Notas iniciais
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Após a explicação de Beta sobre as estrelas cadentes, o grupo adentrou o bosque tomando uma nova direção. O garoto de cabelo azul guiou os integrantes de seu clube até sua casa na árvore.

– Chegamos. — disse Beta. Estava muito escuro devido à densidade das copas das árvores e Alice não conseguia enxergar.

– Beta, eu não vejo nada. A gente volta aqui amanhã. Está muito escuro. — Alice tocou o ombro de Beta, como se estivesse consolando-o. Entretanto, o rapaz apenas bateu palmas e as luzes se acenderam. Era uma casa gigante. Havia uma escada de madeira que ligava até o cômodo central que possuía uma forma pentagonal. De cada um dos quatro lados restantes havia uma ponte de madeira consistente, coberta dom paredes e teto de vidro, que levavam aos outros cômodos, construídos nas árvores ao redor. — Nossa...

– Uau! — exclamou Stephanie. — Que linda! Quem construiu?

– Eu construí. — Beta estufou o peito. — Eu fiz curso de marcenaria.

– É mesmo, senhor marceneiro? — Alice segurou o braço do menino. — Então, nos leve para conhecer o interior da sua obra prima. — puxando-o pela escada de madeira, Alice subiu correndo os degraus e os outros a seguiram. Com um sorriso no rosto ao encarar Alice, Beta abriu a porta, revelando a cozinha. Os eletrodomésticos eram de inox e as bancadas eram feitas de marfim. O cômodo afunilava até uma pequena parede com uma porta. Beta os guiou até atravessar a porta, onde havia outro pentágono, agora com portas em todos os cinco lados. Estavam fechadas.

– Vocês podem fazer o que quiserem, já que conhecem o lugar. — Beta apontou para o Casal Bizarro. — Eu vou apresentar a casa à elas.

– Vou fazer café. — Leonard voltou pela porta onde entraram.

– Estou na sala, jogando. — Elimona entrou no cômodo à frente.

– Venham comigo. — Beta seguiu pela porta à direita. Alice e Stephanie foram cheias de curiosidade. Após a porta havia a biblioteca. Ela pegava dois lados do pentágono e dava acesso à duas das pontes. As paredes eram abarrotadas de livros. Atrás de uma das portas da biblioteca havia uma das pontes de madeira. Ao final dela, havia outra porta. Quantas portas, pensou Alice. — Aqui é o quarto de vocês duas aqui na casa. Aqui é o lugar que eu construí para o clube.

Stephanie logo escolheu a cama com a colcha de flores, perto da cômoda branca, do lado direito. Uma janela grande ficava entre as duas camas. Sobrou para Alice a cama com colcha de ursinhos, mas ela não se incomodava com a estampa. Sua cômoda era branca como a de Stephanie, mas a diferença era que os puxadores eram ursos e a da outra menina era de flores. Alice tirou o casaco de moletom azul-claro e o colocou sobre a cama.

– Vamos. Vou mostrar o resto da casa.

Do outro lado havia a sala de jantar com uma mesa de vidro com seis lugares. A louça ficava guardada no armário ao lado da mesa. Além desta estava outra ponte. Dessa vez, a ponte levava ao banheiro. A banheira ficava de frente para a porta, com uma janela possibilitando uma visão da lua. Era todo branco com móveis em madeira de carvalho. Depois, foram ao quarto de Elimona e Leonard, passando pela biblioteca primeiro. O quarto do Casal Bizarro era como eles: bizarro. De um lado, o quarto era preto e todo punk. Aquele era, com certeza, o lado de Elimona. Já o lado de Leonard era bege e todo arrumado. Em uma estante estavam organizados alguns livros e a cômoda era de carvalho.

– Os dois personalizaram o quarto. Vocês também podem fazer isso. O quarto agora pertence à vocês.

– E você? — indagou Stephanie. — Onde dorme?

– Você verá. — Beta deu um sorrisinho. Voltando para o pentágono interior, Beta levou-as à última porta. Ali estava a sala de estar. Um sofá de couro preto rodeava a televisão plana gigante. Elimona estava jogando Devil May Cry e Leonard estava tomando café ao seu lado. Abaixo da televisão havia uma lareira à gás, na qual o fogo dançava. Na parede esquerda estava outra porta que, consequentemente, devia levar à outra ponte e ao quarto de Beta. Ao lado da porta havia uma sacada com portas de vidro. — Bom, é isso. Sejam bem-vindas. Essa é a chave do quarto de vocês. — Beta entregou as chaves à Alice.

– E os seu quarto? — indagou Stephanie.

– O que tem ele?

– Nós queremos ver. — disse Alice.

– É só sair na sacada e olhar. Mas, é melhor olhar amanhã de manhã. Ele é o menos iluminado dos cômodos. — Beta deixou o corpo cair no sofá.

– Não, nós...queremos que nos leve até lá. Né? — Alice indagou para Stephanie e esta respondeu com uma afirmação de cabeça.

– Impossível. — Elimona não tirou os olhos da tela. — Aquela porta fica trancada. Ninguém que não seja Beta consegue entrar ali. Desistam. — de repente, ela tacou o controle no sofá. — Morri, porra!

– Meu controle, porra! — gritou Beta.

– Começou a baixaria. — disse Leonard. As duas meninas foram se sentar ao lado do garoto de óculos enquanto Elimona e Beta brigavam. — Observem os movimentos deles. É muito engraçado.

Beta fazia caretas estranhas que Alice nunca vira e gesticulava de forma bizarra. Mas Elimona não ficava atrás, também era estranha a forma como ela se portava. Então, os três, antes quietos, caíram na risada, tirando a tensão do ar. Leonard se levantou.

