rondam nelas, para que servem? a quanto tempo estão ali? Não é possível que sua única função seja apenas enfeitar o céu, mesmo depois do sumiço da moça em uma daquelas regiões. Seu corpo não foi achado e não há provas do seu paradeiro.

— Você percebe Oliver? Nesse livro está contido anos de pesquisa do meu avô. Ele trabalhou sozinho nisso a troco de nada. Ele quis apenas dar uma resposta ao grande mistério humanidade. Se associamos o que aconteceu com você com o que está escrito aqui podemos chegar a conclusão que se trata de um portal.

— Um portal? Isso não existe, me explique direito. – Disse Oliver um pouco assustado.

— Acalme-se, isso não é algo ruim, dependendo do caso.

— E vai depender do que? – Falou num tom baixo.

— Deixa eu explicar melhor. Um portal como o próprio nome diz, é como se fosse uma porta, uma passagem, que leve a outro lugar. Esse lugar pode se qualquer coisa. Como nunca se descobriu um antes então não se saber para onde ele pode nos levar, ou o que encontraremos do outro lado.

— Então quer dizer que aquilo que eu passei era como se fosse...

— Como se fosse uma transação – Continuou Heitor – Como se você estivesse saindo desse mundo e talvez indo a outro.

— Meu Deus! Impossível. E o que você pretende fazer agora?

— Meu avô me deixou esse livro na esperança que eu continua-se o trabalho dele. Não quero que seus anos de dedicação morra assim como os humanos morrem, não quero que seja em vão. – Heitor respondeu em um tom solene e respeitoso.

A verdade é que Heitor amava aquilo, ele amava aquele desafio, era uma missão de vida dele. E ele estava determinado a enfrentar todos os obstáculos, ele acreditava e nunca passou por sua cabeça que tudo poderia ser em vão, ele só queria uma maneira de provar tudo aquilo que seu avô presumiu.

— Preciso ir nesse lugar, onde seus parentes moram. Como chego até lá?

— O senhor vai mesmo lá? E as aulas? Vai largar tudo aqui? Hoje foi seu primeiro dia.

— Tem razão, não seria fácil largar tudo assim. Mas tenho que arrumar um jeito de ir lá sem ter quer largar as aulas. Mas como?

— Bem, o senhor poderia levar nossa turma até lá, como se fosse uma excursão de pesquisa.

— É uma boa ideia, mas como transportar tantos alunos assim? Haja charretes.

— A universidade investe muito na educação. Apenas basta fazer com que eles realmente acreditem que isso seria essencial para nossos estudos.

— Tudo bem, irei falar com a direção amanhã sobre o caso, ver o que eles acham e se apoiariam.

Depois disso o professor apresentou o pequeno acervo de livros que tinha, mostrou algumas partes do livro que falavam de mundos paralelos que seu avô tinha escrito e conversaram sobre o assunto. Com certeza Oliver tinha tirado a maioria das suas duvidas e viu que o professor era realmente o tipo de pessoa a qual ele tinha imaginado, só que muito melhor e mais inteligente.

O tempo voou que eles nem se deram conta até que o cansaço entregou que já era hora de descansar.

— Acho que já está tarde senhor, tenho que ir e o senhor teve um longo dia.

— Sim é verdade, tenho que dormir mesmo, espero que eu me acostume com essa rotina. Espero ter correspondido a suas dúvidas. O que achou do papo?

— O senhor é incrível, muito inteligente. Obrigado pela atenção e me desculpe mesmo por ter te tratado de forma grossa no inicio.

— Não a problema, esqueça isso. Agora vá, não vão gostar de ver alunos até uma hora dessas fora dos dormitórios.

— Certo, boa noite professor.

Ambos ficaram bem pensativos sobre tudo o que havia acontecido. Principalmente Heitor que finalmente tinha pistas de tudo aquilo que seu avô tinha escrito. Se sentia como se estivesse avançado mais uma casa. Demorou para pegar no sono, até que finalmente dormiu.

Notas finais
O próximo capitulo não esta atualizado a nova versão da história. Então aguarde um pouco para ler. Devo atualiza-la até amanhã. Dúvidas me mandem uma mensagem. 01/08/16