– Vou pegar mais café. Vocês querem?

– Eu quero. — Stephanie o acompanhou. — Eu sem café sou capaz de matar todo mundo.

Alice riu. De repente, ela sentiu o sofá ao seu lado tremer. Beta havia sentado ali, deixando o corpo cair.

– Você me assusta, seu estranho.

– Raciocina comigo: vocês duas não sabem voltar para o campus sozinhas. Eu não vou sair daqui. Vocês duas tem um quarto aqui. Estamos em cinco pessoas. Eu vou fazer umas pizzas. E vocês dormem aqui. O que acha? — disse Beta deitado sobre as pernas de Alice.

– Tudo bem, contanto que nenhum de você seja sonâmbulo.

– Beleza! — Beta pulou do sofá. Esse cara não para quieto!– Leonard! Vamos fazer pizzas!

– Eu não vou te ajudar. — respondeu o garoto na cozinha.

– Via ficar sem comer, então! — Beta protestou. Alice se levantou.

– Eu te ajudo.

Com um sorriso, Beta estendeu o braço para que Alice passasse. Primeiro as damas, é? O cavalheirismo ainda não morreu. A noite passou rápido. Enquanto Leonard, Elimona e Stephanie jogavam jogos de dança na sala, Alice e Beta preparavam pizzas para a janta. Após as pizzas, ainda ficaram um tempo conversando até todos irem dormir. As garotas se impressionaram ao achar pijamas de flanela nas cômodas. Sem mais delongas, as meninas deitaram em suas camas macias. Alice adormeceu rapidamente.

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Em alguma clareira pelo mundo encontrava-se Alice. A luz das estrelas banhavam seu rosto com delicadeza. Era uma noite maravilhosa. Mas ela sentia falta de algo ali. Algo quente e macio. Porém, sabia que não era humano. Em sua mente, ela dizia a si mesma: "ele não é humano". Fechou os olhos e desejou que ele estivesse ali com ela.

– Alice... — sua voz era suave. Alice se arrepiou com o sussurro ao pé da orelha. "É ele", pensou. "As estrelas atenderam o meu desejo." — Meu lindo acaso, eu sou as estrelas. Eu sou o universo. E tudo além dele.

A menina estranhou e se virou. Assustada, Alice viu Beta parado ali. O mais assustador erma seus olhos, pois eles refletiam a imagem do universo. Ela queria gritar, mas sua voz não saía, Conforme mais tentava gritar, mais sufocada ficava. O ar não entrava de jeito nenhum. Sua visão tornou-se turva e se extinguiu.

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Alice acordou ofegante. Seu travesseiro estava todo molhado de suor. Stephanie estava roncando do outro lado. A imagem de Beta com olhos de universo não saía de sua mente. Tomou coragem para sair da cama, pegou seu cobertor e foi beber água. Pegou um copo cheio na cozinha e resolveu ficar na sala até o sono voltar. A luz da lua era atraente e Alice foi até a sacada, olhar a paisagem afora. De primeira, seus olhos caíram sobre o quarto de Beta. Por estar embaixo de uma árvore com a copa densa, o quarto não era bem iluminado. Ele deve estar lá, dormindo de boa, e eu aqui, tendo pesadelos.

– Você também não consegue dormir? — Alice se assustou. Beta apareceu atrás dela com um pijama cinza. Ele penteou o cabelo com os dedos. Não faz isso comigo! A menina se lembrou da aparência dele no sonho e logo desviou o olhar.

– Tive um pesadelo.

– Entendi. Entretanto, saia do frio. — Beta segurou sua mão. — Vamos procurar alguma coisa na TV. — Feliz por Beta estar de costas, Alice se deixou ser levada. Juntos, eles sentaram no sofá. Alice dividiu o cobertor com ele. — Obrigada.

– Põe no Cartoon Network.– pediu Alice.

– Por que eu deveria?

– Porque os desenhos da madrugada são legais. — Beta entregou o controle à Alice. Com o poder nas mãos, ela colocou no canal desejado. Estava passando Johny Bravo ele estava apanhando de uma mulher de novo. Os dois gargalharam. A risada de Beta era sincera e inocente. Depois de algum tempo, Alice perguntou:

– Por que você não conseguiu dormir?

Beta estava quase deitando em Alice, mas a menina não conseguia tirá-lo dali. Mais por educação do que por falta de força.

– Eu tenho insônia. Durmo três horas por noite.

– Que ruim...

– Pelo contrário. — ele bocejou. — Eu acho bom. Assim eu posso estudar e adiantar a matéria. — ele deitou nas pernas de Alice.

– Beta, não deite. Vamos, vá se deitar na sua cama. — o garoto parecia não ouvir. — Eu não sou um travesseiro. — Beta havia caído em sono profundo. — Não é possível! Você não tem jeito, Beta. Bom, eu vou terminar de assistir esse episódio e vou dormir.

Alice ficou ali, com Beta deitado em suas pernas, limitando seus movimentos. Porém, não resistiu e teve de tocar no cabelo azul do garoto. Era macio e cheirava ao seu xampú de rosas. Enrolando mechas de cabelo, Alice deitou-se ao lado de Beta, empurrando-o para perto do encosto do sofá. Debaixo do cobertor estava quente e o peito de Beta subia e descia lentamente. Com a junção destes fatores, Alice adormeceu de costas para Beta. Inconscientemente de seus movimentos, Beta se virou e seu braço caiu sobre Alice, como se fossem um casal de conchinha.

Foi a primeira noite que Beta dormiu tão bem após anos de vida.

Notas finais
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